Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Leão Dentro de Você — A Jornada de Transformar Força Bruta em Humanidade
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- Oi, é o Ronny. Tudo bem? Muitas vezes, esse estudo que a gente faz todo dia me faz dar umas risadas sozinho aqui. É que você não me pega nesse momento anterior em que eu começo a rir de mim mesmo. Mas é muito engraçado, às vezes, porque me vêm imagens e eu começo a recordar de coisas, de fatos da minha vida. Eu começo a recordar do Ronny de outras épocas. E tem umas coisas assim que às vezes eu dou risada. Eu não sei se dou risada porque é engraçado, porque é aquela risada de nervoso, sabe? Assim, de — meu Deus, como era possível, né? E estava lembrando agora há pouco de que uma das imagens que lembro que, assim, durante a minha adolescência, ficou muito forte. E você vê, quando volto à minha infância, à minha adolescência, por que volto e tenho sempre recordado dessa época da vida? Porque estou sempre buscando esses sinais e entender o caminho das minhas superações, né? Daquilo que já consegui me superar, daquilo que já consegui endireitar, e que muitas vezes tinha comportamentos — eu tinha sinais claríssimos já desde a infância, depois da adolescência muito forte, dessas partes, dessas frações de mim mesmo, que eu precisava, de alguma maneira, começar a superar. Por quê? Porque certamente causavam, causaram, e seguiriam causando muitos problemas e muita tristeza na minha vida. Então, sempre volto para essa época e acho que, se você quiser aproveitar, sempre que faço referência a outras épocas da vida, é um convite para você também voltar também. E essa volta é com o intuito da gente melhorar, aumentar a percepção sobre nós mesmos, sabe? E muitas vezes ajuda. Quando a gente percebe comportamentos ou histórias, experiências, imagens que ficaram na nossa mente sobre essa época, acho que ajudam, tanto a mim quanto a você, a recordar coisas que vão nos trazer conhecimento e informações importantes sobre nós mesmos. Porque, às vezes, a gente fala para a gente: puxa, eu não lembrava dessa característica minha, não lembrava que eu agia assim, que eu agia daquele jeito, que eu fazia tal coisa. Por isso que meu estímulo sempre — primeiro para mim mesmo, mas te convido sempre a fazer o mesmo — a buscar na infância, na adolescência, essas referências, quando for oportuno, claro, quando for o caso. E estava recordando o que ficou muito marcado em mim. Não sei porquê, eu até tenho algumas imagens específicas, mas, assim, eu achava o máximo quando via aqueles documentários, na época — acho que era o National Geographic, ou tinha um ou outro documentário, era na Globo. Na época não tinha TV a cabo, não tinha canal nenhum de streaming, claro, e tinha só o Globo Repórter, que era um especial toda quinta-feira, passava a noite, eu acho, que era, às vezes, sobre natureza e eu adorava. E gostava muito quando era sobre as grandes feras da natureza — ou seja, os predadores maiores: leões, tigre, sei lá, tubarão. Mas, especialmente, o leão era a imagem, o tigre — então, que é o felino mais poderoso que tem na natureza, maior, mais perigoso, mais fatal. Mas, assim, por que acho que me encantava essa imagem? Me encantava porque a força, o poder, o papel de topo de cadeia alimentar. Aprendi que o leão era o rei da floresta desde pequeno, então, assim, nossa, o rei da floresta. E, obviamente, vendo aqueles documentários todos, foi formando em mim uma imagem claríssima de que, assim, o topo é ser essa. O que dá poder para o leão? Dá poder para o leão é, puxa, essa capacidade de — bom, vamos, entre nós aqui, de forma bem honesta — essa capacidade de matar as presas todas e qualquer outro animal, praticamente, da floresta. Em conjunto, praticamente, qualquer outro animal, salvo a dificuldade de alguns animais específicos, mas, assim, praticamente não era desafiado por ninguém. Veja, o leão, ele não é desafiado por ninguém, a não ser quando ele não é mais tão forte, tão poderoso, por causa da idade. Ele é desafiado por leões mais jovens, e esse é o ciclo que troca os chefes dos bandos de leão. Mas, tirando a própria raça deles, a briga pelo poder entre eles, não há desafiantes. Nenhum animal ou ser ousa desafiar o leão. E lembro que, para mim, era o máximo. E, obviamente, não foi por causa de nenhum documentário — olha só que interessante — é que essa realidade da vida, da natureza, da vida biológica, das espécies da Terra, ela encontrou uma