Latest / Logosofia no Dia a Dia / Observação Consciente: Por Que Você Está Ausente de Si Mesmo (Com ou Sem Celular)
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- Oi, eu, Ronny, tudo bem? Eu estava pensando aqui que é curioso, e embora ainda sobre fatos que muitas vezes falam, puxa, que triste que a gente vive isso como humanidade, mas é curioso como a vida terrena, física, reflete sempre o mundo causal, ou seja, reflete o que ocorre primeiro na nossa mente. Então, a maioria dos problemas que a gente observa na sociedade não são problemas que estão fora, são problemas que geralmente estão dentro de cada um de nós e o reflexo é o que a gente vê, observa e noticia-se no dia a dia. Eu estava pensando e lembrando dos maiores problemas que o mundo digital e a tecnologia atual nos trouxe como humanidade, qual que é? Obviamente é o problema do isolamento social que cada ser humano passa a viver quando a gente vive muitas horas por dia numa tela. Não só porque a gente está trabalhando, muitas vezes, e muitos de nós trabalham com computador direto, mas porque as pessoas estão cada vez mais mergulhadas numa nova forma de conviver, se é que a gente pode chamar de conviver, uma nova forma de se comunicar e numa nova forma de interagir com a sociedade como um todo. Isso está causando, como é muito conhecido, muitos problemas. O termo brasileiro que se tem usado é tecnoferência, que é a interferência da tecnologia na vida humana e especialmente no convívio. Isso está causando uma ruptura na estrutura psicológica do ser humano que os sinais estão aí já gritando. Não é um problema que um dia vai chegar um problema. Os sinais estão gritando. Eu estava vendo umas estatísticas sobre isso no Brasil e é impressionante como o país é um dos países que isso mais se acentua. 70% dos pais dizem que estão na frente dos filhos, muitas vezes com os filhos, mas não estão prestando atenção porque estão no celular. Olha que número assustador. Quer dizer, numa relação em que tem dia para expirar, a relação com os filhos, de quando eles nascem até quando eles se tornam adultos com vida própria, tem um tempo específico e os pais só têm aquele tempo para aproveitar, mas muitos pais estão em casa ou estão em algum lugar com os filhos e estão no celular. Quantas vezes cada um de nós não viu pessoas, sejam amigos ou famílias, ao redor de uma mesa em um restaurante e cada um no celular? Ou os filhos assistindo coisas no celular e os pais conversando? E veja, não estou julgando aqui, não é esse o ponto. Eu estou só observando uma realidade que está se tornando cada vez mais um problema porque especialmente nas crianças, porque causa também problema na convivência entre amigos, entre cônjuges, nossa, eu estava até vendo aqui alguns relatos numa pesquisa que eu estava lendo, entre cônjuges então tem sido problema também, sério, por quê? Porque está alienando. Numa relação que é uma relação muito íntima, essa alienação para a tela e fora da própria convivência também está causando problema. Mas talvez o pior problema seja na formação desses pequenos seres que a gente é responsável, ou seja como tio, como pai, como avô, como o adulto que está responsável naquela tarde, naquela hora, naquele momento. A gente está deixando com esse desvio, com esse problema que a tela nos puxando para as coisas todas que estão aqui na tela, a gente está deixando de dar para as gerações que estão vindo a atenção necessária, especialmente as condições de percepção que a convivência presencial cumpre na formação de uma criança. Aí eu estava lembrando eu como um pai que eu sempre quis aproveitar muito essa oportunidade e eu inclusive mudei minha vida profissional, quando meus três filhos tinham nascido, meu terceiro filho, eu estava com três filhos pequenininhos, eu mudei minha vida profissional para poder ser pai e não só sustentar bem e dar uma vida folgada para os filhos. Por esse lado, foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida, entre essas decisões de escolhas de como é que a vida vai seguir, porque eu vivi os 20 anos praticamente que eles têm hoje, os três aí na média, eu vivi esses 20 anos intensamente ao lado deles. E hoje eu tenho três grandes amigos, três grandes amigos e a gente tem uma relação muito forte, eu com cada um deles, e mais do que isso, eles confiam em mim numa profundidade que é fruto do que eu os tive observando e conversando com eles ao longo da vida, em muitas e muitas e muitas infindáveis situações, sobre a vida de cada um deles, sobre as características de cada um deles. Bom, essa talvez seja a parte da minha vida que eu mais acertei, foi nessa minha relação com eles. E hoje se fala assim, mas essas escolhas, essa escolha que você fez, trouxe consequências, você