Latest / Logosofia no Dia a Dia / Por Que Você Não Consegue Montar o Quebra-Cabeças da Vida Sozinho (E Isso É Ótimo)
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu acho muito legal que as imagens que a gente vai construindo na mente de acordo com o que a gente vai estudando desse conhecimento transcendente, elas vão sendo trabalhadas ao longo do tempo. Imagino que você já observou isso muitas vezes — que um dia a gente está falando de alguma coisa, a gente está tratando de algum dos temas, e aí a gente recorda de alguma coisa que a gente viu no outro tema, no outro título, no outro capítulo, no outro livro. É como se, de certo modo, a gente estivesse montando um grande quebra-cabeças, né? Eu gosto dessa imagem do quebra-cabeças, eu uso ela algumas vezes nas minhas reflexões porque eu penso que ela é bem própria para isso. Quem já montou quebra-cabeças de milhares de peças sabe como é tarefa muito árdua chegar ao final. Agora, imagina que a gente veio aqui viver nesse mundo, nesse mundo onde imperam os pensamentos e não a gente, onde no fundo a gente acreditava que a gente era o dono desse mundo aqui, desse planeta, e eu demorei para descobrir que na verdade os pensamentos estão acima da gente ainda. Os pensamentos ainda fazem a gente de gato e sapato. Mas é um mundo em potência maravilhoso. É um mundo que pode ir nos dando a cada dia essa oportunidade de, exatamente, de ir montando o quebra-cabeças da verdade universal. O que a gente veio fazer aqui nesse mundo, se não isso? Eu entendo isso. A gente veio para montar aqui na Terra um quebra-cabeças gigantesco, obviamente. Acho que ele é um quebra-cabeças quase infinito, né? Porque é o quebra-cabeças da imagem que nos dê uma compreensão, a consciência, a imagem clara da grande verdade que a gente busca. E que responde — em cada um dos pedaços dessa verdade, das porções dessa verdade — se respondem cada uma das inquietudes, cada uma das grandes questões existenciais nossas e todo o conhecimento da criação. Aí você pensa assim: "ah, Ronny, você está sendo muito otimista que a gente vai conseguir fazer isso aqui na Terra, né? Nessa vida aqui toda tribulada, cheia de problemas, cheia de coisas, cheia de situação, cheia de experiências que uma parte delas não são como eu queria". Pois é. Esse é um ponto que eu sempre me pego. Falo assim: cara, como é que a gente vai montar esse quebra-cabeças no meio desse caos? Dá vontade de desistir às vezes, eu te garanto. Que eu já... não é sentir, né? Mas já veio esse pensamento, eu falo pra você que pensamento é um negócio danado mesmo. Já veio esse pensamento na minha mente: "ah, Ronny, muito difícil esse quebra-cabeças aí, cara, deixa pra lá, vamos, toca aqui as coisas aqui, vamos aproveitar aqui essa vida aqui que tem de melhor e isso aí fica pra..." — sei lá, essa aliás é uma boa pergunta — fica pra quando, né? Ou simplesmente assim: "cara, desiste disso, abre mão desse quebra-cabeças aí da verdade universal e vive tua vidinha". É por isso que eu não deixo esse pensamento me pegar e determinar minhas opções da vida, sabe? Porque é inadmissível pra mim eu voltar atrás nessa minha posição de que eu quero me aproximar cada vez mais dessa verdade. Bom, se eu quero — e eu tenho certeza que você também sente isso, porque senão você não tava nem aqui comigo, né? — se a gente quer, eu penso que a gente vem e começa a viver a vida terrena com essa configuração biológica, psicológica, mental, espiritual, e a gente recebe um monte de peças, um monte de peças de um quebra-cabeças de muitas peças. E não são cinco mil não, eu acho que são zilhões de peças. E a gente olha pra essas peças e fica perdido. Ainda mais porque a gente acaba chegando na vida jovem, adulto, e a gente tem uma sensação, ou a gente tem a instrução que a gente aprendeu nessa cultura, é de que a gente tá... cada um tá por si mesmo, cada um por cada um. Eu me lembro de me sentir muito sozinho, sabe? Por um lado, olhando a vida assim e o conceito de como é que seria vivida a vida, o que eu deveria fazer aqui na Terra como um jovem adulto a partir de então, e a sensação de solidão foi muito grande. Como é que vai montar um quebra-cabeças desse sozinho? Fala sério, que condição a gente tem? Eu pelo menos... talvez você, se tiver maravilhoso... que condição tinha eu com todas as minhas limitações, minhas dificuldades, minhas deficiências psicológicas, com todos os meus medos, temores, ansiedade, angústias? Que condição que eu tinha nessa condição de começar