Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Realmente Acredita que Está Completo? Ou Está Pronto para Incorporar o Melhor dos Outros?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando aqui que contra fatos não há argumentos, né? A gente não precisa discutir quando há um fato. Aliás, não precisa discutir nunca, muito menos em relação a fatos. E esse é um ponto muito interessante — os dois. Tanto não discutir, quanto não caber discussão quando a gente contempla uma realidade que é questão de contemplar apenas. E do micro ao macro, do cosmo, a gente tem realidades que são muito instrutivas. Por isso que eu gosto muito de fazer analogias com tudo que tem na criação, porque é como a gente vai entendendo aquilo que muitas vezes a gente vive no dia a dia e não entende. É quase, assim, chega a ser uma piada. Mas não é uma piada boa, não, porque a gente sofre muito. Tem muita coisa que a gente não entende no dia a dia, mas que é porque faltou a gente olhar de uma perspectiva diferente. E essa perspectiva diferente é a que sempre nos oferece o conhecimento transcendente. Esse conhecimento que está acima do conhecimento comum. Então, o conhecimento logosófico está sempre oferecendo — por isso que eu estou sempre buscando ele — uma perspectiva diferente em relação aos fatos da vida. E isso é vital, é muito importante, porque é a única chance que eu tenho de olhar para a minha própria vida de formas diferentes e de vez em quando vou entendendo finalmente aquilo que eu não tinha entendido. Primeiro sobre mim mesmo. Vamos aos fatos. Se a gente olhasse para um céu perfeito, a gente veria milhares, milhares, milhares, milhões de estrelas. Na Via Láctea tem de cem a quatrocentos bilhões de estrelas. Por que é uma estimativa? Porque ninguém conseguiu sair contando. Até porque a gente tem uma visão limitada — a visão direta é limitada. Tem muita estrela atrás de estrela que a gente não consegue ver no disco da galáxia. Agora, por que eu estou mencionando esse fato? Porque se a gente olhasse para o céu ou olhasse para uma imagem e visse aquela quantidade infinita de estrelas numa galáxia como a nossa, se você olha para dentro de si mesmo, a gente só está aqui, respirando, eu e você, porque tem trinta trilhões de células no nosso corpo — no corpo de um adulto. É um número meio sem sentido, né? Trinta trilhões. A gente não consegue contar isso. É um número infinito, sei lá, é um negócio descomunal. Então, tem muito, mas muito mais célula no corpo do que estrela na nossa galáxia. E por que eu estou falando das células? Porque as células que estão no nosso corpo, que nos fazem, que nos permitem viver, são o desenvolvimento de bilhões de anos de evolução. Olha que curioso. Mas tem uma dessas evoluções, um aspecto dessa evolução que achei muito interessante, porque eu vou buscando conhecimento dessas coisas sobre a criação que eu não tenho. E eu sempre me interesso em entender um pouco mais essas coisas — não no ponto técnico, não. Eu não tenho interesse em entrar e fazer um curso, por exemplo, de biologia. Mas eu gosto de saber, como leigo, um pouco mais sobre o assunto. Assim como eu gosto da natureza, do cosmo, de tudo isso. Por quê? Porque, mais uma vez, eu te digo: eu tenho procurado essas explicações da criação para conseguir compreender algo sobre mim mesmo. Sempre. E facilita muito. Olha que eu descobri: há bilhões de anos, as células que habitavam a Terra eram muito primitivas. Mas elas não sabiam usar o oxigênio da atmosfera. Elas não conseguiam converter o oxigênio em energia. Mas existiam também bactérias minúsculas que conviviam na Terra e que faziam exatamente isso — sabiam usar o oxigênio para gerar energia. Eram as famosas, tipo assim, o que hoje a gente chama de mitocôndrias, que é uma organela — bem, é uma parte das nossas células, é uma das coisas que tem nas nossas