Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Bosque Mental Sem Dono: Como Pensamentos Disputam o Controle de Sua Vida
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui ouvindo os passarinhos de novo, prestando atenção neles e me dei conta que isso é fácil. Se acostumar com barulho dos pássaros é muito fácil, uma delícia, é uma música doce. Mas naquela analogia que eu fiz, se a nossa mente é um espaço em que muitos desses pensamentos — desses pássaros — estão muitos misturados, aglomerados e cada um piando na sua de acordo com a sua vontade, o que que se transformou a nossa mente? Essa talvez seja uma pergunta muito importante da gente se fazer. A gente viveu uma vida sem consciência sobre o que são pensamentos. Pensa nisso. Olha que absurdo que é isso. Aí você fala: "Não, Ronny, mas a gente, ué, a gente viveu a vida e tudo bem." Bom, são duas afirmações que a gente precisa analisar uma de cada vez. A gente viveu a vida, sim. Concordo. "Ah, e está tudo bem." Aí eu discordo. Veja, "está tudo bem" é um conceito relativo. A gente sobreviveu? Sim, sobreviveu. A gente viveu muitas coisas felizes? Sim. A gente conquistou muitas coisas na vida, em todos os campos? Sim. A gente experimentou coisas diferentes, interessantes, experiências da vida, assim, importantes? Sim. OK. Está tudo bem? Aí essa pergunta — essa ou a resposta a essa pergunta — eu vou deixar para que você pense a respeito. Porque eu estava refletindo sobre isso, sobre a minha realidade. O "estar tudo bem" — se a gente admitir que assim, a despeito de todos os problemas, situações, fragilidades, angústias, ansiedades, tristezas, sofrimento que eu vivi — está tudo bem? Sim, está tudo bem. E eu falo com tranquilidade que está tudo bem mesmo. Ainda que eu tenha vivido tudo isso e de vez em quando ainda vivo alguma coisa disso tudo. De vez em quando eu falo o que eu não devia, falo. De vez em quando eu não consigo controlar os pensamentos e acabo atuando de forma inconsciente, independente do que eu quero. E sim, de acordo com a vontade de algum outro pensamento. Também acontece também. "Ah, ainda assim está tudo bem?" Hã, então, essa é a pergunta. Você percebe qual o ponto? Porque assim, a gente assumiu que está tudo bem. E está assim, a gente segue vivendo, OK. E a gente segue sendo feliz a maior parte do tempo. A questão é, então, eu acho que a pergunta merece um retrofit. Está tudo bem seguir vivendo a vida de forma que de tanto em tanto — isso acontece às vezes no próprio dia ou isso pode acontecer sei lá, de vez em quando — de tanto em tanto, a gente deixa de ser dono da própria mente e pensamento de várias índoles diferentes se alternam como diretores desse espaço mental e consequentemente ditam a nossa conduta, a nossa forma, entre aspas, de pensar de acordo com eles. Está tudo bem seguir assim? Essa é a pergunta. Porque a causa — e esse é o ponto que a gente vai ter que olhar para isso e falar: "Puxa, se isso é verdade, eu vou ter que rever minha posição sobre isso" — a causa das nossas dificuldades, fragilidades, angústias, ansiedades e sofrimentos na vida, elas são em modo geral atribuíveis a essa confusão de pensamentos que se na nossa mente desde sempre. Aí você fala assim: "Ó, Ronny, mas como desde sempre?" Pois é. Pensa, vamos pensar a respeito. A gente nasce e começa a receber. Não quando é bebê, mas quando a gente começa a crescer e a mente começa a se desenvolver de fato, começa a receber uma série de influências. Ou seja, a gente começa a ser bombardeado com uma série de pensamentos que estão no mundo mental ou nas mentes das pessoas que a gente convive. Então, assim, na escola, na família, na vida social da gente já como criança, depois adolescente. E aí começa a se intensificar a quantidade, porque aí a gente vê televisão, vê no YouTube, vê não sei o quê, blá blá blá blá blá. Pensa na quantidade de pensamentos que nos bombardeiam, que bombardeiam nossa mente — ou seja, que são jogados para nossa mente durante um dia. Pega um dia hoje simples da vida, um dia normal da vida. A quantidade de pensamentos que a gente vai ver na internet, seja em qualquer aplicativo dos das dezenas de aplicativos que existem hoje que cada