Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Substância Base da Sua Vida — Por Que Sua Mente É Como Uma Cultura Hidropônica
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Você não vai acreditar, mas ontem, final de tarde, eu dei uma escapada no estado de atenção e de cuidado mesmo com o ambiente da minha mente. E aí acabei fazendo um pequeno estrago numa conversa. É daquelas escapadas que você fala assim, depois você fala assim, cara, que diabos que eu fui falar isso, que eu deixei essa, deixei ocorrer essa reação dentro de mim, sabe? Foi isso, foi coisa simples, um assunto bobo. Bom, como é a maior parte desses casos na vida, né? Um assunto, porque não importa qual assunto, né? O problema é que alguma deficiência psicológica se manifesta num momento de inconsciência e reage frente a alguma coisa que a outra pessoa falou. E aí, nessa reação, vai todo um rolo com a pessoa, sai um caminhão atropelando a outra pessoa, às vezes. Isso no meu caso, nas minhas dificuldades, nas minhas fragilidades. A minha psicologia tem a dificuldade dessa linha do mais irritado, assim, sem paciência, sem tolerância. E também com uma pitada de amor próprio, que não é uma característica boa, porque é o amor à personalidade. Então, se alguém apontar um defeito, uma conduta minha que não foi ideal, aí esse amor próprio se arvora todo, sabe? Imagina, como é que você está falando isso de mim? E veja, esse não sou eu, mas essa deficiência, ela sempre tenta se manifestar. Ela sempre tenta me influenciar. Hoje em dia, atualmente, ela me influencia muito pouco, mas ela já me influenciou num nível, numa intensidade que era praticamente permanente. Na minha juventude, era uma presença constante na mente. Hoje é raro, mas ontem aconteceu. E aí, por conta disso, de uma permissão dessa que eu não dei, eu causei um estrago assim, que não era pra ter causado, numa relação que, pra mim, é muito, muito importante na minha vida. Aí você olha e fala assim, pô, Ronny, lamentável, né? Pois é, é lamentável, até porque eu lamento, né? Desde ontem eu estou lamentando bastante. Por outro lado, é sobre isso que a gente tem tratado aqui. Porque esse é o ponto. A gente não pode tratar as manifestações externas, quando as coisas acontecem assim, né? Fora de nós, quando já saiu a palavra, a voz já pronunciou aquele pensamento, aí tudo bem, o estrago tá feito, e aí tem que lidar com as consequências. E a gente geralmente tenta mexer ou tenta atuar nesse mundo fora de nós, onde são só as consequências daquilo que ocorreu dentro de cada um. E você pode até falar assim, mas e na outra pessoa? A pessoa também não teve alguma dificuldade, não foi uma dificuldade da outra pessoa? Sim, mas aí esse é o problema do processo dela. Esse não é o problema meu. E não adianta eu querer consertar o processo da outra pessoa, porque pra que a outra pessoa não tivesse ocasionado, ou na hora que eu tive a minha reação, ela não tivesse depois feito o que fez, sabe assim? Aí vira um embrólio que não faz sentido mais a gente olhar pra isso, porque é como se você estivesse olhando, no caso, do que eu tava contando no último podcast, a planta morreu já. Tô rindo de nervoso. Então assim, não adianta falar assim, agora peraí, vamos ver, veja bem, mas por quê? Agora já foi. E não é nessa consequência que a gente vai mexer. Eu preciso não falhar dentro da minha mente antes dos movimentos que depois se externam na minha conduta, na minha fala, no meu olhar, pode ser no... No caso eu tava no telefone com essa pessoa, mas podia ser pessoalmente, né? E às vezes se manifesta no olhar, na afeição, se manifesta no movimento. Quando se manifesta externamente, já foi. Então isso mostra pra gente que assim, a gente precisa reverter a atenção e o trabalho, o verdadeiro trabalho de reconstrução da vida não se dá fora. Se dá exatamente nesse momento anterior e nesse espaço interior que é a mente, onde esses movimentos todos ocorrem antes de manifestar-se para os demais. Falando da planta, e eu fiquei pensando na planta, né? E eu falei, eu vou comprar uma planta e vou aprender, vou utilizar as ferramentas tecnológicas de hoje de aprendizado e vou aprender a fazer um vaso e vou cuidar de uma nova planta com o propósito de não mais descuidar nenhum dia dela. E aí eu tava olhando, aprendendo e vendo um pouquinho se valia a pena fazer um negócio hidropônico, uma cultura hidropônica, que é aquela cultura que se faz na água, não se planta. Então existem hoje em dia fazendas hidropônicas, que não são na terra, são instalações fechadas em que as plantas, as raízes todas estão não na terra, mas em canos que tem um fluxo