Latest / Logosofia no Dia a Dia / Da Mitologia ao Grande Relojoeiro: A Evolução do Conceito de Deus e Sua Mente
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Você sabe aquele filme que é um clássico, claro, né? Embora é um clássico de gerações atrás, que é "2001: Uma Odisseia no Espaço" do Stanley Kubrick. Ele é de 68, né? Eu assisti esse filme na virada dos anos 70 para 80. Eu era criança, assim, quase entrando na pré-adolescência, né? Provavelmente talvez assistindo começo dos anos 80, pré-adolescência. E eu lembro de ter me marcado muito. Porque não só porque é um filme, né, tenso, mas porque ele trata das questões mais primordiais sobre tudo, sobre a criação, sobre o ser humano, sobre a busca por compreender o criador. Eu lembro daquela imagem, né, de milhões de anos atrás, o monólito. Existia o monólito já desde a pré-história. Depois os primeiros seres humanos das cavernas com aquele monólito e começam a se questionar sobre tudo, né? E chega no ser humano viajando pelo espaço sideral, que é a história principal do filme, o foco do filme, né? Mas eu, por que que eu lembrei desse filme? Porque a evolução da compreensão humana sobre Deus é um negócio sensacional, né? Se busca o criador desde sempre, ainda que, olha só, a gente passou por fases nessa busca que são surreais. Os primórdios do ser humano... Ah, Deus foi personificado na natureza e no mistério completo, né? A gente tava... Deus era coisa ligada totalmente aos fenômenos naturais. Então assim, as forças da natureza, né? O sol, chuva, trovão, mar, vulcões, eles eram vistos como uma manifestação, né, de seres divinos, de deuses. Era uma grande confusão, a forma de se compreender a natureza, que era um mistério. Não se entendia por que que tinha essas forças todas, o que que causava essas forças. Então, a falta de conhecimento científico levou à criação de mitologias, e os deuses eram movidos, né, tinha ira, tinha amor, e governavam o mundo através dessas reações basicamente instintivas, né? O sagrado era totalmente inexplicável para a gente. E depois, na história, na evolução humana, a gente foi evoluindo esse conceito do criador para uma entidade única, né? Deixou de ser assim um monte de deuses, né, que nem era os deuses nos estudos das culturas gregas, romanas, e passou-se a olhar para um criador, para um ser transcendente que existe fora do mundo material, mas que também continua sendo um mistério. Então, mas houve uma evolução, né? E aí, até quando? Isso durou provavelmente até a revolução científica lá nos anos, depois a partir dos anos 1500, onde se separou Deus e a natureza, né? Deus não era mais um ser único que unicamente se manifestava, né, através das forças. Mas aí a explicação, o conhecimento sobre o universo... Então quer dizer, a partir dos anos 1500, pega aqueles grandes gênios, né, daquela época: Copérnico, Galileu, Newton. Eles começaram a desvendar as leis que regem o universo físico, né, material. Então, a física, a astronomia e a matemática começaram a demonstrar que o cosmo não era um mistério caótico, mas sim um sistema que respondia muito ordenadamente a leis que governavam, que governam, né, esses movimentos todos, a existência de tudo. Então foi uma nova concepção, né? Uma nova compreensão naquela época, a partir daquela época, que teve um impacto super profundo na compreensão sobre o criador. Ele não era mais um ser mágico que tava por trás de cada movimento, né, de cada evento. Ele era um... É que eles chamavam de "grande relojoeiro", né? Quer dizer, que tinha criado um universo e leis que funcionavam perfeitamente como uma grande engrenagem do relógio, que é um instrumento formidável, né, desde aquela época. E era muito menos a respeito de controlar cada detalhe e sim na causa primeira dessas leis todas. Na causa primeira dessas leis todas. E por que que eu tô falando sobre o conceito de Deus? Porque a gente foi se aproximando finalmente sobre essa compreensão ou desse conceito que eu penso que a gente trata sobre isso. Quando a gente pensa naquilo que a gente busca, né, quando a gente busca a verdade, a gente inexoravelmente tá tratando sobre a identificação, o conhecimento da mente criadora. E é importante a gente recordar disso. Até porque cada um de nós, né, chega na vida adulta com um conceito sobre o criador, sobre Deus, como você quiser chamar, que é diferente, né? Cada um de nós tem percepções, sensações, intuições e uma série de preconceitos que a gente absorveu da própria cultura que é fruto desses milênios de evolução do conceito sobre o criador, sobre Deus, mas que carrega um monte de bobagem. Não tem jeito, né? Esse conceito foi evoluindo ao longo dos milênios desde a pré-história, mas ele ainda carrega muita coisa que é fruto de uma compreensão que já deveria ter sido superada. E por que eu tô de novo? Por que eu tô citando essa, ou tô me referindo ao conceito de Deus? Porque a hora que a gente se dá conta ou quando a gente se dá conta finalmente que a ponte entre o ser humano e o criador se dá ao mesmo tempo nessa