Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Cavalo de Troia da Mente — Qual Presente Disfarçado Você Deixou Entrar?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando aqui que imagem que me favoreceria mais, que me facilitava mais entender algo sobre um dos resultados mais incríveis que o conhecimento logosófico propicia na vida, quando se leva à realização mesmo, quando se leva à prática diária esse conhecimento. Isso eu gosto sempre de recordar, porque é um ponto importante de como é que se entende o conhecimento logosófico. Como eu falo sempre, não tem muita razão de ser se a gente só guardar o conhecimento ou se guardasse a compreensão mesmo do que a gente leu, como se aquilo fosse servir, se ficar de enfeite na parede mental. Então, por outro lado, eu falo, tá bom, Ronny, concordo. Então, como é que é essa prática diária? E é sobre isso que a gente fala todo dia. É isso que eu sempre estou procurando passar para você, assim, se de alguma forma a minha maneira de experimentar esse conhecimento na vida, se de alguma forma possa ser útil. A forma como você tem buscado, não só experimentar qualquer conhecimento, mas a forma como você tem buscado superar a si mesmo, né? Essa é a busca de todos nós, assim, como é que a gente vai superando a vida, né? Como é que a gente vai superando a forma de passar por tudo. E por isso eu estou sempre procurando uma imagem que me explique melhor alguma coisa, porque na medida que a gente compreende melhor alguma coisa, a gente tem condição de se colocar frente à vida de uma forma melhor também. E eu estava lembrando, por conta desse tópico que a gente está, que eu estou me referindo desde o último podcast, que são os resultados na parte da psicologia humana, né? Resultados no psicológico. Eu lembrei daquela lenda do cavalo de Troia. E se você recorda dos detalhes da lenda do cavalo de Troia, os gregos estavam tentando conquistar a cidade de Troia há uma década, praticamente. E eram dez anos que eles não conseguiam transpor as muralhas altas e fortes daquela cidade. E então, como se tivessem desistido, né? Depois de dez anos sofrendo muitas e muitas baixas, eles se retiraram dos arredores da cidade, mas deixaram alguma coisa como se fosse uma oferenda a Deus, né? Ou aos deuses. E era um cavalo de madeira enorme que, quando os troianos viram — acordaram de manhã e viram que os exércitos gregos tinham se retirado totalmente — entenderam que eles tinham desistido. E que tinham deixado ali um presente ou algo parecido que eles prontamente puxaram para dentro da cidade, abriram as muralhas e puxaram para dentro da cidade. É já velho e conhecido de todo mundo que dentro do cavalo de Troia tinha um esquadrão de elite do exército grego. Acho que era comandado por Odisseu, se não me engano. E esse esquadrão de elite acabou obviamente esperando a noite chegar. Enquanto os troianos dormiam, eles obviamente desceram, tomaram o comando de onde estavam, abriram os portões e o restante do exército grego que tinha se deslocado durante a noite, de volta, entrou e dominou finalmente a cidade. Obviamente é uma história engraçada, ou pelo menos curiosa, legal para fazer filme e legal para a gente ter como referência do que acontece quando a gente não tem muita consciência do que a gente coloca para dentro da mente. Esse é um assunto que eu acho tão curioso, porque eu cresci e ninguém tinha me ensinado que eu devia cuidar da minha mente e ter consciência do que que habita ela. E eu posso imaginar que você também, né? A gente não aprendeu isso na escola, ninguém ensinou sobre pensamentos para a gente. E depois eu fui me dando conta, como assim ninguém ensina isso? É algo assim tão fundamental, porque se a gente não aprende a observar, fazer um inventário dos pensamentos que habitam a mente e exercer uma vigilância constante para que permaneçam na mente apenas os pensamentos que sirvam aos melhores propósitos, o que vai acontecer é que entra qualquer coisa. E o pior, que entra qualquer pensamento muitas vezes disfarçado de coisa importante ou de coisa legal, ou pior ainda, de coisa útil. Quantos pensamentos que teoricamente são úteis, teoricamente são úteis à vida, mas que se tornam grandes devoradores de energia, de tempo. Quantos pensamentos acabam sendo representantes de correntes, de ideologias e vão meio que sequestrando a minha mente. Isso aconteceu várias vezes. E minha mente, assim, começasse a ser sequestrada por uma linha de pensamentos que, na verdade, queria que eu fosse só um porta-voz de ideias alheias. Muitas vezes me desgastei tanto por isso. Eu lembro também de uma época que eu abraçava qualquer pensamento que fosse relacionado à vida profissional, de avançar na vida profissional, de conquistar, de ser alguém, entre aspas, do ponto de vista profissional, de carreira. Eu achava isso lindo. E, claro que, assim, a gente precisa buscar um ponto confortável, do ponto de vista profissional, econômico, financeiro, para que a mente possa desenvolver-se em outros campos. Isso se a gente tiver outros campos como possibilidade, né? Senão fica só... não