constante de uma água, que é uma água obviamente especial, é uma substância especial, é a substância base, não é água corrente. E as raízes, em vez de retirar os nutrientes da terra, retiram da água que fica passando por todas. Imagina um sistema gigantesco de canos, né? E nesses canos todos tem um orifício em cima por onde passam os caules, os caules da planta ou o caule da planta e a raiz está toda se desenvolvendo nessa substância base. Agora veja só, a substância base é exatamente o que determina se aquela planta vai crescer, vai viver, vai dar frutos, vai desenvolver até o ponto da colheita, se for o caso, quando é verdura. Por quê? Porque a substância base é esse momento anterior à manifestação do que vai acontecer na planta. E a substância base, que é essa água cuidada, totalmente monitorada e trabalhada, é a base do sistema de cultivo hidropônico. Então o pessoal que é responsável pela cultura hidropônica tem que medir a acidez da água pelo menos duas vezes por dia. Porque se a acidez oscilar um pouquinho pra lá, um pouquinho pra cá, as raízes fecham os receptores de nutrientes e a planta para de absorver nutriente. E começa a enfraquecer. Então a acidez, o pH da água tem que ser controlado muito, muito detalhadamente. Eles controlam a temperatura da água. Por quê? Porque a partir de uma temperatura X, acho que é uns 24 graus, pelo que eu lembro, a planta também começa a não absorver nutrientes e começa um processo péssimo de enfraquecimento da planta. A acidez também determina a presença de alguns outros microorganismos nessa substância base que podem impactar a planta. A cada, sei lá quantos dias, eles têm que limpar todo o reservatório, trocar essa substância base, limpar, fazer uma higiene mesmo pra evitar que microfungos, microbactérias se formem nos dutos todos. Imagina, é um trabalho enorme de proteção. Veja, é um trabalho de proteção e de cultivo. Antes de cultivarem as plantas, eles têm que fazer um cultivo constante da substância base. Porque é dessa substância base que as plantas vão retirar, ou não, os nutrientes que vão desenvolver as plantas. Então, o cuidado é com a substância base. Inclusive, porque se a substância base for, a gente pode falar, contaminada com fungos, com bactérias, pode desenvolver-se fungos nesse sistema inteiro que matam as plantas e apodrecem as raízes em dois dias. Que é o que aconteceu com a minha planta. A água a mais, demais, acabou gerando propício pra fungos no ambiente, mas sem ficar vários dias mais úmidos, sem temperatura baixa, enfim. E aí, com fungo, mata a raiz. É muito rápido. Aí você fala, legal, Ronny, e o que isso tem a ver com a sua mente ou a minha? A substância base da nossa vida é exatamente o ambiente interno da nossa mente. Faz sentido isso? Vamos lá. Aquilo que se manifesta fora de mim, através da minha conduta, da minha fala, das minhas opções, das minhas ações, são consequência desse extrato, desse substrato, dessa substância mental. A gente tem que imaginar que a mente é como se fosse essa substância base, da qual depois derivam todos os pensamentos que a gente venha a organizar pra manifestar, ou nessas substâncias estão misturados todos os pensamentos que estão habitando a mente. E o problema é esse, quer dizer, se eu permito, se não há uma atenção constante. Quando eu falo atenção constante, não é que a gente para de fazer o que faz o dia inteiro e fica olhando pra parede, falando assim, ah, preciso... Nossa, o que está acontecendo na minha mente? Não é isso. A logosofia ensina exatamente como realizar isso, de uma forma que a gente possa viver a existência terrena diária e fazer tudo o que a gente faz, e eu faço tudo o que todo mundo faz, mas que, enquanto isso, a gente comece um trabalho de atenção ao que ocorre dentro da própria mente. E isso tudo é enquanto a gente faz as coisas todas. A gente não para pra então, agora eu paro de fazer tudo e vou olhar minha mente. Não, não é isso. Ah, mas Ronny, como é que faz isso? Bom, é pra isso que a gente estuda o método logosófico, pra entender e pra praticar como é que é essa atenção, esse estado de consciência que começa com a atenção, com o foco primeiro, e a atenção, a mente, e depois se desenvolve, chega a se desenvolver esse estado de consciência que começa a comandar já esse ambiente interno, a própria consciência. Bom, mas voltando ao ponto específico. A gente precisa estar atento pra que esse material, essa matéria-prima, vamos chamar de matéria-prima da vida, que é o extrato mental, contenha os melhores pensamentos todo dia, durante a vida toda, e cada vez numa ascensão, num contínuo de superação. Por