Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Com a Imunidade Mental Baixa? O Custo de Viver no Automático
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Já que a gente está acordado, eu e você, vamos falar do que interessa para a vida. Vamos perceber que tem uma nuance em como as coisas acontecem na parte física visível que, de alguma maneira, traduzem perfeitamente a realidade do que acontece no mundo metafísico. Mas a gente tem dificuldade de ver ou de entender exatamente porque o mundo metafísico não é palpável com as mãos. E a gente sempre tem dificuldade de perceber alguma coisa que não seja perceptível com os sentidos físicos. Por exemplo, a gente está vivo agora, nesse instante, por quê? Enquanto eu estou falando — e nesse momento que você está ouvindo, não importa o que cada um de nós esteja fazendo ou onde esteja — 24 horas por dia, 7 dias por semana, a gente está vivo porque tem um sistema imunológico trabalhando sem descanso e, mais ainda, sem esperar nossa instrução. Não tem um botão que a gente liga e desliga o sistema imunológico. São milhares e milhares de micro-organismos que a cada instante estão sendo identificados no organismo e destruídos. Células velhas estão sendo destruídas para não causarem problemas maiores. Então, é bactéria, vírus — a quantidade de checagem que está acontecendo no organismo, buscando qualquer coisa estranha e destruindo, é o que nos mantém vivos. O que nos mantém vivos não são as vitaminas que a gente toma — eu não tomo vitamina, mas o suplemento que eu tomo — não é aquilo que a gente está colocando de fora para dentro. O que nos garante essa vida saudável é esse sistema. E aí, obviamente, quando a gente não está saudável é exatamente porque tem um problema nesse sistema. Muito bem. Então a gente pode pensar que a nossa vida depende desse sistema, dessa limpeza — não é só limpeza, é uma atenção, é uma defesa do organismo ininterrupta. Esteja a gente dormindo ou não, fazendo qualquer coisa, esse sistema está funcionando. Eu sei, a gente não dá muita atenção para isso. Mas vamos pensar o seguinte: exatamente quando o nosso sistema imunológico está — não vou dizer falho — mas está com alguma deficiência, é quando se instalam as doenças. Olha que interessante: as doenças se instalam silenciosamente quando o nosso sistema imunológico está fraco ou desgastado. E aí tem várias razões — pouco sono, alimentação ruim, estresse. Eu não entendo muito disso, mas sei que tem os agravantes da vida cotidiana que causam desequilíbrios no organismo a ponto de o sistema imunológico ficar mais fraco. E aí é quando a gente pega alguma coisa. Se for só um resfriado, uma gripe, ok. Mas pode ter consequências maiores. Então faz sentido o que eu estou falando, porque é uma realidade. Eu não estou especulando nem inventando nada. Agora, olha que interessante: você já parou para pensar que, com o mundo metafísico, a nossa mente, a nossa vida, a nossa configuração biológica, psicológica, espiritual é toda uma só? E que essa parte que a gente não toca com as mãos também precisa exatamente disso — de um sistema imunológico mental que não durma nunca, para preservar nossa mente de tanta coisa ruim, negativa, com que a gente toma contato o dia inteiro? Igual à parte da imunidade física: a gente sai para a rua — ou ao menos dentro de casa, abriu a janela — tem um monte de patógenos entrando, circulando no ar. No mundo mental é a mesma coisa. A quantidade de pensamentos que estão no mundo, ou que estão na mente dos outros e estão no mundo como um todo, na cultura — assim como os que estão na nossa própria mente — se ficarem sem uma checagem, se ficarem sem controle, causam um dano enorme na vida. Então talvez a gente pudesse entender o seguinte: a imunidade física é para o organismo o que, no conceito logosófico — e eu gosto muito dessa analogia por causa disso — é a consciência que faz esse papel. E a gente está nesse tópico sobre a consciência, que é um tópico muito importante: "Indicações para Praticar a Vida Consciente", no livro "Curso de Iniciação Logosófica". E que é exatamente o organismo que deveria estar ativo 24 horas — ou pelo menos enquanto está acordado — como se fosse realmente um sistema imunológico da mente. Veja: para a Logosofia, a consciência não é uma expressão filosófica apenas. A consciência não é algo somente teórico, filosófico, não é isso. Assim como a imunidade não é uma teoria só da medicina, mas sim uma realidade que opera 24 horas por dia independente da nossa vontade, a consciência é — ou deveria ser para cada um de nós — esse sistema de defesa que opera 24 horas, garantindo que o que ocorre na minha mente esteja a serviço ou esteja correspondendo corretamente às melhores funções mentais e espirituais da minha vida. Inclusive esse tópico trata sobre estar consciente quando se pensa, quando não se pensa, ou seja, quando a gente anda, quando a gente senta, quando a gente come — não importa. Igual ao sistema imunológico que trabalha independente das coisas, sejam banais ou não, a consciência também deve estar atuando em todos os momentos do dia. Então, é diferente de ficar especulando intelectualmente com o termo consciência, sabe? Não é para aquela hora em que eu tiver um problema seríssimo na vida que eu ponho a mão na consciência. Não tem essa expressão? Puxa, briguei aqui com uma pessoa da minha família e agora botei a mão na consciência e vi que não precisava ter feito isso, não precisava ter discutido tanto. Está claro — e eu certamente já passei por isso muitas vezes na minha vida — de achar que é como se fosse um remédio. Porque a gente não faz diferente com o corpo: quando está doente, toma um remédio, que é uma intervenção externa. E a gente quer fazer a mesma coisa com a mente, com