Latest / Logosofia no Dia a Dia / As Correntes Ascendentes do Conhecimento Transcendente
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui pensando numa fábula que é muito interessante. Não sei, acho que a gente tem tanta coisa já dita ao longo de tantos milênios em histórias, fábulas, lendas, porque o ser humano foi compreendendo frações da realidade do mundo mental, do mundo transcendente, e foi colocando isso de diversas formas, foi registrando isso de diversas formas. E a gente, acho que a gente, assim, passou a não perceber mais o significado por trás de tudo isso, né? Ou seja, por isso que tem filmes, músicas, obras de arte, enfim, histórias e relatos que sempre remetem a algo acima do que é o comum. E a gente precisa buscar essa identificação com o que é transcendente, com o que realmente está, que nos leve, que nos eleve acima de tudo. Tem uma fábula de uma águia que foi criada junto às galinhas, desde que saiu do ovo. Bom, o que a águia que foi criada junto com as galinhas, desde que saiu do ovo, vocês acham que estava fazendo? Durante os dias dela, todo dia, um dia depois do outro. Óbvio, a águia estava ciscando. Então, a águia passava o dia ciscando no solo, no chão, pegando, sei lá o que a galinha pega exatamente, mas qualquer coisa que possa ser, qualquer coisa que possa ser comido, que possa ser digerida. Achando que era galinha, óbvio. Mas você imagina que desconforto, porque a águia é bem maior que uma galinha, razoavelmente maior, especialmente em termos de asas. Então, quando ela esticava as asas para dar aqueles voos de galinha, o incômodo era muito grande, porque galinha era um lugar apertado, né? Além do que, fica lá disputando milho, grão de milho, quando o criador joga, é um negócio meio desconfortável, né? Certamente. Mas interessante porque a gente acaba, talvez como a águia, a gente acaba vivendo a vida de acordo com o meio, né? Assim, o meio que nos... o que a gente está inserido? Esse meio que nos influencia mesmo. E eu penso que o ser humano é assim. A gente vai vivendo, independente de quem a gente seja no DNA, a gente vai vivendo a vida de acordo com o meio ambiente que a gente foi introduzido. No caso, nessa cultura que a gente absorve tão intensamente desde criança. E é difícil entender que a gente deve viver uma vida diferente quando a gente está num meio ambiente, numa cultura que prega, né? Que mostra uma vida comum. Mas, obviamente, a águia estava ali achando que era galinha, e durante o tempo que ela estava no galinheiro, desde o nascimento, ela não deixou de ser uma águia. Ainda que ela não soubesse disso. Mas, certamente, era uma águia no meio das galinhas. Aquelas asas grandes, embora atrapalhassem no galinheiro, não era um incômodo de verdade. Não era um... não era algo errado. Olha que interessante. A águia não tinha nada de errado. A águia só estava vivendo uma vida de engano. O desconforto, o ruim de ficar apertado ali com asas grandes quando abria. Não é um negócio que é errado. Mas a sensação que a águia devia ter é uma sensação ruim. De que, assim, "nossa, tem alguma coisa errada comigo, né?" Se a águia tivesse mente, a águia ia pensar isso. Na fábula, pelo menos, ela pensava. Agora, o que aconteceu? Que o dono do galinheiro, depois de um tempo, começou a levar a águia para a beira de um penhasco. Todo dia. E, na beira do penhasco, geralmente, tem correntes de vento ascendentes. Geralmente, as térmicas, as colunas de vento, estão subindo. As de ar mais quente. E começou todo final de tarde, meio da tarde para o final, levar a águia para expor ela a esse ambiente. E o homem fez isso durante dias, semanas, meses. A águia, de vez em quando, quando a térmica subia, de vez em quando batia a corrente de vento, a águia abria as asas e sentia aquela força do vento, do ar subindo nas asas. E assim foi por um bom tempo. Até que, um dia, aconteceu o que parecia impossível. A águia abriu as asas. A corrente ascendente a sentiu. Ela firmou as asas numa posição adequada para o voo. E