Latest / Logosofia no Dia a Dia / Quando a Fome Bate, Você Pega Qualquer Coisa — Sua Mente Faz o Mesmo?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tava me dando conta aqui que tudo na vida que a gente observa — não no mundo em geral, né, que a gente observa assim que deu certo, que as pessoas fazem de um jeito ou colhem resultados muito bons —, sempre tem um segredo, né? Tipo assim, qual o segredo da avó que cozinha aquela comida maravilhosa, né? Qual o segredo daquela receita? Então toda receita tem um segredo. É a forma de preparar? É o ingrediente específico que aquela pessoa utilizou, por exemplo? Ou assim, né, puxa, qual o segredo dessa fragrância? Então às vezes tem aquele perfume, aquele... Nossa, que delícia! O segredo, óbvio, é a fórmula secreta do fabricante lá que produziu aquele perfume. Então, parece assim que tudo que a gente percebe e se encanta quando a gente observa tem um segredo. Ou seja, tem um segredo — é que a gente não tem o conhecimento que a pessoa, que quem criou aquilo tem. Então pra nós é um segredo, pra quem criou, pra quem fez, não é um segredo, né? Mas a gente sempre fala isso. Eu tava lembrando disso, por quê? Porque, por exemplo, qual o segredo que eu uso — porque as pessoas às vezes me perguntam: "Pô, mas qual o segredo pra você conseguir entrar na linha, né, com essa história de mudar a saúde ou de conquistar uma saúde pro corpo? E qual o segredo pra comer direitinho?" Porque é difícil comer direitinho. É difícil, assim, manter um balanço nutritivo na alimentação diária. Até porque, qual o maior problema? O problema maior é exatamente a falta de planejamento pra isso. E esse é o segredo, nesse caso, da nutrição. Ou seja, o segredo é ter comida pré-preparada à disposição. Por quê? O que eu vivi muito, né, muito tempo da minha vida? Chegava a hora da fome — bom, geralmente até em horários diferentes —, ou quando chegava em casa, ou pra almoço, ou quando chegava em casa depois do trabalho, morrendo de fome, às vezes, cansado. Assim, se não tiver algo adequado, pronto pra ser esquentado e ingerido, o que acontecia? Praticamente quase sempre, eu atacava o que tivesse. Então, assim, imagina a cena, né — deve ser muito parecido com o Homem das Cavernas, assim. Chegava, eu abria a geladeira, caçava o que tinha, se não tinha na geladeira alguma coisa que apetecia, abria a dispensa e ia vendo porcaria, né, pra fazer coisa pronta, abria o freezer pra fazer coisa pré-pronta. E qual o problema disso? O problema é que essas coisas — assim, ou tanto pré-prontas, ou porcarias, ou caçar o que dá vontade na fome, na hora que tá morrendo de fome e faminto —, é que o corpo tá sendo movido pelo cérebro. E o cérebro, a parte do cérebro que tá movendo o corpo, é o que a gente chama de cérebro primitivo, é uma coisa parecida, porque assim, ele quer o que der rápido, rápido resultado de saciar a fome. Então ele quer — vai pegar, se preferência vai pegar doce, vai pegar carboidrato, vai pegar qualquer coisa que dê prazer imediato e que sacie rapidamente. Bom, desastre, né? Do ponto de vista nutritivo e do ponto de vista de saúde, é um desastre. Geralmente é quando a gente atacava — eu, né? — atacava doce, atacava comida que dá prazer imediato, mas que não necessariamente é nutritivo. Mas por que eu tô relatando isso? Porque a mudança de — veja —, a mudança da conduta não é uma questão de conseguir resistir a essa fome instintiva, que obviamente quando a gente tá morrendo de fome, não dá pra controlar. Se assim, se chegou essa hora e eu tiver — se eu não tiver uma comida adequada, disponível e pronta pra ser esquentada e ingerida —, eu não vou conseguir segurar essa reação instintiva. O meu corpo vai mandar eu pegar o que tiver ali de, né? Que encher mais os olhos, especialmente se tiver açúcar — então vai ser preferência sempre. O que eu faço, então? Ou seja, a ação não é nessa hora do desespero, da fome, que eu tenho uma ação muito clara. A ação mais objetiva é ter a opção da comida nutritiva e da comida adequada. Então, o que eu faço? Geralmente no final de semana, ou às vezes algum dia de semana, eu cozinho — e quando eu cozinho, eu cozinho sempre em quantidade máxima que eu consigo pra poder guardar as comidas que são adequadas pra eu ingerir. Então, eu faço toda semana pelo menos um quilo de arroz, que eu consumo em menos de uma semana. Um quilo de arroz dá uns dois quilos e meio de arroz pronto. Eu faço uns dois quilos, dois quilos e pouco de carne moída, e faço oitocentos gramas — são dois pacotes de lentilha. Quase toda semana. Lentilha, às vezes eu faço, vario, né? Mas por quê? Porque ter o arroz pronto, a carne moída