Latest / Logosofia no Dia a Dia / Para Onde Você Está Apontando Sua Lanterna? Para os Outros ou Para Si Mesmo?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tava lembrando aqui de uma coisa que sempre me incomodava muito, que era o escuro. Eu, desde pequeno, acho que em geral existe esse incômodo, né? Mas eu, desde pequeno, lembro do medo do escuro e, assim, lógico, tem também um monte de influência de, sei lá, imagens que a gente vê quando criança. Mesmo na minha época de infância, eu via, sei lá, tinha alguma imagem na televisão, ou sei lá o que, alguma história que alguém contava, que era histórias de medo, né? Histórias de monstros, de fantasmas, sei lá do que. Isso obviamente piorava a situação. Mas o escuro em si era algo, assim, que eu me lembro que me deixava bem, bem desconfortável. Eu lembro de uma vez que eu tava na casa dos meus avós paternos — eles moravam na época, foi um período curto que eles moravam em João Pessoa. Eu morava no Recife, eles moravam em João Pessoa, na Paraíba, e eu lembro que eles moravam numa casa muito grande, com dois andares, muito grande. E eu lembro de uma visita que a gente fez — eu devia ter, sei lá, cinco anos de idade, máximo seis —, e eu lembro, assim, de uma sensação de andar naquela casa no escuro. Não lembro porque, eu tava, não sei que horas que era, se eu tinha acordado pra ir no banheiro. Eu lembro, assim, como marcou o medo, porque era um lugar que eu não conhecia, e quanto maior fosse o lugar que eu tivesse no escuro, mais medo eu tinha. Mas eu também lembro de quando, obviamente, comecei a usar alguma luz, alguma fonte de luz em algum lugar escuro. Então, quando fosse, eu cheguei a fazer viagens ou passeios, assim, em lugares abertos, né, floresta ou mato à noite, com lanterna, e é outra coisa, né. Ainda assim, eu tinha uma sensação esquisita, até porque uma lanterna só consegue iluminar onde o foco dela tá projetado, né. Então, a área que tá fora do foco da lanterna permanece escura. E, mesmo assim, a lanterna é algo curioso, porque ela ilumina o que tá naquele ponto. Mas, como falei, aonde a gente está segue no escuro. Então, você imagina você num lugar aberto, num lugar escuro, né, à noite, e você com uma lanterna apontando lá pra frente. A gente pode até ver lá pra frente, e pode dar uma volta, assim, ao redor de si mesmo, e pode ver o que tem ao redor. Mas, no momento que a gente vira a lanterna de volta pro caminho que a gente quer ir, aonde a gente tá, e ao redor da gente, pra trás e ao redor, fica escuro de novo. E eu lembro que essa sensação é ruim pra mim. Hoje em dia, não sei, porque eu já não vivo uma situação dessa de estar no mato, assim, há muito tempo. Mas, lógico que, já dentro de casa, essas coisas não tem nenhum problema, né? Se estiver num lugar qualquer que não tenha perigo real, eu não tenho problema com isso. Mas, olha que curioso: a lanterna é um instrumento que ela é muito boa pra iluminar fora de nós mesmos. E, se eu pensar bem, foi isso que eu fiz durante boa parte da minha vida. Eu fiquei com o foco observando o que tava fora de mim mesmo. E esse é um foco, acho que, comum. É um foco que, assim, primeiro porque eu não sabia que existia alguma coisa diferente disso. Se eu tiver uma lanterna, eu vou apontar pra onde? Eu vou apontar pra frente, vou apontar pro redor de vez em quando. Mas a lanterna — eu nunca apontei a lanterna quando eu tava com alguma fonte de luz, eu nunca apontava pra mim mesmo. Por quê? Porque o costume é iluminar o que tá fora de nós. Então, assim, a gente passa uma boa parte do tempo e da vida até — talvez quando a gente descobre que existe um verdadeiro mundo interno em cada um de nós —, a gente passa boa parte da vida olhando somente pra fora. E o pior, que esse hábito de olhar pra fora, a gente acaba até apontando a lanterna muito pra vida dos outros, né? Então, eu lembro quando eu buscava muito, assim... Buscava não, mas eu sempre apontava o problema e os erros na vida dos outros. É triste, né? É engraçado, mas é triste, na verdade. Mas é isso: quer dizer, quando uma situação tinha dificuldade, uma situação não ia bem, quando alguma coisa acontecia, o primeiro movimento era, assim, "não, mas então a culpa é de fulano, de Beltrano. Não, mas também fulano falou isso, fez aquilo, deixou de fazer aquilo outro." Então, seja qualquer coisinha pequena, né, do