Latest / Logosofia no Dia a Dia / Por Que Existe o Mal? A Resposta Está na Ausência da Luz
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Vou aproveitar uma situação que a gente vive constantemente na vida. Pelo menos deveríamos viver ao longo dos anos, porque as estações se alternam, né, do ano. E tem essa estação, a gente tá acabando o outono, no momento que eu gravo esse podcast hoje, a gente tá acabando o outono e estamos quase entrando no inverno. Só que já tem temperatura, né, já faz alguns dias que a temperatura tá, pra mim, ideal, né, mas tá bem baixa, né, e mais quando eu acordo, às 4h50 da manhã, ela tá em torno de dez graus aqui onde eu moro. Claro que é frio, é escuro, né, e a sensação quando toca o despertador ou quando eu tô, porque geralmente eu tô me revirando já na cama minutos antes do despertador tocar, e aí eu fico meio daquela situação de assim, ai, tá tão quentinho aqui, né, embaixo da coberta, e eu fico assim, já já vai tocar o despertador, e às vezes, geralmente são minutos, e eu não olho porque o celular fica numa mesa, não do lado da cama, então eu fico naquela sensação de assim, nossa, vai ter que sair nesse quentinho. Eu sei que a sensação que um monte de gente tem, que todo mundo gosta de ficar no quentinho nessa hora, né, é duro ter que abandonar o quentinho e trocar de roupa e levantar, né, no escuro, no frio, e essa é uma situação muito clara pra gente, é, muito clara, é uma situação muito óbvia, óbvia o suficiente pra gente poder entender algo que pra mim é, esse foi um dos mistérios, um dos maiores mistérios que na minha vida, eu fiquei assim incomodado com isso desde a adolescência, e passei décadas incomodado com isso. Não é sobre acordar cedo, que embora isso era muito difícil pra mim, no frio e no escuro ainda, né, na hora que essa hora não tem sol, não tem nada ainda, mas vamos pegar esse exemplo, eu tô num quarto escuro, totalmente escuro, como é o meu, essa hora, e com a temperatura muito baixa, se eu ficar nesse quarto, se eu acordasse, ficasse, tentando decifrar ou explicar pra mim, pra você, por que que existe o frio e por que que existe a escuridão, eu poderia ficar filosofando sobre isso anos da vida, nesse quarto escuro e frio, passando o frio e tendo que trabalhar talvez com a luz de uma vela, né, pra poder escrever as teses, ficar filosofando mesmo sobre a existência do frio e da escuridão. Mas do ponto de vista da física, nem o frio nem a escuridão são forças ativas. Tanto um quanto o outro são exatamente a ausência de outras forças ativas. O frio não existe como tal, não é uma força da física. Tem o calor e o frio? Não, não tem o calor e o frio. A gente acha que existe essa dicotomia, a gente acha que existe essa oposição de forças, tem o frio e tem o calor, não. O frio só existe por ausência do calor, e o calor se dá obviamente pela movimentação, agitação das moléculas, enfim, mas o ponto é, dos átomos, né, eu não sou dessa área, então não vou nem adentrar essa explicação, mas o frio é a ausência de calor. Idem para a escuridão. A escuridão não existe como força. A ausência de luz nos entrega, na falta de, o que sobra, o que resta é a escuridão. Aí você fala assim, ah Ronny, ok, isso aí tem, legal, tem lógica, né, mas olha só, eu acreditei durante boa parte da vida que o frio e o calor, que a luz e a escuridão fossem forças antagônicas, assim como a maior das minhas interrogantes, que eu não falei ainda qual é, é a existência do mal e do bem. Isso me incomodou durante boa parte, muito tempo da minha vida, por que que existe o mal? Mas quando a gente agora, pensando nessa realidade, na analogia com a luz, a escuridão, o frio e o calor, o que que a gente pode perceber? O mal que tanto, tanto prejudica a vida humana, e aí você fala assim, ah Ronny, mas que mal que é esse? Qual é o mal? O mal é o bandido? Não. O mal é essa, agora já dá pra entender isso mais fácil, né, o mal é essa ausência de uma conduta mental interna, de uma realidade mental que conduza cada um de nós pelo caminho da superação, e pela ausência de um norte claro nesse sentido, a gente vai se desviando, né, no meio do caminho, no dia a dia, e às vezes durante anos e décadas da vida, e durante séculos a humanidade foi se desviando, em condutas, em escolhas, em postura perante a vida, que pela ignorância de qual seria a postura, o norte, qual seria o rumo a seguir, como se não tivesse, como não sabia que existe um rumo a seguir, qualquer rumo era rumo, qualquer caminho era caminho. E foi o que foi nos levando, é um desvio atrás do outro, é repetição de desvios, foi nos levando cada