Latest / Logosofia no Dia a Dia / Por Que se Perdem Anos em Paradas Desnecessárias na Estrada da Vida
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando numa viagem, não uma viagem para fazer, passear, não é isso não, eu estava pensando que a vida vai se assemelhando cada dia a mais a uma viagem, especialmente uma viagem de carro, para um destino que não está tão pertinho assim, mas também não está tão longe. Imagina que a gente vai pegar um carro e vamos pegar a estrada para dirigir, sei lá, 1.000 quilômetros. O destino, ou seja, o lugar que a gente quer chegar, a condição na vida que a gente quer estar, e quando eu me refiro à vida, você sabe que eu não estou me referindo às circunstâncias e fatos, né, eu estou sempre me referindo à condição de ser, de existir, de experimentar, de sentir, de viver a vida de uma forma diferente. Ou seja, não é a questão de chegar em alguma coisa que é circunstancial, alcançar uma meta que é um fato ou algo que depois passou. Eu estou me referindo sempre à conquista das condições que são condições, a gente pode chamar assim, são condições de exceção na vida de um ser humano. Infelizmente são condições de exceção ainda, ou seja, a humanidade segue vivendo uma vida focada no que é, infelizmente, no que está fora de si mesmo, no que muitas vezes é frívolo, no que muitas vezes é, assim, tem um valor ilusório, porque o valor dessas conquistas circunstanciais é um valor que realmente é transitório. Claro que por necessidade e por comodidade é possível e é desejável e tendo os recursos necessários para viver uma vida confortável, mas essa vida confortável deixou de ser em si objetivo e passou a ser como se fosse o grande prêmio da própria experiência da vida. E por conta disso surgiram esses tantos, vamos dizer assim, desvios, que são esses desvios onde se busca parecer ter chegado lá. Então as pessoas, muita gente hoje está preocupada em parecer, não em ser, ela quer parecer que chegou lá na tal daquele destino, seja qual for, e cada um valoriza mais uma coisa ou outra. E a gente vê que como um todo a gente está meio perdido, sem rumo, a humanidade não tem um rumo claro para a vida, e aí começam todos esses problemas, começam não, mas se exacerbam todos esses problemas seríssimos que a gente está vivendo como conjunto na experiência humana. Mas voltando à ideia inicial, se a gente for pegar uma estrada, e a gente tiver claro um destino, como eu falei, um destino superior, então assim, eu quero chegar em um lugar, claro que não é o fim da viagem, mas eu quero ir para um lugar, e eu quero estar em um lugar que é muito especial. E esse lugar, ou seja, viver e experimentar a vida de uma forma muito superior, muito especial, requer uma viagem. Não é uma coisa que a gente faz assim, sai hoje e chega daqui a 15 minutos, não tem resultados permanentes em 15 minutos. Nada na vida é assim, nada no universo é assim, não tem transformação imediata. Desde o maior que tem na criação física, quando uma estrela se forma, ou uma estrela deixa de existir, não é um processo de um minuto para o outro, é um processo de muitos e muitos e muitos anos. Até as coisas menores, a natureza, plantas, animais, insetos, todos os processos têm um prazo, têm um tempo, e é preciso ter paciência, não adianta querer correr. Eu gosto de lembrar daquela história que se demora até nove meses para uma mulher dar à luz, a geração de um filho, dar à luz. Não adianta juntar nove mulheres que elas não fazem em um mês um filho, não é sobre isso. Todos os processos da natureza, todos os processos mais comuns ou mais complexos na criação demandam um tempo, e o tempo é essa viagem. O tempo é esse, eu gosto de falar que é o tecido, é um tecido que vai se desenrolando embaixo da gente, a gente vai caminhando por ele, vai estar ao redor da gente. Então o tempo é essa estrada que a gente precisa de alguma maneira entender como é que a gente navega pela estrada enquanto a gente se dirige ao ponto em que a gente quer ser, quer existir, ao ponto do qual a gente quer viver a vida, que é uma outra forma de viver a vida do que o ponto que a gente está hoje. E no final o destino não é