Latest / Logosofia no Dia a Dia / Fibras Mentais Desorganizadas: Por Que Você Não Consegue Recrutar Sua Verdadeira Força
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que eu adoro quando a gente está num tema, um desses tópicos que falam sobre capacidade e sobre a gente descobrindo capacidades que a gente não sabia que tinha. Vou te contar um segredo que, obviamente, eu descobri observando e vivendo as coisas do dia a dia, mas que ele revela algo e conecta diretamente a algo que é vital para transformar a forma como a gente vive as coisas do dia a dia. Quando eu entrei na academia, há 3 anos e quase 10 meses atrás, eu descobri um negócio incrível e parece mágica. Não sei se você sabe disso. Mas as primeiras 3, 4 semanas de quem começa a fazer exercícios para músculo — exercícios de resistência e de força, ou seja, a gente chama de musculação —, a gente praticamente dobra a carga que coloca nos exercícios em 3 a 4 semanas. Aí você fala assim: "Como assim, Ronny?" Porque o músculo dobra de tamanho em 3, 4 semanas quando entra na academia? Nada disso. Pelo contrário. Em 3, 4 semanas, o corpo não cria nenhuma fibra muscular a mais, praticamente. Aí você fala assim: "Mas como é que é possível que a carga — você fica duas vezes mais forte do que você era?" Então vou te contar um segredo interessantíssimo que afeta e determina o funcionamento do nosso corpo e que vai nos dar a imagem clara para a gente fazer a ponte com a estrutura e o mecanismo metafísico da nossa vida e do nosso organismo. Quando a gente entra na academia, e a gente nunca fez, faz muitos e muitos anos — como era o meu caso, fazia décadas que não fazia exercício —, o que acontece? O sistema nervoso central do corpo está totalmente desorganizado e confuso em relação a ativar o que a gente chama de fibras motoras, unidades motoras. As unidades motoras são as fibras musculares, que são cada um dos microfeixos que nossos músculos têm. Então olha que interessante: no primeiro dia — e eu lembro disso —, fui fazer o exercício qualquer, aí o corpo, o cérebro dispara, o sistema nervoso dispara, o impulso elétrico está tão destreinado, desorganizado em relação a isso, que na verdade ele só consegue recrutar um terço, mais ou menos, das fibras musculares, dessas unidades motoras do músculo, entendeu? É como se fosse assim: olha, não chega instrução para dois terços das fibras musculares daquele músculo, porque é meio caótico, está desorganizado esse sistema neurológico em relação às fibras musculares. Então as fibras estão lá, as unidades motoras estão lá para fazer aquele movimento, mas a instrução nervosa — ou seja, o impulso nervoso elétrico — chega desorganizado e não consegue ativar mais do que um terço das fibras, mais ou menos. Olha que curioso. Então o que acontece nas primeiras três, quatro semanas? Não acontece a criação de nenhum músculo, mas é que o cérebro começa finalmente a organizar o choque elétrico e começa a recrutar muito mais fibras daquele músculo quando o movimento vai ser feito. Ou seja, olha que curioso que é isso: a força estava lá em potencial já, mas a gente não sabia recrutar todas as fibras ao mesmo tempo. E mesmo assim, depois de um mês, claro, não é que recruta todas, mas já recruta quase o dobro — e ainda falta muita fibra ser recrutada. Então existe um ganho de força para quem começa a fazer musculação de verdade, que é um ganho de força que já estava em potencial à disposição, só que o corpo não sabia recrutar essa força. Aí você fala assim: "Legal, entendi, curioso, legal, eu achei super interessante." E depois disso também tem um processo que começa — e aí é um processo paralelo que é o processo de hipertrofia, de criação de mais fibras musculares, de fortalecimento, de resistência. São vários efeitos fisiológicos depois que começam a atuar também nos músculos, e aí é um ganho de força, de resistência, de tamanho do músculo, enfim. Mas aí já não vem ao caso. O caso é o seguinte: essa realidade — pensa, eu imagino que você já sacou, tenho certeza que você já sacou só nessa explicação. E se a nossa mente, o nosso mundo interno, acontecer, e se nesse mundo interno acontecer a mesma coisa? A gente passa uma vida com várias fraquezas, sentindo o peso de experiências, de fatos, de circunstâncias do dia a dia, como se esse peso fosse aniquilar a gente, sufoca a gente. Quantas vezes eu não vivi — e olha, recentemente, nesses últimos anos, eu vivi experiências que eu achei que ia me desfazer embaixo do peso delas. A sensação que eu senti era que eu ia ser esmagado pelo peso