predisposição e uma realidade em mim muito propícia para fixar essa imagem de que, assim, para ser importante — não é para ser importante, mas, assim, para se dar bem na vida, você precisa ser que nem um leão, cara. E aí lembro que achava o máximo. Na época eu já tinha aquele cursinho de nome "Anglo", que para quem está fora de São Paulo é um cursinho famoso em São Paulo, e é muito bom. E como meus filhos, os três fizeram Anglo nos últimos três anos, antes de entrar na universidade, eu acabei ficando próximo de novo do Anglo, e é uma marca que a marca dele sempre foi do leão. E desde que era novo, tinha a mensagem deles na mídia: era que, assim, desperte a fera que existe em você. E era um leão. Não lembro se era um leão rugindo, assim, a propaganda na época, como fosse que nem aquele leão da Metro-Goldwyn-Mayer — tem também o leão de uma produtora de filme antiga, ela foi comprada há muito tempo. Mas o Anglo era isso: desperte a fera que existe em você. Acho que eles usam isso até hoje, não lembro, não sei, tenho impressão. E lembro que é assim: eu achava o máximo. Então, comecei a cultivar essa imagem de que isso era o máximo. Mas especialmente porque eu já estava cedendo a essa fera que existe dentro de mim. Olha só, eu não fui moldado por nada disso, da mídia, essas coisas todas, dos documentários. Não é isso, é o contrário. Eu já tinha uma característica. Como todos nós passamos por isso nessa época da adolescência, quando a gente desabrocha a força do instinto. Porque lá na origem nossa, na época das cavernas, o instinto era a única coisa que mantinha a gente vivo no meio das dificuldades todas daquela época. Então, assim, nossa origem, vamos dizer assim, se baseou e suportou a origem da vida humana baseada no próprio instinto. O problema é que a gente nunca — vamos dizer nunca — que a gente não se desenvolveu bem o suficiente a ponto de civilizar a fera. E essa foi, para mim, a parte mais clara. O que percebi ao longo da minha vida é que aquela fera que surge na adolescência, quando prepara o ser humano para a vida adulta, quando tem que surgir mesmo aquela força, aquela energia da vida que vai enfrentar a vida como um todo — o problema é que a fera ficou no lugar que não era para ficar. Ficou no topo, no topo do controle. E, embora, lógico, eu nunca fiz nada — quer dizer, eu nunca fiz nada que merecesse ser chamado de fera, a não ser ser bravo, como era desde pequenininho, demais, em exagero. Porque, obviamente, minha psicologia já demonstrava que tenho uma — na minha linha, na minha trajetória espiritual — acabei ficando muito próximo dessa fera, das coisas materiais. Acabei dando muito espaço, certamente, para o instinto na minha vida. Como nessas voltas e voltas que a gente dá nesse circuito terreno, porque tinha essa proximidade muito grande com a fera, com essa parte instintiva, e o risco é isso: é na vida a gente acabar dando muita ênfase ou a gente dar muita corda para essa fera. E, de novo, veja, é sutil porque, em alguns como em mim, ela se manifestava na braveza, na impulsividade, na falta de paciência, falta de tolerância, falta de compreensão — uma série de deficiências psicológicas que era uma característica muito forte da minha psicologia. Olha, era difícil de tratar comigo naquela época. Espero que você hoje considere menos difícil, porque era muito difícil. Era exatamente essa força instintiva em toda a sua potência — como é o que a gente tem no instinto humano ainda — alimentando, na minha psicologia, o que tinha de mais instintivo também. Então, na verdade, eu era vítima. Como são todos os seres humanos que vivem isso. E cada um de nós vive isso de uma forma diferente. Porque, de novo, se as deficiências — vamos dizer as deficiências — não, vai, não vou falar de você, vou falar do ser humano em geral. Se as deficiências do ser humano são diferentes, cada um tem um conjunto, cada um tem um mix diferente de deficiências psicológicas, o instinto vai ativar e vai alimentar deficiências diferentes. Então, a gente não surge todo mundo igual, com as mesmas dificuldades e com os mesmos comportamentos. A gente vai ser atacado, essa força vai nos pegar de jeito, vai nos dominar de formas diferentes. Então, em alguns de nós vai gerar insegurança, falta de confiança em si mesmo. Vai gerar, em outros, muita vaidade. Em outros, muito egoísmo. Em outros, vai gerar muito apego ao material, muito apego às coisas terrenas. No outro vai gerar uma sede muito grande por viver uma experiência