Latest / Logosofia no Dia a Dia / Terraplanismo Psicológico — Você Pode Estar Vivendo Limitado ao Mundo Externo
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando aqui, falei: nossa, tem que fazer uma confissão aqui, para você, né, nessa intimidade que me sinto com você e que, então, fico tranquilo de fazer minhas confissões ou falar das minhas fragilidades, né. Eu acabei sendo, em relação à vida, um terraplanista durante muito tempo. Lembra o que é um terraplanista ou não? No sentido real, né — estou usando o sentido figurado. No sentido real, um terraplanista é aquele que tem uma crença muito forte de que a terra é um disco plano. Eu sei, é muito difícil sustentar essa tese, é praticamente impossível sustentar essa tese. Só tem uma possibilidade de sustentar essa tese. Por quê? Porque a tese se baseia em que ele olha para o horizonte e vê uma linha, ele não vê uma curva. Obviamente que, quando a gente está no nível do mar, ou no mesmo nível do plano, a gente olha para o horizonte e é uma linha. Mas aí você fala assim: poxa, mas como é que ele entende o resto da terra, o sol e tudo, né? Tem as explicações dessa crença. Chega a ser muito difícil de sustentar, chega a ser absurdo, obviamente absurda, mas há pessoas que acreditam piamente nisso. Agora, o que bastaria como primeiro — não precisava nem falar assim: poxa Rony, mas tem foto de satélite, de astronautas, tem um milhão de satélites, sei lá quantos, ao redor da terra rodando, girando, os foguetes giram, sei lá, um monte de coisa, né? Sim, mas a crença é muito forte. E, então, todas as provas que você oferecer, elas encontram uma barreira, que é a barreira de uma crença muito forte. Então, não adianta você falar assim: poxa, mas vamos fazer o seguinte, então vamos nos elevar, porque bastaria a gente subir, né? Ou pegar um balão e subir simplesmente reto, ou subir num prédio alto, ou subir numa montanha, enfim, qualquer elevação. Se a gente se elevar em altitude, a gente vai perceber que em todas as direções — em todas as direções — o horizonte cresceu muito. E tudo aquilo que a gente via como limite, como borda, na nossa visão inicial no chão, tudo virou meio do caminho para um horizonte muito maior, em todas as direções. Ou seja, se é em todas as direções, significa que em todas as direções a terra está curva para baixo. Em último caso, precisaria — não precisaria nem, né, fazer um teste maior, né? Vamos subir num avião, vamos pegar um avião, e do avião, que é bem mais alto, a gente vai ver a curvatura, e a gente vai ver um horizonte ainda muito mais longe em todas as direções. Enfim, é óbvio que teria mil formas de explicar ou de provar que, na verdade, a terra não é um disco plano, né? Que de um lado tem a gente e do outro lado tem nada. Eu sei, a história é tão absurda, mas falei que eu era um terraplanista, né? Eu não me referia, de fato, à teoria da terra ser plana. Mas olha só, vou te falar e você veja se eu não era um terraplanista. A vida, a concepção que nós temos sobre a vida, quando a gente cresce submerso nesses conceitos que estão — são conceitos basicamente que dominam a cultura que a gente vive. Quando a gente cresce nesses conceitos dessa cultura nossa atual, tudo, tudo leva a crer que a vida é o que se vive fora de si mesmo. Você pode até pensar: ah, Rony, mas tem algum outro sinal de que não é? Tá bom, eu concordo com você. Para o excelente observador, tem vários sinais, mas eu não fui um desses excelentes observadores, eu não era. Eu não tinha essa capacidade. Então, passei essa parte da vida de formação, chegando na vida adulta, praticamente convencido de que a vida era o que acontecia fora de mim e que a minha vida seria decidida e eu seria definido pelos acontecimentos fora de mim. Ou seja, o que acontecesse com a minha vida no sentido externo — trabalho, profissão, carreira, com quem eu estaria, aonde eu estaria — me definiria como ser humano. Então, olha só, para mim não existiam três existências, existia só uma existência basicamente e um pouquinho da existência no círculo mais próximo. A primeira existência, como mencionei no último episódio — porque se refere à conferência que a gente está focado nesses dois episódios — esse mundo interno, esse existir dentro de si mesmo, essa possibilidade de viver uma vida dentro de mim mesmo como base e sustentação do que eu sou, de quem eu sou, não estava na minha base de conhecimentos. Eu não tinha nenhuma prova palpável de que era possível ou de que deveria viver, poderia viver nessa existência primeiro. Então, fui me convencendo de que a vida era tudo o que estava fora de mim e todas as coisas que aconteciam comigo fora de mim, ou seja, na vida diária. Razão óbvia pela qual, quando as