Latest / Logosofia no Dia a Dia / Monte Everest e Logosofia: O Processo de Aclimatação às Grandes Verdades
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que uma das coisas que mais me impressiona, assim, de ver a realização humana, as explorações humanas em geral, uma das coisas que mais me impressiona e mais me dá vontade, assim, de realizar — embora eu, obviamente, não é minha praia, assim, não é o que eu tenho aptidão e eu provavelmente nunca vou fazer — mas eu fico, assim, às vezes, olhando para esses fatos, né, e quem faz isso, e eu fico impressionado: é alcançar o cume do Monte Everest, né? Estamos falando de uma montanha da mais alta que existe na Terra, com o pico, o cume, a quase 9 mil metros de altura. Se você nunca pensou sobre a altura do Everest, são 8 mil, 800 e tanto, é praticamente a altura que muitos voos comerciais que a gente pega na vida, que a gente faz, voam nessa altitude. Os voos comerciais geralmente voam entre 9 e 12 mil metros. Então, assim, 9 mil metros é a altitude de cruzeiro de muito voo comercial. Então, assim, não é uma montanha, né? É um voo em terra firme, praticamente. E a pergunta que você pode estar fazendo, assim: por que o Everest, Ronny? Por que você tem tanta vontade, por que tem tanto encanto em torno da escalada ao Monte Everest? Eu penso que isso remonta à busca pela revelação dos grandes mistérios humanos. Eu acho que essa é uma das coisas que reflete bem essa busca: é alcançar um cume e poder ver a Terra dessa altitude, não num voo de avião, em que você vai observar um pouco da curvatura e vai observar a Terra de um ponto em que poucos seres humanos observaram. Eu penso que é como a busca da verdade. A gente, cada ser humano, de alguma maneira, busca as respostas às grandes perguntas que inquietam o ser humano, a humanidade, desde sempre. E, geralmente, essas grandes perguntas são sobre a nossa existência, sobre a existência da criação de Deus, de tudo, né? De onde a gente veio, para onde a gente vai. Por que a gente vive essa experiência terrena? Por que aqui na Terra? São perguntas sérias, são inquietudes, são espirituais. Não são inquietudes da mente só, não é a mente que está inquirindo. É a parte superior, divina, eterna, que tem em cada um de nós, que nos impulsiona, nos empurra, nos puxa, em busca de entender o sentido de tudo, né? Mas olha só, você fala assim: é legal, Ronny, igual Everest faz sentido, né? Representa algo como se fosse a busca pela verdade, pela revelação, né? Imagina qual é o momento de revelação, quando se chega ao cume do Everest, deve ser um negócio único. Aí você fala assim: ué, por que então, se eu tiver dinheiro, por que eu não posso contratar um helicóptero pressurizado, porque são pouquíssimos helicópteros que conseguem voar e pousar em uma altitude como a do cume do Everest, né? Mas se eu tiver dinheiro suficiente para usar nisso, por que eu não posso contratar um helicóptero? Fácil. Eu vou lá no Nepal, no Tibé, lá, contrato um helicóptero desse, e: me deixa, por favor, me deixa no cume do Everest, por gentileza. Eu quero fazer uma selfie, quero fazer umas filmagens, quero fazer um lanche lá, fazer um piquenique lá, e depois eu vou, né, passar a tarde, só ver o pôr do sol lá, e depois você, por favor, me pega. Por que que não pode fazer isso? Já viu alguém que foi contratado para fazer isso? Alguém que fala: ah, vou para o Everest, mas vou de helicóptero. Por que que não pode, e não dá para fazer isso? Porque se fizesse isso, e você descesse do helicóptero, sem equipamentos apropriados, em talvez um, dois, no máximo três minutos, você ia desmaiar. E, desmaiado, em vinte, praticamente estaria morto já, se não antes. Por quê? Porque o ar é tão rarefeito nessa altitude, tão rarefeito, que o corpo não consegue, em situação normal como a nossa, extrair oxigênio suficiente de um ar tão rarefeito. O ar que entra no pulmão é tão rarefeito, que é pouquíssimo oxigênio que o corpo consegue extrair. Por isso que, rapidamente, pode ser que em segundos, quase um minuto, desmaie, e depois vai levar ao óbito. Não é talvez, é questão de quantos minutos, cada um de nós, de acordo com a biologia de cada um, a fisiologia, levaria ao óbito. Aí você fala assim: pô, Ronny, mas então como é que faz? Bom, o que você talvez não soubesse, e eu também não sabia, é que a escalada ao Everest leva dois meses em geral. Aí você fala: ué, não são pouquíssimos quilômetros para escalar? São. São dois meses subindo e descendo, cada vez subindo um pouco mais e descendo um pouco menos, para que o corpo vá sendo exposto a pressões cada vez menores, e o corpo crie cada vez mais glóbulos vermelhos. Olha só, o corpo começa a alterar o sangue, para