vez a acumular mais essa força, que não é uma força por si, mas é uma consequência, a ausência de uma conduta elevada foi nos levando, foi nos deixando só com as condutas equivocadas. Então o mal, olha que interessante, quando eu descobri, quando eu entendi isso, nossa, foi um alívio na minha vida, porque eu passei muito tempo agoniadíssimo com essa história do mal, como é que Deus permitia a existência do mal na Terra? Como? Na minha mente. Por que que Deus permitia que tivesse deficiências psicológicas na minha mente? Por que que Deus permitia que as pessoas fizessem o mal umas às outras? Então, essas interrogantes todas, que eu penso que é uma reação natural, que a alma acaba tendo quando ela se aflige e sofre, quanto eu não sofri por conta desse mal que existe dentro de mim? Pensamentos negativos, alguns a ponto de serem deficiências psicológicas da minha vida, da minha vida mental. Quantas vezes eu não fiz os outros sofrerem pelo que eu falei, pelo que eu fiz, pelo que eu não consegui fazer melhor? Pelo que eu não consegui ser melhor? Aí você fala, ah Ronny, coitado, você não conseguiu, né? Na verdade, coitado de mim, talvez em alguma dimensão a gente pode ter pena de si mesmo. Mas é na dimensão, acho que a dimensão que cabe a pena é essa de dizer assim, meu Deus, como é que eu nunca entendi a real causa de todo esse sofrimento da vida. Eu nunca entendi por que que o ser humano sofre. Eu não havia entendido por que que o ser humano, a começar por mim, sofre durante a experiência da vida tanto, tanto, tanto. Porque não é que a vida é um sofrimento, mas assim, são tantas experiências que me fazem sofrer durante a vida toda, que eu lembro dessa sensação de assim, por que? Por que que existe todo esse sofrimento? Mas quando a gente volta à explicação, a lógica da escuridão e da luz, do frio e do calor, o caminho fica muito óbvio. A resposta a essa interrogante surge como uma obviedade. Na ausência de uma consciência acerca da conduta do bem, que é a conduta que deveria ser natural de um ser com consciência como é o ser humano, mas como eu ignorava, não entendia, nem me conectava com o pensamento criador, nem percebia as indicações claras do pensamento criador, ou a vontade do pensamento criador na minha vida, e não entendia o porquê da vida, eu não trilhava o caminho consciente do bem. Ou seja, eu não me alinhava, eu não caminhava alinhado com o pensamento criador. E é obviamente que esse afastamento desse pensamento central da criação, do bem, abre todo o espaço para surgir o mal. E aí a gente começa a chegar à conclusão óbvia de que o mal existe, não porque Deus criou, como eu tinha, pelo menos eu tinha essa impressão, que Deus tinha permitido a criação do mal. Na verdade o mal é uma ausência de. Aí quando você olha assim, você fala, putz, mas se é isso, então é preciso o quê? Ligar a luz, é preciso movimentar, porque a inércia dos átomos, das moléculas, gera ausência ou causa ausência de calor. Então quando a gente bota as moléculas em movimento, a gente aquece. Aliás, quando a gente sai da cama, acorda e começa a se movimentar, o corpo começa a aquecer. Quando eu chegar na academia daqui a pouco, que é a minha sequência de atos, depois de acordar, retomar o estudo do dia anterior, gravar o podcast e ir para a academia. Quando eu chegar na academia e começar o exercício, o meu corpo vai esquentar, óbvio. E qualquer um já experimentou isso mil vezes na vida. Então como é que a gente combate o mal? Aí fica assim óbvio como é que a gente combate o mal e por que ele existe, como é que a gente combate, como é que a gente sai dessas situações da vida em que o mal ainda impera na nossa mente ao longo da vida, em vários períodos, épocas, momentos, às vezes do dia. A gente precisa gerar a conduta, ou ter a conduta, ou nos conduzir em direção à força ativa. O que a gente faz no quarto escuro? O que eu faço depois que eu desligo o despertador? Eu acendo a luz do quarto. E aquela escuridão que perdurou e reinou durante seis horas cravadas, basicamente, que é quando eu durmo, cessa, cessa no instante que eu ligo o interruptor de luz. Ah, mas o frio não cessa. Pois é, o frio na cidade vai diminuir a hora que o calor atingir a terra, a hora que os fótons do sol atingirem a terra, vai começar a aquecer, já está atingindo a terra o tempo todo, mas quando nossa face, a parte nossa aqui do continente sul-americano girar mais um pouco a terra e a gente estiver de frente para o sol, vai começar a aquecer, porque quando existir a força ativa, a ausência cessa de ser uma condição. Então, ao longo do dia, vai dar uma