dia a dia, ou qualquer fato maior, mais significativo, a facilidade que eu tinha era de buscar a culpa, a responsabilidade por aquilo em alguém qualquer. Como eu falei, podia ser uma coisa pequena — podia ser como se fosse hoje, assim, aonde, poxa, minha mãe tirou isso daqui desse lugar e eu não acho mais o que eu tinha colocado aqui, por exemplo, né? Isso no passado seria motivo para — se eu, até podia me irritar, porque, poxa, onde tá o que eu tô buscando, que eu tô procurando, que eu não encontro, que eu deixei aqui? Ah, porque o problema é que minha mãe tirou e guardou em outro lugar. Mas olha que interessante: é muito fácil, obviamente deu um exemplo bem bobo, né? Mas é muito fácil a gente, quando passa qualquer situação em que a gente tem uma — vamos dizer assim —, que as coisas não saem como previsto, como a gente gostaria, ou não são do jeito que a gente quer, o que é mais fácil é a gente achar um culpado fora de nós. É apontar o dedo para o erro do outro, seja o erro ou não. Muitas vezes não é nem um erro, né? É só o que o outro deixou de fazer e que a gente queria que tivesse feito, né? Essa é uma conduta, obviamente, que reflete uma compreensão muito limitada sobre a realidade da vida. Por quê? Porque, ainda que o outro tenha feito qualquer coisa, ou deixado de fazer aquilo que a gente queria, ou falado, deixado de falar, enfim, não importa. A questão precisa ser deixar de olhar para fora e começar a olhar para dentro de si para que a gente possa começar a assumir de verdade o controle do que ocorre na mente quando essas coisas fora de nós se desenvolvem. Você pegou a sutileza? Veja bem: não é questão de evitar que todas as situações do dia a dia aconteçam, porque depende de — quando é situação que depende do convívio, ou que depende do que o outro fez ou não fez —, vai acontecer. Qualquer coisa vai acontecer todo dia, claro que vai. Se você sair de casa, você vai — não precisa nem sair de casa às vezes —, você vai encontrar quem mora com você. Mas, assim, saiu de casa, vai encontrar um monte de gente que vai ou fazer ou deixar de fazer o que você quer, seja no trânsito para começar a história, seja no elevador, seja no trabalho, em uma situação qualquer, não importa a complexidade. As pessoas vão fazer ou deixar de fazer, vão falar ou deixar de falar, vão se mover ou deixar de se mover de formas que pertencem ou que dizem respeito a cada uma dessas pessoas, que, teoricamente, é o processo que concerne a vida delas. A questão é: como é que eu vou passar por cada uma dessas situações em que eu vou estar sendo — não vou dizer influenciado, mas, assim, os acontecimentos vão ter influência de cada uma das pessoas que, enfim, que passarem no meu dia? Por quê? Porque a questão é: a gente precisa parar de apontar para fora as possíveis causas de nossos desconfortos, porque, independente do que os outros fazem ou não fazem, eu preciso controlar a reação interna a isso. Ou seja, eu preciso garantir que, independente dos acontecimentos, eu possa ter na mão as alavancas de como eu vou reagir ou como eu vou me colocar frente a cada uma dessas situações. E, nisso, eu penso que está, assim, uma chave. Essa é uma chave que desbloqueia, que destrava, que destranca um dos maiores segredos da felicidade humana, porque eu demorei tanto para entender isso — muitos e muitos anos, décadas da minha vida. Mas, assim, como é que eu compreendo essa realidade que o conhecimento transcendente, o conhecimento logosófico oferece sobre si mesmo, sobre conhecer a si mesmo? Porque a felicidade não está nos acontecimentos de fora, portanto, ela independe do que os outros fizerem ou deixarem de fazer. Porque a felicidade está — ou a felicidade vai ser encontrada, vai ser vivida —, quando eu conseguir me manter imune a esses acontecimentos externos, quando os acontecimentos externos deixarem de me incomodar ou de me chatear ou de me irritar ou de me, sei lá, escolha aí, no seu caso, escolha aí qualquer deficiência psicológica que seja ativada quando alguém não se porta como a gente queria. Cada um de nós tem algumas deficiências próprias e outras a gente tem em comum, mas a psicologia de cada um de nós é muito particular. Porque a felicidade de poder viver muito mais dentro de si mesmo, controlando que pensamentos estão atuando durante o meu dia, ao invés de estar sujeito à atuação