abriu mão de uma carreira muito boa num banco internacional, que você era um alto executivo, e aí depois você teve que enfrentar outras situações. É verdade. E hoje se eu fosse viver a situação de novo, de ter filhos de novo, eu faria exatamente a mesma coisa. Por quê? Até porque a parte material é circunstancial na nossa vida, mas isso que a gente constrói entre os pais e filhos, ou você quando é um adulto responsável por uma criança, essa vinculação é de outro mundo, claro, claro que é. Mas o ponto não é especificamente, eu estou citando essa parte da minha experiência e essas observações, porque assim, muitas vezes, e nessa situação que eu estava descrevendo, que a humanidade está vivendo esse desvio, isso é muito claro, é como assim, as pessoas estão presentes fisicamente, mas é como se estivessem ausentes. Isso é muito óbvio. Então, está todo mundo ali junto, mas não está junto, porque a presença física não significa nada. Inclusive, eu já vi muitas vezes crianças, não vou dizer se acidentando, mas se machucando em shopping ou em parque, porque os pais ou o pai ou a mãe estavam num banco no celular, não estavam olhando para a criança. Isso é típico também. Então a criança está indo, está se afastando, está chegando perto de alguma coisa perigosa, mas ninguém está vendo. Às vezes eu estou lá no parque, estou olhando, e eu fico preocupado com a criança dos outros. Mas o que é o ponto, talvez, que eu estava falando no começo desse podcast? Que a vida terrena reflete, na verdade, um problema que existe dentro da nossa mente, e não o contrário. O problema em si não está nessa nova tecnologia. A gente não vai culpar o celular ou vai culpar a internet ou culpar a rede social, o Instagram, o TikTok, não é esse o ponto. Esse vício ou essa distração em exagero, essa dependência que o ser humano está se permitindo criar desse entretenimento vazio, é reflexo de um problema causado ou causa dentro da nossa mente. Muito bem, qual é o problema? É o problema que a gente vive com a própria vida de cada um de nós, exatamente a mesma coisa. Igual a gente está vendo isso acontecer fora, quantas vezes eu nos tive e às vezes ainda me pego de vez em quando assim, é como se eu estivesse ausente da minha própria mente. Olha só, coisa mais esquisita, né? A gente tem uma mente onde vivem pensamentos, operam pensamentos, transitam muitos pensamentos, até porque a gente tem que atender as coisas do dia a dia, então tem muitos pensamentos que durante o dia estão circulando na mente. A gente tem nesse instrumento maravilhoso que é a própria mente, faculdades da mente, capacidades desenvolvidas, algumas estão se desenvolvendo, outras já estão desenvolvidas, que estão ali atuando, cumprindo o seu papel, mas muitas vezes eu me peguei ou percebi que eu estive ausente da minha própria mente. E não é porque eu estava no celular, é porque eu estava num estado de desatenção completa em relação ao que ocorre, ao que está passando, acontecendo dentro de mim. Você percebe a semelhança? Não é a mesma coisa? Só não tem um celular dentro de mim para eu ficar olhando, não é isso. Mas é como se a gente de vez em quando ficasse num estado que o Conhecimento Logosófico define como torpor. É um estado quase de sonolência, de ausência. É como se a gente estivesse... Antigamente a gente falava assim, fulano está viajando, viajando é quando está ali, ou hoje em dia falam que está brisando. É como se estivesse ausente de si mesmo. Olha que coisa mais incrível, porque para mim é bem a representação do que a gente vê nessas situações sociais, sejam quais forem, em que as pessoas estão juntas fisicamente, mas é como se a pessoa estivesse ausente daquele lugar, porque ela não está ali, ela está ali só com o corpo. A mente está em outro lugar, está pensando em outras coisas, está vendo outras coisas. Mas então o problema não começa, o problema não está nessa parte fora de nós. Por quê? Porque o problema principal é que ao estar ausente da minha própria mente, é como se eu não estivesse vivendo a minha vida. Você já pensou nisso? Ah, eu sei, você está falando assim, como assim, Ronny? Como que eu não estou vivendo a minha própria vida? Pois é. Quando eu não estou presente na minha mente como um observador maior interessado que eu deveria ser do que está acontecendo na minha mente, quem está decidindo, quem está escolhendo o que eu faço, o que eu digo, que opção que eu escolho, quem está decidindo minha vida, quem está no comando da minha vida, são os pensamentos que estão na minha mente. E é por isso que eu passei muitas vezes, dias inteiros, dedicado a uma tarefa, a um hobby, a um problema, a um desafio, a uma atividade, e não me dei conta do dia. Assim, passou o dia inteiro e eu só estive