células do corpo e que faz a gente respirar o oxigênio. A célula pega o oxigênio que circula no nosso organismo e transforma em energia. Que é por isso que a gente está vivo. E aí, o que aconteceu? Elas eram células muito diferentes — uma era uma célula, a outra era uma bactéria. Elas podiam simplesmente ficar discutindo. Imagina o seguinte: imagina duas células discutindo entre elas durante bilhões de anos. Não, não faz sentido. Elas viram que uma tinha o que a outra faltava. Aí, o que elas fizeram? A célula grande deixou a célula pequena fazer parte dela. E aí, é como se tivesse incorporado uma capacidade. Na verdade foi isso. A célula incorporou a capacidade da bactéria, permitindo que a bactéria, na época, vivesse dentro dela. Ofereceu proteção para ela, ofereceu alimento. Quer dizer: fica aqui comigo que aqui tem alimento, tem proteção. E você me dá energia que você retira do ar que eu não consigo — do oxigênio, na verdade. Bom, resultado: nossas células hoje têm a tal da mitocôndria, que é — pelo que eu entendo — a parte da célula que faz a respiração celular. Aí você fala assim: "Bom, e o que tem a ver com a gente isso?" Bom, exatamente o ponto é esse. Eu olho para mim mesmo e, quando eu tô inconsciente — e como eu fui durante boa parte da minha vida — não pensei sobre nada disso. Eu achava, eu acreditava que eu era uma figura completa. Ou seja, eu não vou dizer que eu acreditava que eu era perfeito, não. Mas eu tinha uma crença muito grande de que eu tava já assim... Eu tava muito bem, eu não precisava de mais nada. Inteligente o suficiente para fazer o que precisava fazer. Sim, sabia fazer amigos, sei lá. Pensa em qualquer área da vida aí, e eu achava que eu era o suficiente. Eu não era um baita estudante e tive que trabalhar desde cedo, então eu sabia que eu não ia ter carreiras acadêmicas ou ia conseguir diplomas das melhores faculdades. Eu tava... Sempre estudei à noite, na adolescência, e trabalhando de dia, porque eu não ia ser um expoente acadêmico. Mas ia seguir trabalhando e conquistando as oportunidades pelo trabalho mesmo, pela experiência, pelo conhecimento do trabalho. E eu realmente achava que eu tava assim... Era autossuficiente. Tipo assim: não preciso de ninguém. Vou construir minha vida, vou fazer, vou conquistar, vou fazer acontecer. Bom, qual era o problema dessa posição? É uma posição, primeiro, com uma crença extremamente equivocada de que eu era como se fosse uma figura humana completa. Tipo assim: não, cara, você já tá... Tudo bem, vê se é diferente dos outros, mas não falta nada pra você. Não tá faltando nenhuma parte do corpo. Como não tá faltando nenhuma parte do corpo, também você tá aí perfeito, na configuração humana. Não precisa de nada, nem de ninguém. Então assim, eu passei uma parte da vida olhando para as outras pessoas, achando que essa diferença que nos separa era natural. Tipo assim: olha, eu sou diferente de você, você é diferente de mim, cada um na sua aí. Legal, vamos conviver, mas assim, amigos, amigos, negócios à parte, como se fala. Ou seja, cada um na sua. Eu acreditava realmente que eu não precisava dos outros seres humanos para nada. Claro, uma ajuda de vez em quando para alguma coisa eu precisava, mas assim, era uma ajuda, sabe? Mas as diferenças de forma de pensar, de viver, de olhar para a vida, de compreender a vida, eu achava que era um problema de cada um. E que a forma como os outros entendiam a vida e faziam as coisas não tinha a ver comigo. Ou melhor — e isso é o pior — eu realmente acreditava que a minha forma era a melhor. Era sempre a melhor de fazer tudo. E ainda sobrou — isso me incomoda tanto, vocês não têm ideia — mas me sobrou um tanto ainda. Já é bem menor, essa porção, mas tem ainda essa deficiência psicológica que, quando eu dou uma bobeada, ela me faz de novo acreditar que a minha forma de fazer