que tenha mais glóbulos vermelhos, para que ele consiga cada vez tirar mais oxigênio, de cada vez menos ar que entra no pulmão. Você pegou a sutileza ou não? O corpo começa um processo de adaptação, e esses são dois meses por conta dessa adaptação, em que ele começa a modificar a própria estrutura, o próprio sangue, começa a ser modificado, e demora. É um processo, por isso que demora, porque é um processo que vai modificando a fisiologia. E aí, em geral, o pessoal consegue fazer essa mudança no corpo, ou seja, uma parte das pessoas consegue que o corpo realize essa adaptação, se transforme nesse sentido, para alcançar o cume. Tem gente que mesmo com esse período de adaptação, não consegue. A fisiologia, o corpo não realiza o que é preciso, e as pessoas têm que abortar a subida, em algum momento desses dois meses, e simplesmente desistir, e descer de volta e acabou. Não vai fazer escalada naquele período, talvez volte o ano seguinte e tente de novo com outra preparação. Então, olha que curioso que é isso. Veja, a vista lá em cima deve ser linda. A verdade dessa vista do Everest deve ser deslumbrante? Deve. A verdade está lá, dessa vista, desse negócio deslumbrante? Está. Mas o seu corpo não está preparado hoje para processar, o meu também não, o nosso corpo não está preparado hoje para processar essa verdade. Olha que incrível, olha o detalhe: a verdade está lá. Você vai dizer: está inacessível? Não. A verdade está acessível. No caso é só ter dinheiro, contratar o helicóptero lá e subir. Mas o corpo não tem condição de viver, de captar, de processar essa verdade, ok? Estamos combinados sobre isso? Não, não tem dúvida sobre isso. Muito bem, o ponto é o seguinte: muita gente, e eu incluso durante a minha juventude, busca respostas espirituais assim. O que a gente quer? A gente quer o helicóptero. A gente quer o helicóptero. A gente quer alguém que faça o seguinte: cara, me fala aí, senta aí, daqui esse livro aqui, quero ler, cadê, de onde eu vim? Para onde eu vou? Por que eu estou vivendo aqui? Por que existe essa terra? Por que a gente está aqui? De onde a gente veio, exatamente, como assim? Então assim, a tentação — eu acho que a tentação geral, pelo menos eu me incluí nisso durante muito tempo, e de vez em quando eu ainda tenho que me policiar, me observar para evitar essa tentação — é querer a resposta pronta, num livro, numa conversa, ou num vídeo, especialmente se for um vídeo de 15 segundos. Hoje em dia eu tenho, mas assim, em geral você não tem muita paciência para ver um vídeo muito longo hoje. Bom, o ponto é que a verdade não serve para quem não tem um pulmão pronto para respirá-la. Essa é a lição que a gente pode tirar do Everest. A verdade está lá. Está acessível? Está, teoricamente está. Eu falei, um helicóptero em minutos sobe. Você poderia fazer isso, se tiver dinheiro. Mas a verdade não serve para quem não tem o pulmão para respirar a verdade. Aí você está pensando assim: que diabos é isso? Como é que é isso? O que isso quer dizer? Então parece que a gente precisa viver um processo, analogamente ao processo que se faz de adaptação do corpo, de transformação do corpo, para ser capaz de absorver oxigênio em ar cada vez mais rarefeito. Parece que há um processo de aclimatação que a gente precisa viver para as grandes respostas, para as grandes inquietudes serem satisfeitas. Porque a verdade sobre a criação, sobre nós, sobre o universo, sobre o Criador, não está inacessível. O problema é que se a gente não estiver preparado, se o nosso organismo, nesse caso agora metafísico, não estiver preparado, não é possível absorver a verdade. E, consequentemente, o lado bom é que é possível absorver a verdade, as grandes respostas, na medida ou na proporção em que o nosso organismo metafísico estiver preparado. Ou seja, como é que a gente deixa de ser turista espiritual, querendo pular, pulando de livro em livro, de guru em guru, buscando a frase mágica que vai explicar tudo? E como é que a gente consegue encontrar, ou como é que a gente consegue realizar essa adaptação da estrutura metafísica, psicológica, mental de cada um de nós para que a verdade possa ser absorvida cada vez em maior quantidade? É exatamente — não é físico, mas é exatamente essa criação de mais glóbulos vermelhos que o corpo realiza — a gente precisa criar mais alguma coisa. A gente precisa ter mais capacidade mental de extrair do que a gente vive, do que a gente experimenta, do que a gente vê, do que observa, do que a gente compreende, do que a gente lê, cada vez porções maiores dessa verdade. E veja, não é porque existe uma explicação e a verdade está à disposição de todos nós que significaria obrigatoriamente capacidade