Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Hidrogênio da Alma — Como o Conhecimento Transforma a Vida em Eternidade
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? A gente está em busca do que é eterno, né? A gente está em busca do que é permanente. A gente está em busca da sensação de existir sem as limitações da vida física, sem as limitações dos problemas, das circunstâncias e fatos. É isso, né? É isso que a gente está em busca. A gente está em busca dessa sensação de liberdade que a gente já sentiu algumas vezes e, de vez em tanto, sente quando a gente se conecta ao que é superior, ao que há de mais elevado na criação e na vida. E se isso é uma realidade, né? Acho que todos buscam. Ainda que às vezes eu não consiga definir que essa é a busca, mas, no final, todo mundo busca se libertar dessas oscilações da vida diária, das experiências cotidianas. Ainda que a gente vai continuar a vivê-las, né? Como eu sempre gosto de me lembrar. Mas a gente busca a sensação de viver por cima de tudo isso e não sob o peso de tudo isso, né? Se é verdade ou se isso é uma realidade para todos nós... Ontem eu estava falando, no último episódio, sobre aquela analogia com as nebulosas, né? E como é que a razão vai se formando e possibilitando até o despertar da consciência na medida que a matéria, o conhecimento vai sendo assimilado. Mas eu penso que a chave e o importante é entender como é que a gente, de fato, faz isso. Eu gosto muito dessa imagem da nebulosa, né? Você sabe, eu adoro o universo e as ciências que explicam o universo porque elas explicam, de alguma forma, de forma mais fácil, uma engrenagem que eu estou ainda compreendendo, tentando abarcar porções um pouco maiores a cada vez ou agregando mais pecinhas a esse gigantesco quebra-cabeça que a gente precisa decifrar. E a gente precisa decifrar individualmente, mas a gente se ajuda na medida que cada um de nós está buscando as pecinhas e essas pecinhas vão se apresentando. A gente vai colando no mundo mental e eu tenho a sensação que eu e você, a gente está nesse trabalho, né? E todo mundo que está nesse trabalho, no mundo, está trabalhando num grande quebra-cabeça no mundo mental e a gente está colocando pecinhas. Tem gente no mundo inteiro colocando pecinhas e na medida que a gente se concentra nessa imagem, essa imagem vai atraindo mais mentes, mais corações. Eu penso que esse é um processo lindo, mas voltando ao ponto, eu falei da nebulosa no último episódio. A nebulosa é composta de gases — eu falei poeira, mas basicamente o gás das nebulosas, os gases, eles são basicamente hidrogênio. Olha que interessante: o hidrogênio é a substância fundamental do universo, da criação física. Ele existe desde o começo dos tempos, seja qual for esse começo dos tempos. Basicamente, a nebulosa é composta de hidrogênio. Então a gente pode entender que o hidrogênio é a substância fundamental, eterna. Ele não se perde, ele não se esvai, ele vive bilhões de anos nessas nebulosas até que começa o processo universal de criação de uma estrela. Muito bem, vamos focar no hidrogênio. Quando a gravidade começa a atuar, quando existe massa suficiente e a gravidade começa a atuar — eu falei no último episódio que vai ocorrer aquela fusão nuclear, que é o que dá início, é a ignição de uma estrela e depois é a que mantém a estrela acesa. Mas olha que interessante: a estrela não queima, não é que ela queima o hidrogênio, não é que nem quando a gente liga a churrasqueira ou o fogão e aí queima o combustível, e aí aquele combustível vira cinza ou vira carbono. Não é isso. O hidrogênio passa por um processo de fusão nuclear. Então o hidrogênio se transforma em outros gases — no caso vai se transformar em hélio, se não me engano, e quem entende de física depois me corrige se for o caso aí mentalmente. Mas, se não me engano, vai se transformar em hélio. Na hora que ele é fundido, dois átomos de hidrogênio se fundem, geram um átomo de hélio, se não me engano. E aí então, esse hidrogênio se transforma, e depois esse hélio vai ser queimado também em uma etapa posterior — vai ser fundido na verdade, também — que vai se transformar em outro elemento ainda um pouquinho mais pesado. E eles vão ficando mais pesados e mais pesados, até que aí tem um processo físico que, depois de bilhões de anos, a estrela já não aguenta mais, não consegue mais fundir os átomos porque já são elementos mais pesados do que o hidrogênio era no início. E aí a estrela não consegue mais fundir, é quando ela começa o processo de extinção dela. Bom, mas o ponto não é esse. O ponto é o hidrogênio. O ponto é essa substância base. A gente pode entender que o conhecimento é como o hidrogênio. O conhecimento, seja todo conhecimento — então esse próprio conhecimento das coisas físicas do universo, como por aí a gente está falando agora — não é um conhecimento que não tem valor porque ele não trata de algo... Ah, Ronny, mas isso não é um conhecimento de cunho superior, não é um conhecimento para o espírito, é um conhecimento para a mente comum. O que define o que o conhecimento vale não é o assunto dele. O que define o valor de um conhecimento para a nossa vida e para o que a gente quer viver — como eu falei no início, para essa busca que cada um de nós está, e estamos todos em conjunto — isso que é lindo. E eu acho que essa parte bonita da experiência humana é que, ainda que nós sejamos tão diferentes psicologicamente, fisicamente, nós temos tanta coisa que mostra para a gente que a gente é diferente, ou pelo menos que quer convencer a gente de que a gente é diferente. Eu e você, por exemplo, nós somos muito diferentes. E não é só no nome, na aparência, no peso, na altura, onde a gente mora — em tudo. Mas, independente de todas as diferenças da nossa vida terrena e da nossa característica espiritual individual, a gente tem algo em comum que é essa parte mais linda, para mim, da experiência humana. Nós todos estamos buscando a mesma coisa, ainda que a gente possa defini-la de formas também diferentes. Então, olha só que interessante. Aquilo que a gente busca — eu, você e praticamente todo ser humano que já conseguiu parar para pensar e perceber, mais do que pensar, perceber que está nessa busca — é exatamente que o conhecimento, seja qual for, ele sirva para a vida. Assim como o conhecimento que a gente chama normalmente de comum serve para a vida para muitas coisas, para tudo o que a gente faz, tudo o que a gente realiza no dia a dia, na vida terrena, ele tem valor porque ele foi assimilado como tal. Não é uma ilustração na mente. Ele não é uma teoria na mente. O que a gente consegue realizar é aquilo que a gente pega do conhecimento que a gente já tem das coisas e aplica na vida. Então, o valor do conhecimento, ele se dá quando ele é transformado em vida. Então, é quando o hidrogênio sofre a fusão nuclear e aí ele deixa de ser aquele gás que ele era — a nebulosa, quando ele foi atraído para o ponto central ali — e passa a ser outra coisa. E nesse momento da fusão nuclear, gera calor e luz. Por isso que a estrela acende e permanece acesa por bilhões de anos. Eu acho esse tempo, essa medida de tempo, eu acho tão surreal. Como é que uma coisa acontece no universo há bilhões de anos? A gente vive décadas. Já é uma vida tão grande, né? As coisas no universo, tem coisas que vivem bilhões de anos. E por que eu me impressiono com isso? Porque a gente não tem noção. Esse é o ponto. A gente não tem noção do que é o permanente e o eterno. E aí o que existe é essa busca. A gente fica assim: ah, eu quero viver mais anos, né? Eu não quero deixar essa vida. Porque a gente ainda agarra a parte física da vida, acreditando que isso a define. Mas o que dá conteúdo eterno à vida, o que dá a sensação real de eternidade, de fazer parte do todo, do permanente, é exatamente o processo de fusão do conhecimento teórico em conhecimento vital sobre exatamente a vida e a existência do ponto de vista consciente e espiritual. Então assim, essa substância eterna que é o conhecimento é a razão de ser da vida. A gente acha que o conhecimento é um negócio necessário só. Até porque a gente foi obrigado desde pequeno a