Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você É Uma Obra de Arte Em Andamento: O Humanismo Logosófico Explicado
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que eu acho uma das coisas mais difíceis aqui de habilidades humanas — e eu já falei isso para você já — porque eu sou um zero à esquerda na parte das artes? Então eu considero isso como sendo das habilidades humanas mais difíceis. Obviamente para mim é talvez impossível, dado que eu não só não tenho nenhuma, como nunca me desenvolvi nisso. Nunca desenvolvi essa capacidade além de coisas de escola, que certamente não são suficientes para mudar essa realidade. Mas eu me admiro muito. Especialmente não com a arte em geral — eu gosto de ver coisas bonitas, claro, e sempre me admiro com elas, sejam naturais ou sejam criadas pelo ser humano. Mas eu me admiro muito com a capacidade que muitas pessoas têm de ter uma imagem na mente e materializar essa imagem nas diversas formas que isso é possível. Eu acho isso incrível. Eu não consigo. Se eu falar assim: "Olha, imagina uma cena X, qualquer, sobre qualquer assunto." Aí agora assim: "Desenhe essa cena." Eu não consigo fazer isso. Eu sério, eu sou um zero à esquerda. Eu não sei porque eu tenho uma dificuldade enorme de fazer os traços, de representar aquilo que na minha mente está claríssimo. Ou nem que você me coloque uma imagem para eu olhar assim, sabe? É muito difícil para mim. Bom, afora as minhas dificuldades pessoais nesse sentido — falta de aptidão total para a arte — o ponto mais importante é que quem tem a capacidade de fazer isso, que tem uma imagem na mente e pinta, desenha, esculpe ou borda, por exemplo, e sai uma imagem — quer dizer, há uma imagem completa, bonita, bem feita, que representa algo muito, muito forte. Isso, eu penso que assim, expressa essa capacidade de um processo completo — que é o processo de realizar até a ação, até o mundo terreno, algo que está primeiro no mundo metafísico. Óbvio, mesmo se falar assim: "Ah, mas está se inspirando, olhando, observando um objeto." Então passa, sai do físico, passa para uma imagem mental e depois volta para o mundo físico. Se foca no caso. Então eu admiro muito. Se você tem essa habilidade, eu admiro muito mesmo. Eu não tenho — certamente não tenho tempo de desenvolvê-lo ainda. Pelo menos não nessa rodada. Quem sabe em outras rodadas na vida terrena eu possa fazê-lo. Agora, o que é importante? Eu penso assim: o que é vital numa hora dessa? Há que ter uma imagem realmente clara na mente. A referência do que se está realizando, esculpindo, pintando, desenhando, bordando, tem que estar muito claro na mente. Bom, quando a gente pensa então e transporta isso para a nossa vida — que essa reflexão simples indica — se nós vamos transformar a vida numa obra de arte em movimento, a gente precisaria ter uma ideia ou ter uma imagem muito clara sobre qual é a imagem final. Qual é — vamos dizer assim — o que a gente quer projetar? Qual é o resultado? O que a gente vem fazendo, claro, ao estudar, ao se aproximar da Logosofia e ler e começar a extrair a essência dos conhecimentos que o ensinamento logosófico oferece — aí eu entendo que é um constante ir formando, primeiro, essa forma. É constantemente formando uma imagem pelos específicos detalhes daquilo que está sendo tratado. A imagem, o criar de quebra-cabeça, vai se formando devagarzinho. Alguns detalhes surgem mais claro do que outros. Mas eu penso assim: o mais difícil é ter uma imagem clara da obra como um todo. Então, por exemplo, também no mundo das artes sempre me encantou aquela imagem da escultura do homem forjando a si mesmo. Sempre me encantou. E essa é uma referência filosófica do homem forjando a si mesmo muito antiga. E aí alguns artistas, tanto no começo do século passado como no final do século passado, imortalizaram isso em esculturas mesmo, com o ser humano segurando um martelo e um cinzel, um buril, sei lá, e batendo na pedra de onde surge ele mesmo. É linda essa imagem. É uma das imagens que mais me impactou desde a adolescência. Eu tenho até um pequeno quadro de uma pessoa, uma artista amadora que pintou essa imagem, representou. E eu tenho esse quadro para mim. E eu sempre olho para ele com uma sensação boa, digo assim: "Puxa, isso — só de olhar para essa imagem eleva tanto a razão, a razão de existir." Só de a gente ter em mente que a vida é um trabalho de esculpir em si mesmo uma vida cada vez mais elevada, uma obra prima — que certamente não é uma obra prima para contemplar a personalidade, não é uma obra prima para deixar a gente mais bonito para mostrar para os outros, não é uma obra prima de expor na galeria para os demais. É a obra prima