coisas estavam bem, eu me sentia muito bem. Quando tinha algum problema, eu me sentia mais ou menos. Quando tinha um problema muito grande — pelo menos assim era a percepção de muito grande — ou tinha vários problemas concomitantes, a vida se tornava muito difícil. E aí é possível olhar para isso e falar assim: poxa, essa é uma situação que uma boa parte da humanidade, se não a grande maioria, vive. E talvez você tenha vivido assim e você saiba exatamente essa sensação que estou descrevendo. Porque em algum momento, imagino, cada um de nós acreditou muito piamente — quer dizer, tinha uma crença muito forte de que a vida era isso. E que mais do que a vida era isso, né? De que nós éramos aquilo que ocorria fora de nós ou com nós mesmos. E aí por que falei que eu era um terraplanista? Porque acho que é uma imagem, é uma analogia muito óbvia, muito clara do chão. Só é possível olhar um horizonte extremamente limitado. E o pior, que esse alcance da nossa visão, da visão humana, é um alcance que, de fato, cria uma fronteira, cria uma borda. É como se criasse uma limitação. Quem vive só no chão é como se vivesse dentro de um cercadinho. E a gente, obviamente, dá pra entender essa visão, né? Essa crença do terraplanismo como sendo essa visão dentro de um cercadinho. Até porque essas pessoas se recusam, obviamente, a pegar um avião ou a se elevar. Por quê? Porque o medo de que essa crença vai ser desfeita, e de que então a pessoa estava errada, também é muito grande. Eu tive medo, várias vezes senti um medo, de que se não fosse isso, o que era então a vida? Seria uma coisa completamente desconhecida pra mim. Então, preferia acreditar e seguir acreditando durante um bom tempo que o que importava na vida, o que me definiria como ser humano, era o que acontecia fora de mim. Estou mais parecido com o terraplanista pra você agora ou não? E, obviamente, a grande evolução que posso atribuir ao conhecimento logosófico aplicado à minha realidade, à minha psicologia, foi me fazer sair, tirar os pés do chão, e começar a me elevar, subir em altitude, com a certeza, com quase uma obviedade, que ao subir de altitude, o horizonte vai se expandindo em todas as direções. E, realmente, aquilo que era a fronteira ou a borda da vida, deixa de ser uma borda. Aquele cercadinho que vive, aquele que só olha pro mundo e pra terra, do chão, e esse cercado é a própria limitação da visão, vai deixando de ser do tamanho que era. E quanto mais se eleva, mais distante é. E se se elevar muito, e se der uma volta completa, aí não existe mais cercado, se entendeu que a terra é redonda, obviamente. Como é que isso se traduz nessa questão quando a gente fala da própria vida? O que é que está faltando pra cada um de nós sair dessa posição limitada que a visão do chão acaba nos dando? E como é que a gente, de fato, se eleva? Como é que a gente conquista uma altura ou uma altitude maior que possa ir expandindo os horizontes da própria vida e da existência? Bom, esse é exatamente o objetivo do conhecimento transcendente que a logosofia oferece. É exatamente pra isso. Você está percebendo que, assim, quando ficam, às vezes fica aquele buraco: poxa, mas pra que que é? O que o conhecimento logosófico faz mesmo? Essa resposta. A gente poderia usar essa resposta, claro. Tem outras respostas que também funcionariam, obviamente, muito bem, porque é muito amplo. Mas, basicamente, quando o conhecimento logosófico começa a explicar como é que é esse mundo interno e começa a iluminar esse ponto, realmente é uma das nossas existências que antes pra gente não existia, curiosamente. Pra mim, pelo menos, não existia. Então, o conhecimento começa a iluminar essa dimensão, começa a jogar uma luz, porque começa a explicar como funciona essa dimensão do mundo interno. E na medida que isso começa a se iluminar, e lembro a sensação de começar, então, a perceber que existia essa dimensão dentro de mim mesmo, que antes não entendia, não sabia, não conseguia observar. Era exatamente, acho que a sensação era de estar exatamente subindo de altitude enquanto o horizonte, em todas as direções, começava a se ampliar de uma forma que vai mudando completamente a forma de entender o mundo, no caso, a vida. E com essa iluminação, é possível começar a tomar posse. Ou seja, a gente fala que a primeira existência é essa existência, esse mundo interno que é próprio. E nesse mundo interno, sim, tem a parte que é íntima. O problema é que se a gente não tem consciência e não conhece essa dimensão de si mesmos, nós estamos sendo movidos e a vida está seguindo um curso, que quem está promovendo esse curso, essa direção, em geral, são muitos pensamentos. Porque, embora a gente não conheça, essa dimensão existe. E