esquentadinha. Claro que, por várias razões, vai esquentar menos do que a gente gostaria, talvez. Eu acho que vai ficar em uma temperatura ideal na hora do almoço. Uns vinte, vinte e um graus, hum, que delícia de temperatura para trabalhar, hum. E quase calor quando eu estou na piscina ou na praia. Como eu quase nunca estou na piscina ou na praia, eu prefiro as temperaturas agora de outono. Mas voltando ao ponto, a gente estava falando do mal, né? Dessa força que tanto sofrimento causa a cada um de nós e, consequentemente, a toda a humanidade, no limite, levando a humanidade a se exterminar. Ah, como foram tantas vezes na nossa história e como passamos já riscos de extermínio geral, né? Algumas vezes, enfim. Mas o ponto não é esse. Porque não adianta a gente ficar filosofando sobre, ah, mas então por quê? E como é que agora, e agora, como é que a gente resolve a crise atual? Não sei aonde, não sei aqui, ali, assado. O ponto não é esse. A gente vai precisar começar, essa solução precisa começar no ser humano, individualmente. Eu preciso acender a luz e me movimentar para que a escuridão cesse e para que eu pare de sentir o frio. Para que eu saia dessa dimensão em que o mal impera. Para que eu deixe de perpetuar o mal em mim mesmo. Para que eu deixe de ser veículo do mal com os meus pensamentos, com a minha fala, na minha conduta. Eu preciso seguir no caminho do bem. Então, assim, quando isso ficou claro, sério, a sensação de alívio, você tá sentindo? Não sei. A sensação de falar assim, finalmente, eu falei assim, ah, agora eu entendi. E a hora que eu entendi isso, eu falei assim, poxa, então é possível se livrar do mal em si mesmo. E é possível então que um dia a gente possa ver a humanidade se livrando do mal como um conjunto, como um todo. E a gente possa até imaginar uma vida em sociedade que hoje parece uma utopia. Seria uma utopia. Imagina, isso não vai acontecer nunca. A rota existe. Tá traçada. Que é o quê? Começa individualmente, claro, cada um de nós, seguindo, optando por uma conduta em que o bem está acima de tudo. E muita gente faz o bem. Agora, o ponto é o seguinte, fazer o bem não é só ajudar alguém em algum momento. E esse é o ponto difícil. Difícil que eu diga é porque a gente, ao ignorar o mundo mental, especialmente o mundo mental em si mesmo, em nós mesmos, a gente permanece ignorando as causas. Então não é à toa que a logosofia como ciência e método, ela oferece sempre essa possibilidade real para cada um de nós e tomando contato com o próprio mundo interno e enquanto se compreende como é o mundo interno, se capacita para ir fazendo as escolhas e determinando do ponto de vista causal que pensamentos vão operar na mente e consequentemente que pensamentos vão operar em conjunção com a vontade e para onde caminha a vontade de cada um de nós, para onde caminha nossa conduta, nossas escolhas, nossa postura, nossa colocação no mundo. O mal, ao ser a consequência da ausência do bem conscientemente realizado, está em nossa vida na proporção que a gente permitiu. Ah, Ronny, que dureza você falar isso. É, eu sei, mas é verdade. É verdade na minha vida e se é verdade na minha vida, provavelmente é verdade na vida de todos os seres humanos. Ao ignorar, ao não saber a que fim a gente veio e qual era a missão, qual era a razão de ser da experiência humana na Terra, a gente deu espaço para a escuridão, para o frio, ou seja, para o mal. Mas agora está claro, não é? Há uma saída claríssima. Veja, essa é a coisa mais maravilhosa que a gente pode entender agora. Existe um caminho para sair, para escapar da influência, do peso desse mal que cada um de nós ainda suporta e que fica super claro numa vida que tem angústia, que a gente sente angústia, ansiedade, que deprime a vontade, o ânimo do ser humano. A gente sente o mal nos oprimindo sempre ou com muita frequência. Então o caminho existe. O caminho é a busca consciente pelo bem. O que para mim significa a busca consciente pelo conhecimento transcendente e a realização dele em mim mesmo. Para que eu vá deixando de viver na ausência para viver na luz. Deixando de viver na escuridão para viver na luz. Deixando de viver no frio para viver no calor. Na atividade consciente, constante. Esse é o convite que a ciência logosófica faz para cada um de nós, na minha compreensão. Bora? Sensacional, né? Quando a gente olha isso e fala assim, finalmente, então a gente tem uma saída claríssima. Sim, temos, mas é preciso caminhar. Nesse sentido, a saída não vai vir até nós. A gente vai ter que caminhar até a saída. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.