pensando naquilo. Aí você fala, não, Ronny, mas era você fazendo aquilo. Sim, fisicamente era eu. Como hoje, eu posso, se eu passar o dia focado lá no trabalho, nos meus problemas todos, que são muitos, na área profissional, você fala assim, ah, Ronny, mas é você trabalhando. Sim, mas eu posso, se eu fizer isso, e estiver o dia inteiro inconsciente, sem consciência do que está acontecendo na minha mente, é como se eu tivesse sido um robô controlado pelos pensamentos que atendem as preocupações do trabalho. Aí chega no final do dia, aí acabou o horário, eu não aguento mais trabalhar, eu fiz o que podia fazer, já não tem mais o que fazer, ah, agora eu vou descansar. Aí pego, me jogo no sofá, ah, você tinha uma série, sei lá, vou ver o celular, é uma coisa. Que vida é essa? Ou seja, o que é que cada um de nós está fazendo na própria mente, se não sendo o principal coordenador dessa vida interna? E por que eu digo isso? Porque nunca foi ensinado para mim antes ser um observador consciente da minha própria vida interna. Primeiro que eu nem sabia que tinha um mundo interno, eu nem sabia que eu tinha um mundo dentro de mim onde circulavam essas dezenas e dezenas de pensamentos a cada dia, e que eu tinha capacidades nessa estrutura da minha mente, que eu podia observá-las, eu podia desenvolvê-las, e especialmente que eu tinha deficiências psicológicas que já são marcas negativas da minha psicologia, que eu preciso observar quando elas estão se manifestando no meu dia a dia para evitar o estrago que, em geral, essas marcas negativas fazem na minha psicologia e na minha vida. Ou seja, eu não sabia que eu vivia uma vida igual eu vejo o pessoal vivendo a vida em cima do celular. Mas era assim que eu vivia antes. Eu olho hoje e falo... Puxa, como é que está aí junto, mas não está? Está, mas não está? Pois é. A minha vida interna, eu estava, mas não estava. Eu sei que não é engraçado, parece só engraçado, mas não é engraçado. É curioso que o problema que a gente vê hoje na sociedade é só um reflexo de um problema muito maior. E esse é o ponto que a Logosofia, para mim, muito acertadamente vem indicar que é preciso reverter essa situação interna, de novo. Não é o problema externo, porque a Logosofia vai às causas, não vai ao reflexo apenas. O reflexo é isso. Vai ser corrigido quando a gente mudar a realidade dentro de nós mesmos. A gente precisa fazer que a observação do próprio mundo interno seja uma constante. Porque a gente precisa estar presente dentro de si mesmo primeiro. Ninguém vai conseguir estar presente com a humanidade, seja qual for a parcela dela que estiver convivendo, se estiver ausente de si mesmo. Seja com ou sem celular. Porque antes de ter celular, eu também vivia essa situação de estar pensando na morte da bezerra, como a gente falava, ao invés de estar ali, naquele lugar em que estavam outras pessoas. Então eu estava presente, mas estava com a mente viajando em qualquer outra coisa. Então também a culpa não é o celular. Não é a internet, nem nada disso. A gente precisa olhar para si mesmo. E perceber que enquanto cada um de nós não se colocar nessa posição de ser o dono de si mesmo, e isso começa com a observação constante dessa vida interna, a gente vai continuar sofrendo na própria vida dessa ausência. Só que em relação a si mesmo, não em relação aos outros. E essas reflexões se referem ao tópico seguinte do livro Exegese Logosófica, que é Observação Consciente. E me causou muitas reflexões e eu me dei conta de que antes de eu observar o que está acontecendo no mundo e criticar esse desvio que a gente está vivendo nos outros, eu precisava olhar para mim mesmo e perceber que eu tenho esse problema. Eu preciso focar em ser o dono desse mundo interno, desse ambiente mental. Começar a observar constantemente que pensamentos estão atuando em minha mente. Começar a colocar em prática esse hábito. E ao torná-lo um hábito, e esse é uma coisa incrível, como a gente não conhece, não entende esse mecanismo, mas é impressionante como a gente vai comprovando essa realidade. Ao fazer disso um hábito, a consciência começa a fazer-se presente. É como se a atenção fosse de fato um sinal, a atenção constante fosse um sinal da própria consciência. Ou pelo menos um convite à consciência atuar e cumprir esse papel reitor que ela deve cumprir na própria vida. Então, eu não quero que ninguém se sinta mal quando está no celular, porque esse não é o ponto. O ponto é, a gente precisa começar a viver de outra forma em relação à própria vida interna de cada um de nós. O Conhecimento Logosófico vem nesse sentido. E tem me feito cada vez estar mais dentro de mim mesmo enquanto eu vivo essa experiência terrena. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.