Latest / Logosofia no Dia a Dia / Do Chão ao Horizonte — O Ponto de Inflexão Que Muda Tudo
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando aqui de uma forma mais ampla, como o ser humano é curiosíssimo. Eu estava lembrando que eu, criança, eu queria... o que eu queria quando era criança? Eu queria brinquedos, né? Ou brincadeiras. Se eu queria eram brinquedos, que eu não tinha, ou eu queria algum brinquedo específico que depois vinha a ter, e passava um tempo com aquele brinquedo, durante muito tempo, né, curtindo aquilo como se fosse o grande presente da vida. Naquela idade, acaba sendo, né? Quando a gente é criança, o que que a gente quer? A gente quer o que, de alguma maneira, significa a vida para a gente. Em qualquer idade, parece. E quando criança, a vida era brincadeira. Então, faz sentido que a gente, como criança, focasse, né, e quisesse — tudo que a gente queria era brincadeira. Lógico, tinha hora que a gente queria a mãe, né, o pai, tinha hora que a gente queria um afago, né, a gente queria um colo, a gente queria a segurança. Mas isso nos momentos mais frágeis, vai. Em geral, o que a gente passava o dia era brincando. Ou brincando com os amigos, ou encontrando com os amigos. Então, o que a gente quer, em geral, é muito próprio da imagem, da visão de vida que a gente tem. No caso, a gente não tinha consciência nenhuma quando criança, né? Mas era o fato, né, que a vida para criança é algo que se resume, basicamente, àquela vida de amiguinhos e casa, né, e algum passeio, coisas assim. A gente vira adolescente, a gente se torna adolescente, e jovem depois, e, obviamente, com a visão de vida totalmente diferente já, ou muito diferente da visão da criança. Mas, ainda assim, uma visão limitada, óbvio. A gente bem sabe disso, né? A gente olha o adolescente hoje, a gente lembra como a gente era como adolescente, o quanto que a gente hoje já entendeu o que o adolescente que a gente era não tinha entendido ainda sobre a vida. Mas, obviamente, que mudou o que a gente queria, né? E a gente passa a querer outras coisas. Aí passa a querer namorar, passa a querer encontrar, né? E nessa parte é muito engraçado, que a gente passa a querer encontrar já aquele que é, aquela pessoa que é, né? A princesa ou o príncipe encantado. E começa, né, a viver aquela fase da ilusão, da paixão. Ao mesmo tempo, a gente é apresentado aos desafios já mais sérios da vida, né? E a gente passa a querer passar no vestibular para ter uma profissão, ou a se envolver, de alguma forma, em alguma profissão, para poder enfrentar o que depois a gente já sabe, embora não tenha uma ideia clara, que são os desafios, as lutas da vida terrena. E que, em geral, a gente é meio protegido até a adolescência, mas depois a gente não tem como escapar disso, né? Ainda assim, é muito clara essa progressão. Quer dizer, o que a gente quer é muito e diretamente relacionado, e até limitado, pela concepção de vida que a gente tem. E aí, qual era o grande ponto de inflexão que, no meu caso, eu identifico assim como sendo vital para eu não ter seguido, e ter chegado, né, e ter vivido até hoje, apenas com o querer limitado à vida terrena — ainda que hoje, como adulto, já viva a vida terrena de forma, como todo mundo vive há muitos anos. Houve um ponto de inflexão. Obviamente que, e você já sabe porque você me ouve, e já me ouviu falando isso para você várias vezes, como eu sofria, né, como acho que é normal, mas eu sofria muito com essa inquietude interna, com um vazio interno, com uma sensação de que faltava alguma coisa muito grande na minha vida. E eu tentei preencher esse vazio com as coisas materiais, com as atividades, com as experiências da vida diária. Tentei preencher esse vazio com tudo, desde a parte de trabalhar muito e de ganhar algum dinheiro, a ter muita atividade, a fazer atividades diferentes, a conhecer pessoas em todo lugar, viajar. Eu tentei de tudo, porque eu senti — alguma coisa, né, move o ser humano, e a gente precisa identificar isso dentro de si mesmo, para não perder isso nunca. Alguma coisa nos move a buscar aquilo que a gente ainda não encontrou. E eu considero isso uma força fundamental, uma força que a gente tem que valorizar muito. Tem algo dentro de nós que não aceita — acho que essa é uma palavra boa — tem algo dentro de nós que não aceita apenas essa concepção de vida, como se a vida fosse