Latest / Logosofia no Dia a Dia / Grão de Ouro ou Semente de Sequoia — A Escolha Que Define Sua Imortalidade
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Hoje eu estava aqui pensando no... lembrei dos faraós e de como há milhares de anos já se tentava guardar a essência dos seres humanos mais importantes, pelo menos na época, para que a vida continuasse. Essa prática, por exemplo, da mumificação existia, foi desenvolvida milhares de anos atrás porque os egípcios já tinham conhecimento de que a vida não cessava quando acabava essa existência terrena. E aí preocupados em como que a vida ia continuar no mundo mental, no mundo metafísico, onde depois desse mundo a vida segue acontecendo, vivendo, eles queriam que as pessoas, os faraós, levassem, então pudessem usar todas as coisas que precisassem. Claro que tudo aquilo depois virou artefatos de história, de escavação, de arqueologia, porque obviamente que a extensão da vida, a perpetuação da vida, não se dá vinculada ao físico. Mas vejam que interessante: milhares e milhares de anos atrás, aquela cultura que tinha um conhecimento sobre a realidade metafísica da vida já buscava qual era a forma de preparar os seres humanos que tinham feito — teoricamente eram mais importantes — e tinham um legado para deixar. Como é que eles iam manter aqueles seres, o legado deles vivo? Mas obviamente tem uma diferença muito grande em a gente considerar essa busca pela imortalidade com o que é realmente ser imortal, ou se tornar imortal. Eu estava lembrando também — olha que interessante — que eu visitei há uns oito anos atrás uma daquelas reservas florestais na Califórnia, Estados Unidos, que tem aquelas secóias gigantes, ou as secóias, as chamadas redwoods, que são secóias também, outro tipo de secóia, daquelas que tem 90 metros de altura e tem uma largura inacreditável. São verdadeiros gigantes, gigantes da natureza, que pesam, se não me engano, duas mil toneladas cada uma delas, as maiores. É um negócio — olha — de olhar isso pessoalmente, de estar ali, tocar nesses gigantes que às vezes duram, que são árvores de 500, 600, 700, 800 anos, árvores de às vezes mil anos de desenvolvimento. É uma experiência tão impressionante, porque essas árvores se desenvolveram séculos antes da chegada dos europeus nas Américas e continuaram se desenvolvendo desde então. E estão lá, estão lá. Aí você fala assim: ah Ronny, mas a gente não é uma árvore, a gente não vai viver mil anos, nem... Pois é, mas agora na realidade dessas secóias gigantes está, eu penso, uma chave para a gente entender sobre a mortalidade, a imortalidade ou a mortalidade. Que a gente, que o ser humano intuitivamente tenta fugir dela, né, fugir da morte, porque acha que tudo vai acabar. A semente de uma secóia desse tamanho tem milímetros de tamanho, milímetros. E olha que curioso: não é só a capacidade de uma semente de milímetros se transformar numa árvore de milhões de quilos. É algo maior do que isso. E olha como isso — olha como quando a gente traz isso para a vida humana, para a nossa vida — começa a dar uma clareada. A semente vai deixar de existir para que surja a árvore no seu lugar. A semente só contém um código, a semente contém só os primeiros elementos necessários, mas acima de tudo, a instrução do que aqueles elementos vão realizar em contato com o ambiente. Ou seja, na convivência daqueles elementos com o seu arredor ali. Ou seja, a semente dá — a gente poderia dizer, eu penso, né — a semente dá a vida dela, em sacrifício, para que surja a árvore dos elementos que estavam contidos na semente. Aí você fala assim: aí legal. Aí você olha uma árvore daquela, você fala assim: a semente morreu? Não. Ah, mas a semente não existe mais, então a semente morreu. Ou seja, morreu ou não morreu? A semente não é mais semente, a semente realmente não existe mais fisicamente, mas a semente vive em toda aquela árvore. Mais do que isso, a semente vive em toda a sombra que aquela árvore projeta para todos os arbustos e outras árvores menores que cresceram à sombra dela. Então assim, você fala: ué, então a semente tá viva ou tá morta? A semente existe ou não existe? Vive ou não vive? Você percebe a sutileza? A semente não existe como tal, não existe mais como semente, mas a semente existe e vive por um milhar de anos numa sequoia daquela, porque ela é a própria imagem da semente e ela é a própria realidade da semente manifestada num legado, num... como a gente pode dizer isso? Manifestada numa oferenda, num tributo de amor à própria natureza e à criação. Eu chego a me emocionar de pensar nisso. Olha só, cada um de nós pode tentar que a vida seja um acúmulo de ouro. No caso do lado, lembrando dos faraós, né, que tentavam levar o ouro pra depois. A gente pode tentar ficar acumulando ouro. E veja, os faraós tinham outros papéis, não ficavam acumulando ouro, não é isso. Mas na hora de acabar essa existência física, se colocaram aqueles tesouros todos, achando que aquilo ia favorecer a continuação. Então assim, em geral, a gente vive a vida meio parecido. A gente só não tinha conhecimento e sabedoria dos faraós, mas a gente vive a vida meio acumulando bens materiais e achando que o nosso legado vai ser um legado material. Ah, vou deixar uma herança pros meus filhos, deixar um apartamento aqui pra minha