as coisas, de viver a vida, é a forma correta e que eu não preciso de... que as outras pessoas que estiverem ao meu lado estão fazendo de uma forma que não é correta. De vez em quando eu caio na situação de voltar a acreditar nisso — bem de vez em quando. E aí me causa, obviamente, muito sofrimento. Por quê? Porque eu, no final, nessa condição — que é uma condição extremamente equivocada — se a bactéria e a mitocôndria tivessem ficado nessa condição cada uma, a vida biológica do jeito que a gente conhece hoje não existiria. Por quê? Porque elas não teriam assimilado — a célula não teria assimilado a capacidade da mitocôndria. E teria limitado extremamente a forma biológica que o ser vivo podia ter. E com a gente é a mesma coisa. Quando a gente acha que a nossa forma de fazer as coisas, ou de resolver os problemas, ou de lidar com as situações do dia a dia, são a melhor forma, a gente se fecha completamente às capacidades que as outras pessoas têm e que a gente não tem. E é duro, porque o ego, a personalidade — essa máscara externa que a gente tem, que cultiva para fora — essa máscara que se baseia no parecer ser, em vez de verdadeiramente ser alguma coisa na vida, que dá muita importância ao que parece, ao que aparece para os outros, essa autovalorização das próprias condições em exagero, ela impede a mim — no caso, impediu muito, hoje de vez em quando ainda impede — de perceber nos outros a parte e a capacidade que eu não tenho e que eu preciso incorporar na minha forma de ser. Não estou falando de imitar o outro — essa é uma distinção importante. Não é a questão que a gente vê muito: de assim, qual é a moda do momento, vou me portar como a moda do momento, vou fazer ou vou viver de acordo com a modinha do momento. Não é isso. Ao contrário disso. É cada vez ser mais o que se é, independente das circunstâncias, dos pensamentos, das modas, do pensamento que está correndo no mundo atualmente. Mas, como eu não sou uma figura completa ainda, eu preciso incorporar as capacidades que os outros seres humanos têm — as virtudes, essas características elevadas, positivas que os outros seres humanos têm e que eu, por várias razões, não tenho ainda. A gente fala: "Ah, o exemplo, seguir o exemplo do outro, seguir os bons exemplos" — claro, não os maus exemplos. Eu preciso disso. Mas, quando eu acreditava que eu não precisava, como é que eu ia incorporar alguma coisa de bem que tem de exemplo nos outros seres humanos, se eu acreditava que eu estava completo já? Ou seja, como é que a gente vai aprender algo novo se a gente acha que sabe tudo? Ninguém acha que sabe tudo, mas às vezes a gente atua como se fosse isso. Quantas discussões — olha só — quantas discussões eu não tive na minha vida, seja com mãe, com pai, com filho, com a minha mulher, todas as décadas que eu fui casado, com amigo, com alguém no trabalho, enfim, sei lá, escolhe aí qualquer nível de relacionamento. Quantas discussões não aconteceram na minha vida porque eu acreditava piamente que a opinião do outro, ou a forma do outro ver as coisas, fazer as coisas, não tinha valor. Ou tinha valor, mas o meu valor é maior. É assim: é um exagero na apreciação de si mesmo, de mim mesmo, que impede, que vira um bloqueio para se assimilar às capacidades dos outros seres humanos. E quantos desgostos, quantos sofrimentos uma discussão deixa na relação? Tudo bem, passa depois de um tempo. Mas é um sofrimento desnecessário. E muitas vezes, por causa de discussão, perde-se uma amizade, e perde-se uma relação, ou os sentimentos vão sofrendo. É muito difícil ser feliz enquanto a gente acredita que é uma figura completa que não precisa dos outros seres humanos. Não, precisa. Precisa de uma ajuda aqui para pegar um negócio aqui em cima, ou precisa de uma ajuda aqui para... Ah, vou aqui construir uma casa, me ajuda aqui, me peça um dinheiro, vamos