Latest / Logosofia no Dia a Dia / Ramos Ladrões: Identificar e Podar as Distrações que Drenam Sua Energia Vital
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Já que no último podcast eu estava falando de floresta, eu estava pensando aqui num fato que a natureza, como sempre, é a primeira mestra que a gente devia estar considerando para entender a vida e a existência. Porque a quantidade de exemplos, de analogias — ou seja, o quanto tem acontecendo ao nosso redor e no universo — que por si só já são explicações claríssimas, ou pelo menos são exemplos claríssimos das leis que governam esse mecanismo todo da criação, já seria assim mais que o suficiente. Mas eu sinceramente não tenho essa capacidade. Eu passei a vida olhando para a natureza, achando bonita, admirando, mas é difícil — a minha mente não estava preparada para retirar o conhecimento que a natureza oferece quando se observa ela com essa atenção, com essa capacidade analítica. Mas eu estava olhando por curiosidade um fato que não é possível. Puxa, gente, acontece com a gente e acontece com as árvores frutíferas. Nesse caso, as árvores frutíferas. Quem tem árvore frutífera em casa, quem tem quintal, quem tem pomar, ou quem já foi muitas vezes em algum pomar de parente ou o que seja, vê as árvores frutíferas e a gente olha aquela árvore frutífera — é linda, porque tudo que dá fruto é maravilhoso, seja qual for o fruto. Aí tem a preferência pessoal de cada um. Eu, particularmente, amo jabuticaba. Se eu pudesse escolher uma árvore frutífera para ter, ia ter jabuticaba. Gosto de muitas outras também, mas jabuticaba eu acho simplesmente sensacional. Mas pegam as árvores que têm os frutos, por exemplo, que nascem pendurados — fica bonita de ver também, de longe, colorida. Então, não só são bonitas, como elas nos satisfazem. E há muitos pássaros, insetos — é um ciclo maravilhoso. Agora, quem tem árvore frutífera sabe de uma realidade que é muito importante, e quem não sabe, aprende na marra. E talvez seja uma das lições mais importantes que a gente precisa ter ou aprender para a vida. As árvores frutíferas têm, de vez em quando, um problema seríssimo chamado de ramos ladrões. Acho que esse é o nome que se chama. Que é o seguinte: nascem do tronco ou de ramos maiores, de vez em quando, uns novos ramos que não vão gerar fruto. São ramos que começam a crescer para cima em vez de crescer horizontalmente e começam de forma bem desordenada. Geralmente são mais largos, têm até uma cor diferente. São ramos que são praticamente uma disfunção, mas eles começam a exigir — porque eles crescem rápido — eles começam a exigir uma energia e começam a drenar nutrientes e a seiva da árvore de uma forma desproporcional. E se esses ramos não forem estirpados, se esses ramos não forem podados, começa a faltar energia, nutrientes para todos os outros ramos, especialmente os que vão dar frutos. E aí começa a ter um problema seríssimo. A árvore existe — no DNA dela é para dar fruto. Por quê? Porque no fruto tem as sementes. E o objetivo é que esse fruto seja atraente, que muitos seres da natureza se atraiam para o fruto e espalhem as sementes para que essa árvore possa perpetuar a existência da espécie. Então esses ramos são praticamente contra — olha só que coisa doida isso — esses chamados ramos ladrões, porque eles roubam a energia vital da árvore, a seiva, de forma desproporcional e sem nenhum objetivo de frutos. Eles são — não vou dizer uma distração, mas é mais ou menos isso. Quando a gente transpõe isso para a própria vida, a gente pode pensar que a gente acabou permitindo — a gente, eu digo, a humanidade em geral — acabou permitindo ter na vida uma série de distrações na mente que acabam fazendo a mesma coisa. A nossa energia é pouca e a gente se sente às vezes incapaz ou sem energia, sem força em busca daquilo que é vital para a vida, para a existência, porque a nossa energia está sendo sugada por tanta coisa que na mente existe e que puxa a gente para atividades, preocupações, para coisas que não estão alinhadas com o objetivo central da vida. Até porque em geral a gente começa a vida sem entender qual é o objetivo da vida, porque certamente o objetivo da vida não é cumprir o processo físico de crescer e ficar velho e muito menos o de ganhar dinheiro e acumular riqueza material. Mas como é só isso que a gente conhece, como o conceito geral da vida que a gente acaba aprendendo é bem raso, bem limitado, a gente acha que esse é o conteúdo essencial da vida. Voltando, o ponto é o seguinte: na mente de cada um de nós, hoje existem muitos ramos ladrões. A questão é: nós somos capazes de identificar? Porque na árvore é fácil. Esses ramos ladrões crescem para cima — isso já ajuda muito na identificação — e crescem com espaçamento esquisito entre folhas. Eles são bem