Latest / Logosofia no Dia a Dia / Me Leva Que Eu Vou: Por Que Você Não Deveria Deixar a Vida Te Levar
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bom? Sabe que em termos de analogias, tudo que a gente vive na vida serve, né? E analogia eu gosto de usar sempre porque é uma forma inteligente de eu pegar a minha mente, que tem uma capacidade limitada, por quê? Porque conhece de forma limitada o mundo, o universo, a criação e a si mesmo, e pegar essa imagem que é mais próxima, que é mais fácil de entender, porque a mente comum entende, e daí, então, partir para compreender aquilo que diz respeito à vida, às causas, ao mundo mental. Por isso que eu estou sempre em busca de uma analogia, né? Sempre com uma imagem daquilo que está próximo e eu entendo bem, ou entendo mais facilmente, e dali eu parto, sempre, para tentar compreender algo que tem muito maior significado para a minha vida. Então eu lembrei de novo de outro aspecto, de uma situação muito curiosa que acontecia, em alguns mergulhos que eu fiz na minha vida. Não é frequente, não, mas era assim, de tanto em tanto acontecia. Muitas vezes a gente encontra, quando mergulha, uma correnteza, uma correnteza normal de água, um movimento da água, que em geral é causado por vários fatores, desde marés, especialmente marés, e ventos também, e especialmente topografia, quando você está em um lugar mais cheio de ilhas, e às vezes tem lugares mais estreitos, e a maré está vindo ou indo para algum dos lados. Isso tende a formar um fluxo mais forte de água, são correntezas específicas ali, localizadas. Isso é comum no mergulho. Agora, o que é curioso sobre mergulhar com correnteza? O pessoal mais inexperiente, os mergulhadores que estão mais no início da vida de mergulhador, adoram se deixar levar pela correnteza. Por quê? Porque, claro que é mais confortável, não é confortável, é cômodo, é muito cômodo se deixar levar pela correnteza, muito cômodo, porque é como se você ficasse, no caso do mergulho, você fica lá parado, flutuando na água, e a correnteza te leva, então assim, é como se fosse um "me leva que eu vou", é bem isso. Tem essa expressão pessoal, usava em relação à vida, que é levar a vida, deixar a vida me levar, isso é mais ou menos deixar a correnteza te levar no mergulho. Parece super legal, e é super cômodo, mas tem um problema seríssimo nisso. Aliás, tem vários problemas, mas tem um problema que é muito sério. O problema mais sério que tem é um deslocamento para distante de onde você deveria estar quando o mergulho estiver próximo do final, e isso acarreta riscos desnecessários ao mergulho. Muitas vezes isso significa estar distante de um barco pequeno que levou você, e as pessoas terem dificuldade de ver onde o mergulhador está. Quando você surge de volta na superfície, você é uma pequena cabecinha, um pequeno pontinho, naquele mar que muitas vezes está mexendo, então assim, não é fácil de ver. E há um risco de você ter que depois fazer um processo de tentar nadar de volta para o barco, para o lugar que você deveria estar, você pode se perder do grupo maior de mergulhadores, alguns riscos razoáveis. E tem o pequeno risco disso, que é você, nesse ficar cômodo e deixar a correnteza levar, o mergulhador perde os detalhes mais bonitos do mergulho, porque, eu como eu falei já em outras vezes que eu mencionei essa atividade, mergulho não é uma coisa que você passa assim rápido pelos lugares como se fosse um ônibus de turismo na cidade, que você vai passando pelos lugares mais importantes, não é isso. O objetivo legal de fazer de mergulhar é você poder se aproximar dos detalhes da vida local, da flora e da fauna locais, e isso é um negócio que existe, você está ali meio que se detendo nos detalhes, né, porque a beleza e a surpresa em geral está nos detalhes. Bom, você fala assim, "legal Ronny, então quando tiver correnteza, não é para deixar se levar, né, não é para deixar a correnteza nos levar, mas como é que a gente faz quando a gente quiser se deslocar?" Existe uma correnteza e a gente começa, e a gente quer ir para o lado que não é o lado da