e eventualmente a lentilha na geladeira e no freezer é algo que me ajuda muito. Porque quando eu tô com fome e chega a hora do almoço, do jantar, se eu tiver em casa, eu simplesmente tiro a minha balança do armário — balança dessas de gastronomia, pra poder medir a quantidade que eu sei que é suficiente pra saciar completamente minha fome de arroz, carne moída e lentilha eventualmente. E por que eu tô contando essa história da comida? Porque vejam, olha que interessante: a ação inteligente não é na hora que eu tô desesperado pra comer, morrendo de fome. Porque nessa hora, o risco é eu perder a referência e deixar escapar comendo qualquer coisa. A inteligência desse movimento está em ter preparado previamente tudo que eu preciso pra não escapar na hora do desespero da fome. Muito bem, se isso faz sentido — e acho que pra você tá claro e talvez pra você não seja nem um problema que você vive —, eu tô contando obviamente um problema meu, né? Guloso como eu sou, sempre fui. Se eu não tivesse pré-preparo, se eu não tivesse essa inteligência de planejamento — que pra mim é uma inteligência de ter sempre a dieta à disposição —, eu vou errar e vou fazer bobagem, óbvio. Muito bem, então agora vamos pegar esse exemplo que é simples, né? Bem, às vezes pra alguém vai ser bobo, não tem problema. Vamos transportar isso pra vida como um todo. Vamos pensar o seguinte: a gente passou a vida — e às vezes vai seguir passando a vida — sem se dar conta que na hora que surgem os problemas ou as situações em que a gente precisa encaminhar a vida de alguma forma, precisa tomar alguma decisão, se a gente não tiver pensamentos pré-preparados, o risco é a gente fazer como eu fazia: abrir a geladeira ou a dispensa e pegar qualquer coisa. Quando a gente pensa na mente e na vida como um todo, o risco qual é? Pegar qualquer solução — e geralmente vai ser no impulso. Olha só, olha que curioso — curioso não, é curioso, mas é perigosíssimo, né? Quantas vezes eu tomei decisões, ou — não chega assim, não é uma decisão assim, "agora eu vou tomar uma decisão tal", não é isso —, mas quantas vezes a minha conduta foi decidida num momento, naquela situação, naquela circunstância, por impulso. Aí você pode pensar: "Ronny, mas qual o problema de ser por impulso? O tempo todo na vida a gente toma decisões assim, né, num momento, porque tem que tomar num momento quando surge, não dá pra pensar em tudo com antecedência." Ok, não dá pra prever com antecedência todas as circunstâncias e fatos da vida — concordo com você. Mas por outro lado, olha só: todas as vezes que a minha conduta foi feita por impulso, se eu fosse estudar todas essas vezes — isso era várias vezes ao dia —, certamente o resultado disso era que a grande maioria me colocava em risco e colocou em risco a minha paz, a minha tranquilidade, a minha felicidade, a minha serenidade. Por quê? Porque tomar decisões, escolher uma conduta, escolher como é que a gente se coloca frente às situações da vida, sem preparo prévio, sempre no impulso, o risco é fazer pior para si mesmo. Muito bem, aí você fala: "Tá bom, faz sentido, então como é que é o preparo? Como é que a gente vai ter a carne moída e o arroz na geladeira garantido sempre?" Porque eu tenho — veja, sempre tem na geladeira. Às vezes o que eu esqueço é de baixar do freezer, porque são vários containers daqueles de vidro com tampa, que eu faço tudo — parece uma fábrica aqui. Quem vê acha que eu vendo marmita, não é o caso, mas é que eu preciso, é muita quantidade que eu consumo. Então, como é que a gente faz para ter todos esses containers pré-preparados para poder tomar as decisões e fazer as escolhas e se conduzir na vida, no dia a dia? Aí você já respondeu pra você mesmo: "Tem que cozinhar, né, Ronny?" É, tem que cozinhar, tá bom. Então, agora a gente entra no seguinte ponto, que é o cerne dessa questão. O conhecimento logosófico — e esse é o tópico que eu me movi para o próximo tópico, que é assim: "A Logosofia Transforma e Enriquece a Vida" —, e esse é o título do tópico. Porque é um fato real que quando a gente sai dessa postura, quando a gente sai dessa condição de reagir, de viver a vida sempre reagindo de acordo com os acontecimentos — e é nesses momentos que a gente vai reagindo aos acontecimentos que há o grande risco de a gente estar agindo por impulso —, e quando a gente sai dessa forma de conduzir a vida, de viver a vida, e a gente começa a aprender a criar na mente uma série de pensamentos que, como no meu caso da comida, ficam prontos e ficam à disposição como auxiliares da mente — e inclusive auxiliares do sentir também, auxiliares da sensibilidade —, para