capacidade de se observar na natureza, né, esse mecanismo, essa máquina, essa engrenagem perfeita, né, como um relógio que funciona e que responde à vontade da mente criadora, ou seja, as leis, né? Há leis, há leis, existem leis, e o universo funciona cravado, cravadinho que nem um relógio em obediência a essas leis, a essa determinação, a esse pensamento da mente universal. Claro que a gente vai decifrando, quanto mais a gente decifra, né? A ciência vai decifrando o conhecimento dessas leis e as leis que interagem nesse universo. Por isso que você sabe que eu sou um entusiasta, né, da cosmologia. Eu fico assim babando com a compreensão cada vez mais avançada dessas leis, desse mecanismo todo do universo que a gente conhece, né? Imagina, a gente conhece... Se não me engano, a estimativa é que existem 2 trilhões de galáxias no universo que é possível observar, né? Não se contou cada uma, mas a estimativa oficial é de 2 trilhões de galáxias no universo. Pensa nesse número. 2 trilhões de galáxias. A gente vive numa galáxia, num pontinho entre os 400 bilhões de estrelas da nossa galáxia. Então assim, a nossa galáxia podia ser o universo inteiro, já estaria bem suficiente, né? Com 400 bilhões de outras estrelas, e cada uma delas com seus planetas e tanta coisa a desvendar e a descobrir. Mas afora a nossa galáxia tem outras 2 trilhões como ela. Por que eu tô dizendo esses números todos? Porque assim, é tão absurda a imagem da infinitude do universo que a gente conhece — isso que é o que a gente conhece só, né — que isso tem que levar cada ser humano a contemplar a criação de uma forma já agora superada. Ou seja, a gente tem que entender que, ou deveríamos entender, né, que a capacidade humana de se conectar ao próprio criador e compreender Deus e entender o universo, a criação, o porquê de tudo, né, o porquê de cada coisa, seja quais forem os porquês que mais te interessam... Pensa numa hierarquia de porquês, né? Cada um tem a sua, provavelmente. Mas a capacidade de entender esses porquês está diretamente na capacidade de compreender o pensamento criador e capacitar propriamente para tornar-se cada vez mais a tom, mais vinculada, mais identificada com a mente do criador. Ainda que a gente não consiga compreender essa imagem sobre o criador... E não, eu não consigo conceber, não dá para conceber, né? A mente universal é um negócio que não é a mente do ser humano, né? Mas o ser humano tem uma mente, e essa é a grande originalidade da ciência logosófica. A Logosofia apresenta uma concepção sobre a mente humana a verdadeiramente espelhar em capacidade — é proporcional, obviamente, ao conhecimento que tem — a capacidade da mente criadora de criar. O poder de criar é um poder da mente. Ainda que a nossa seja uma fração bem pequenininha da mente criadora, mas essa capacidade nos abre possibilidades tão maravilhosas. E é sobre isso, é sobre isso que começa e que trata o capítulo 4. A gente se move para o capítulo 4 agora, que é "A causa primeira ou criação do cosmo". Esse capítulo vai tratar também sobre a lei de evolução que gravita, né, sobre o processo de evolução consciente. Então, esse capítulo vai tratar de várias coisas sobre esse processo da criação, sobre as leis, né, essa engrenagem, esse relógio perfeito da criação, mas tudo isso em referência ou jogando luz a que cada um de nós tem na própria mente uma engrenagem igualmente divina, porque deriva dessa, né, da principal, da causa original. E que essa capacidade ela deve ser desenvolvida com, né, ou através da sabedoria, do conhecimento, para que cada um de nós possa finalmente começar a sentir que é parte de um grande, de um único... Cada um de nós é parte de um todo ou do todo. E consequentemente, a gente tem a capacidade de desenvolver-se para que cada um de nós possa de fato... E aí dá para entender por que que cada um de nós pode, na medida do seu esforço, do conhecimento que vá adquirindo, responder a todas essas perguntas, compreender finalmente ou cada vez mais, né, se não finalmente ainda, mas cada vez mais o porquê das experiências humanas que cada um de nós vive. Por que dessa experiência humana como um todo, e por que cada porquê de cada um de nós viver o que vive, passar pelo que passa? Como é que isso não ia ser o prêmio maior que a gente pudesse alcançar, que é a compreensão, a consciência sobre o porquê de tudo? E aí dá para entender, para mim é assim, hoje é inequívoco, o porquê que não há limites para a felicidade humana. Contanto, obviamente, que a felicidade humana... Sabendo que a felicidade humana vai ser consequência da capacidade de identificar-se com essa mente criadora, né, com essa grande concepção, na medida que vai se conhecendo a si mesmo e vai se compreendendo os processos que regem a própria vida. Eu espero que você se sinta igualmente, né, inspirado, inspirados por essa leitura, porque são ensinamentos de altíssima projeção ou de projeções assim transcendentes para a vida e existência de cada um de nós. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.