Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Chave Está No Seu Bolso: Como Sair Da Prisão Mental Que Você Mesmo Criou
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui fazendo as reflexões e... pensando numa imagem... tem uma imagem que é muito forte, mas eu acho que ela é muito apropriada para mim, porque eu já me senti preso... muitas vezes, muitos momentos da minha vida, muitos, mesmo estando livre. Preso e, assim, às vezes, desesperado, tentando sair como se eu estivesse numa cela, numa masmorra escura, sufocante. A sensação é muito ruim. É óbvio que, a princípio, somos todos livres, então essa imagem parece um negócio esquisito, mas... quantas vezes eu não estive preso numa rotina sufocante, pensamentos repetitivos, né... na angústia, na ansiedade, às vezes na revolta interna. Eu acho que essa é uma das coisas mais agonizantes que tem, e agoniantes da vida, é a sensação de a gente viver... estar numa masmorra. Trabalha, come, dorme, mas por dentro... é como se eu estivesse numa masmorra escura. E nesse tempo que eu estou na masmorra, a vida não tem cor, não tem gosto, e o pior... quem trancou a porta... da masmorra... foi eu mesmo. Essas vezes... todas. E é uma masmorra que não tem grade de ferro, por quê? Porque a grade é feita de rotina, das preocupações automáticas, das opiniões alheias, da falta de tempo, a falta de tempo para si mesmo, sabe? E a escuridão. A escuridão é o quê? É a falta de conhecimento. No escuro, tropeço, machuco, tenho medo... Essa escura masmorra... a Logosofia define isso, é um termo que... eu achei muito legal, é "escura masmorra psicológica". É um lugar mental, claro, não é físico. Então a pessoa pode estar na melhor viagem do mundo, "estou viajando, estou aqui, onde eu mais adoro estar no mundo", legal, mas como eu já vivi muitas vezes, eu posso estar nesse lugar, mas preso na masmorra, dentro da minha mente. Aí você fala assim, "é a culpa do carcereiro, né, Ronny?" Não, então. Só que não. Porque o carcereiro que me prendeu não é o chefe, não é o colega de trabalho, não é o... sei lá o quê. Não é a mulher, os filhos, o amigo, a mãe, o pai, o tio. Não é o governo, que toda hora faz coisa errada. O carcereiro tem um nome claríssimo. É sujeito... como é que chama? Sujeito... não é sujeito oculto, nem esqueci o que é, mas é o sujeito declarado. É o esquecimento de mim mesmo. O carcereiro que me colocou nessa masmorra é o esquecimento de mim mesmo. Aí você fala assim, "Ronny, como assim, esquecer de si mesmo?" Pois é. Eu acho que a gente acredita piamente que quando a gente está preso nessa rotina da vida terrena, a gente está cuidando da gente. A gente está cuidando da parte material da gente em geral. E da parte psicológica. Mas essa vida terrena dificilmente proporciona que a gente cuide da parte espiritual. Esse ser verdadeiro que nós somos, ele passa talvez a maior parte da vida esquecido. Por isso que é o esquecimento de si mesmo. Quando eu esqueço quem eu sou, o que eu quero para a minha vida do ponto de vista espiritual, para onde eu quero ir, o que eu quero ser, eu entrego a chave dessa célula para o mundo, para o que está fora de mim, para circunstâncias e fatos da vida. Eu viro um prisioneiro das circunstâncias. É impressionante como isso é real. E o pior, de novo, quem trancou a porta? Eu mesmo. Na medida que eu esqueço quem eu sou, quem eu quero ser, eu estou trancando essa porta. E às vezes eu coloco a chave no bolso. E eu fico lá. Choro, grito, bato na grade. Basta colocar a mão no bolso e abrir, mas não. Eu me coloco como se eu fosse realmente vítima das circunstâncias e fatos da vida. Qual é o crime involuntário que eu cometi nesses momentos todos? Foram muitos momentos na vida. Mas muitos. Foram épocas marcadas por isso, por essa sensação. É surreal. Mas para mim isso é uma realidade muito, muito clara. Muito clara. Quando a gente esqueceu, talvez aí sim, como humanidade ao longo do tempo, como a grande maioria, as exceções obviamente provam a regra, quando a gente esqueceu de cultivar a vida do ponto de vista, do plano espiritual, a gente apagou a luz da célula. É uma imagem muito eloquente para mim. E é uma imagem que esse trecho, esse tópico do "Estudo e Prática no Individual", cita ela no último parágrafo desse trecho. Literalmente é a "masmorra psicológica". Aí todo mundo fala assim, "como eu falava, mas é que eu não tenho tempo para poder cuidar dessa parte da vida, esses assuntos espirituais, essas coisas assim. Eu não tenho tempo porque a minha vida é muito corrida." Eu já disse isso para mim anos a fio. Traduzindo, qual a tradução disso? "Não tenho tempo para sair da célula. Eu estou muito ocupado sendo prisioneiro." Veja, é isso. Parece também uma bobagem. É um absurdo isso, mas é isso. Todas as vezes que eu falei para mim mesmo que eu não tinha tempo para sair dessa célula, a mesma célula da qual eu me sentia totalmente encarcerado, quando eu falei, "não tenho tempo", eu falei, "eu estou muito ocupado sendo prisioneiro, eu não tenho tempo para sair da célula". Por isso que a Logosofia propõe, esse caminho é um caminho sensacional, porque a Logosofia propõe o