de uma série desses pensamentos que vão fazer gato e sapato da minha mente — essa felicidade é um negócio de outro mundo. Porque a gente percebe, vai percebendo cada vez mais nessa observação de si mesmo que não é a questão de ser feliz quando as coisas acontecem como a gente quer, e sim a questão é ser feliz com as coisas que acontecem do jeito que as coisas acontecerem. E pode parecer estranho: "Ah, Ronny, mas peraí, então a gente não quer que as coisas aconteçam, não pode querer que as coisas aconteçam como a gente gostaria?" Pode, claro que pode. O fato, por outro lado, é que nem sempre as coisas vão acontecer como a gente gostaria. Aliás, eu diria que poucas vezes a vida vai nos dar as coisas que a gente gostaria de viver, de ter. Obviamente que uma parte disso cabe a nós conquistar e fazer, ter as condições e construir as condições para poder viver, experimentar e ter aquilo que a gente quer ter na vida. Por outro lado, pensa em que fantástica que é essa possibilidade da gente então começar a ditar o próprio estado interno, a própria felicidade — ela ser consequência dessa, desse domínio cada vez maior. Primeiro é um processo, então é um descobrir, é um conhecer, depois conhecer para então ir ganhando domínio, ganhando propriedade sobre esse mundo interno, esse ambiente interno nosso, em que a gente deve focar. Aí sim, a lanterna da observação. Porque a lanterna que passamos a vida inteira praticamente apontando para fora de nós, buscando os culpados, os responsáveis, o porquê das nossas tristezas, infelicidades. E é muito fácil, obviamente, encontrar culpado fora. Aliás, a coisa mais fácil que tem é encontrar um culpado fora da gente. Você vai concordar comigo, isso é muito fácil. A gente encontra um monte, todo dia. Desde, assim, entes mais surreais — o problema é o governo, é a empresa que eu trabalho, é o cliente, sei lá, ou é o outro familiar, o amigo, a namorada, não importa. Isso é muito fácil. O difícil é entender que a lanterna, essa observação deve ser voltada para dentro de nós mesmos. Para mim, essa é a grande sacada do conhecimento logosófico, que completa — por exemplo, pode ser que alguém, ou as pessoas que hoje, por exemplo, estudam a psicologia humana —, a Logosofia completa perfeitamente qualquer conhecimento, qualquer linha de conhecimento dessas, seja da psicologia ou outras, que se dedicam ao estudo do comportamento humano. Por quê? Porque a Logosofia é esse instrumento que, para mim, faltava. Eu, olhando, vendo como é que se desenvolve a humanidade, eu diria que falta para grande parte da humanidade. É esse instrumento, esse conhecimento, essa técnica que ensina a apontar para dentro de si mesmo o foco da observação e, finalmente, jogar essa luz aonde era mais escuro. Lembra que eu falei que quando a gente está com a lanterna em um lugar aberto, no escuro, no mato, o que seja, a gente consegue iluminar bem o caminho na direção que a gente vai, ou se a gente rodar assim, o que está ao nosso redor? Mas o ponto exato onde nós estamos está sempre no escuro. Então, a Logosofia tem essa — vamos dizer assim —, essa propriedade maravilhosa de iluminar o lugar que, para mim, era o lugar mais escuro do mundo. E, naturalmente, então, como eu tinha esse medo de escuro, era um lugar que eu tinha muito medo do que era, como era, o que tinha. Era a minha própria mente, era meu próprio mundo interno, que eu nem sabia o que tinha, nem nunca achei que eu ia saber o que tinha. E, obviamente, que nessa condição é para ficar uma vida com muito temor mesmo, muita insegurança, muita ansiedade, muita angústia, porque não dá para ser feliz efetivamente, sempre, ou — o que eu digo —, cada vez mais, se esse mundo dentro de nós permanecer escuro. Então, a Logosofia vem exatamente para capacitar cada um de nós a começar a iluminar, a usar a lanterna para dentro de si mesmo. E aí sim a gente começa esse trabalho maravilhoso de tutoria, de mentoria, de artífice da própria vida — a começar dentro do próprio ambiente interno a cuidar dos pensamentos, criar pensamentos, selecionar pensamentos, que são essas entidades básicas da vida mental e que a gente tem que deixar de ser passageiro nessa jornada para ser o piloto, para ser o comandante. Bora que tem muito a conhecer sobre si mesmo e, nisso, muito a ser feliz. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.