correnteza, a gente quer ir para o lado oposto, ou seja, como é que a gente faz quando a gente assume então a colocação, uma posição que é diferente do geral, né, da força maior assim que vai levando todo mundo? Bom, existem algumas técnicas e uma inteligência por trás de como é que a gente se coloca numa situação dessa. Então no caso do mergulho, a gente tem algumas coisas a dizer. Bom, pensando que a água é 800 vezes mais densa que o ar, imagina, pensa nisso, a água é 800 vezes mais densa que o ar. Então ir contra a corrente é praticamente o que a gente chama de suicídio energético. Você vai queimar sua energia, vai gastar sua energia toda, vai gastar um ar do cilindro numa velocidade absurda e você vai ter um mergulho que vai ser no final péssima experiência. Então a gente nunca vai contra a corrente num trajeto para um lado e para o outro contra. A gente vai tentar usar a topografia do terreno e especialmente tentar ficar mais próximo do fundo, se possível, aonde a correnteza é muito mais branda e tentar usar topografia, rochas, pedras, qualquer coisa que possa nos ajudar a ir contornando o fluxo principal da correnteza. E em último caso, quando a gente tem que nadar num trecho que é, se deslocar num trecho que é bem contra a correnteza, a gente tem que se tornar extremamente hidrodinâmico, ou seja, em vez de estar nadando muito mais assim com os braços abertos, com os equipamentos tudo meio solto assim pendurados, a gente tem que juntar tudo, braço junto do corpo, ficar muito mais reto, como se fosse uma agulha para poder tentar nadar naquele trecho que precisa contra a correnteza, para que tenha menos arrasto, para que a gente tenha menos resistência até chegar num outro ponto que seja mais favorável. E por que eu estou contando tudo isso do mergulho? Porque quando eu li o tópico seguinte, que se chama, olha que interessante, "Advertência importante", a Logosofia faz uma advertência em relação à nossa colocação frente à vida, quando a gente percebe que a vida em geral e que uma boa parte da humanidade segue vivendo deixando a vida os levar. É como se a gente estivesse vivendo num mundo onde existisse uma correnteza, talvez várias correntezas, dependendo de onde você está. Eu acho que esse é mais correto, dependendo da época, da localização. Há muitas correntezas no mundo que a gente vive e às vezes uma correnteza tão grande, tão forte, que a gente está no meio dela, porque a gente vive naquele meio. E como é que a gente se coloca frente a isso? Como é que a gente se coloca na vida, quando a vida da maior parte das pessoas é uma vida levada por esses pensamentos muito fortes, por essas correntes mentais muito fortes e muitas vezes sutis e difícil de perceber, difícil de notar que está sendo levado? Muitos pensamentos formam essas correntes. Muitas, às vezes a gente chama de moda, chama de mania, chama de o pensamento da hora, o pensamento do momento, a cultura atual, tem muitas formas de se referir a isso e eu acho que tem muitas formas de manifestação. Mas assim, quando a gente começa a pensar, quando a gente começa a desenvolver de fato essa capacidade da mente, de parar de apenas responder e obedecer a pensamentos e começa a pensar por conta própria sobre tudo isso que importa, não é quando eu vou pensar sobre como é que eu resolvo o problema específico que eu tenho que resolver hoje na minha vida profissional, não é isso. Estou me referindo a quando a gente começa a pensar de forma mais ampla e elevada frente à própria vida e existência. O que acontece quando a gente começa a se dar conta de que a gente vive, em geral, ainda uma vida muito voltada para fora, uma vida ainda muito voltada para o material, é como se a gente percebesse, de repente, que há uma correnteza forte e que a gente, pela primeira vez, começa a perceber essa correnteza e que a gente não quer mais ir com a correnteza como boa parte das pessoas vão. A gente levanta a cabeça e fala assim, "bom, mas eu quero viver, eu quero ir para um lugar diferente, eu quero me deter aqui nos detalhes da vida e da existência, eu quero me aprofundar, eu