Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Não Precisa Recomeçar: Precisa Retomar o Fio de Onde Largou
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui pensando — não nesse instante só, mas pensando há muito — em várias experiências minhas que são assim... eu vou dizer que são incríveis, porque hoje eu considero que todas são muito úteis para a minha vida, para a minha existência, do ponto de vista da superação. Mas são experiências que a vida vai apresentando e que a sensação que eu tenho, muitas vezes, é de estar num verdadeiro labirinto. E aí, assim, a imagem é mais ou menos o labirinto de Creta. O labirinto de Creta é aquilo que a gente conhece como o labirinto do Minotauro, na mitologia grega. E, lógico, tem esse labirinto em filme ou, sei lá, em histórias e tal. Mas, assim, o que se diz, na verdade, desse labirinto — olha que interessante — não era um labirinto comum, aqueles de cerca viva, sabe, de planta, que a gente vê em jardins na Europa, que tem uns gigantes desse, e que já é assustador por si estar perdido num lugar desse. Mas pelo menos você sabe onde está e sabe que não vai ter problema. Mas o labirinto de Creta — quem criou foi Dédalo, que era, de acordo com a mitologia, o grande arquiteto e inventor — era uma estrutura tridimensional. Era escura, os corredores mudavam, as escadas também se moviam. As coisas que tinham lá dentro, os caminhos sem saída, foram projetados especificamente para enlouquecer quem entrava nele, antes mesmo de encontrar o Minotauro. Quer dizer, o problema não era só o tal do monstro. O problema era o labirinto em si. A complexidade era tanta que as pessoas ficavam tão desesperadas com a confusão mental causada pelo labirinto, que acho que o Minotauro era só um detalhe na história. Olha que interessante. O objetivo principal do labirinto não era apenas prender fisicamente, era destruir a mente daqueles que se aventuravam. Mesmo aqueles jovens atenienses acabavam morrendo de loucura, de exaustão, de acordo com a história, de fome. Por quê? Porque se perdiam completamente, por conta das mudanças constantes daquela estrutura. E eu fiquei pensando: puxa vida, essas imagens que a mitologia grega apresenta são fantásticas. Porque a sensação de que a vida é o labirinto de Creta é impressionante. Por quê? Porque ele representa, eu entendo, a confusão mental, a desorientação e as distrações da vida terrena. Olha que curioso que é isso. Quer dizer, é como se a gente chegasse na vida terrena, nascesse, e a gente tivesse uma imagem, uma visão muito clara, que a gente vai perdendo. Porque a criança tem uma visão tão clara de tanta coisa, a criança vive em outro mundo. E eu entendo que é exatamente esse mundo que a criança pequenininha vive — e quanto mais pequenininha, mais ela vive nesse mundo — a gente perdeu a referência desse mundo. É como se, conforme a gente vai crescendo, a gente vai entrando nesse labirinto da vida, que é bem representado pelo labirinto de Creta na mitologia, e a gente vai se perdendo mesmo. Quantas vezes a sensação que eu tive é de estar perdido. Obviamente não era perdido fisicamente. Então olha que curioso: a gente vive uma vida que, ainda que esteja — vou abrir aspas — tudo sob controle, ou tudo dentro do previsto, do normal — fecha aspas — a sensação de estar perdido é profunda. Eu imagino que se você não sentiu isso alguma vez na vida, você sentiu alguma coisa parecida com isso. Porque eu senti isso muitas vezes. Nos últimos anos eu me senti perdido alguma outra vez também, por conta da intensidade das experiências. E a confusão mental que esse labirinto da vida causa — porque é tanta desorientação, é tanta distração que a cultura que a gente vive criou para o ser humano — que é muito difícil encontrar a saída do labirinto. É muito difícil. E é óbvio que enquanto ficar no labirinto, a sensação é muito ruim. É legal, mas a gente entra nesse labirinto e está cheio de coisas. Vamos colocar armadura, igual os jovens de Atenas entravam lá. Colocar armadura, escudo, espada, leva comida numa bolsa, carrega comida, carrega tocha. É legal. A gente pode se aperiquitar todo de apetrechos que não adianta nada. Porque, na verdade, a gente continua perdido, ainda que com um monte de artifício. Então é como se... Não