esquisitos. E a recomendação, ou o que tem que fazer na botânica, é extirpar o mais rápido possível, de preferência logo depois que eles começam a despontar do tronco ou dos ramos maiores. Quanto mais tempo ele ficar, ele vai crescer de forma desproporcional e vai drenar a energia vital da árvore. Vai faltar para os frutos e para os outros galhos, para os outros ramos. Como é isso na vida? Por que a gente permite que a energia vital que circula em nosso mundo interno, na nossa mente, ela seja dissipada com tanta coisa que não tem importância? E eu não estou falando das tarefas obrigatórias, claro que não. A gente vai ter que seguir trabalhando, seguir estudando, seguir indo para um lado e para o outro, resolvendo todas as necessidades e problemas e aproveitando da vinculação humana, indo para os nossos programas sociais, vendo os amigos, saindo com a família, viajando. Veja, tudo isso é exatamente a parte que cabe viver da experiência terrena. É isso mesmo, não é para parar nada disso. O problema é que enquanto a gente faz isso, ou enquanto a gente fazia isso, a gente foi encontrando tanta coisa que a gente foi conectando ou colocando para dentro da vida, mas que no final não traz, ou não permite, não ajuda na produção de energia, e sim acaba sendo um dreno dessa energia vital que já não é tanta, que não é ilimitada. E a gente precisa ser capaz de olhar para a vida e falar assim: o que que hoje me rouba tanta energia? A gente pode até pensar assim: ah, mas o que me rouba energia, por exemplo, é o ambiente do trabalho. Isso me rouba muita energia, porque eu chego fatigado — não é de trabalhar fisicamente, é de — ah, é difícil lá no trabalho, tudo, fulano, beltrano, a empresa, sei lá, qualquer coisa. Às vezes isso é na convivência com alguém, pode ser em qualquer aspecto da vida. A gente sente, né, quando alguma coisa nos — vamos dizer assim — subtrai energia e deixa a gente exaurido, né. Por outro lado, bom, para isso primeiro precisa encaminhar da melhor forma possível esse problema, né, e geralmente começa primeiro como é que a gente está — a gente se colocando dentro dessa experiência. E até em última instância a experiência tem que mudar, né, tem que tomar uma decisão de que então, obviamente sabendo que em todo lugar a gente vai enfrentar dificuldades, né, porque não tem nenhum lugar isento de dificuldades — se é num nível muito absurdo, o ideal realmente é ir buscar um ambiente que seja menos hostil. Mas em geral o problema está dentro de nós, né, a forma como a gente vive as experiências acaba determinando muito como elas nos impactam. Então isso é um ponto. Mas o outro ponto é que, tirando essas obrigações diárias que, obviamente, às vezes nos cansam ou tiram energia, tem muita coisa que a gente não está observando, talvez de forma consciente, e que segue tirando, roubando energia vital. Vamos começar pelas distrações. Distração pode ser desde, sei lá, olhar — né, sei lá, passar na frente da televisão que alguém está assistindo em algum lugar e parar para assistir um pouco — ou pegar a tela do celular. E, como você sabe, melhor do que eu ou tão bem quanto eu, tem mil possibilidades de distração. Eu não uso rede social há muitos anos, mas eu sei que — assim — e eu não uso e eu tenho várias opções de distração mesmo sem rede social. Quem usa rede social tem mais distração ainda do que eu. E eu já tenho o suficiente na telinha do celular ou do computador. Isso é um ponto. Outro ponto de distração são minúcias e detalhes das coisas do dia a dia que, às vezes, fazem a gente se perder neles como se eles fossem muito importantes. Quantas vezes alguma coisa dessas tarefas diárias — no trabalho, em casa ou no acontecer do dia a dia — a gente não fica, assim, não prende, não gasta nossa energia de forma demasiada, exagerada, sendo que aquilo tem um valor extremamente limitado. E, às vezes, a gente vai até a consequência de discutir com alguém por conta de coisas pequenas. Olha que ramo ladrão impressionante esse. Quantas vezes nossa energia não se esvai porque a gente entra numa discussão com alguém por literalmente nada. Sim, porque nada — se você for ver a causa ou motivo do desentendimento, muitas vezes é nada. Obviamente é alguma coisa, claro, mas é que essa alguma coisa em geral é igual a nada. Esse é um outro ramo, assim, ladrão de energia, de força, que é incrível. Como ele consegue roubar energia vital nossa e, pior, em cima de nada. A distração também é em cima de nada, porque a distração é só distração. Ainda que muitas vezes eu olhe para as notícias — porque quando eu me distraio, eu me distraio com notícia. Estou lá acompanhando algumas notícias que são relevantes do acontecer do dia, da economia, das coisas, todo dia. Mas, às vezes, eu vou me deixando levar um pouco mais e falo assim: nossa, o que eu