Latest / Logosofia no Dia a Dia / Os Sulcos da Mente: Como Compreender o Mundo Metafísico e Libertar-se de Padrões Rígidos
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- Oi, é o Ronny. Tudo bem? A natureza nos oferece uma infinidade de lições, especialmente quando podemos usar o que observamos como um guia para interpretar conhecimentos que ainda não possuímos. Não é à toa que muitas descobertas da "ciência" foram realizadas observando a natureza diretamente. Ela já contém uma ampla gama de ensinamentos. Por outro lado, embora eu tenha o hábito de buscar e observar a natureza, preciso sempre que um conhecimento como o logosófico me ofereça um motivo maior para refletir sobre tudo isso. Ainda não tenho, como ser humano, a capacidade de projetar a realidade do mundo metafísico — esse mundo em que atuamos com a mente, os sentimentos e a consciência, onde estão as engrenagens que movem a nossa vida. Preciso que o conhecimento logosófico vá me revelando trechos dessa realidade, jogando luz sobre ela. E, para isso, sempre busco uma analogia, uma imagem que ajude minha mente a fixar o que estou aprendendo. Pense em algo que todos já vimos: a água é implacável na busca pelo caminho de menor resistência. Vemos isso desde um vazamento na parede de casa até, especialmente, na natureza. Quando a água corre sobre a terra nua, sem vegetação, ela começa a formar um pequeno canal. Conforme mais água passa por ali, a erosão se acelera e cria o que chamamos de sulco, um caminho definido, quase como um pequeno rio. Lembro-me de brincar com a água da chuva na terra quando era criança, reforçando esses sulcos que ela ia definindo. A cada nova chuva, a água era capturada por aquele caminho já existente, que se tornava cada vez mais determinante. A energia da água se concentra onde o caminho já foi aberto. Em um terreno com vegetação, por outro lado, a água escorre de forma distribuída, sem formar esses canais profundos. O sulco se forma em solos que estão expostos, vulneráveis. A ausência da proteção da vegetação, com sua rede subterrânea de raízes que amarra o solo, é uma das causas diretas da formação desses padrões rígidos. Agora, vamos pensar na mente humana. É engraçado como, ao percebermos certas nuances, algumas coisas se tornam tão claras que começo a rir de mim mesmo. Minha mente é o terreno. Vamos considerar que a "água" em minha mente sejam os pensamentos que nela operam. E não são apenas os meus, pois a mente está sempre recebendo pensamentos de outras fontes: um livro, uma notícia, uma conversa, a própria natureza. Há um movimento constante dessa "água mental". O problema é que, quando vivemos percebendo apenas o mundo externo, material, esses pensamentos — por não conhecermos sua realidade — formaram grandes e profundos sulcos em minha mente. Quer uma prova? Alguns sulcos foram tão sérios que se tornaram deficiências psicológicas. Lembro-me de, na minha adolescência, observar o custo e o sofrimento que elas me causavam. Algumas, em menor proporção, causam até hoje. Esses sulcos eram tão profundos que era muito difícil minha resposta às situações do dia a dia ser diferente. Os pensamentos, atuando por tanto tempo sem que eu os observasse, criaram esses caminhos que prenderam a mente em formas específicas de funcionar. É por isso que, de vez em quando, acontece algo e, quando percebo, agi da mesma forma equivocada que agia anos atrás. E isso me causa tristeza, angústia, a sensação ruim de não querer ter vivido aquilo daquela forma. Com menos força e frequência, mas ainda acontece. Minha mente tem sulcos. Isso ocorreu porque os pensamentos ficaram sem controle durante boa parte da minha vida. Pior, a própria cultura em que vivemos tem esses sulcos do pensamento coletivo, que nos carregam junto. Quando a Logosofia apresenta a realidade do mundo metafísico, é como se finalmente tivéssemos o conhecimento para entender o que acontece "debaixo do solo". Assim como a humanidade aprendeu que precisava reflorestar solos para protegê-los da erosão, nós podemos entender que precisamos "cuidar" do nosso terreno mental. O mundo metafísico é simplesmente a parte da realidade que não vemos com os olhos, mas cujas consequências sentimos todos os dias. É só olhar para nossa conduta diária para ver quantas vezes fomos movidos por essa energia imaterial que comanda a mente humana. Por isso é vital, ao descobrirmos esse mundo, começar a cuidar desse solo. Começamos a perceber os sulcos e a trabalhar para desmantelá-los, aterrando-os para diminuir a força que ainda têm sobre nossa vida. As possibilidades que se abrem são infinitas. À medida que nos libertamos dessa prisão de caminhos marcados, vislumbramos a chance de refazer esse terreno, cultivando as melhores plantas, que darão os frutos mais maravilhosos e as flores mais lindas. A sensação de antever uma vida interna nesse jardim, que é nosso, é a de que podemos, finalmente, ser donos da própria vida. Não da vida terrena, que é só um reflexo, mas da vida do ponto de vista metafísico. E aí, um novo capítulo se abre para a existência humana. É disso que a Logosofia trata. Isso está muito claro no próximo tópico a que me refiro, que se chama "Possibilidades Metafísicas do Ser Humano". Contemplar essa realidade é como ir destravando a grande engrenagem que constitui nossa vida, colocando a mente para descobrir possibilidades que ignorávamos. Não há nada mais lindo do que criar para si mesmo possibilidades tão elevadas, como viver, cada vez um pouco mais, a realidade do mundo metafísico como a causa de tudo o que experimentamos. Mais uma vez, é um tópico pequeno, como todos os do livro Exegese Logosófica, mas com possibilidades para as reflexões mais úteis à vida de cada um. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.