a vida. Aí quando tem uma situação muito grave, fala assim: não, puxa, eu preciso botar a mão na consciência e fazer uma limpeza agora disso, eu preciso perceber que não está bem. A gente tem que evitar essas situações extremas. O problema é que a maioria de nós vive com essa imunidade mental baixíssima. É como se a consciência fosse só esse analgésico que de vez em quando a gente vai tentar acionar diante de um problema grave — uma briga com alguém, uma discussão, um problema no trabalho, ou uma decisão grande e importante que tem que tomar na vida. E aí fala: não, agora eu preciso ser consciente. O perigo dessa forma inconsciente de viver a vida na maior parte do tempo é que, nos momentos em que não tem nada sério — como a gente acharia — a gente está com a guarda totalmente baixa. Igual quando o sistema imunológico está com a guarda baixa. Nessa hora, os pensamentos negativos, as reações impulsivas, muitas deficiências psicológicas vão atuar. Vão se sentir à vontade para atuar. E alguns pensamentos ou deficiências vão tentar tomar o espaço mental da mente e dominar a nossa conduta. Muitas vezes eu estraguei dias inteiros por causa de uma reação automática no começo do dia. Por estar com esse sistema imunológico quase desligado, inconsciente. Às vezes foi num café da manhã, às vezes aconteceu alguma coisa no meio da manhã. E aquelas coisas que a gente fala ou faz estragam o dia. Aí você fala: por que eu fiz isso? Como é que a gente não tem o controle da mente a ponto de fazer aquilo que não queria, não quer, não deveria fazer — e depois passar o resto do dia, ou às vezes mais de um dia, com a consciência pesada, como se diz? Mas, na verdade, a consciência não fica pesada. A gente estava com a consciência desligada nesses momentos. O que fica claro nesse trecho é um propósito muito específico para esse órgão sensacional que a gente deve ativar e aprender a manter em operação. Porque olha que definição linda que é essa. O ensinamento fala assim: > *"Logosoficamente, o viver consciente se configura numa série de fatos que durante o dia se encadeiam entre si, condicionados ao propósito de aperfeiçoamento. Desse modo, tudo se aproveita em benefício de tal esforço."* E eu considero lindo esse trecho porque é exatamente essa sensação maravilhosa de que a vida vai deixando de ser um me leva que eu vou, ou de ir de acordo com o vento, e vai se tornando uma experiência em que a gente vai vivendo as situações do dia a dia — normais. Acordar, no meu caso, estudar, gravar o podcast, ir para a academia, e lidar com os pensamentos que já estão, alguns, querendo me atormentar por causa dos problemas que eu tenho que lidar no trabalho hoje, que eu não consegui resolver ontem, que eu empurrei com a barriga ontem porque estava cansado. Não importa o quê: a sensação de que o dia, os fatos que eu vivo, não podem ser apenas um ir e vir de situações e coisas que não têm nada a ver com a minha vida, ou que não têm propósito maior a não ser resolver problemas ou encaminhar resultados comuns. Como é que a gente faz para viver os dias e os fatos da vida de forma que eles possam ir se encadeando entre si e formando — como já me referi antes — um novo e formoso destino para cada um de nós? Ou seja, nos elevando cada dia mais em direção àquilo que a gente quer ser. Àquela vida que a gente quer viver internamente, que vai nos blindando de toda essa inconstância da vida terrena. Obviamente, o detalhe é que os fatos que durante o dia se encadeiam entre si são condicionados ao propósito de aperfeiçoamento. Ou seja, a consciência como órgão que desempenha essa função — esse sistema imunológico da mente — vai ser cada vez mais ativa quanto mais claro tiver esse propósito, e quanto mais eu tiver um pensamento coordenando os demais em torno dele. Então, viver a vida com esse sistema imunológico da mente desativado, dormindo, sem atenção — ou seja, inconsciente — é viver sendo levado para qualquer lugar, para viver qualquer coisa, para ser qualquer coisa de acordo com as circunstâncias. Ou a gente vai se constituindo em autêntico dono da própria vida, fazendo dela — independente do que viva a cada dia — uma sucessão de fatos felizes que aumentem o valor do conteúdo da vida. Esse é outro trecho, outra frase que está nesses ensinamentos: > *"Devemos fazer da vida uma sucessão de fatos felizes que aumentem o valor do seu conteúdo."* Mas isso não é do ponto de vista terreno — é do ponto de vista interno. Ou seja, vamos tentar ficar com a imagem de que a prática da vida consciente é, de fato, estabelecer um estado de atenção ao que ocorre no mundo interno, na mente de cada um de nós, enquanto as situações se desenvolvem. Com o objetivo de ir observando e retirando das experiências da vida esse conteúdo sutil, mas essencial, para que os fatos e os dias se constituam num valor para si mesmo. Olha que legal que é isso. Mesmo que as situações não sejam favoráveis — e muitos dirão que muitas situações não são favoráveis, que muitos fatos e circunstâncias da vida não são favoráveis — se a gente conseguir vivê-las desse modo, observando o que estão nos indicando, nos ensinando sobre a vida, sobre a existência, sobre nós mesmos, a gente vai conseguindo fazer de todos esses fatos elementos que se unem nesse caminho do aperfeiçoamento, nesse caminho do conhecimento de si mesmo. Aí começa a ter outro significado para a vida. E eu vejo que o método logosófico ensina a fazer isso. E que essa é uma potência que cada um de nós tem e que a gente precisa seguir desenvolvendo — seguir evoluindo de forma consciente, ativando a consciência para que essa vida seja essa sucessão de fatos cada vez mais felizes, independente do que acontece no dia a dia. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.