quem opera nessa dimensão são, entre outros, os pensamentos. Assim, se a gente não conhece, não organiza, não toma posse desse mundo interno que é nosso, que é a nossa primeira existência, a gente vira refém, por impulso dos pensamentos que vivem na mente. A gente vira refém da vontade alheia. E não é à toa que eu, muitas vezes na minha vida, atuei por impulso, que depois me arrependi. Atuei movido por pensamentos que depois — eu falei: poxa, mas essa não era a minha vontade. Pois é. Depois, como se fala, a Inês está morta. Então, arrependimento é um sentimento tardio, que é bom para poder ficar a marca de que a gente quer deixar de ser assim, mas, por si, já não resolve o erro, não encaminha o erro feito. Estou dizendo o seguinte: quando a gente olha para a vida, a gente vê as limitações e sente as limitações da própria vida, mas o que quero deixar claro é que essas limitações não são reais. Mas nossas deficiências psicológicas são realmente limitações da própria vida. Você falou que não é real, mas é real. Quero dizer o seguinte: as limitações estão lá, estão aqui. O horizonte está limitado pelas atuais fragilidades e deficiências que tenho no meu mundo interno. Mas quero dizer que nós não somos assim. Ou seja, assim como a Terra não é plana, mas é preciso se elevar para poder enxergar muito mais longe, e no limite enxergar a Terra toda e dar uma volta nela, numa espaçonave, é preciso ou ficar parado numa órbita distante e ver a Terra girar inteirinha embaixo de você e passar tudo e começar de novo. Cada um de nós pode deixar de estar como estamos hoje, ou seja, deixar de estar nessa limitação e se elevar cada vez mais para que então não haja a limitação anterior. Por isso que falei: cada um de nós não se define como ser humano pelos acontecimentos que acontecem todo dia na vida terrena. Você vai falar: Rony, mas quando as coisas dão errado eu fracasso, quando as coisas dão certo eu tenho sucesso. Sucesso e fracasso, desse ponto de vista terreno, são limitantes ou são condicionantes de quem somos. Mas teria que ser um terraplanista para acreditar que essa é a visão correta. A gente precisa se elevar, a gente precisa deixar o ponto em que a vida está limitada pela ignorância acerca do real. Você percebe que, no final, o fato de a gente não conhecer algo nos limita pela própria ignorância acerca do que é que a gente não conhece. Então, o conhecimento é o grande agente libertador e transformador da vida. Mas qual o conhecimento? Em geral, todo conhecimento liberta a gente do estado de ignorância e geralmente coloca a vida à frente em algum aspecto. Mas estou me referindo ao conhecimento transcendente, claro. O conhecimento transcendente é o elemento transformador e libertador dessa posição limitada em que a vida tem horizontes extremamente curtos e a sensação de que a gente está preso nesse prato da vida. É preciso, é necessário, é vital que a gente se eleve desse ponto de observação e comece a enxergar a vida de outra altura. Para isso, é preciso sair dessa posição fora de si mesmo e percorrer esse caminho para dentro de si mesmo. E, por isso, a importância de a gente realizar um processo. Não é à toa que a Logosofia propõe um processo de evolução consciente, no nosso caso, como seres humanos. É uma evolução que não é regida pelas forças da natureza, apenas. É regida pela consciência que vai despertando a essa realidade e nesse despertar vai se nutrindo cada vez de conhecimentos transcendentes, mais conhecimentos transcendentes, vai se tornando mais capaz e vai nos elevando mais. A gente vai chegando mais longe e a vida vai cada vez transformando-se já direto nessa perspectiva em que a gente então percebe que a vida não é o que está fora, e sim o que está dentro de cada um de nós. Eu já deixei de ser — se você estava preocupado comigo — eu vou te falar que eu já deixei de ser terraplanista. Obviamente que essa altura que me elevei para poder ver os horizontes de forma mais ampla, ainda é uma altura que está limitada pelo aquilo que ignoro. Eu também estou na mesma realidade. Cada um de nós vai subir, vai se elevar na altura que quiser, que obviamente o esforço resultar. Essa é a razão que todo dia mergulho nesses conhecimentos, para que possa me elevar alguns metros a mais, todo dia, se possível. E nisso, a gente vai se livrando das tantas limitações que causaram tanto sofrimento para cada um de nós, sempre, durante a vida toda. A sensação é esquisita de ir percebendo como a gente se limitou por acreditar que a vida era só o que o horizonte nos apresentava no chão. O pior cego não é o que não vê, mas o que acredita que o mundo termina onde termina o próprio nariz. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.