Latest / Logosofia no Dia a Dia / Busca pela Verdade ou Ilusão Sobre a Verdade? — O Erro Que Impede Sua Transformação
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que não tem coisa mais difícil, eu acho, do que comprar roupa pronta, moldes prontos. Porque assim, a roupa tem várias medidas — pega uma calça ou uma camisa, tem várias medidas e cada corpo tem medidas diferentes. Nós não seguimos todos a mesma proporção de distâncias, nem de comprimentos, nada. Quer dizer, é uma confusão. Comprar roupa é sempre um exercício de, sei lá, aceitar onde vai sobrar um pouco ou onde vai apertar um pouco, porque a forma dos vários tamanhos de roupa não são formas perfeitas do corpo de cada um de nós. Então, acho que é bem engraçado, porque sempre, a vida toda, a roupa foi um negócio que tinha que caber de um jeito, independente de como é que ficasse dos outros jeitos, nos outros eixos do corpo, do corte. A menos que você vá para um costureiro e faça a roupa sob medida. Aí é outra história. Em geral, eu sei que uma roupa melhor vale a pena. Uma roupa que é especial. Então, eu lembro, na época que eu trabalhava num banco, eu tinha muitas camisas sociais e ternos também, e eram feitos sob medida. Aí tudo bem, o cara vai, mede várias medidas. É impressionante, um alfaiate mede várias medidas. E aí sai a roupa naquele corte perfeito. Por outro lado, aquele corte é perfeito para o corpo como está naquele momento. Para mim foi até engraçado que, conforme eu fui queimando uma parte boa, importante da gordura que eu tinha acumulado durante décadas, nesses últimos anos, eu fui perdendo, claro, muita roupa. Porque eu tinha exatamente roupas que estavam ok, ou perfeitas algumas, para o corpo que eu tinha antes. E depois não dá para usar, porque mudou tudo — sobra pano aqui, falta ali, eventualmente, tudo. Então, roupa é um negócio que você fala assim: puxa, eu tenho que me adaptar ao que tem na loja, e se comprar pela internet, então pior ainda. Roupa pela internet eu acho mais difícil ainda. E por outro lado, a gente, idealmente, quer que ela se adapte ao nosso corpo. Por que eu estou falando de roupa? Não vou vender nenhum produto para você, fica tranquilo. É porque eu estava pensando, talvez, na facilidade que a gente tem de querer que as coisas se adaptem ao jeito que somos. Isso, às vezes, também é tão sutil, mas é tão real. E, embora pareça que não tem problema, essa nossa — vamos dizer assim — esse nosso desejo de que as coisas se adaptem a nós tem um risco muito grande. E é um risco que a gente está incorrendo nele há muito tempo e com prejuízos claramente visíveis. A gente passa a vida — eu digo sempre no genérico, da massa humana, da maioria da humanidade — a gente passa a vida, ou a maior parte dela, acreditando que a gente quer a verdade, que a gente está buscando a verdade. Sobretudo, a verdade sobre a vida, a existência terrena, sobre Deus, sobre o universo. E esse é um tema, para mim, muito importante. Esse é um tema, para mim, na verdade, vital. Faz tempo que eu não volto a afirmar para você isso, mas isso é algo que, assim, não deixa de ser uma realidade. Eu busco a verdade. Essa é a minha busca — a grande busca que me move hoje, na minha vida atualmente, nos últimos anos, é a busca pela verdade. Mas o que é a busca pela verdade e o que é a verdade? Porque esse é o ponto. Eu tenho a impressão que eu queria a verdade desde sempre. Por quê? Porque eu me interessei — acho que quase todo mundo se interessa — assim, eu quero saber, responder os grandes mistérios da criação, da minha vida, tudo, e desde novo, desde sempre a gente quer. Mas a gente quer a verdade que se adeque a nós. Ou seja, é igual a roupa. A gente prefere ou a gente preferiria que a verdade fosse a roupa sob medida. A gente quer que a verdade encaixe ou vista perfeitamente no modus operandi ou vivendi, na vida que a gente tem levado, e estava levando e sempre levou. Ou seja, é como se a gente quisesse que a verdade em si fosse se adaptar a como a gente enxerga a própria vida e existência e as experiências que a gente vive, e a criação e tudo. O que chega a ser quase surreal pensar que é uma inversão tão grande, é uma inversão tão absurda do lógico, que a mente mesmo fala assim: peraí, isso não faz sentido. Você não pode querer que a verdade se adapte à forma como você enxerga a vida, Ronny. Mas eu acho que eu quis isso durante muito tempo. Por quê? Porque é desconfortável — pensa — é desconfortável ter que mudar alguma coisa em si mesmo para poder se aproximar ou para poder caber dentro da verdade. Eu sei que parece estranha a analogia, mas eu acho que a analogia é boa. De novo, é como se eu tivesse que falar assim: a minha roupa é grande, então eu posso engordar bastante para caber de novo na roupa grande. Tipo assim, é absurdo falar isso. Eu sei. Mas você entendeu que não é o caso da gente querer encaixar a verdade dentro de uma forma. Mas no final, quando a gente passa uma parte da vida vivendo essa ilusão de que a verdade é o que está fora de nós, essa ilusão de que a matéria, de que esse apego que a gente tem às coisas terrenas é a verdade, quando a gente passa a vida olhando para essa existência terrena, achando que essa é a verdade da vida apenas, que é só essa face da vida, é como se a gente tivesse enrijecido — a gente criou moldes para a verdade, e aí a gente fala assim: eu quero a verdade, mas eu quero que a verdade se encaixe nisso aqui. Eu queria, eu sempre quis isso. Eu queria que a verdade fosse revelada para mim, se possível um estalar de dedos, e que ela se encaixasse na minha visão do que seria a verdade. Agora, isso é muito diferente — e eis o ponto, né? Isso é muito diferente, é tão absurdo, é tão distante do que, por exemplo, a gente contempla que a verdade exige que nós nos transformemos para nos identificarmos com ela. Você fala assim: parece só uma... você está só olhando do outro lado, né? Mudou o sentido só, mas inverteu o sentido, mas é a mesma coisa. Não. Olha só, eu passei uma boa parte da minha vida querendo que a verdade se encaixasse nos moldes da minha visão limitada, mais rígida e material da vida. Então, sim, eu queria entender, saber sobre tudo da criação, sobre o que tinha mais, o que tem a mais, quem sou eu, tudo, eu queria saber tudo, mas eu queria saber tudo encaixando essa verdade que eu queria dentro da forma como eu vivia a minha vida, como eu enxergava a vida e como eu atuava, como eu me conduzia de acordo com esses conceitos da vida material que eu tinha. E olha, eu não era um grande — eu nunca fui um expoente da vida material, não é isso. Eu nunca fui aquelas pessoas que é totalmente ofuscada pela vida material. Pelo contrário, eu sempre presei outros valores, mas ainda assim, eu vivi como se a prioridade da vida fosse a vida material. Esse é o ponto. E eu não me refiro a acumular dinheiro apenas ou ter bens. Eu me refiro, assim, às experiências da vida que me satisfaziam muito, aos prazeres da vida terrena, às distrações da vida terrena, às vezes o ócio da vida terrena, enfim, tudo. Então, era como assim: legal que era a verdade, mas eu quero que a verdade não mude o status quo, a vida como ela era. Eu não queria uma verdade que alterasse a minha forma de viver. Eu queria uma verdade que se encaixasse na minha forma de viver a vida. Agora, você percebeu como é muito diferente? Não. E agora, claro, o que é que eu fiz? Quanto eu errei nisso? Assim, eu estava diminuindo a verdade na proporção da minha estreitíssima visão sobre a criação. Eu queria que a verdade se diminuísse a um negócio minúsculo, porque era o tamanho da minha compreensão sobre a criação. E pense na criação como um todo — eu, universo, natureza, engrenagem metafísica, pensamento criador, Deus, tudo. Aí você fala: Ronny, mas absurdo, né? Você queria que a verdade, toda a verdade disso, se encaixasse na sua forma de ver a vida, que era extremamente limitada. Pois é, é exatamente esse o ponto. É um absurdo. Mas eu não vi esse absurdo durante décadas. Por quê? Porque eu tinha muito medo da verdade como hoje eu a entendo. Por que eu tinha medo? Porque ia ficar óbvio que eu ia precisar mudar a forma de ver, de experimentar, de sentir a vida. Eu ia ter que mudar a forma de ser, se a verdade fosse muito mais ampla do que a visão e a compreensão que eu tinha sobre ela ou sobre a vida. Você entendeu o detalhezinho? Sim. É como se a gente finalmente, ao enxergar algo que é a verdade, a gente percebesse imediatamente de que ela é incompatível — ou melhor, que a vida como eu a vivia, ou a vida como eu a vivo, às vezes, ainda, é incompatível com essa verdade que vai se revelando ao entendimento. E aí cria um desafio. Na verdade, cria uma escolha. É um desafio que é uma escolha. Cada um de nós tem que decidir o que a gente quer mesmo. A gente quer, a gente busca a verdade? Ou a gente ainda busca a