quê? Porque quando vem, quando permita que um elemento estranho se espalhe pela mente, se sinta a vontade, é como se uma gota de um metal pesado caísse no reservatório lá da cultura hidropônica. Ah, mas uma gota dilui lá nos mil litros. É, mas as raízes de todas as plantas do sistema lá vão de alguma maneira absorver um pouco daquele metal pesado, que é um veneno pra elas. E vai afetar, claro que vai afetar o desenvolvimento da planta, dos frutos ou do que seja. É a mesma coisa na vida. A minha vida já sofreu o suficiente as muitas contaminações que eu permiti que ocorressem nessa minha substância base, no meu substrato mental, nessa matéria-prima, que é o conjunto de pensamentos que habitam a minha mente, naquele instante, no dia, na época, na vida. E tem gente que passa a vida com o mesmo conjunto de pensamentos habitando a mente, contaminando, envenenando a própria vida, a vida toda. Essa existência terrena inteirinha. Quantas pessoas você já não viu assim? Vou dizer mais. Quanto do que a gente já sofreu, cada um de nós, na vida? Quanto a gente já foi envenenado em nossas ações, condutas, e a gente disse, e o que a gente falou, e aí as reações que a gente causou, as discussões que a gente teve, as separações que a gente viveu, sejam por momentos, fica separado naquele momento, afasta duas pessoas, porque as coisas saíram do eixo, a discussão, a conversa, depois a gente reaproxima, legal e tal, às vezes é logo depois, às vezes no mesmo dia, e às vezes eu cheguei a perder amizades, algumas da vida, por falta de consciência desse ambiente mental meu, e porque não controlava como é que eu me colocava frente aos demais. Eu achava que eu era aquilo. Eu acreditava, quando era jovem, que eu era o que meus pensamentos, que estavam na minha mente, mandavam eu fazer. Eu não sabia, não conseguia distinguir uma coisa que sou eu, ser biológico, psicológico, espiritual, e essas entidades que são os pensamentos que habitam o mundo mental, e que são exatamente nesse ponto, é o ponto que eu preciso reinar como soberano da minha vida. Exatamente porque nós não somos esses pensamentos que ainda encontram espaço na nossa mente e ainda envenenam a nossa vida. Nós não somos eles, eu te garanto isso. Por mais amargo e azedo que às vezes a gente esteja ou pareça estar, ou se manifesta até às vezes perante os demais, nada disso nos define, porque nada disso é parte integral de nossa vida. Por outro lado, enquanto esses elementos estranhos seguem envenenando a mente, a gente é como se fosse assim, e a vida vai nos dar as consequências, e a gente vai viver as consequências como se isso fosse a gente. Então, por um lado, a gente fica tranquilo de que nós não somos assim, estamos assim, ou seja, é uma condição a ser superada, esse conjunto, essa matéria-prima da mente que gera todos os atos da vida, e da qual a nossa vida vai espelhando esse extrato mental. Por um lado, é bom saber que não é eterno, não é permanente isso, a gente pode superar e mudar, melhorar, limpar, cuidar e limpar desse extrato mental. Por outro lado, enquanto a gente não faz esse trabalho, a vida nos entrega os resultados, as características, as consequências, como se nós fôssemos esse extrato mental. Inclusive, porque se não fosse assim, a gente não ia nem sentir necessidade de mudar nada, de superar nada. Então, vai seguir vivendo, a vida vai seguir sendo, de alguma forma, uma vida que carrega uma angústia, uma ansiedade indefinida, uma tristeza, ou alguns momentos de tristeza, muitos momentos de tristeza, a vida vai seguir sendo uma vida que se vive, se busca fora de si, a felicidade que não encontra dentro de si, enquanto cada um de nós não se torna esse cientista que vai cultivar a mente e vai começar a ter consciência do que habita a mente, como esses cientistas que cuidam das culturas hidropônicas. Quando entende, finalmente, que essa substância mental, esse extrato, essa matéria-prima mental é o determinante da felicidade da vida. Não é fora. E não depende dos acontecimentos que a vida apresenta para a gente dia a dia. A felicidade da vida depende desse substrato, dessa matéria-prima, desse insumo mental que determina, todo dia, a cada momento, o que somos e como é que a gente vive nesse mundo. Bora! É para isso que a gente está aqui, para se tornar um cientista cada vez mais capacitado. O que a gente não conseguiu ainda, a gente vai superar e vai conseguir, porque a gente não está lutando mais sozinhos. A gente tem o conhecimento como ferramenta e a gente tem essa certeza de que a gente não está sozinho nesse esforço. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.