a montar esse quebra-cabeças pra poder ter uma vida em que a imagem ficasse cada vez mais clara sobre essa verdade universal? Nenhuma, né? Não é nenhuma, mas assim, muito poucas condições frente a tanta dificuldade desse quebra-cabeças. Até porque tem um problema seríssimo fazer isso sozinho. Quantas vezes em quebra-cabeças mesmo, né, de montar em mesas, eu encaixei peça no lugar errado? Parecia que a peça era naquele lugar, e acho que aí eu, sem perceber, eu forçava um pouquinho o encaixe. Isso é super comum em quebra-cabeças de muita peça, porque os cortes são muito parecidos, né? Sempre vai ter um jeitinho de você encaixar uma peça às vezes na outra, só que tá errado. Aí você acha que encaixou, acha que tá certo. E pior: fica com aquela peça errada naquele lugar, com o encaixe equivocado. Olha só que coisa — um encaixe que é um engano. Só que aí eu lembro de ficar dias, semanas, sem conseguir avançar naquela parte do quebra-cabeças, porque eu fiz um encaixe enganoso. Quantas vezes na vida eu segui a vida por anos com conceitos que eram engano? Quanto da minha vida eu perdi e quanto eu sofri com conceitos equivocados que eu encaixei na minha mente achando que era o conceito certo? Aí você quer me defender: "ah, Ronny, mas isso é difícil, como é que a gente... como é que faz para não acontecer isso? Todo mundo de alguma forma passa por isso". Tá bom. Mas o ponto não é a culpa, não é esse, eu não valido a culpa — isso eu considero um outro engano. O ponto é o seguinte: o problema é que sozinho a chance de a gente seguir com um monte de peças mal encaixadas, não é nem mal encaixada, é peças no lugar errado — são encaixes enganosos — essa chance é grande. A gente precisa montar esse quebra-cabeças juntos. É por isso que eu tô aqui. Ah, Ronny, você vai dizer que você tá aqui no blog Logosofia no Dia a Dia para que a gente monte as peças juntos? É exatamente isso. Aí você fala: "mas você não me ouve, né, eu não te ouço". Pois é, por isso que eu, depois de anos no Telegram com apenas um canal de difusão dos áudios e artigos, eu criei o blog na internet para que a gente tenha espaço para comentários, para a gente poder começar a exercer no conjunto, em conjunto, essa força, esse poder que a gente tem, que é de se ajudar, de um começar a ver, né, aquilo... a parte que tá faltando. Porque cada um de nós tem a capacidade de encontrar muitas pecinhas, identificar pecinhas de onde elas são, de onde elas pertencem, que parte do quebra-cabeças elas vão. E se eu não contar com essa capacidade nas outras pessoas, eu tô perdido. Eu vou seguir sem conseguir avançar nesse quebra-cabeças até o último dia da minha vida, e sei lá quantas vezes eu tentei seguir sozinho ao longo de uma existência enorme. Eu não quero mais cometer esse engano. Eu não quero mais ficar sozinho montando o quebra-cabeças da verdade universal, da minha existência, da minha vida, da minha vinculação com o pensamento criador. Porque não dá — eu tenho muitas limitações. Aliás, eu vou dizer mais: eu entendo que esse quebra-cabeças foi feito, foi pensado, foi criado para ser montado em conjunto. Não é nem que é mais difícil montar sozinho — ele não foi feito para montar sozinho. Faz sentido o que eu tô falando ou não? O que você acha? Não é lógico assim, não parece a coisa mais óbvia do mundo? E quantas vezes a gente não encontra nos demais as pecinhas que a gente não tinha encontrado e talvez não fosse encontrar nunca. Da mesma forma que a gente encontra em experiências e fatos, circunstâncias que a vida apresenta, muitas das peças que só naquela situação a gente ia conseguir enxergar, perceber aquela peça. Isso é fenomenal, eu acho isso sensacional. Então se a gente imaginar que cada um de nós passa por isso, não tinha como montar o quebra-cabeças da vida e da existência, da criação de Deus e tudo sozinho. Não dá, não é previsto isso, não é possível, não é alcançável isso. E isso não é uma notícia ruim, é uma notícia maravilhosa, porque a gente passa a olhar para os outros seres humanos de uma forma diferente. Eles podem deixar — como muitas vezes acabam acontecendo — de ser um problema na vida da gente, ou uma distração, às vezes uma irritação, um incômodo. E a gente pode olhar os outros seres humanos como esses, os que possuem e estão percebendo peças que eu sozinho não tinha condição de fazê-lo. Isso é lindo, porque aí dá para começar a entender, talvez, uma parte desse quebra-cabeças que é o porquê que a gente vive uma experiência que não é