um de nós acessa alguns durante o dia. Ou só para ver notícia, como eu vejo sempre notícia, acompanho, leio o jornal na internet, tudo. Aí tem os assuntos do trabalho de cada um de nós, onde a gente interage com um monte de gente. Aí no meio social, seja qual for, no meio familiar, enfim. A gente se encontra e olha que interessante, a gente acaba se encontrando com um monte de pensamentos todo dia. Isso foi assim desde sempre, desde que a gente se lembra por gente. Qual o resultado disso? Esse é um ponto que a Logosofia para mim — ela considera muito importante — e eu comecei a entender a importância disso depois de muitos anos na vida já. A importância disso é que assim, a quantidade de pensamentos que vive — lembra os pássaros? — então, a quantidade de pensamentos que habita o meu bosque mental, se assim a gente pudesse chamar, a casa minha casa mental é enorme. E o problema é que se não houver uma ordem, se não houver um — se eu não tiver domínio sobre esse bosque, sobre esse espaço mental — esse espaço mental vai ser dominado por esses pensamentos que vão se alternar e vão disputar espaço, vão disputar hegemonia, vão disputar tempo e vão disputar minha vontade. Olha, olha, olha qual o risco e qual o problema dessa realidade que a gente ignorou por toda a vida antes de ter um conhecimento que explicasse sobre isso. Os pensamentos, independente de sua origem e sua característica, vão lutar, vão disputar espaço, vão disputar influência sobre a nossa vontade. Não é à toa que muitas vezes a gente falou assim: "Poxa, eu não queria ter dito isso, não queria ter feito isso." Eu sempre recordo disso, porque assim, que coisa mais esquisita. Eu falava isso quando eu era adolescente, jovem, não me dava muito conta. Quer dizer, quando eu era pequenininho, mais quando eu era menor. Tipo assim: "Não, eu não queria ter falado isso, não sei porque que eu falei." Ué. Como assim que você não queria ter feito alguma coisa, falado alguma coisa e falou? Aí a gente fala: "Ah, não me controlei." O que que é "não me controlei"? Controlar. Olha, olha que coisa, olha surreal isso. A gente acostumou a viver uma vida em que em muitos momentos a gente não está no controle. Pergunta automática: "E quem está no controle, então?" Boa pergunta essa, é mais óbvia, mas eu nunca tinha me feito antes de me dar conta, antes de me colocar à frente desse conhecimento logosófico. E essa é uma concepção fundamental, como eu falei já, para a Evolução Consciente. É essa — quando a Logosofia apresenta, revela essa concepção de como é que vivem, qual é a vida, qual é a realidade desse mundo mental de cada um de nós e dos pensamentos que o habitam. Porque assim, como é que a gente nunca se perguntou isso antes? Se eu não estou no controle naquele momento, naquela hora, naquela experiência, quem está no controle? Como é que eu deixei, como é que eu dou minha vida, como é que eu coloquei minha vida na mão de um pensamento durante um tempo — seja um instante, seja minutos, horas, dias. Às vezes tem pensamentos que ficam dias da nossa mente quase capturada, a mente capturada por um pensamento, por um conjunto de pensamentos. A gente não consegue pensar em outra coisa. Quantas vezes aconteceu isso? Não é — e não é quando a gente fica bravo só, veja, não é. Quando a gente briga com alguém, discute com alguém ou perde a paciência com alguém, não é isso. Pensamentos que se tornam preocupam, preocupam a mente de forma muito determinante e que são geralmente vinculados às situações do dia a dia, também são um problema sério. Quantas vezes eu passei períodos focados só no trabalho, nos problemas, nos desafios para conquistar isso, aquilo, para resolver tal problema na vida, seja trabalho, qualquer outra coisa, e passei dias quase submerso naquele pensamento, quase vivendo somente para atender aquele pensamento. Que não pensava em outra coisa. Sabe aquela história que você fica assim: "Nossa, eu não consigo pensar em outra coisa"? É como se a gente tivesse entregado o controle da vida a um pensamento ou a um conjunto de pensamentos. É impressionante. Se olha só, quando eu penso tudo isso, quando eu faço uma reflexão dessa, a quantidade de situações em que eu