começo dessa reversão é começar a consagrar um tempo a si mesmo. Então quando a gente vê que a Logosofia está sugerindo um tempo diário para estudo desse conhecimento, é o tempo em que a gente coloca a mão no bolso, é o momento em que a gente coloca a mão no bolso, pega a chave, abre a porta e sai em direção à luz. Aí você diz assim, "ah Ronny, mas é só aquele banho de sol que o prisioneiro toma?" Olha, pode ser que o começo seja só um banho de sol, ok. E depois acaba voltando para a masmorra? Ok. Por outro lado, a imagem de como é a vida quando a gente é verdadeiramente livre, vai se marcando, vai se tornando cada vez mais clara. E a gente consegue cada vez passar um tempo maior longe dessa escuridão, dessa masmorra. O que acontece quando a gente se dedica a esse estudo? Ou seja, porque não é estudar somente, é essa busca pelos elementos que estão faltando para iluminar essa vida interna. Então o que acontece quando eu dedico um tempo para o estudo? Obviamente que há um aproveitamento da vida em outra escala. Por quê? Porque aumentam as energias internas de fato. A vida começa a abrir possibilidades, ou eu começo a abrir possibilidades para a minha vida que antes não existiam. É ver o horizonte, é respirar puro. É outro mundo. Não tem nada a ver com a masmorra psicológica. A gente volta para a rotina depois, lógico que a gente começa a rotina, no meu caso que eu começo a rotina do dia depois dessa parte do estudo da manhã, mas eu vou para a rotina energizado, eu vou com a sensação de que eu estou livre, que eu não vou começar o dia nessa masmorra já. Eu sei que a porta não está trancada. Ainda que às vezes eu volte e me deixe levar, veja, há pensamentos que querem me levar para essa masmorra todo o tempo. Só assim, "ah Ronny, mas não é possível, você não se livrou desses pensamentos ainda?" Pois é. Porque as circunstâncias e fatos que eu vivo, por razões próprias dessas circunstâncias e fatos, sempre vão dar motivo para pensamentos que estão ali esperando só um motivo para poder me levar de volta, me conduzir de volta para essa masmorra. E há uma masmorra que eu sei como é ruim viver nela. Eu falei em pensamentos que querem me conduzir para a masmorra, você pode denominar isso como demônios, né? Esses demônios que assombram nossa vida, que aterrorizam nossa vida mental, psicológica. Eu gosto da expressão assim, "ah, meus demônios não me deixam em paz". É isso. Porque eles querem toda hora levar a gente para essa masmorra escura. É uma escura masmorra psicológica. É exatamente a imagem que o ensinamento usa. Eu tinha pensado durante as reflexões, eu tinha pensado até em usar, por exemplo, um filme, um dos filmes mais icônicos que eu penso, dos mais incríveis, que representa exatamente a mesma coisa, mas de outra forma, que é o Matrix. Mas é que "masmorra escura psicológica" é perfeito. Então assim, o termo que a Logosofia usou, a referência, a imagem que a Logosofia usou, é perfeita. Porque é exatamente aonde eu fui muito na minha vida e eu ainda vou de vez em nunca. Eu já não esqueço mais todo dia quem eu sou, o que eu quero ser, o que eu quero viver, pelo menos algumas vezes ao dia. Mas tem momentos no dia que eu descuido, que eu esqueço isso tudo por inconsciência mesmo. E aí eu percebo, demoro a perceber, mas quando eu me dou conta, e geralmente pelo menos eu me dou conta, "tem alguns carinhas me conduzindo, alguns desses meus demônios estão conduzindo", estão me conduzindo no caminho de volta. Aí eu, "opa, peraí galera, legal, obrigado aí, obrigado. Valeu aí, mas podem dar linha que eu não vou voltar não." E aí eu cada dia, cada dia eu procuro me afastar mais desse lugar. Mas isso é através do estudo, que não é apenas ler, estudar, compreender, mas é ir fazendo as frações desse conhecimento, os pedacinhos desse conhecimento que a gente é capaz de assimilar, parte verdadeiramente desse mundo interno, especialmente despertando a nossa consciência para essa realidade. A consciência é praticamente o salvoconduto eterno, que vai nos manter eternamente distante, longe dessa masmorra. Mas a consciência precisa ser despertada e ampliada com esse conhecimento, para que a gente não tenha mais esse risco um dia de ser levado de volta para essa masmorra. Porque a situação, a experiência na masmorra é muito ruim. Mas de novo, a mensagem não é a mensagem de "puxa, tem a masmorra, né Ronny? Ah, é verdade, a vida é muito difícil." Não. É assim, "não tenho tempo para sair da cela?" Mentira. Eu vou arrumar tempo, porque eu não vou continuar ocupado sendo prisioneiro todo o tempo. Não dá. Essa é uma desculpa, desculpa da falta de tempo para se dedicar a isso. Não cabe mais. Porque eu não posso assumir que eu não tenho tempo para sair da cela. Nem que sejam 15 minutos por dia. Mas eu preciso começar esse movimento. No meu caso, eu tenho que seguir ampliando esse movimento na minha vida. O conhecimento de mim mesmo é o recurso que está à disposição para que a gente possa finalmente começar a perceber a vida espiritual e começar a viver fora dessa masmorra cada vez mais. Vamos abrir as grades? Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.