de experiências que eu não sabia como sair, como viver — especialmente se elas me apertaram de um jeito, elas pesaram de um jeito. Não porque eram experiências ruins, do ponto de vista... Não era isso, mas o fato é que eu não estava preparado para viver essas experiências, e foram experiências novas para mim, e isso causou um aperto — aquele aperto que a mente fica exausta, sabe o que é isso? A sensação de uma mente que é exaurida. Você chega ao final do dia, ou daquele momento mais intenso, e fala assim: "Nossa, cansado, a mente exausta, a energia foi embora, o coração apertado." E muitas vezes o instinto atua, querendo que você fale: "Cara, foge." Porque o instinto é assim: são três sistemas que a gente tem dentro desse mecanismo interno. Tem um sistema mais básico que o instintivo, só que o sistema instintivo é assim: é fuga ou luta. Você já percebeu isso? Porque a natureza é assim. Então essa parte nossa que está atrelada — e tem a instrução original da criação, da sobrevivência física no mundo, na terra — é fuga ou luta. E se esse sistema é o sistema mais organizado, porque o sistema mental e o sistema sensível estão desorganizados normalmente, esse é o sistema que acaba prevalecendo. E é por isso que tantas experiências da vida — eu vivi assim —, ou eu lutei. Mas quando o instinto luta, você sabe como é: é luta na briga, discutindo, brigando, ficando nervoso, irritado, enfim, é o caos. Ou eu fugi da experiência. Porque é assim: o instinto só sabe fazer isso — ou luta, mas luta assim, "vou lutar as batalhas da vida e vou vencer." Não é isso. É luta sim, briga. Ou é briga ou é fuga. Então assim, esse não é um sistema bom para comandar nossas ações no dia a dia. Esse sistema tem que estar atrelado a uma organização melhor do sistema mental e sensível controlando essa força. Então assim, olha que coisa sensacional a gente observar: que na verdade, o que a gente vê no corpo físico — como sempre —, isso que eu narrei dessa realidade fisiológica das unidades motoras, das fibras musculares, obviamente que é só um reflexo de algo que no mundo causal é uma realidade. Os nossos sistemas internos — ou seja, as nossas fibras, as unidades motoras da mente, da sensibilidade — estão extremamente desorganizadas normalmente. Veja, eu digo assim: quando eu descobri tudo isso, o meu sistema mental e sensível estava extremamente desorganizado. Até porque eu nem sabia que eu tinha um sistema mental, eu nem sabia que eu tinha um sistema sensível, sistema instintivo. Quando esse conhecimento — o conhecimento logosófico — começou a me brindar a capacidade, é como se ele nos desse assim uma lanterna, e a gente começa a perceber e entender que dentro de nós existe um mecanismo maravilhoso desse. A sensação foi exatamente de surpresa. Falei assim: "Como assim?" Ou seja, é igual à história que eu descobri na academia quando eu comecei. O músculo já estava lá o tempo todo. Tudo bem, tem gente que tem mais músculo já naturalmente sem fazer exercício, tem gente que tem menos. Mas independente do quanto, o músculo já estava lá. Só que o corpo, o organismo nervoso, o sistema nervoso, não estava organizado para ativar o músculo por inteiro. É a mesma coisa. A gente descobre com esse conhecimento — e eu descobri exatamente isso — que o sistema mental e sensível existem já. Ou seja, já há uma organização, já há uma engrenagem dentro de cada um de nós, que só precisa começar a ser primeiro conhecida, entendida por cada um, e organizada para que a diferença na forma como cada um de nós vive, cada experiência da vida, seja enorme. Ou seja, assim como o cérebro começa a aprender a organizar o choque elétrico e a recrutar todas as fibras do músculo ao mesmo tempo, a gente tem que olhar para o sistema mental e sensível da mesma forma. E é isso que a Logosofia propõe. E o conhecimento logosófico leva isso ao domínio consciente de suas possibilidades. Esse é um trecho do ensinamento, exatamente nesse tópico que a gente está, das defesas mentais: "A Logosofia leva o homem ao domínio consciente de suas possibilidades, de seus recursos internos, de seus pensamentos." Olha que coisa incrível. Os nossos pensamentos e o nosso sistema mental e sensível — e o instintivo também, quando a serviço desses dois outros — são nossas fibras musculares. O problema é que a gente carece dessa força, não porque a gente é fraco, mas é porque a gente não tem noção dessa capacidade. Então, quando a gente pensa nas defesas mentais — e no último episódio eu estava fazendo uma analogia com a célula e as defesas que a célula