adianta nada. Você está cheio de coisa, todo equipado e perdido. O problema é que a gente se equipou de tanta coisa que não precisava. Essa é a sensação que eu tenho. A gente foi enchendo a mente de tanta coisa, a gente foi se apegando a tanta coisa. Eu me apeguei a essa vida terrena como se ela fosse o fim, fosse o destino, fosse o máximo. Eu me apeguei às coisas materiais quando fui me tornando jovem, adulto, e me apegando a esses prazeres da vida terrena, da vida material, e fui projetando essa imagem de que a vida era isso. Ou outras tantas coisas de que fui me equipando, um monte de conceitos equivocados sobre a vida. Eu aceitei muitos conceitos que a gente aprende no dia a dia, que a gente absorve na convivência, na televisão, onde for. O problema é que a sensação de estar perdido vai desgastando a gente, porque vai fazendo a gente sofrer. E às vezes pode passar anos, décadas no labirinto. Mas é interessante que há um reclamo, há algo em nós que reclama pela saída do labirinto. Não só porque o labirinto é muitas vezes desagradável mesmo — e a sensação de estar perdido é para enlouquecer qualquer um mesmo — mas há realmente essa chamada: é preciso sair disso. Eu sempre senti essa chamada, embora tenha demorado para entender o que era. Na lenda, na mesma lenda, a gente sabe que tem um fulano lá que consegue entrar e encontra o Minotauro, luta, destrói o Minotauro e sai do labirinto. E esse cara é Teseu. Mas Teseu foi bem inteligente, porque Teseu usou — que a gente já sabe também — um fio, um novelo de fio que foi dado para ele por Ariadne, que era uma princesa de Creta e se apaixonou por Teseu. E essa solução de vencer uma estrutura tão complexa veio, na verdade... Quem sugeriu para Ariadne dar um novelo de fio para Teseu foi o próprio Dédalo. Ou seja, olha que interessante: quem criou o labirinto é que sugeriu a solução. Aí você fala assim: mas o que isso tem a ver com a história? Muito bem. Qual é a solução para vencer a estrutura complexa de um labirinto com uma vida terrena? Qual é a solução? É o fio. Qual é o fio? Olha que interessante. O fio é o conhecimento metafísico que permite que a gente navegue o labirinto da vida e a gente volte a encontrar o caminho original, a jornada que a gente um dia se afastou, perdeu, se confundiu, se distraiu. A gente estava caminhando na vida, na existência, e um dia, por várias razões, a gente acabou entrando nesse labirinto. E sei lá quanto tempo cada um de nós ficou — está ainda no labirinto. Mas o conhecimento metafísico, o conhecimento superior, ele é como se fosse esse fio, esse novelo de fio que nos permite ir encontrando de volta o caminho para sair dessa vida que angustia muito. E não é à toa que a gente sente angústia. Eu entendo que esse é um dos reclamos, esse é um dos sinais mais claros de que tem alguma coisa errada com a vida. Esse reclamo dentro de si mesmo é como se fosse um chamado: é preciso sair do labirinto. É preciso, não vou dizer acordar, mas é preciso iluminar esse caminho, voltar até o ponto em que a gente se perdeu. E aí, obviamente, a vitória não é só matar o Minotauro — que talvez represente, não sei, porque não fui eu que criei essa lenda, mas imagino que representa essas forças, as dificuldades internas, o instinto animal, o instinto que ainda move cada um de nós a estarmos apegados à vida terrena, a viver como se não houvesse um destino superior, como se não houvesse uma existência depois. Mas, de matar ou passar por essa prova, há que recolher o fio enquanto a gente vai retornando ao caminho original, à luz. Interessante que a gente tem uma imagem que às vezes é milenar como essa. E lógico, essa é a interpretação que estou fazendo. Mas obviamente todas essas imagens existiram, foram criadas certamente para interpretar algo sobre a vida e a existência. Então, de acordo com ela, me parece óbvio que a gente precisa de um conhecimento que não nos tira magicamente do labirinto, mas que dá uma conexão inquebrável com a minha própria essência. É como se o conhecimento superior, o conhecimento logosófico — e aí estou me referindo exatamente ao estudo, até porque o tópico seguinte do livro é em que o estudo logosófico difere do estudo comum — eu penso que é exatamente nisso: o estudo logosófico não tira cada