família, ou sei lá o quê, carro, dinheiro aplicado no banco, no fundo, no CDI, sei lá. Tudo bem, super legal que a gente possa favorecer que a vida nossa, da família e de próximas gerações seja mais fácil, do ponto de vista econômico, físico. Mas qual é o legado real de uma vida? Muito maior é o legado. E é só olhar pra nossa árvore de antecedentes: quem é que vive? Quem deixou alguma herança física, material, ou quem foi tido na história das nossas famílias como daqueles seres que todo mundo amava muito, todo mundo queria muito, todo mundo gostava muito da presença? Ou que aquele ser onde estava fazia sempre daquele ambiente um ambiente feliz, ideal, alegre. Quer dizer, quem vai viver, quem vai seguir vivendo no coração e na mente de todos não é quem acumulou a riqueza. Ainda que a riqueza possa estar presente. Porque se a gente plantasse a mil anos atrás um grão, um pedacinho de ouro, de metal, junto do lado da semente da sequoia, hoje, mil anos depois, quando eu fui lá visitar alguns anos atrás, se eu cavasse do lado ali e eu achasse o grão de ouro, de metal, o grão de metal ia estar exatamente como ele era mil anos atrás, sendo um pedacinho de metal ali enterrado na terra. Enquanto a semente da sequoia já deixou de ser semente, já morreu como semente, mas ela passou a existir quase como eternamente. Se tornou imortal na realização que ela propiciou para a criação. Então, quando eu penso na imortalidade — que é o tema dessa conferência, que é a segunda conferência do livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico" — eu penso que está muito clara essa imagem. Que a cada um de nós cabe, não é uma escolha, mas cabe uma oportunidade. Que aí sim a escolha é se nós vamos aproveitar ou não. O que nós vamos construir com a vida? O que a nossa vida vai ser cada dia mais? Aonde que a gente está colocando esforço? Aonde a gente está colocando energia? A que que a gente está dedicando o tempo vital da nossa existência física aqui na terra? A gente está dedicando a construir e acumular ouro? Ou a gente está dedicando a ir se constituindo numa semente cada vez mais rica em conhecimento, em consciência, em bondade, em amor, em compaixão, em compreensão, em paciência, em constância nesses esforços todos, em tolerância com os demais? Você vê que a gente precisa reconsiderar. Na verdade, a gente precisa reconsiderar o grande mote, o objetivo, a razão que nos move na vida. Porque a gente passa, por conta dessa cultura que a gente cresceu e que a humanidade vem cultivando há muitos e muitos séculos, a gente passa a vida perseguindo um objetivo que no fundo, no fundo é praticamente uma acumulação de bens. Só que não existe mais aqueles túmulos faraônicos. Existem, mas só existe para visitação. E no final, quando a existência física cessa, nem o ouro e as coisas não vão para o caixão. Se isso é óbvio e todo mundo sabe disso, não é à toa que há essa preocupação, essa dúvida cruel e que certamente corróia muito de, assim, meu Deus, e quando a vida acabar? Então, assim, eu olho para a minha vida hoje. Acho que essa metáfora da sequoia, da semente, plantar um grão de ouro, plantar uma semente, se tornar uma semente sequoia, se tornar grãos de ouro — eu penso que ela é muito válida para mim. Um dia, a gente nunca sabe quando, a minha existência física, como o Ronny, vai cessar. A pergunta é: o que eu terei me tornado até lá? Eu terei acumulado muitos grãos de ouro ou eu terei me tornado uma semente da sequoia? E aí cada um pode projetar, obviamente, a diferença. Você pode projetar. Se não for confortável projetar para si mesmo, projeta para mim. Bom, o Ronny, se ele for um grão de ouro, se ele for uma sequoia, que consequências tem isso para a vida consciente dele? Então, assim, como é que eu me torno? Como é que a gente pode passar por cima dessas limitações claras e óbvias da vida na parte da existência física? Para mim, o único caminho claro é o caminho de ir compreendendo o próprio pensamento criador que nos indica que a vida, na sua configuração aqui na Terra, na existência física, é uma vida de conhecer o pensamento criador através do conhecimento metafísico. E ir moldando em si mesmo uma obra que seja se tornando uma semente do que há de mais elevado na criação, que seja possível para cada um de nós. É compreendendo que não se vem à Terra para se acumular tesouros. Óbvio, porque não dá para levar isso para lugar nenhum. Mas que se vem à Terra a cada vez — esse é o meu entendimento — para ir se tornando cada vez uma semente mais poderosa, que deixe na vida de muitos, obviamente, não é algo que a gente não sabe definir quantos, não importa. Mas que deixe na vida daqueles com quem a gente viveu e conviveu a fração da nossa vida que se estende na vida dos demais. Você percebe que vai ter que mudar ou começa a mudar completamente a forma como a gente enxerga a vida? É exatamente esse convite a uma reflexão profunda sobre a forma como a gente enxerga o que a gente está fazendo aqui na vida terrena. O que a Logosofia faz como um convite. É sobre isso. O conhecimento logosófico é sobre isso. Está na mão de cada um de nós. Se a gente escolher. Essa é a escolha. A gente vai continuar acumulando grão de ouro ou a gente quer se tornar uma semente de sequoia? Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.