me amparar nos momentos em que a vida vai apresentando essas experiências, circunstâncias e fatos, é poder contar com uma força, com uma capacidade que de outro modo eu não teria, e não tive durante muito tempo da minha vida. Viver a vida sem um preparo prévio de pensamentos que possam auxiliar a mente nessas decisões diárias é viver a vida muito louca, no risco — é viver uma vida sempre na corda bamba. E o problema é que a gente não se dá conta disso, porque eu não me dava conta disso. Eu achava que a vida era assim mesmo: vive a vida tomando decisão e conduzindo o dia a dia na medida que dá, conforme surgem as circunstâncias e vão acontecendo as coisas, a gente vai se virando. A gente aprende que tem que se virar na vida — o "se virar" dá a impressão que é isso, que toda hora eu preciso improvisar e me virar com qualquer condição. Mas essa forma de viver a vida, eu sei como é: é uma forma em que, em geral, eu estou sempre no risco de uma decisão, de uma opção, de uma conduta equivocada. Então o que eu tenho vivido com a Logosofia — que é sensacional para mim —, é essa capacidade de viver e de fazer da minha mente, igual eu faço na cozinha, uma oficina de pré-preparo. Olha que interessante: a gente pode, de fato — e o conhecimento logosófico oferece essa condição —, a gente começa a criar primeiro um propósito e depois a gente começa a criar pensamentos que vão estar preparados, vão estar prontos na mente para nos auxiliar em inúmeros tipos de situações do dia a dia. Não é quando aconteceu o meteoro que caiu na terra, não é isso — obviamente, eu estou me referindo a essas situações diárias que a gente vive: quando alguém fala alguma coisa que a tendência era me irritar, ou eu ficar descontente, quando alguém não faz o que eu queria e faz de outro jeito, quando, sei lá, qualquer coisa — pensa em qualquer coisa que acontece no nosso dia a dia, especialmente essas coisas mais simples, mas que são aquelas coisas mais simples que vão tirando a paz interna. Quando as coisas no trabalho não acontecem como a gente quer — o chefe, o colega, alguém, o cliente, não importa —, quando a namorada — veja, o ponto é: quando um monte de situações como são, do dia a dia, vão colocando a gente à prova, vão testando essa capacidade nossa de lidar com tudo isso —, ter uma série de pensamentos já prontos, que foram criados, podem ser criados, para esse tipo de situações do dia a dia, é como se eu tivesse sempre a comida ideal na geladeira, pronta para medir, para pesar na minha balancinha e colocar no micro-ondas. Nossa, eu vou te falar — eu sei que tem gente que não gosta de comida requentada, que gosta de comida fresca todo dia. Eu gosto de uma comida gostosa, se foi feita no dia ou não, eu não estou nem aí. E na mente, e nas situações da vida, não tem esse prazo de validade — pelo contrário, aquilo que é escolhido de sopetão no impulso, em geral, é falho, em geral, vai ficar devendo em capacidade de realização. Então, esse conhecimento transcendente que a Logosofia oferece — que é esse conhecimento sobre esse mecanismo interno que a gente tem, essa fábrica maravilhosa, essa cozinha maravilhosa que a gente tem dentro de nós e que mal conhece —, é um conhecimento de valor incrível. Porque a gente vai passando, a gente vai deixando de ser reativo aos acontecimentos da vida no dia a dia, e a gente começa a contar com essas forças que já estão ativas na mente, na medida que a gente vai praticando essa capacidade que antes a gente não tinha: de criação de pensamentos, agora, de forma consciente. Então, a gente vai se tornando o grande chefe — chefe que eu digo, o grande mestre de cozinha —, a gente vai se tornando esse gerente da cozinha, cada vez mais capacitado para ter todos os alimentos, ter todas as comidas prontas para quando a fome vem, quando bate a necessidade. A gente não pega qualquer coisa, não pega pacote de bolacha para matar a fome — porque é muito tentador matar a fome com pacote de bolacha, mas é um desastre do ponto de vista nutritivo, aliás, quase nada nutritivo e só caloria. Então, pensa na Logosofia — é algo que eu penso todo dia. Pensa nesse conhecimento como uma ferramenta, como uma capacidade que vai sendo criada em nós ao utilizar esse conhecimento dessa forma, para que a gente vá se tornando hábil em ter aquilo que na vida interna é necessário ter para que a vida interna — ou seja, a vida causal, onde tudo começa na nossa vida diária e na nossa vida como um todo —, possa ser cada vez mais de acordo com o que a gente quer viver, e menos a esmo, e menos ao azar ou acaso dos acontecimentos. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.