estou fazendo aqui mesmo? Aí qualquer notícia vira distração. Então, é sempre assim, puxando a gente. Tem outras distrações, tem outros ramos ladrões na vida. O exagero na busca por alguma das coisas terrenas. Às vezes começa a ficar exagerado o pensamento. E são coisas, às vezes, úteis. Pode ser o trabalho, pode ser o hobby, pode ser o esporte, pode ser o — seja o que for. Aí vira quase uma obsessão, não é assim? Quando a gente acaba dando muita atenção, de forma desproporcional, a algum aspecto da vida terrena, aquele aspecto que era útil ou proveitoso, passa a ser um ramo ladrão. É só ver a quantidade de gente que vive pelo trabalho. Praticamente não sobra energia para mais nada. Por quê? Porque a energia é absorvida, tragada por um pensamento que é do trabalho, ou da riqueza material, da projeção social que o trabalho projeta, que a carreira dá. Porque ainda se persegue o conceito de que a vida vai ser mais feliz se eu tiver essa projeção, se eu tiver essa condição, se esse bem material estiver alcançado tal qual posição social. E, muitas vezes, aquilo que era bom e proveitoso, como o trabalho, pode se tornar um ramo ladrão. Porque não sobra mais seiva, não sobra mais energia vital para mais nada na vida. Tamanha a dedicação, o foco desproporcional em um aspecto da vida e um aspecto da vida terrena. E aí, não só a gente vê que a nossa vida acaba sendo uma profusão de ramos ladrões na mente, roubando da mente energia vital, mas o pior é que não é porque a gente precisa apenas equilibrar entre essas coisas — é porque não tem energia vital para olhar para a vida e buscar compreender aquilo que está acima do que já se compreendeu. Esse é o ponto pior. O ponto pior, o mais sério, não é desequilibrar entre as distrações ou os pensamentos, os propósitos da vida terrena. O problema é que os problemas vitais da existência não estão sendo focalizados. Não há espaço mental para os problemas vitais, que não são nenhum desses. Veja que loucura que é isso. Os problemas vitais são aqueles que concernem a razão de ser da nossa existência na Terra. Eu imagino você olhando para mim e dizendo: mas Ronny, cada doideira que você fala, por que a gente vai ficar tão preocupado com isso? Pois é, a gente não se dá conta — olha só que doido que é isso. A gente passa às vezes uma vida ou períodos enormes de anos, décadas, sem se dar conta que tinha o problema vital da existência na Terra, no universo, na criação e o porquê de tudo isso. Olha o tamanho do desvio de energia que a gente tem, a quantidade de ramo ladrão que a gente tem na vida, de energia vital, mental, que a gente não conseguiu dedicar, e não consegue muitas vezes, dedicar espaço mental para olhar para si e para a criação e falar assim: qual é o meu papel nisso? Qual é a razão disso? Qual é a razão das experiências que eu vivo? O que isso significa para mim do ponto de vista espiritual, consciente? Tamanho é o nosso problema com esses ramos ladrões na mente, que a gente nem lembra que deveria ou que poderia estar focando no que é vital. E mais, ao focar nisso, a tendência ou a oportunidade é começar a buscar conhecimentos que não só respondam, mas que ampliem a capacidade de olhar para isso. E quanto mais conhecimentos de ordem superior, transcendentes, a gente começa a assimilar, maior é o horizonte que se abre. E mais amplas são as questões que a gente vai começar a se perguntar. E mais forte será a sensação de atração pelo superior. Quando a gente vai começar, então, finalmente sentir essa força — que é uma capacidade, uma energia vital que responde a essa preocupação. Então é como se realmente dentro de cada um de nós tivesse uma fonte de energia. Como se tivesse — não, né? Tem. Tem uma fonte de energia que só se libera, que só libera energia, que liga quando a gente foca naquilo que é vital. E o que é vital não são essas distrações ou os assuntos terrenos que se tornaram grandes desvios, distrações de energia. O vital está por cima de tudo isso. O vital diz respeito aos porquês. Não o porquê da circunstância terrena em si, mas o porquê que cada um de nós está chamado a viver aqui na Terra — e é cada uma dessas experiências ou fatos que a gente é chamado a viver na vida. É preciso olhar para si dentro de uma criação infinita e se perguntar: o quê, por quê e para onde? Essas questões e essa preocupação, esse foco, começa a abrir um caminho e possibilidades na mente que antes eu não tinha. A gente precisa começar a podar esses ramos ladrões que brotam em profusão na nossa vida terrena para começar a focar a energia vital na produção dos frutos que vão nos propiciar esse sabor maravilhoso de eternidade, de permanente e do divino. É para isso que o conhecimento logosófico está à nossa disposição. É nesse sentido. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.