que cada um realize em si mesmo — não para o mundo terreno. Mas eu sinto e eu intuo que é uma obra que cada um realize em si mesmo com o único, o final, o mais elevado objetivo — que é a identificação da própria vida com o pensamento que alenta realmente, que vibra e que sustenta a vida universal e a criação. E eu penso que esse capítulo sobre o humanismo é sobre isso, sabe? Esse capítulo está me dando a cada leitura, cada reflexão nova. Esses ensinamentos estão me dando assim uma imagem, uma sensação de que eu estou compreendendo um pouco melhor que há uma imagem. Então, essa — estava falando que sem uma imagem clara já é quase impossível fazer uma escultura ou um desenho, uma obra qualquer que represente. Que tem que representar uma imagem. Mas como mesmo com imagem clara, realizar isso para quem tem aptidão? Como eu estava falando. E aí vem essa diferença sutil, mas essencial do conhecimento logosófico. Porque não só a Logosofia vai apresentando essa imagem ideal — e eu entendo que com isso a Logosofia simplesmente vai jogando luz, foco, holofotes sobre aquilo que a gente deveria, cada um de nós poderia ter percebido sozinho, entendido sozinho. A Logosofia ela põe a descoberto essa imagem. Não é a criação da Logosofia. Ela põe a descoberto, ela explica, ela nos leva a compreender melhor aquilo que para nós estava passando despercebido. E ao fazer isso, ao permitir essa imagem que vai surgindo dentro de cada um de nós — e eu digo por mim — a Logosofia, e essa diferença sutil, a Logosofia também permite a capacidade individual ir se colocando à altura de realizar essa tarefa. E por isso que essa escultura, essa referência, essa imagem do ser humano forjando a si mesmo é tão para mim tão forte. Porque se a gente não tiver uma imagem ideal do que devemos forjar em nós mesmos, o que que adianta ficar dando martelada? O que que adianta trabalhar com essas ferramentas que esculpem? Não adianta nada. E também — mais um tempo — se a gente tiver uma imagem ideal e essa imagem vai sempre sendo superada, vai sempre sendo superando, se a gente não souber como realizar em si mesmo, também a gente vai ficar perdido também. Há essa conjunção de uma imagem cada vez mais elevada que represente o ideal humano, conjugado com a capacidade cada vez também mais elevada de realizar em si mesmo. E a gente então tem que parar de — como a gente — eu cresci assim, voltado para fora de mim mesmo. E eu queria forjar a imagem dela nos outros. Então eu ficava sempre apontando os erros dos outros, aonde os outros poderiam melhorar, se superar, tinham que mudar. Mas essa não é essa missão. A imagem do homem forjando é a si mesmo, forjando o outro, porque aí seria forjar com objetivos muito egoístas, que não é o caso. Então, parece que o humanismo que a Logosofia apresenta é um humanismo que dá um significado — mas finalmente para mim assim muito mais claro, sabe, assim muito mais natural e muito mais lógico. É o humanismo pelo qual eu vou realizar um processo. Por isso que a Logosofia oferece um processo, apresenta um processo de Evolução Consciente. Porque é exatamente essa obra de arte que até eu, que não tenho nenhuma aptidão às artes nas como manifestação do pensamento, até eu pude me tornar um artista. É claro que é uma obra — como a própria imagem reafirma — é uma obra em andamento. Então realmente a gente merecia aquele aviso que tem em todo lugar que a gente vai, que está em alguma reforma: "Cuidado, estamos em obra." Realmente a figura humana forjando a si mesmo merecia ter pendurado nela, talvez na cabeça, um aviso desse para as pessoas também — para todos os outros seres humanos tomarem cuidado. Ou pelo menos não é tomarem cuidado, mas assim, lembrarem que cada um de nós que está realizando esse esforço — claro — ainda está forjando a si mesmo. Então tem muitas arestas ainda. Tem muitas partes que precisam ser melhoradas mesmo. E a gente se esquece disso. Às vezes a gente está convivendo com qualquer outro ser humano, a gente espera nada menos que a perfeição. A gente é muito ingênuo mesmo. Eu penso que dá para retirar — dá não — o objetivo, ou deve ser o objetivo desse capítulo do livro sobre humanismo. Deve ser esse de a gente ir se identificando com a imagem mais elevada sobre o próprio ser humano, para que a gente possa ir ajustando na mente essa imagem ideal, sabendo que ela representa o que tem de mais nobre. Essa imagem vai ressaltando. E a Logosofia vai ressaltando em nós o mais nobre dessa realidade de sermos humanos para que isso possa ser a inspiração cada vez mais forte para um processo que cada um realize em busca dessa imagem em si mesmo. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.