sozinho. Se não, o Criador tinha colocado cada um de nós num planeta separado. O tamanho do universo que a gente conhece... tem outro zilhão de planetas como esse, cada vez se entende isso de forma mais clara, espalhados por aí. Se fosse para fazer sozinho o quebra-cabeças, eu botava um em cada planeta e falava assim: "vira aí, galera". Mas não é o caso, claro que não é. E é maravilhoso que a gente tenha que montar isso em conjunto, porque eu penso que isso responde ao próprio pensamento do Criador, que é o pensamento de que existe um todo. O todo é um. A criação é una. Só que essa é uma das peças mal encaixadas — não sei nem se foi proposital ou não — mas a gente encaixou isso há muito tempo na cultura humana. Isso aqui é uma peça que está enganosamente encaixada. A experiência é a da gente ir se unindo como um só corpo, um só coração. Não é à toa que isso é dito há milênios de alguma forma, mas a gente não entendeu isso ainda direito. Eu acho que o mais importante aqui é perceber o seguinte: a gente precisa olhar para cada um que a gente interage na vida com esse olhar diferente de que, poxa, que pecinha será que ele tem e que eu não encontrei ainda na minha vida, mas que são pecinhas determinantes para a gente ir preenchendo essa figura, essa imagem, a compreensão sobre a vida, a existência e tudo. Inclusive, um dos grandes benefícios, provavelmente o maior benefício de se encontrar com gente que pensa, que está construindo, trabalhando nesse sentido, que está buscando montar esse quebra-cabeças, a primeira dica grande é a Sede Cultural da Fundação Logosófica, que eu entendo existe exatamente para isso como principal função: reunir todas as pessoas que estão querendo, que estão entendendo que é preciso montar esse quebra-cabeças, e a gente poder encontrar gente como a gente. Isso é muito bacana, isso é sensacional. E poder estudar junto, temas, tudo. Agora, quando a gente não pode estar numa sede cultural da fundação — que ainda não tem em todo o bairro, em toda a cidade do Brasil e do mundo — o que a gente pode fazer? A gente pode experimentar várias coisas. Eu estou experimentando essa forma de te mostrar todo dia as pecinhas que eu estou encontrando. E meu único objetivo é que você possa fazer uso dessas pecinhas de alguma forma, que elas sejam úteis para você. Porque se são, se forem — as que forem — eu penso que estou cumprindo essa missão principal minha como ser humano, que é estendendo minha vida na vida dos demais. Mas é óbvio que eu queria ver as suas peças também. Por isso que eu sempre, agora, quando eu penso nessa forma de a gente estudar, ler e fazer reflexões, eu fico numa expectativa que você vá lá no blog Logosofia no Dia a Dia e poste um comentário. Eu fico esperando para ver. Eu queria tanto ver as pecinhas que você está entendendo, está vendo, e ia me ajudar muito. Eu seria muito grato de poder contar com essa colaboração. Na medida que você se sinta à vontade, claro. Não tem nenhuma obrigação para isso. Mas é que a alegria de compartilhar as nossas pecinhas é tão boa, é tão gostosa. E por isso que isso é parte integrante do método logosófico, está na didática do método. A Logosofia está estruturada, do ponto de vista metodológico, em torno tanto do estudo e prática no individual — como a gente viu nesses últimos podcasts — como o estudo e prática no coletivo. Que essa imagem do grande quebra-cabeças, para mim, é uma imagem que, se pudesse resumir... embora sempre muito difícil... mas resume muito bem como é necessária essa troca, como é necessário complementar, porque às vezes a capacidade individual é limitada. E uma peça dessas, como eu já fiz na minha vida quando montei o quebra-cabeças... e eu já na minha vida tive muitas peças, conceitos equivocados, que eu fiquei anos até que eu percebi que aquilo estava errado, estava extremamente limitado. E geralmente é porque alguém me apresentou uma peça que encaixava no lugar que eu tinha uma peça equivocada. Então talvez essa seja, assim, a parte mais gostosa da convivência humana — é a despeito das diferenças psicológicas, dos hábitos, gostos — é a gente ir podendo colher, receber essas pecinhas que a gente sozinho não tem condição de encontrar, e de ir percebendo que nesse sentido, nessa mesma forma, a gente estava com peças equivocadas no lugar errado e estava travando a gente para avançar rumo a essa compreensão cada vez maior do grande quebra-cabeças da verdade universal. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.