ela simplesmente soltou as garras dos braços do dono e começou a subir na térmica. E o dono nunca mais viu a águia de volta no chão. Somente voando, nos finais de tarde, quando o tempo estava bom para ver. E eu fiquei pensando sobre essa fábula. E pensando assim, "puxa vida". A minha vida meio que resume essa fábula de alguma forma. E a vida de qualquer ser humano que busca o conhecimento deve ter muitas semelhanças, deve não, tem muitas semelhanças com essa fábula. Porque você fala assim, "ué, nós somos então águia?" Sim, nós somos águia. E a gente vive num galinheiro. É quase como se a gente tivesse nascido no lugar errado. Ou, talvez, todos os outros galinhas também sejam águias. Nesse galinheiro que a gente vive. Mas está todo mundo convencido que é galinha. E a gente passa uma boa parte da vida ciscando. "Ah, como é que é isso? Eu nunca cisquei." Pois é, eu também não, literalmente não. Mas a gente passa a vida o dia todo detido à atenção. A mente, uma mente como a nossa, capaz. Mente, imagina, a gente tem mente, inteligência, sensibilidade. A gente tem os instrumentos perfeitos para o voo metafísico. Para criar pensamentos, para viver internamente uma vida. Que vai mudando completamente a forma de experimentar e de se colocar na vida terrena, claro. Mas, a gente passa os dias, na maior parte da vida, pagando boleto, checando notícia ou no jornal, depois quando o tempo chegou, tecnologia na internet. Muitas vezes conversando com as outras pessoas sobre coisas que não têm importância. Ou perdendo tempo, cuidando tanto das coisas materiais, das coisas físicas. Como se aquilo tivesse algum valor, que não o circunstancial da necessidade. É como se a gente passasse os dias da vida, boa parte deles, ciscando. Igual a galinha, que passa o dia sem nada diferente do que pegar o circunstancial. Voar exige duas coisas, no caso da águia. Exige uma estrutura, a conformação para isso, do corpo. Quando a gente olha para a configuração do corpo metafísico do ser humano, hoje eu tenho essa sensação clara de que é feito para voar. Nós, eu e você, nós somos feitos, nós fomos criados para voar altíssimo. Como as águias. E precisa, além da conformação, ou seja, de asas grandes, ossos leves, uma visão telescópica, como a águia tem. Diferente da galinha, que tem uma visão bem limitada. Mas há a necessidade de uma corrente, das correntes de vento. As correntes de ar, na verdade. Ascendentes. Quais seriam as correntes de ar ascendentes para a gente? Eu entendo que o Conhecimento Transcendente é exatamente o elemento que um ser humano precisa para que a estrutura metafísica interna, esse mundo interno, essa máquina maravilhosa que cada um de nós tem e é, sentindo o estímulo do Conhecimento Transcendente, a gente vai se estimulando, a gente vai tomando coragem, a gente vai se sentindo cada vez mais no meio, mais à vontade, para voos que começam curtos e mais baixos, mas para voos cada vez mais elevados. Aí a pergunta seria assim, "mas por que nem todo mundo voa então, Ronny?" Bom, porque o chão é seguro. Do nosso ponto de vista, de galinha, você não está se ofendendo de eu falar que a gente é galinha, né? Porque não é para se ofender, claro. Mas do nosso ponto de vista, nós, seres humanos, quando a gente vai vivendo a vida como galinha, ciscando o dia inteiro como se fosse algo importante e tivesse algum significado maior, o chão é muito seguro. A comida vem fácil. Sempre tem alguém jogando milho, e mais do que isso, o grupo todo está ali no chão. A força que se exerce contra a nossa natureza de voar é muito forte. "Pô, mas está todo mundo aqui ciscando, né?" É, pois é. É só olhar a vida que a gente vê ao nosso redor. A maior parte das pessoas passa os dias, os anos, décadas, ciscando. Aí você fala assim, "pô, mas eu vou voar? Pô, mas não faz sentido, está todo mundo aqui no chão." Voar exige coragem, né? Voar exige entender e se colocar nas correntes ascendentes de ar. Olha que interessante ainda, pensando na águia, voar, muitas