Latest / Logosofia no Dia a Dia / Para Que Você Acorda Todo Dia? — A Diferença Entre Sobreviver e Super Viver
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tava aqui me perguntando algumas coisas. Assim, é bom a gente perguntar pra si mesmo, fazer perguntas pra si mesmo quando a gente quer chegar a algum lugar, alguma resposta, alguma — quando tem alguma coisa nos inquietando, sabe? E a gente precisa perguntar algumas coisas pra nós mesmos pra que a gente puxe a mente pra mais esforço. A mente às vezes tem preguiça. Eu observo que a mente às vezes tá naquele torpor, sabe? Tá meio devagar mesmo. Não é porque acordei — a mente tá devagar e ela com o tempo vai se movimentando. Eu entendo que é porque a mente não está acostumada a trabalhar em cima das questões que de fato interessam a vida. Porque a nossa mente está acostumada a trabalhar em cima das coisas, das questões do dia a dia. E aí toda vez que surge na mente uma necessidade nossa do ponto de vista espiritual, surge alguma inquietude sobre a vida, a mente tem dificuldade de trabalhar aquele aspecto em busca de uma posição frente àquilo. Por quê? Porque exatamente ela tá com dificuldade — porque não tá sendo praticada, não tá sendo treinada, não tá sendo utilizada pra essa função com constância. Então eu tava me perguntando, voltando ao ponto da pergunta — eu tava me perguntando assim: para que eu acordo todo dia? E essa é a pergunta que eu vou estender pra você: para que você acorda todo dia? Veja, eu sei que a gente acorda porque a gente dormiu e pra começar o dia. Mas a pergunta, olha só, é a seguinte: para o quê você acorda todo dia? Você tá confuso, né? Tá bom. Quais são as opções de resposta? Você acorda para viver a existência terrena e cumprir as coisas, os compromissos. Ou você acorda pra viver a vida. O quê? Pareceu que é a mesma pergunta? Não parece duas opções diferentes? É, eu sei — é sutil, né? Mas você pegou a sutileza. Veja, porque uma opção é acordar de forma inercial. Lembrar que a inércia é aquela tendência a todo corpo permanecer no movimento que está. Se não houver uma força exercendo alguma pressão sobre o objeto, então se não tiver inércia e nem atrito — por exemplo, uma bola ficaria rolando eternamente no plano se você empurrasse ela. E é por conta da inércia que um foguete, um satélite, um corpo, qualquer objeto no espaço fora da atmosfera permanece na mesma velocidade que está depois que desliga o motor, por exemplo. E ele permanece porque não tem atrito. E se não tiver alguma outra força, ele vai ficar naquele movimento eternamente, claro. Então a nossa mente — isso que eu estava pensando — a nossa mente, ela tem essa tendência de ficar no mesmo movimento. Ou seja, que é o que a gente acabou fazendo quando a gente nem era consciente de nada, na adolescência, na juventude. A gente acordava pra viver a existência terrena apenas. E eu percebi que eu segui durante muito tempo, acordando pra seguir só a mente, sobrevivendo. Mas a gente tem que sobreviver, não é isso? É exatamente a luta, não é isso? Não é a vida terrena? Essa é a existência terrena. A gente existe aqui na Terra, sim. E é preciso realizar tudo que a gente realiza, é preciso fazer, enfrentar os desafios que a gente enfrenta, conquistar, construir. A gente vai cair, vai tropeçar. Enfim, não preciso falar o que é óbvio. Mas se a gente acorda todo dia pra sobreviver na existência terrena — é sério, eu vou falar por mim, obviamente eu não vou afirmar por você, mas me acompanha nesse ponto — se fosse pra acordar todo dia só pra isso, você concorda que a gente ia ficar cansado quando as circunstâncias não fossem favoráveis? Porque, olha só, é muito fácil acordar pra viver a existência terrena quando as circunstâncias e os fatos da vida são favoráveis. Mas todo mundo sabe como é difícil acordar já olhando pra problemas ou situações que têm que ser resolvidas. E como isso angustia, causa ansiedade, causa aflição. E às vezes causa desânimo saber que tem que enfrentar tal ou qual situação ou experiência. E por que que a gente experimenta isso? Exatamente porque a gente tende a acordar pra viver a vida e a existência terrena enquanto a gente deveria — e poderia, digo muito mais — a gente pode passar a acordar pra viver a vida. Aí você fala: "Olha, é a mesma coisa." Não é a mesma coisa. Porque é sutil, mas são duas faces que são diferentes de uma mesma realidade. A face da moeda — a cara e a coroa são parte da mesma coisa, sim. Mas são iguais? Não, as duas faces são muito diferentes. Mas são a mesma coisa. E qual seria então a diferença que há em acordar pra viver a vida ou acordar pra sobreviver e passar pela existência terrena mais um dia? Esse é o ponto. Esse é o ponto que tem potência. E potência tem a possibilidade de mudar muita coisa na vida. Porque se a vida fosse existir na terra pra sobreviver a situações e experiências apenas — primeiro, que a gente já está apenas reproduzindo o que todas as outras espécies na terra fazem, fizeram. Inclusive muitas já se extinguiram que sobreviveram enquanto conseguiram. Aí por fatores diversos se extinguiram. Outra coisa é quando a vida ganha um objetivo, uma mira, um olhar pra ela, um compreender a vida de forma que a experiência humana é muito mais — finalmente surja com muito mais do que sobreviver aos anos físicos e aos dias. E passe a ser a obra de construção de um ser humano completamente superado em relação ao ser humano que eu era antes. Porque essa obra, esse objetivo, essa missão, essa mira, esse olhar — dessa forma a vida eleva a