um de nós do labirinto como um passe de mágica. Mas ele dá e mantém a conexão inquebrável com a minha essência. Ou seja, o ato é de voltar para mim mesmo, para a minha própria herança espiritual. Do ponto de vista espiritual consciente, cada um de nós tem uma herança, tem uma jornada que é... Eu não sei dizer quando ela começou, mas eu sei que ela é muito longa. É só ver como cada um de nós veio para essa vida já cheio de características diferentes, cada um diferente do outro. São mais de 7 bilhões de pessoas e não tem ninguém igual, do ponto de vista psicológico. Claro, porque a gente tem uma história. A gente não sabe quando começou exatamente, mas há uma história e há um destino superior para essa jornada, para essa história. O problema é: como é que a gente volta para esse caminho original, para a jornada original? É o ato de voltar para mim mesmo. Cada um de nós voltar para si mesmo, retomar o fio da própria herança, da própria existência consciente e espiritual, saindo da confusão mental, encontrando a luz do conhecimento. A solução não é aprender um caminho novo e complexo, não é isso. Mas é seguir a conexão simples que já existe em cada um de nós com a própria origem. E eu vejo essa propriedade no estudo do conhecimento superior, no estudo logosófico, porque difere demais do comum. O comum é o que a gente tentou fazer. A gente aprendeu a estudar colocando um monte de apetrecho, carregando um monte de coisa na mochila. Decoramos um monte de coisa, aprendemos um monte de coisa para aplicar apenas para fora de nós mesmos — que são importantes, alguns desses conhecimentos são muito importantes para poder operar no dia a dia da vida terrena. Claro que são. Não tem problema ter entrado nesse labirinto e ter acumulado equipamentos e ferramentas. O problema é que aqueles equipamentos e ferramentas não resolvem o problema no labirinto. Porque o labirinto enlouquece mesmo. Com o tempo, é de enlouquecer mesmo viver uma vida e não conseguir entender o que a gente passa, pelo que a gente passa. Cada um de nós é para enlouquecer qualquer um mesmo. Eu digo assim tranquilamente porque eu enlouqueci por pouco. E olha, eu lembro de quando eu era mais jovem e me deixava transtornado às vezes. Porque é isso. Essa imagem do labirinto — os caras foram perfeitos — representa muito bem mesmo. Não é à toa que ela é desse jeito. Então qual é a chave? Que me parece que tem esse tópico. A chave é entender que o estudo logosófico, o estudo do conhecimento superior, ele parte — e esse é o mais legal — ele parte do estado que cada um de nós se encontra de evolução. Não é que a gente tem que recomeçar o caminho, não tem que recomeçar nada. Eu preciso retomar o caminho que eu larguei. E isso é feito através da experimentação, através da comprovação que permite esse reencontro consigo mesmo. Olha que legal que é isso. Porque aí finalmente a gente começa a sentir que está respondendo a esses reclamos que eu citei — que são os reclamos dessa parte, desse conteúdo espiritual que cada um de nós é também. Nós somos tudo isso. Nós somos um ser biológico, somos um ser psicológico, mental, espiritual. Então essa parte superior em nós reclama, chama. Sabe aquela sensação que às vezes tem no domingo? Eu lembro que eu tinha isso tão claro. Eu ficava meio ansioso, angustiado que ia começar a semana e tinha acabado o fim de semana, que era quando eu respirava um pouco e era feliz. A semana era duríssima. Eu lembro disso. Porque é isso, a sensação de... E qual o problema? A gente vai tentando preencher essa sensação de vazio da vida com um monte de distração, com um monte de coisas. Vou comprar um negócio, vou comer um doce, vou assistir um negócio. Tentando procurar prazeres imediatos que de alguma maneira preenchessem aquele vazio. Que não preenche. Claro que não. Mas a gente tem — olha que interessante — a gente tem a chave. A gente tem o fio. Que é o fio condutor para sair desse labirinto da vida, ou para deixar de viver a vida como se estivesse num labirinto. Porque é o fio, esse conhecimento superior, é o fio que conduz a retomada da jornada original. É voltar para casa, é voltar para si mesmo, é retomar aquilo que a gente veio fazer aqui e a gente esqueceu. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.