vezes, significa estar sozinho em relação aos demais. Não eternamente, mas naquele momento é a águia com as correntes de ar ascendentes. Ela não precisa que os outros estejam juntos, mas ela vê outras águias voando. Não necessariamente precisa voar junto, mas ela vê que ela não é a única. Muitas pessoas preferem limitar a inteligência a resolver os problemas de pequeno valor do dia a dia do que expandir a inteligência para entender os mistérios da vida. Assim, é quase como se a gente preferisse viver com a limitação do chão por conta de um medo que a gente mesmo se coloca, talvez, do voo alto. Mas é claro que não se voa no dia zero, né? A águia voa depois de um processo de adaptação. E eu entendo que o Conhecimento Transcendente faz exatamente esse papel. Exatamente esse papel. O papel de nutrir a nossa capacidade, a nossa estrutura metafísica com o que é necessário para que a gente se sinta cada dia mais seguro para voos mais longos, mais elevados e cada vez mais próximos da águia. Pensa só a diferença de visão do mundo da galinha e de uma águia. Pensa nisso. Eu estava literalmente me colocando no lugar da galinha e da águia. A visão do mundo da galinha é a cerca do galinheiro ou a cerca da propriedade se ela vive solta e o chão. O chão bem próximo, né? Agora, a águia vê o mundo de alturas e ela tem uma visão telescópica, ela vê até o movimento no chão. Imagina a diferença de visão do mundo que tem a águia e a galinha. Eu falei, "poxa, eu não quero ser galinha". Nenhum de nós quer ser galinha. Claro que não. Eu tenho certeza que nenhum ser humano quer ser galinha. Mas tem que estar claro que há um processo. A águia tem que se iniciar no processo do voo. A águia precisa dos elementos necessários como o corpo que tem, descobrir o corpo, entender a capacidade do corpo e precisa das correntes de ar ascendentes para se elevar. Muito bem, nem a águia, nem a galinha tem o Conhecimento Transcendente que a Logosofia oferece. Mas elas estão obedecendo ao mandato do Pensamento Criador que está 100% nos seus instintos. Então está tudo bem. A gente não precisa se preocupar com a águia e com a galinha. A gente precisa se preocupar com a gente. Como é que a gente vai se iniciando no Conhecimento Transcendente cada vez com um pouco mais de capacidade para que a gente possa ir sempre se aclimatando a essa capacidade de pensar, de criar, de viver no mundo mental, de despertar a consciência para essa realidade, para que a nossa vida vá deixando de ser uma vida limitada no chão e possa ser uma vida que nos permita estar no chão mas também ter a visão de quem pode se elevar cada vez mais alto? A gente começa com esse podcast o estudo do próximo livro na nossa sequência que chama Curso de Iniciação Logosófica. E talvez seja muito apropriado esse título porque a iniciação no Conhecimento Transcendente parte do início. E esse livro vai nos dar parágrafo a parágrafo uma visão que eu penso que vai nos fazer sentir cada vez mais capazes de fazer o voo que a gente tem toda a condição de fazer. E esse livro, o González Pecotche abriu esse livro com algumas palavras, um parágrafozinho, e ele afirma o seguinte: "O homem jamais se arrependerá de haver proporcionado a seu espírito todo elemento de juízo requerido pelo desenvolvimento pleno de suas aptidões e pelo exercício sem limitações de sua inteligência". É linda essa afirmação. É um poema de um parágrafo só para mim. Então que a gente possa encontrar nessa trajetória, nesse trecho da nossa jornada que cada um possa proporcionar a si mesmo todos os elementos de juízo que são de fato requeridos para que a gente possa desenvolver de forma plena essa aptidão que jaz em cada um de nós, que a gente possa exercer cada vez essa condição de humano que a nossa inteligência nos permite exercer sem limitações. A gente vai fazer esse trecho buscando isso. O livro, lembrar de baixar o PDF lá no site logosofia.org.br com todos os demais livros que estão à disposição. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.