verdade desde que ela se encaixe na vida que eu tenho hoje? Dura essa pergunta, não é? Porque ela escancara um problema seríssimo, um problema de lógica. Ela escancara um negócio que é insustentável. Como é possível que a verdade nos — que a gente se identifique com a verdade, que a verdade nos — é difícil até definir isso. É difícil que a gente viva e experimente a verdade da criação se a gente está tão identificado com o engano que a gente fez de verdade. A gente pegou essa parte, essa parcela da verdade que a vida — que a gente vê fora, que a gente vive fora de nós — e a gente transformou isso, na maior parte dos casos, como se isso fosse o todo. Então, é incompatível, são visões incompatíveis. Para poder acessar e compreender a verdade, a parcela enorme, a porção enorme da verdade que a gente ainda não compreendeu sobre a existência e a vida humana, a gente precisa desconstruir as limitações, a gente precisa abrir as cercas, abrir as fronteiras da limitada visão que a gente tem sobre tudo isso hoje. Essa foi a grande — vamos dizer assim — essa foi a grande prova, essa é a grande prova que eu ainda passo. Por quê? Porque eu ainda tenho em mim muitos fragmentos, muitos fragmentos, muitas peças que, na verdade, não pertencem ao quebra-cabeça que eu quero montar. Imagina, você vai dizer: mas não dá, você tem peças, você quer montar um quebra-cabeças que é cheio de milhares e milhares de peças, e você está com um monte de peças na sua mão, na sua frente, na mesa, que não pertencem a esse quebra-cabeça, cara, isso não vai funcionar. É exatamente isso que eu queria que você entendesse sobre a minha situação nesse caso. Você vê, é impossível, não dá para montar esse quebra-cabeça com as peças erradas. A lógica já diz que não vai acontecer, cara. Desiste. Mas eu não desisto, lógico que não. E eu não desisti. Esse é o ponto. O que que precisa, então, para a gente sair dessa posição de — que é um equívoco, né? — é uma ilusão. Porque a gente quer uma ilusão, a gente não quer a verdade, né? Em geral, nesse ponto que a gente — em geral, está como humanidade — tão agarrado, acorrentado a essa concepção para fora, de ver para fora de nós mesmos, a gente quer a verdade. Na verdade, a gente quer uma ilusão sobre a verdade. Mas algo dentro de nós segue nos movendo, nos inquietando, nos apertando, né? Botando fogo, assim, né? Tipo assim, fazendo a gente sentir um pouquinho de queimação, né? Tipo assim, cara, vai em busca da verdade. A verdade precisa — porque é como se fosse realmente parte da nossa missão. A razão de vir para a Terra de novo, né? De vir fazer mais uma volta aqui nesse circuito aqui. Eu tenho hoje uma compreensão de que é porque a gente veio buscar a verdade. Mas nessa experiência humana. Então, a verdade está à disposição nessa experiência humana, mas vai ser preciso se desfazer de muitas peças que a gente acumulou ao longo do tempo que não pertencem ao quebra-cabeça da verdade. Pertencem a outros quebra-cabeças, outras imagens que a gente acabou recolhendo, acabou acumulando muita pecinha que são de outras tantas imagens que podem até fazer parte da verdade, mas fazem de forma muito limitada. Então, sabe assim, a hora que tem que olhar para a mesa e falar assim: puxa vida, você está falando sério que eu tenho um monte de peça aqui que não é do quebra-cabeça da verdade? É exatamente esse o ponto. E é duro chegar a essa conclusão. Por quê? Porque ela remete a uma revisão de assim: então a forma como eu tenho vivido a vida, o que eu compreendo da vida, eu vou precisar trocar conceitos, vou precisar me desfazer dessas peças aqui que elas não correspondem à verdade? Pois é. Eis o desafio para aqueles que buscam a verdade. Eis o desafio. Qual o lado bom? O lado bom — não, só tem um lado bom nisso — mas qual o lado facilitador disso? É que a gente tem um conhecimento, a gente tem uma ferramenta, que é o conhecimento logosófico, que é exatamente esse manual de instrução que eu não tinha para a seleção das peças e para a leitura, para nos mostrar como é que a gente pode examinar cada peça e começar a compreender quais são as que pertencem e quais são as que vão formar uma imagem que nos aproximará da verdade que a gente sempre buscou e segue buscando. Eu busco a verdade. Eu vou seguir buscando a verdade. E eu fico super feliz de a gente estar juntos nessa jornada, cada um da sua forma. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.