fazer um negócio. Não é essa ajuda que estou falando. Isso a gente reconhece muitas vezes porque tiver a limitação clara, porque são fatos físicos. Ou me ajuda aqui, porque estou aqui todo doente. Quando é muito óbvio fisicamente, a gente vai em busca de ajuda de terceiro. Mas daquilo que é a própria compreensão da vida e do mundo, em geral, a gente se acha autossuficiente. Então, acho que a grande questão é... A gente foi colocado numa experiência que está baseada na convivência. Olha que curioso que é isso. É como se o pensamento criador — é como se Deus tivesse dito assim: "Cara, presta atenção. A experiência humana é uma experiência de convivência." E por que é uma experiência de convivência? Exatamente... E essa é uma explicação claríssima que o ensinamento logosófico dá: de que a gente é uma figura incompleta — não do ponto de vista físico, claro, mas do ponto de vista metafísico. Nós somos incompletos. Nossa psicologia é recheada de pensamentos negativos, de defeitos. E a gente tem virtudes e capacidades, mas nós somos todos figuras incompletas. E a experiência humana é exatamente para a gente poder encontrar essa capacidade que está nos outros e que a gente não tem, ou que a gente está desenvolvendo ainda, e poder ir observando e convivendo e ir assimilando essa capacidade. Mas isso só ocorre se a gente... Primeiro tem que destruir essa crença que eu venho lutando contra ela e diminuindo a força dela na minha vida — de que eu era uma figura completa, de que eu era autossuficiente. Então essa é a primeira luta que tem que... Pode ser que você não tenha essa dificuldade. Ótimo. Graças a Deus. Porque eu vou te falar que dificuldade, que dureza que é isso. Mas segundo — e é um outro ponto, não é nem segundo que não é o primeiro e segundo, mas uma outra realidade disso, um outro ponto importante — é: enquanto isso, se isso não é o caso, é preciso olhar para os demais e não para a gente defender uma posição, defender uma razão ou defender uma forma de fazer as coisas ou defender uma forma de ser. É de olhar para os outros seres humanos, na diversidade que a gente tem entre cada um de nós — somos todos diferentes de alguma forma — e olhar para isso com a oportunidade de... Puxa, assim como as células fizeram, agora de forma consciente, e observando as capacidades, virtudes e características positivas que vão me completar. Isso muda a forma como eu enxergo o ser humano. Isso impacta a vida de várias formas no dia a dia. Quantas pessoas a gente não convive no dia a dia porque às vezes causam um desgaste, e com as relações diárias tendem a causar mais desgaste. Mas se a gente começa a olhar para aqueles que a gente convive no dia a dia com esse olhar — pensando em observar para completar a si mesmos — a gente começa a observar o que há de melhor no outro, e não só os defeitos do outro. Porque é muito fácil observar os defeitos do outro, mas é possível observar o que há de melhor. E aí, quando a gente está preocupado, quando a gente está atento a isso, o que surge na nossa frente não é o pior do outro — é o melhor. Então é possível mudar a forma como a gente se relaciona só de partir desse princípio de que a gente está buscando. E a experiência humana é a busca por esses elementos que vão completando uma figura que é incompleta atualmente, para que a gente possa ser mais feliz, para que a gente possa compreender melhor a vida, a existência, para que a gente possa entender o porquê das experiências, e principalmente para que a gente possa se colocar melhor frente a tudo isso. É preciso de muitas outras capacidades, e a gente não precisa buscar isso num lugar muito distante. Está aqui, espalhado, ao redor de cada um de nós, na convivência diária. Vamos dar esse passo? Vamos experimentar? Conviver com esse olhar diferente? Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.