aquele, aquele é só um marco, porque não tem fim, as estradas não têm fim, você pode ir para um lugar, para o outro, você sempre tem para onde ir, não é que não tem mais para onde ir, sempre tem um novo ponto, um novo avanço, uma nova colocação superior à colocação anterior. Agora, por que eu estava pensando nessa imagem de que essa trajetória é uma estrada? Porque o que mais tem quando a gente pega uma estrada, especialmente em viagens longas, são desvios, bifurcações, escolhas, saídas, novas estradas cruzando, estradas vicinais que partem da estrada principal. E muitas vezes a gente tem que pegar várias estradas para chegar àquele destino. Não é que tem uma estrada só que liga, acho que aqui de São Paulo não tem nenhuma estrada com 1.000 quilômetros, então para andar 1.000 quilômetros você tem que mudar, no mínimo mudar de estrada uma vez, se não mais de uma vez. E como é que a gente se coloca nessa jornada? Como é que a conduta de um ser humano que está buscando uma colocação interna, está buscando uma condição de ser cada dia mais elevada, exatamente para poder experimentar as alegrias dessa condição? Esse foco que a gente vai tendo, vai percebendo, que é o foco em ir vivendo cada vez um pouco mais próximo do que é permanente, vivendo cada vez um pouco mais saboreando, a sensação de que a gente vai saboreando o que tem valor eterno e cada vez vai dando menos importância a esse sabor das coisas circunstanciais. Então, essa jornada é uma jornada que exige uma conduta que esteja, obviamente, de acordo com o destino. Ou seja, pegar a estrada, eu lembro quando eu fui daqui de São Paulo para Goiânia de carro, na verdade, perto de Goiânia, uma viagem de mais de milhares de quilômetros. Não posso pegar qualquer saída da estrada, a cada X quilômetros tem uma saída, 10 quilômetros, sei lá quantos quilômetros tem, tem uma saída. Bifurcações, então, tem várias. A conduta para chegar no destino é uma conduta que esteja totalmente, ou preferencialmente, o mais alinhada possível. Então, assim, a própria transformação é realmente um alinhamento, é uma convergência ao destino. Você percebe o detalhe? É sutil, né? Mas, assim, não é que o destino nos transforma, é que a estrada pela qual a gente chega nesses marcos que a gente quer chegar, nessa condição que a gente quer alcançar a cada trecho, a cada etapa — porque a gente não vai daqui a um lugar de 1.500 quilômetros direto, a gente vai com várias paradas, né? — e, então, cada trecho tem um marco, cada trecho tem um ponto de referência. A viagem mais eficiente, ou seja, a viagem que vai nos levar ao ponto que a gente quer chegar, é a viagem que vai se desviando menos. É a viagem que a gente vai cada vez mais alinhado e fazendo opções no dia a dia, ou quilômetro a quilômetro, fazendo as opções que estejam de acordo com aquele destino do trecho que a gente está realizando. Então, assim, a minha conduta precisa continuar se transformando ou mudando de acordo com o destino que eu quero alcançar. Ou seja, não dá para pegar a estrada da vida, como eu fazia quando era um jovem adulto, e ficar tomando decisões por impulso, por exemplo. Isso não cabe mais na minha vida. E essa transformação eu tenho exercido ela, com alguma consciência já, faz muitos anos. Não dá, porque se você for fazer opções por impulso na estrada, você vai pegar desvios e vai aceitar qualquer chamada de "olha, nos visite aqui, lugar para comer aqui, lugar turístico aqui, cidade tal, saída próxima saída, venha aqui para o outlet na saída tal", ou não sei o que, "tem um parque aqui", sei lá, tem um monte de atração no caminho. Mas se eu for pegar cada uma dessas atrações e for mudar, é como se eu mudasse o destino por um tempo. "Ah, legal, vamos ver isso daqui agora." E perde a referência de onde quer chegar por distrações. Quantas distrações a vida me oferece. E a conduta precisa, de alguma maneira, ir se alinhando para evitar essas distrações. A vida oferece muitas distrações, especialmente porque a gente vive em uma cultura que está voltada para fora de si mesmo. Então as distrações que a gente tem fora de nós mesmos, que é a nossa vida, que é a nossa atenção, que é a