tem para garantir que, teoricamente, para garantir que não entre nenhum elemento estranho na célula que possa danificá-la, e só nutrientes e oxigênio e tudo isso —, a gente tem defesas mentais totalmente subutilizadas que poderiam estar nos protegendo de tanta coisa que entra na nossa mente e faz tanto estrago. Eu digo por mim: quanta coisa, quanta experiência eu vivi que eu não soube me colocar bem nessas experiências, porque uma série de pensamentos, preconceitos, deficiências psicológicas, crenças que eu tinha, me atrapalharam muito na forma de viver, de passar pela experiência. E mesmo essas experiências mais intensas da vida — que teoricamente não é nem o caso de falar assim "puxa, mas eu não me coloquei bem na experiência porque eu tinha um pensamento negativo" —, não. As experiências mais desafiadoras da vida exigem que a gente movimente essas fibras internas, que a gente movimente e atue com a mente, com o sistema sensível de uma forma muito mais organizada para poder ter essa capacidade, porque exige força, exige resistência. Tem experiências da vida que exigem muita resistência e muita força para que a gente não sucumba, não caia, não fique esmagado pelo peso dessas experiências. Eu vivi isso muito intensamente nos últimos anos. E teve momentos que eu achei que ia ser esmagado, tamanha a pressão — ou seja, o peso dessas experiências. Eu passei por transes muito duros. Eu tive alguns momentos de quase um desespero mesmo. Porque a sensação de impotência frente a uma circunstância da vida às vezes é tão grande, tão grande, que a gente acha que vai quebrar, que vai ser esmagado. Mas a boa notícia é essa: a gente tem uma força, uma capacidade que está em potência esperando a ativação desse mecanismo de defesa, dessa potência que a gente tem, mas que a gente não sabe ainda utilizar. Eu entendo que é exatamente essa a proposta do conhecimento logosófico. E por isso que eu valorizo tanto conhecimento como esse. A gente vive a vida sem esse treinamento. A gente passa a vida inseguro, temeroso, vacilante. Inclusive esse é um trecho também desses ensinamentos sobre defesa mental: a gente vacila muito. Isso na academia é muito claro, por exemplo. A pessoa tentando levantar uma barra de supino, por exemplo, fazendo exercício de peito, e a barra sobe toda torta, tremendo, porque o sistema nervoso está falhando. E falha mesmo. E aí chega a ser até perigoso. Então eu vivo uma crise no trabalho, uma notícia alarmante na TV, uma pessoa que me trata de forma mais ou menos. Em geral, isso dispara de forma caótica. Uma série de coisas e o instinto entra naquele modo de fuga ou luta. Ou briga. A mente congela. Quantas vezes a mente paralisa. Fala assim: "Nossa, não sabia o que fazer, fiquei paralisado." A gente é esmagado por essa carga, por essa pressão que a gente sente. Então é exaustivo viver a vida à mercê das circunstâncias, dos fatos, dos ambientes que a gente frequenta, e das coisas que acontecem. A gente não pode mais seguir vivendo e passando por experiências assim. Entendo que essa é a proposta. E a Logosofia resume essa proposta — eu entendo — nesse processo de evolução consciente, como se ele fosse o treinamento de força definitivo para a vida metafísica. É um cultivo racional, sistemático, que vai organizando esses sistemas mental, sensível e instintivo. Sabe qual é o ganho? Igual a gente na academia tem o ganho do músculo, e dessa capacidade de recrutar mais fibras. Mas no processo de evolução consciente, o ganho imediato — ou muito fácil de observar, ou muito rápido de observar — é que começa a restituir em nós a confiança em si mesmo. Em cada um de nós. Porque começa a entregar esse domínio sobre o mecanismo que estava lá, que existe em cada um de nós, mas que estava desorganizado. A gente começa a vacilar menos. A gente começa a recrutar as defesas da mente instantaneamente. E elas começam a atuar já automaticamente, e começam a preservar cada um de nós, nossas mentes, de tanta coisa que, em geral, quer entrar e quer nos drenar, nos atrapalhar, quer nos fazer sair do eixo. Então o convite que a gente tem que fazer a si mesmo — a cada um de nós, cada um de nós tem um convite na frente. Vamos continuar vivendo com o sistema interno desorganizado, sendo esmagado pelas pressões externas? Ou vamos começar esse treinamento — vamos continuar, porque já começou, né? —, vamos continuar esse treinamento da mente para recrutar essa verdadeira força de defesa que já é latente dentro de cada um de nós. Boas reflexões, boa leitura. Fique bem e até o próximo podcast.