apenas cumprir essas atividades do dia-a-dia por um ano, por dez, por vinte, por cinquenta. E eu tenho certeza que cada um, durante a vida e vários momentos da vida, vai sentindo isso, ou mais ou menos. Eu acho que varia muito, e obviamente, nas experiências mais difíceis da vida, isso surge muito, muito mais forte. É como a gente era criança — o que acontecia quando a gente se machucava? A gente, bom, ou chorava, né, mas independente se chorava ou não, dependendo do machucado ou do susto, a gente corria ou buscava o quê? O colo, né, do adulto que cuidava da gente. Então, me parece que nos momentos de aflição, nos momentos mais difíceis, a gente sempre buscou uma força maior, algo que a gente não tinha. Olha que interessante. Quando as coisas apertam, a gente sempre buscou uma força que pudesse dar pra nós aquilo que a gente não tinha. E não é à toa que em momentos de aflição, a maior parte dos seres humanos pede, assim, se volta pra Deus. Porque como, assim, frente uma dificuldade muito grande, um sofrimento muito grande, eu considero que é natural esse mesmo ato de, assim, né, eventualmente pode até pedir ajuda pra mãe e pai, porque mãe e pai é mãe e pai sempre, né, mas a gente, às vezes, já não tem mais mãe e pai junto, ou não tá disponível. E a gente acaba se remetendo ao que tiver de mais elevado, né, à força que tiver acima da gente. E eu vejo que isso se repetiu na minha vida durante muito tempo e muitas vezes. Qual é o problema, ou, não é o problema, assim, o que que falta, né? O que que acontece geralmente e que acho que é uma realidade generalizada? Quando a gente busca o auxílio, né, ou conta com o auxílio de um ser maior que a gente, né, um ser mais forte que a gente, mais poderoso que a gente, desde a infância até a vida adulta, a gente, na verdade, tá buscando aquilo que não se tem. Só que isso mostra uma fragilidade estrutural da nossa vida. Assim, que dá a sensação de que a gente não tem as condições necessárias pra viver as experiências da vida. E esse é exatamente o ponto que foi o ponto de inflexão que eu falei, que mudou a forma como eu comecei a me colocar frente à minha vida. Eu, quando eu conheci a Logosofia e comecei a mergulhar nesse conhecimento que a Logosofia oferece — esse conhecimento que transcende, né, a gente chama de conhecimento transcendente porque ele ultrapassa, ele transcende o conhecimento comum que eu aprendi na escola, por exemplo, depois na faculdade, né, e mesmo no trabalho, no dia a dia. A gente aprende muita coisa, mas esse conhecimento causal, esse conhecimento que trata sobre o mundo interno, é um conhecimento que ultrapassa em elevação, em importância, em qualquer coisa que eu já tinha tido contato, e que eu vinha a ter contato depois. Então, quando eu fiz esse mergulho — que é o mesmo mergulho que talvez você esteja fazendo, né, você pode estar fazendo esse mergulho há mais tempo ou há menos tempo, pode ter conhecido Logosofia outro dia, ontem, ou pode conhecer Logosofia há décadas, não importa — mas é um mergulho, ou seja, é uma aproximação que a gente vai fazendo ao conhecimento transcendente. E o que foi o ponto exato foi quando eu percebi que era possível que eu saísse daquela posição fragilizada em que eu me via, que eu sentia o que eu era de fato, e eu estava extremamente fragilizado — eu jovem adulto, eu era um jovem adulto fragilizado. Quem olhasse para mim e convivesse comigo, tudo bem, não ia achar isso, porque eu tenho uma psicologia que era muito confiança em mim mesmo, muito seguro das coisas, mas na verdade, mal eu sabia o que eu não sabia, né, eu só achava que eu sabia as coisas. Então, ainda que se pareça que a pessoa está bem, que está confiante, está vivendo a vida, está enfrentando as coisas, cada um de nós só pode dizer e sabe de como ainda existe um vazio interno que a gente não conseguiu preencher. Mas foi exatamente isso que eu encontrei com a Logosofia. E agora, concluindo, já que a gente chegou exatamente no final de um livro — o "Curso de Iniciação Logosófica" — eu estava revendo, olhando o índice, revendo todos os títulos, esses capítulos e títulos tópicos que esse livro apresentou, e me dando conta, mais uma vez, assim, do tesouro, do tesouro que está à disposição minha e de cada ser humano, quando a gente percebe que o que faltava na vida era um significado que elevasse a vida acima, acima da