entreguei minha vida — tipo assim, peguei a chave da minha vida e falei: "Ó, está aqui o pensamento X, seja qual for." Está aqui, ó. Você dono da minha vida por um tempo aí. Foi mais ou menos isso que eu fiz. Lógico, inconsciente. Ninguém faria isso de forma consciente. Mas eu fiz isso. Muitas vezes eu fiz isso. Ou me deixei levar por pensamentos que me seduziram com imagens falsas. E aí para saber quando você fica naquele estado assim: "Ah, aí tu faz dias que fica pensando num — puxa, se a vida fosse assim, fosse assado" — imaginando aí imaginação corre solta sem nenhuma função clara ou útil. Fica só projetando imagens que a mente vai se deleitando naquelas imagens, porque tem algum pensamento que quer me distrair do que eu deveria estar fazendo. Então, é uma profusão de situações. É uma quantidade de provas que eu tenho na minha vida de que eu não sou verdadeiramente dono desse espaço mental que é meu. Olha que doideira isso. Não estou falando da vida do outro. Da vida do outro ninguém é dono mesmo, não pode ser. Porque a gente não começa nem sendo dono da própria. A propriedade sobre a própria vida interna, a própria — assim — a posse e a propriedade, a titularidade sobre a própria mente, sobre esse bosque mental onde vivem — sei lá quantos, não sei se são centenas de pensamentos, deve ser, sei lá quantos. A titularidade — ou seja, o domínio sobre esse espaço — precisa ser clamado. Tem que determinar. E não adianta só falar: "Ah, então sou eu." O problema é que tem que ser realidade. Não adianta só a gente declarar: "Olha, declaro que esse espaço mental que é minha mente é meu, é meu. Eu que sou dono aqui, eu que mando." A pergunta é: manda mesmo? Quanto cada um de nós manda nesse espaço mental? Bem, TV acabou de piar aqui, aparecer aqui. Então, quando a gente identifica — ó, Bem TV, ó — eu identifiquei o piado do Bem TV. OK, mas é difícil identificar pensamentos? É. Por quê? Porque a gente está tão acostumado a viver uma vida em que a gente é levado por um pelos pensamentos, nessa alternância entre eles. A gente achou que era a vida da gente. Olha que doideira. A gente achou que a vida que a gente viveu sempre até então era a nossa vida. Bom, é a nossa vida, claro, não é a vida do outra pessoa. Mas é uma vida praticamente movida por pensamentos e não pela própria vontade. É só a gente olhar para a vida hoje, vai. E quando eu olho para a vida hoje, e eu me pergunto: "Eu vivo a vida que eu verdadeiramente quero ou eu vivo uma vida ainda parte é o que eu quero, o que eu busco, é o que eu sempre busquei, mas uma outra parte é uma vida que atende a uma série de pensamentos e objetivos que na verdade não são da minha intimidade. São formas, são vamos dizer assim, são modelos, são formas de viver de acordo com outros pensamentos — pensamentos que estão na cultura corrente. E é por isso que as pessoas vivem — enfim, no mundo todo — de acordo com a cultura de cada país, de cada região, se vive de uma forma diferente. É essa a prova maior de que a gente vive uma vida de acordo com os pensamentos que estão na mente. E não necessariamente de acordo com aquilo que faz cada um de nós mais feliz. Isso é sensacional de se dar conta. Essa porra — olha — mas a gente se dá conta disso é triste, é triste. Ou então, no primeiro instante é triste. Por outro lado, pensa no que isso significa. A partir do momento que a gente entende que isso é uma realidade — que assim, que a gente vive uma vida muito mais condicionados por uma série de pensamentos que a gente admitiu na mente do que pela do que é a nossa vontade — nasce ou surge a oportunidade de então tomar posse e começar a encaminhar a vida exatamente de acordo com aquilo que cada um de nós verdadeiramente quer, sente, intui. E já hoje forma uma imagem de que quer viver e quer ser — a vida que o faça mais feliz. E não a vida que os pensamentos ou com aglomerado de pensamentos da sua mente quer que você viva, que cada um de nós viva. No próximo podcast vamos falar de como é que a Logosofia ensina isso, como é que a Logosofia ensina a realizar isso. E é exatamente o ponto — a outra metade praticamente desse capítulo 9. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.