de entender. Se alguém for explicar física quântica mesmo, para mim, eu vou absorver quase nada. Eu entendo quase nada de física. Física quântica, então, não tem a menor condição de eu entender esse negócio. Eu já entendo pouco de física normal. Eu não tenho capacidade de compreender física quântica. Não quer dizer que a física quântica não exista. Uma coisa tem nada a ver com a outra. Um Monte Everest está lá. Não é que ele não existe, ele só aparece para poucas pessoas. Ele está lá, sempre esteve, desde que ele se elevou a essa altitude, sempre esteve lá. É que me falta capacidade para poder desfrutar do que ele tem a revelar para mim. A gente, obviamente, está entrando em um tópico que é sobre isso. Não é sobre o Monte Everest, mas é sobre o Monte Everest. O tópico seguinte do Exegese Logosófica tem o título de "Algo Mais sobre Inquietudes". Então, o que eu estou retirando dessa leitura, dessa reflexão, é que é através de um processo real de adaptação. Veja só. É um processo de preparação que cada um dos seres humanos precisa realizar que permite que se aproxime cada vez mais do topo, do cume, da verdade. Ainda que o cume sempre esteve lá — e agora eu não estou mais falando do Monte Everest, estou falando do cume da verdade, do cume do conhecimento, onde, teoricamente, estão essas respostas das inquietudes mais profundas da nossa existência — ainda que esse cume esteja à disposição, a gente não pode, não tem razão e nunca vai conseguir subir para respirar essas verdades enquanto a gente não estiver realizando um processo verdadeiro de preparação para absorver essas grandes verdades. Então, o que é o processo de evolução consciente que a Logosofia propõe? Eu posso dizer que, assim, eu entendo como sendo exatamente esse processo de preparação para subir ao cume do Everest. O processo que o método logosófico ensina é exatamente um processo em que a gente vai alterando a estrutura da mente, do corpo metafísico. A gente vai lidando com as pequenas coisas, com esses detalhes — teoricamente, não são detalhes — que existem na mente: pensamentos, deficiências. As faculdades da mente começam a se movimentar pelo método logosófico, por esse conhecimento, começam a se tornar mais capazes. A gente começa a ter capacidades mentais que estavam adormecidas, estavam ali pouco desenvolvidas ou nada desenvolvidas. A gente começa a descobrir que o nosso organismo mental, ele tem capacidade, é praticamente infinita, mas a gente precisa organizá-lo, exercitá-lo, colocá-lo em movimento. Então, eu consigo olhar para o processo de evolução consciente que a Logosofia propõe e ensina a realizar como sendo essa preparação em que a mente vai se tornando capaz. E mais do que isso, veja, não é questão só de capacidade, é uma questão de que a cada verdade que eu comprovo sobre o mundo mental, o mundo metafísico, o mundo causal, sobre cada uma dessas realidades que eu vou observando sobre o meu mundo interno, sobre mim mesmo, cada descoberta que eu faço a cada dia quando acontece isso de algo em mim que eu não tinha observado, não tinha percebido e começo a trabalhar isso e começo a superar essas condições, é exatamente nessas comprovações pequenininhas — vamos chamar assim, que não são pequenas, mas pontuais — desde descobrir e observar em si mesmo a existência de pensamentos, a coisa mais básica que poderia ter, mas para a gente é uma descoberta. Como assim? Existem pensamentos na minha mente, que vivem na minha mente e não sou eu? Pois é, cada comprovação dessas, das mais iniciais, e aí depois, a cada vez comprovações mais complexas, mais elevadas, na verdade, é o processo de aproximação ao cume. Veja só, porque a revelação não se dá no cume apenas. O processo que transforma a vida de cada um de nós, e que vai capacitando cada um de nós a entender, a respirar a verdade, é o processo em si, é um contínuo. Então, na verdade, não é uma coisa que a gente vai viver para um dia, quando chegar no cume, e aí então ver a vista. Não, não, a vista já é vista desde o dia um, só que, obviamente, a cada metro que se sobe, a vista vai ampliando um pouquinho mais, mas é a mesma vista. A sensação, com essa analogia, tem a sensação que eu consegui agarrar com as mãos o entendimento um pouco mais claro, bem mais claro, essa imagem, essa epopeia da gente como ser humano que busca as grandes… responder as grandes inquietudes. As grandes inquietudes se respondem pelo próprio processo de aclimatação do corpo mental às grandes verdades. É isso, para mim, o que a Logosofia propõe e possibilita com os conhecimentos que oferece. E aí, topa a gente fazer essa escalada de forma consciente? Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.