aparente sucessão de fatos e circunstâncias da vida terrena. O que faltava na minha vida era um significado que pudesse elevar a experiência da minha vida para um nível, para uma altura em que eu pudesse olhar toda essa experiência do dia a dia de uma outra forma. Eu precisava de algo que me tirasse do chão e me levantasse um pouco, pelo menos o suficiente para eu conseguir ver além do metro seguinte, do quarteirão seguinte. E aí, obviamente, tem várias formas, várias imagens, analogias que a gente pode usar, metáforas que a gente pode usar para isso, mas acho que a sensação que melhor descreve o poder, a potência de conhecimentos assim é de tirar a gente da mesmice da vida. Eu espero muito que você esteja entendendo o que eu estou falando, porque às vezes eu posso estar sendo... Como eu estou falando das minhas sensações, por ser que eu estou sendo claro e estou conseguindo passar o que eu quero? Mas a sensação que eu tinha é que a vida era uma mesmice e eu tinha medo de repetir essa mesmice por décadas. Ainda que as coisas mudassem — muda de trabalho, trabalha aqui, depois trabalha ali, muda de profissão, sei lá, muda de casa, muda de cidade, muda de país, não importa, muda de companheira. Eu falei na época da adolescência, toda semana eu estava apaixonado por uma menina diferente, achando que era a menina da minha vida. Era muito, obviamente, muito ingênua. Mas no momento do calor daquela época, era isso, e são visões muito limitadas, muito limitadas. Mas a visão da vida como um todo no chão, sabe assim, no nível do chão, a visão que a gente tem da vida, ela é extremamente limitada. E se a gente continuar vivendo a vida apenas andando no chão, a gente vai continuar seguindo sem conseguir ver depois do quarteirão seguinte. E pra mim isso era uma sensação muito ruim, que é essa sensação da repetição infindável, repetição infinita de uma vida que parecia que não tinha muito sentido, ainda que tivesse muitos prazeres, alegrias e fatos bons, mas também muitos fatos ruins, experiências difíceis. Essa opção que a gente tem — porque é uma opção, eu entendo que é uma opção — a opção que a gente tem, ou a oportunidade que a gente tem de ler, de tomar contato com conhecimento como esse, e não ser indiferente a isso, porque é sutil, sabe? A diferença entre a forma de a gente ler um livro ou um tópico, um capítulo, sobre qualquer um dos livros da Logosofia, é quase assim — é fácil a tendência de simplesmente ler, achar legal, coloca aquilo na prateleira mental. A gente tem tanta coisa na nossa prateleira mental, que nem uma grande biblioteca, imagina a mente igual uma grande biblioteca, numa parte dela, sabe? Só um repositório, um lugar de depósito de coisas nas prateleiras. Pode ser só mais uma coisa legal que a gente guarda na prateleira mental, ou pode ser o ponto de virada, o ponto de inflexão, onde a vida, embora a gente continue a viver, do ponto de vista de quem olha, exatamente igual ao dia anterior, e às vezes muitos anos anteriores, mas a gente começa a dar um significado para a experiência da vida, para a experiência humana, e para cada uma das suas pequenas experiências ou sucessivas experiências diárias. A gente começa a dar um significado que transforma completamente as experiências em si e a própria vida. Essa é a grande oportunidade que esse conhecimento oferece. E a gente vai começar um novo livro, obviamente vocês já sabem que cada podcast eu faço sempre por conta do estudo, da leitura, das reflexões. Sempre surge em cima das reflexões e observações e experiências que eu tenho na minha vida com o conhecimento logosófico. Quando a gente vai começar um novo livro agora, e num novo livro vai vir uma outra oportunidade, que é uma forma diferente da Logosofia apresentar a sua concepção super original e transformadora como tem sido para mim. Como é que você vai aproveitar isso? Como é que eu vou aproveitar isso? E essa é uma preocupação que eu tenho sempre. Eu preciso me colocar numa posição que eu aproveite da melhor forma essa oportunidade todo dia. É um processo, veja, não é uma transformação de um dia para o outro, mas é um processo que vai ocorrendo na medida que a gente vai se colocando de forma cada vez mais consciente frente a essa oportunidade, a esse conhecimento. Bora? Tem muita coisa pra gente viver. Muita coisa. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.