vida a um nível em que o dia a dia começa a se transformar de fato num campo experimental para esse objetivo. Veja, é diferente quando eu acordava todo dia pra sobreviver ou pra apenas passar pelas experiências da existência terrena, em que era praticamente um dia depois do outro nesse movimento inerte, com a inércia, a mente na inércia de apenas tratar das coisas fora de mim mesmo e apenas — ou pelo menos praticamente — cuidar muito mais das coisas materiais. Veja, que é importante — eu falei, tem que viver isso, não dá pra não viver isso também, né? Uma outra pessoa tem uma experiência diferente por razões várias, mas a grande maioria de nós vai passar, vai ter que passar por todas as experiências da vida terrena mesmo, da sobrevivência, de se manter, de ter liberdade nesse mundo, de andar pra um lado e pro outro, de ver as coisas, de viver as experiências. Mas se fosse só isso — sob o ponto de vista de que se acorda pra viver isso como fim, como se essa fosse assim a grande experiência — é muito limitante isso. Quando o conhecimento começa a enriquecer a mente, quando o conhecimento transcendente começa a despertar na mente essa compreensão clara sobre a vida ser muito mais ampla do que a existência física do ser humano na terra, a gente começa a olhar pro dia a dia de uma forma completamente diferente. E nisso, se você parar pra refletir sobre isso, você vai ver que nisso já tem uma possibilidade de mudar a forma como a gente acorda. Porque a gente acorda e a gente olha pra o quê? Por isso que eu perguntei: você acorda pra quê? O "pra quê" que eu digo é pra que objetivo? O que que é que move cada um de nós? Quais são os movimentos na mente quando a gente acorda? O que acontece na mente? Porque o risco dessa inércia mental que a gente vive é acordar e a mente começar um movimento inercial que ela vem há anos e décadas na vida de cada um de nós, focada nos problemas terrenos, praticamente ignorando ou — vamos dizer assim — esquecendo. Mas o esquecimento é similar à ignorância, né? Quando você esquece alguma coisa, você passa a ignorar aquilo. Então a gente pode considerar que ignorância e esquecimento não são muito diferentes. "Mas eu já soube, já percebi, só não lembro." Então se não lembra, não existe. Aquilo que a gente perdeu, por exemplo, não existe pra gente, né? Perdeu um dia uma moeda que ficou em algum lugar — não existe pra você mais. Você sabe que ela existe em algum lugar, mas não está na sua mão. Perdeu uma coisa que nunca mais achou. Então o esquecimento, do ponto de vista interno — agora, quando a gente esquece, por exemplo, se a gente esquece uma passagem da vida, uma experiência que a gente viveu, ela deixa de existir. Ela já não existe como acervo mental, como referência, como parte da vida. Então se a gente esquece todo dia que existe a possibilidade de viver uma vida em muito mais aspectos do que cumprir os compromissos e a logística, ou cumprir as experiências da existência na terra — se a gente esquecer, ou se a gente não souber — é extremamente limitante. E aí passa a se acordar, como a gente acordou talvez a vida toda, e a humanidade a maior parte acorde pra seguir na inércia do dia a dia. E pior — aí vem as experiências do dia a dia, aquelas que não estão idealmente como a gente gostaria, pesam. E aí o acordar pode ser, pode passar a ser aquele peso. Eu já vivi isso muitas vezes — de acordar e sentir assim: "Ah, nossa, hoje vai ser passar por aquela experiência. Tem que fazer tal coisa, tem que resolver tal coisa." Chega a ser quase um peso. A gente sente o peso. Você já sentiu alguma vez isso, né? Ou como eu, talvez já sentiu isso de forma constante. O que muda essa posição interna — de para que cada um de nós acorda — é determinante. Ou vamos dizer assim, é um indicador claro de como é que a vida de cada um de nós vai se desenvolvendo. E se é fato — porque eu entendo que é — que cada um de nós quer super viver a vida, ainda que essa imagem não seja muito clara para cada um de nós, independente do quanto cada um entende do que pode ser a vida além do que já vive, né. Mas eu chamo isso de assim: é super viver a vida, não sobreviver na vida. E ainda que eu esteja formando ainda, cada vez de forma mais ampla, mas é sempre estar em formação — essa imagem do que é super viver a vida. É preciso dar esse conteúdo superior. É preciso despertar a mente para que cada dia a mente comece sua atividade, não para sobreviver e sim para super viver. Aí você fala: "Ah, Ronny, mas como é que é isso?" Bom, essa é a missão, mais uma forma de a gente entender a razão de ser e a missão do conhecimento logosófico. É um conhecimento que transcende e portanto leva a mente a esse plano muito mais amplo e já acima da apenas sobrevivência da existência terrena. Cabe a cada um de nós determinar essa transição entre acordar para a existência e apenas existir na terra, ou passar a acordar com estímulo, com a sensação de que abre-se mais uma janela de oportunidade para seguir o trabalho de superação e de despertar cada vez mais amplo e intenso da consciência para a realidade da criação, da própria vida do ponto de vista consciente e espiritual, e das maravilhas que esse despertar proporciona em possibilidade para cada um viver. Razão pela qual eu mergulho todo dia na fonte desse conhecimento logosófico. Razão pela qual eu sigo aqui e contando com você, sabendo que eu não estou sozinho e que isso é algo que interessa a nós todos, ainda que muitas vezes a gente se esqueça disso. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.