nossa energia, fique fora de nós mesmos, são muito grandes. Então o impulso não cabe mais na minha conduta. Então eu tenho que, eu ainda vou, ainda vou segurando meus impulsos. Muitas vezes eu ainda quero. Ainda quero. Eu ainda percebo que tem essa tendência de agir por impulso. Eu tenho sido mais consciente nesse sentido. Eu tenho evitado esses desvios, sabe? Essas paradas desnecessárias, porque muitas vezes a gente vai parar e perde um tempão naquela parada. Tudo bem, na estrada o tempo pode ser medido em minutos, que a gente perde numa parada desnecessária. Mas na vida podem ser anos. Coisa simples até, essa parte da saúde, você sabe. Eu retornei faz três anos e oito meses. Que vai fazer que eu retomei, que eu retomei? Que eu comecei uma vida ajustada a uma saúde melhor. Mas eu perdi décadas distraído com os prazeres que estavam desalinhados com a saúde. Olha só, décadas, não perdi anos. Coisa simples, né? Estou falando de saúde física aqui. Mas muito mais séria e importante é a saúde metafísica, a saúde mental, a saúde moral, sensível, espiritual. E são muitos os desvios, os chamarizes, são muitas as bifurcações que o dia a dia acabam oferecendo e que a gente vai se perdendo aqui e ali, saindo da estrada, saindo do rumo. Não da estrada eventualmente, mas pegando outra estrada e vai saindo do rumo, sabe? O rumo, o destino. A gente precisa decidir com cada dia mais firmeza aonde a gente quer chegar. Eu tenho vivido essa luta, sabe? Nesses anos últimos todos, nos últimos cinco, 10 anos da minha vida, eu tenho vivido lutas intensas por conta de me confrontar, me deparar com tudo isso e não é fácil manter uma conduta alinhada a isso. Por outro lado, a cada metro que eu me aproximo um pouco mais daquele destino que eu quero, da vida interna que eu quero sentir, viver, de como eu quero ser, experimentar a vida, cada metro a mais que eu me aproximo disso — ou seja, não é que eu me aproxime e nunca estou, é que quanto mais eu estou nessa realidade, quanto mais eu adentro, eu me aproximo realmente de ser isso — eu vou me sentindo cada vez mais forte para ir evitando todas essas distrações, todas essas bifurcações, todas não, né? Pelo menos cada vez um pouco mais. Às vezes eu me perco, às vezes uma placa daquelas consegue, na estrada consegue minha atenção e eu faço uma parada desnecessária e perco um tempo, pode ser um dia, semanas, meses, né? Meio assim desatento a algum aspecto dessa realidade que eu quero viver, desse ser que eu quero ir integrando em mim mesmo. Logosofia é sobre isso, né? O Conhecimento Transcendente que a Logosofia oferece, eu entendo que é sobre isso, é exatamente… o Conhecimento Logosófico é o GPS, é o conhecimento, o método talvez seja o GPS, o conhecimento são as indicações, é a rota clara, sabe? O Conhecimento Transcendente que a Logosofia oferece é o mapa completo, mas o mapa ou o GPS não leva a gente sozinho. A gente tem que dirigir, a gente tem que pilotar o veículo durante a jornada toda. O mapa e o GPS, ou seja, o conhecimento, o método, tudo é necessário, mas se eu não conduzir o veículo, se eu não capacitar o veículo, não abastecer o veículo de tanto em tanto, não cuidar do veículo, não garantir que ele está em boas condições, não adianta ter GPS, ter mapa, nem método, nem conhecimento, que não vai mudar a vida. O tópico seguinte do livro Exegese Logosófica fala exatamente sobre isso, sobre a conduta, é interessante porque se refere à conduta daquele que aplica o Conhecimento Logosófico, e como que essa conduta vai realmente forjando essa transformação nessa jornada, que é a jornada que eu penso que no fundo, no fundo, todo ser humano busca. Ninguém quer ser pior, todo mundo quer ser melhor. E o tópico se chama "Elementos que configuram a conduta do logósofo", ou seja, o logósofo é aquele que aplica os conhecimentos logosóficos. Então eu espero que ao fazer a leitura e ou ouvir esse podcast, essa imagem da estrada possa ser útil para você como uma referência de como é que a gente precisa ir se esforçando para não perder, não sair do rumo da jornada da vida consciente que a gente busca. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.