estudar. E aí acho que a gente ficou com a imagem de que tem que ter conhecimento, tem que estudar, tem que estudar. Porque eu sei que tem gente que adora estudar, e eu detestava estudar. Eu detestava estudar. Na escola, tudo isso eu não gostava. Eu prestava muita atenção na aula para não ter que estudar e me virava praticamente assim. Até, obviamente, que não foi o suficiente e eu bombei um ano. Mas enfim, o ponto não é esse. O ponto é assim: a gente está falando aqui de que há essa busca, cada um de nós está nessa odisseia para se identificar com o eterno, com o permanente. Essa odisseia passa necessariamente por esse elemento base da vida universal que é o conhecimento. E no caso do que a gente está buscando, é claro que é o conhecimento acerca dessa realidade, acerca da vida do ponto de vista metafísico, do mundo interno, o conhecimento do mundo interno, que é o mesmo mundo da engrenagem do pensamento criador. É a mesma substância. Em cada um de nós vive esse microcosmo metafísico, nesse espaço mental, que é tão vasto quanto esse universo físico. Porque, na verdade, não tem limites. O limite é exatamente a capacidade individual que a gente ainda não tem ou está desenvolvendo de fazer essa fusão nuclear. Esse elemento base, que é o conhecimento, ele é a chave. Isso para mim está claríssimo. Ele é, para mim, a chave para a vida na sua, vamos dizer assim, na sua face, ou nas suas sensações mais elevadas — eterna, divina, permanente. A vida pode ser cada vez mais essa sensação de estar vivendo num tempo que não é o físico. Para isso, a gente busca o conhecimento transcendente. A gente não busca o conhecimento transcendente, eu não estudo todo dia o ensinamento logosófico, por exemplo, para me ilustrar. Porque ilustração não faz nada, nada, literalmente. Por outro lado, se eu não estiver estudando, eu não tenho o elemento base para fazer a fusão nuclear dentro de mim. Então, eu preciso buscar o conhecimento. Por isso que eu busco conhecimento todo dia. Eu preciso assimilar o conhecimento. Isso é fazer a fusão nuclear na própria mente. É aí que a gente toca o que é eterno e a gente começa a absorver essa substância que é eterna, que não tem validade, que nem o hidrogênio primordial. É para sempre. Ele só se transforma. O que era conhecimento teórico se torna conhecimento vital na própria mente. Agora, para não parecer — o risco é a gente achar que experimentar a sensação do eterno é um transe místico, sei lá. E não é. Não é uma epifânia, não é nada. Não é uma desconexão da realidade. Não é para ficar viajando na maionese cósmica. Não é isso que eu estou falando. Porque a gente não pode ficar viajando na maionese cósmica. Não é sobre isso. Então, é sobre o quê? Tem que estar claro que a sensação do eterno se manifesta na vida diária como uma profunda estabilidade psicológica que a gente vai adquirindo. É não estar mais à mercê desse vai e vem do dia a dia. Quem vive de opinião e ilusão e pensamentos alheios ou pensamentos vários que estão na mente muda a cada vento do dia. Essa é uma vida efêmera. É uma vida que a gente ficou com a sensação de que está passando. Quem assimila — quando a gente assimila o conhecimento real e transforma, na assimilação a gente transforma em substância própria. A gente ganha essa solidez interior que é indestrutível. O eterno, na consciência, se traduz em serenidade. Se traduz em clareza de propósito. Em imunidade às crises banais ou às crises mais profundas do nosso cotidiano. Às tais circunstâncias e fatos que eu sempre me refiro. Então assim, a blindagem aos fatos e circunstâncias tão variadas do dia a dia ocorre exatamente nessa capacidade de transformar o conhecimento em substância própria. A gente não flutua no espaço não. A gente vai se tornando dono do próprio eixo da vida e da nossa existência do ponto de vista consciente, espiritual. O conhecimento é, de fato, pra mim, como a logosofia afirma, a razão de ser da nossa existência. Esse é o elemento básico. Esse é o elemento primordial pra transformar a vida. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.