tem nem o que fazer com o espaço mental que sobra. Mas, ainda que seja importante, então, essa dedicação, essa conquista, esse empenho no mundo, na parte profissional, o risco são pensamentos que, nessa índole, vão também sequestrando a vontade. E a gente passa a viver por conta disso como se isso fosse a coisa mais importante da vida. Eu vivi isso muitos anos, acreditando que o mais importante era isso até porque tinha justificativas muito boas, de que, puxa, tinha uma família, tinha três filhos para criar, para educar, para tudo, para viajar e um monte de outras coisas. E que era gostoso, era legal viver tantas coisas, experiências e ter tantas coisas materiais à disposição. Enfim, veja, estou falando o seguinte: não são pensamentos esquisitos que você fala assim, ah, um pensamento de me tornar um criminoso. Não é isso. Não estou falando de pensamentos assim que, obviamente, as nossas mentes, de gente normal, tendem a rechaçar já, por princípio moral. Mas o risco são esses pensamentos disfarçados. O cavalo de Troia, que é bonito por fora, parece um presente — daí vem a expressão "presente de grego". A expressão "presente de grego" vem exatamente da história do cavalo de Troia, que é um presente que não é um presente, é um perigo disfarçado de presente. E o texto desse tópico, do "Curso de Iniciação Logosófica", sobre os resultados no aspecto psicológico da vida, ele é muito direto e isso é uma das maiores comprovações que eu tenho e das primeiras comprovações que eu tive sempre com o conhecimento logosófico. Há uma ação, o ensinamento logosófico exerce uma ação — uma ação de saneamento, sabe? É como se viesse uma equipe de limpeza, que está lá, enviada pelo ensinamento, pelo conhecimento logosófico, e essa equipe de limpeza começa a fazer uma revisão da mente, uma faxina na mente e começa a expor, nos cantos mais escurinhos da mente, começa a expor esses pensamentos. Ou então, começa a passar uma bucha em pensamentos que estavam disfarçados de coisa boa, de coisa importante da vida e começa a aparecer, às vezes assim, os exageros, aparecer os desvios, aparecer as falhas nesses pensamentos que, na verdade, não são pensamentos que estão a serviço do que há de melhor em nós. São pensamentos que estão a serviço de fins, em geral, muito voltados ou ao instinto, ou às paixões humanas, ou à própria vaidade, à própria personalidade, que é esse conjunto de características externas, de aparência que a gente vive. E isso é algo que eu demorei tanto, tanto para conseguir perceber que esses pensamentos disfarçados eram, na verdade, devoradores do meu tempo e, consequentemente, dado que tempo é vida, eram devoradores de vida, sabe? Eu me sentia, assim, exausto sempre, passava semanas, meses, anos, me devoto, assim, né? Devoto mesmo, devotando meu tempo, minhas melhores energias para objetivos, para pensamentos que, no fim, no fim, têm uma importância muito limitada na vida e, em especial, têm uma importância muito limitada na determinação da felicidade humana. A gente não é feliz porque a gente percorre esses caminhos materiais ou porque a gente parece ser o que não é ou porque as pessoas admiram a gente. Não é isso que faz a gente feliz de verdade, né? A gente é feliz quando a gente encontra dentro de si um motivo real, verdadeiro, permanente, para ser feliz e para sentir-se bem consigo mesmo, sabe? Eu demorei também para perceber essa diferença: de que ser feliz é estar bem consigo mesmo, ser feliz é não depender de fatores externos, ser feliz é poder contar com essa força que brota dentro de mim mesmo, de cada um de nós e vai brotar cada vez em maior proporção conforme a vida estiver respondendo ao que exige de mais elevado. Então, essa busca eterna da humanidade, né? E que a gente sente em nós também — que a busca pela... já foi manifestada de tantas formas, né? Pela fonte da juventude, pela... sei lá. Qualquer coisa, a busca pela felicidade eterna, ela é, na verdade, uma busca pelo conteúdo essencial da vida. E isso, para isso, né? A gente vai ter que cuidar muito da mente como se fosse uma fortaleza mesmo que não pode ser penetrada por pensamentos que têm outros objetivos e que não respondem ao que há de mais elevado em cada um de nós. Então, nossa missão parece clara. Buscar no conhecimento transcendente, esse conhecimento que a Logosofia oferece, uma capacidade cada vez maior e um aliado para que a gente possa ir medindo, né? Conferindo, verificando, selecionando os pensamentos que vão caminhar, vão andar, vão se desenvolver nesse ambiente que cada um de nós tem dentro de si mesmo, na própria mente e que define a nossa psicologia como um todo. Então, a hora que tiver o próximo presente, o próximo pensamento, todo fantasiado na frente, na fronteira, na porta da mente, a hora de a gente se perguntar com sinceridade, assim: esse pensamento, ele vai me ajudar? Ele vai estar alinhado à construção de uma verdadeira felicidade, de uma felicidade permanente na minha vida? Ou ele vai ser mais uma das distrações em que eu corro o risco de me perder? Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.