de sensações apenas terrenas, sei lá. Mas, em geral, tem aquela psicologia também que é tudo muito sutil, que por baixo do pano, aquela pessoa é muito cheia de intenções ruins, mas por fora parece um doce. Então, tem psicologias que isso atua de formas — o instinto pega cada um de nós de formas muito diferentes. Mas o fato é que essa força instintiva ela meio que ficou sem comando, ficou assim agindo como quer, do jeito que quer, e é o que de tanto em tanto nos surpreende. Porque a mim ainda me surpreende. Ainda de tanto em tanto, quando baixo a guarda um pouco, sei lá, se estiver num momento de algum dia que estou num momento meio assim inconsciente, a chance de dar uma resposta, a chance de, sei lá, de agir por impulso é grande. De dar uma resposta que digo assim, uma resposta inconveniente, sabe, inadequada. A chance de ter um momento de impaciência, de intolerância, de incompreensão, de impulsividade existe. E se estiver inconsciente, a chance é grande de acontecer um momento desse. E de vez em quando acontece ainda. E olho para, quando acontece, falo assim: cara, não é possível, Ronny, não é possível que você ainda deixou essa energia alimentar esses pensamentos que trabalha há tanto tempo para diminuir a influência deles na sua vida. Então, assim, é uma pena. Mas o que mostra que ainda estou nesse processo, obviamente, e ainda tenho essas fragilidades todas na minha psicologia. Porque isso não é um trabalho de um ano nem de dez, sabe? Eu sei que você vai falar: pô, Ronny, mas aí o negócio, quanto tempo dura esse trabalho aí de superação da própria psicologia, da superação desse estado mental, essa organização da mente, essa, assim, a gente tirar a energia, tirar, assim, diminuir a influência desses pensamentos negativos que vivem em nossa mente. Olha, sei que parece meio louco isso, porque a gente está sempre acostumado a fazer as coisas na vida em períodos mais curtos, do ponto de vista do tempo físico. Mas esse não é um trabalho para alguns anos apenas. Vou te dizer mais ainda. Achava que isso era um trabalho que ia ter que fazer e quanto tempo será que ia durar? Puxa, ia durar toda uma vida, será? Nossa, que dificuldade. Na verdade, é muito melhor que isso. Veja, a sensação que tenho hoje, clara, e falo sensação porque, assim, é uma parte já, é uma parte tão profunda já do meu entendimento que ele não é só compreender com a mente, mas é especialmente sentir profundamente que essa é a grande razão de ser da nossa vida terrena. A gente, minha compreensão, obviamente, sob a luz do conhecimento logosófico, é que a gente vem viver a vida terrena exatamente para realizar esse processo de elevação na terra, onde há que se provar em cada uma das lutas do dia a dia e, especialmente, nas lutas internas — essas que a gente, cada um de nós, sabe. Você sabe as suas, eu sei as minhas, e tem uma parte dessas lutas que nem eu sei as minhas direito e você também talvez não saiba as suas direito porque a gente ainda não se tornou consciente de tudo isso, né? É um processo. Mas essas lutas são exatamente a base da experiência humana na terra. Hoje, assim, minha compreensão é claríssima sobre isso. Essas lutas internas — então, estou falando das lutas internas agora — essas lutas que são exatamente as batalhas internas que vivo para ir tomando posse desse espaço mental, dessa dimensão mental minha, ou seja, da minha mente. Essa luta por destronar, sabe, tirar do trono o instinto e humanizar a mim mesmo. Deixar essa imagem de que é bom na vida ser fera porque a fera vai ficar por cima, vai dominar. Então, vou me defender bem das outras pessoas, as outras pessoas fazem, falam. E, de novo, essa imagem de que a gente deveria ser um trator, uma fera na vida para se dar bem — essa imagem é exatamente o que está no lugar impedindo a mim e talvez a cada um de nós de realizar a grande missão que a gente tem que realizar aqui. Qual seria? A de humanizar a própria figura humana sob a inspiração, com a inspiração de uma imagem do que seria o ser humano na sua manifestação mais elevada. Ou seja, é como se a gente fosse — está lembrando do último podcast, falei de sintonizar o pensamento da criação, ouvir essa quase uma sinfonia, o pensamento criador, a imagem, as imagens da criação, as leis, a engrenagem da criação — é para a gente se humanizar absorvendo tudo isso. É para a gente deixar de ter a fera no comando e usar a energia da fera para construir essa nova forma de ser. Essa energia da fera é útil quando está sob