quero descobrir, conhecer esse trajeto da vida de uma forma muito diferente do que apenas viver a vida me leva a que eu vou". Esse conceito, que parece um conceito legal, na verdade, esconde por trás, ele mascara uma tragédia humana, que é a tragédia nossa da gente viver uma vida inconsciente, nos deixando levar pelas correntezas, sejam de época em época ou de lugar para lugar. Enfim, realmente não é uma só, são várias, às vezes as correntezas se cruzam, se juntam e vão levando cada vez uma quantidade maior, uma massa maior de gente. O problema é viver essa vida como se a gente não tivesse controle, nem pudesse se aprofundar, se deter naquilo que verdadeiramente interessa e importa para a vida consciente. E o ponto que o Ensinamento Logosófico está ressaltando e chamou a minha reflexão, a me deter nessa reflexão, é assim, como é que eu me coloco frente um mundo em que esse tipo de reflexão parece às vezes até meio ET, né? "Meu, você é meio ET, né? Por que você está se detendo nisso? Por que você está preocupado com isso? Cara, vamos viver a vida que nos leva que a gente vai", no plural. Porque, infelizmente, boa parte da humanidade vive e prefere viver sendo levado pela correnteza mental do que começar a levantar a cabeça e decidir por si mesmo o que é melhor para a vida e existência e, consequentemente, para onde eu quero ir, aonde eu quero me deter. Mas que de um modo mais especial e claro é não ir mais com a corrente. O que a gente não vai poder fazer nunca, né? E aí eu estava pensando na minha vida, como é que eu tenho vivido isso, desde que eu descobri que existiam essas correntezas fortíssimas, né, movendo o ser humano em geral. Tem gente que não se move com as correntes, que sempre foi muito independente, teve capacidade de pensar. Ótimo, mas não era meu caso. Eu tinha uma facilidade muito grande de me mover com a correnteza geral, sabe? Até porque a sensação de comodidade e de segurança, uma falsa segurança, claro, né? Porque que nem os mergulhadores que adoram deixar a corrente levar. A sensação durante o trajeto é boa. Você não está fazendo esforço nenhum, está parado lá flutuando, né? "Ah, me leva aí para onde quiser." O problema é que é isso, é delegar a vida, é colocar a vida, o destino nas mãos da correnteza. Não tem nenhuma maneira de ver isso como uma forma prudente e inteligente de viver a vida. Ainda que a tendência que eu tenha, né, é essa. E eu tenho que lutar contra isso todo dia. Isso que é curioso, né? Essas correntes mentais, elas continuam aplicando pressão na gente todo dia, independente se a gente vai nadar com elas, né, deixando elas levarem ou não. Então é algo, é uma reafirmação, né, consciente, diária. Essa que cada um de nós deve fazer, eu entendo, sobre assim, qual é a vida que eu quero viver? Eu vou continuar na correnteza? Eu vou continuar vivendo a vida, "me leva que eu vou", independente daquilo que eu começo a descobrir e perceber sobre a vida e a existência? Se não, que eu imagino que é um movimento lógico, que é o que eu fiz, né, como é que a gente se coloca, sem bater de frente, né, com a correnteza mental? A gente não vai sair por aí, dizendo para todo mundo, "tá todo mundo, né, ou a boa parte, vocês estão tudo errado, viajando na maionese, todo mundo está percebendo o que vocês estão fazendo ou não", porque quem está na correnteza não percebe mesmo. A sensação do instante, do momento, é boa, mas o destino é muito diferente. Então, eu fico pensando, como, ou, vamos, né, o meu pensamento é assim, como é que eu garanto que todo dia eu me recordo de onde eu quero chegar, para que eu tenha cada vez mais clareza de quando não ir com a corrente e do que é preciso fazer, de forma inteligente, para ir garantindo que primeiro eu, e depois, talvez, pelo exemplo, pela forma de se colocar na vida, os que estão ao nosso redor possam ir observando que tem uma forma diferente, que não é só deixar a correnteza nos levar, que cada um pode ser, de fato, o decisor do seu próprio destino, independente das correntezas mentais. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.