o comando de uma mente cada vez mais livre da influência do próprio instinto. Quando a mente, quando a consciência começa a despertar para essa realidade do que a gente veio fazer aqui, começa a nos guiar e começa a ser mais clara a razão de ser, de por que a gente tem que lutar contra a fera. Não para matá-la, mas para dominá-la e colocá-la a serviço do que seria a figura humana na sua mais elevada manifestação. Aí você fala: Ronny, legal, mas qual é então essa imagem que a gente tem que perseguir? Qual é a imagem para construir? Qual é essa imagem que tanto inspira, que poderia nos inspirar a ponto de a gente realizar esse trabalho de dominar, de humanizar a si mesmo, mas de se tornar menos fera e mais ser humano na sua imagem arquetípica? É exatamente o que busco. Busco essa ampliação de uma imagem que já vem se ampliando há muito tempo, que ressalta o que há de mais elevado na nossa característica como ser humano biológico, psicológico e espiritual. Para isso, preciso de conhecimento, exatamente para destrinchar esses mistérios e para interpretar esse conhecimento sobre a criação, sobre o próprio ser humano. Essa busca por ser, por se assemelhar ou por se identificar, se aproximar ao pensamento criador, é a busca por essa imagem arquetípica em que a fera tem um lugar muito específico: que é essa de ser apenas uma fonte energética, uma das fontes energéticas da vida humana. Mas já não cabe mais essa valorização ou essa manifestação solta, a vontade da fera que existe em cada um de nós, do instinto humano. Essa imagem, ela não serve. Embora pareça que serve para a vida, para o verdadeiro propósito da vida humana, não serve. E demorei muito tempo para entender isso. Agora o ponto é: como é que a gente realiza esse trabalho? Como é que a gente humaniza a si mesmo primeiro, para a gente então poder ver um mundo em que a gente se pareça muito mais, se a gente esteja muito mais próximo com as imagens dos — vamos dizer assim — dos anjos, do que com a imagem das feras. A imagem do superior, do divino, do que é mais elevado na criação, deveria e deve ser a imagem que norteia esse artesão que cada um de nós pode ser, em que a gente vai transformando a si mesmo, deixando de lado essa força que domina a nossa mente, para a gente dominar essa força com a própria mente. A logosofia veio exatamente — como diz inclusive o ensinamento nessa conferência que a gente está, essa que chama "Logosofia Entranha Forças Construtivas" — a logosofia veio como conhecimento também para humanizar o ser humano. O conhecimento transcendente humaniza o ser humano, porque é exatamente o conhecimento que tem feito eu deixar de ser aquela fera — contrário à propaganda lá que achava o máximo — deixar de ser a fera ou parar de deixar a fera me dominar e passar a dominar essas forças todas internas. Para que eu possa viver as lutas da vida terrena cada vez de uma perspectiva mais elevada. E nessa perspectiva mais elevada é onde finalmente a vida terrena começa a não mais deixar a gente tão agoniado, angustiado, ansioso e triste por conta daquilo que ocorre fora de nós mesmos. É dessa perspectiva mais humanizada — ou seja, rumo ao domínio da mente e ao conhecimento de si mesmo — de onde a gente pode começar a mudar a forma ou a gente experimenta uma nova forma de passar por todas as experiências terrenas sem que a gente esteja mais sujeito e a nossa felicidade, nossa paz, nossa serenidade estejam sujeitos às alternâncias dos fatos e circunstâncias da vida. Então o convite é humanizar a si mesmo, mais. Se você já está bem humanizado, ótimo, mas é possível humanizar mais. Digo por mim: é possível humanizar muito mais. E tudo bem, cada um de nós está num ponto dessa jornada. Não tem nenhum problema. E o ponto é muito próprio da jornada espiritual que é única para cada um. O convite é vamos juntos, nos apoiando. Esse é o ponto mais importante. A gente tem a essência do que a gente precisa, que é o conhecimento transcendente que é o que realiza esse trabalho e nos permite humanizar nós mesmos. E a gente não está sozinho. Tanto com esse conhecimento e sabendo que nós não somos um só no mundo fazendo esse trabalho. Mas nós estamos num grande movimento de bem. De humanizar primeiro a nós mesmos cada vez mais e obviamente junto com isso poder colaborar para que a humanidade se humanize também. E aí muitos problemas humanos vão sendo resolvidos e talvez um dia serão resolvidos por inteiro. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.