Latest / Logosofia no Dia a Dia / Os Sinais Que Você Ignora — Como a Vida Fala Com Você Antes de Gritar
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Você deve lembrar, bom, você estava aqui comigo alguns meses atrás, quando eu contei que eu tinha lesionado um músculo meu, o anterior da coxa esquerda, né, e eu, na verdade, mencionei na época que lesionei por uma razão que eu sei qual é, que foi excesso de treino. Tem um termo que se usa tecnicamente chamado overtraining, que é assim: eu exigir do músculo mais do que deveria, numa frequência maior do que deveria, por um tempo maior do que deveria. E assim, por um tempo que eu digo por várias semanas e meses, ou seja, eu errei. É um equívoco, foi um equívoco na capacidade de julgamento, obviamente por conta de vários fatores. Há um excesso, geralmente, de otimismo na própria capacidade, há um estímulo, um entusiasmo, assim, que pode ser exagerado por conta do próprio ritmo e do próprio desempenho, e da forma como a gente está vindo naquele ritmo. E qualquer coisa na vida, isso. Então, foi uma série de fatores, obviamente. Você pode falar assim também a idade. Talvez se eu tivesse 20 anos, não sei, talvez o corpo conseguisse resistir mais. Na minha idade, eu não sou mais um jovem de 20, embora eu me sinta como um jovem de uns 35, mas o corpo diz que não, numa hora dessa, o corpo diz que não. Bom, você fala: legal, Ronny, e aí? Bom, o fato é que eu estava pensando muito. Eu já estou — obrigado — eu estou melhor, obrigado pela preocupação. Sim, estou melhor, e já voltei a treinar a perna mais leve, e estou devagarzinho. Acho que mais uns dois meses eu recupero, espero ter recuperado, uns dois, três meses, a capacidade anterior. E sim, eu aprendi a lição também, fica tranquilo. Mas o ponto importante dessa experiência tem vários — aliás, vários aprendizados nessa experiência. E aprendizados, que eu digo, para a vida, não só aprendizados para a academia ou para treino, especialmente para a vida. Essa acho que a maior alegria que a gente pode ter em qualquer experiência mais difícil na vida é conseguir tirar da experiência alguma, um fator de aprendizado mesmo, algum tesouro. Tem que ter algum ganho. Uma experiência dura, qualquer que seja ela do ponto de vista físico ou emocional, ou um desafio muito forte do ponto de vista psicológico, mental, problema para resolver muito complexo, não importa. Qualquer dessas situações da vida podem ser sempre — qualquer uma delas pode ser sempre um ponto de, não só de avanço, mas de conquista. Acho que é mais do que um avanço, é um ponto de conquista. Sabe quando você sai de um período da vida, de um dia, de uma experiência qualquer, e fala assim: finalmente eu entendi isso? Então, nesse caso, nessa experiência que eu estou narrando, que a experiência foi assim — a Ronny, é uma coisa simples, uma lesão muscular — é simples, mas, nossa, faz dois meses que eu não esqueço dela, assim. Todo dia, o dia todo, em algum momento, assim, em vários momentos ao dia, eu sou recordado do erro, do meu erro. Isso é legal, por quê? Porque tem essa propriedade de ser uma sinalização, de que eu me equivoquei. Aí você fala: mas Ronny, mas já não precisava seguir tanto tempo? A vida não precisava seguir dizendo para a gente com frequência e com constância que a gente errou naquilo? Já passou. Pois é. Então, há uma — quando a gente se coloca na vida, tem algum mau conduto, faz algum, se equivoca mesmo, comete algum erro — em geral, tem várias consequências. Ou às vezes são muito simples. Se errar, está dirigindo e entrou na rua errada, a consequência, em geral, não é muito grande. Você vai só perder alguns minutos, ou muitos minutos, dependendo de onde você estiver, para você voltar ao caminho que você queria. Mas é uma consequência que, sim, não tem significado para a vida. Então, tem situações que são erros que são praticamente irrisórios. Há erros e equívocos como esse, por exemplo, da lesão no músculo, que são, vamos dizer assim, também são pequenos. Têm impacto na vida física só, e duram um tempinho um pouco maior, mas assim também nada que eu acho que vai alterar definitivamente nada. Agora, tem outros equívocos que a gente faz, outros erros, em geral, de julgamento, influenciado por pensamentos e deficiências da própria psicologia, que causam, às vezes, alguns causam também incômodos rápidos, ou passageiros, mas outros causam problemas seríssimos na vida. Se não são sérios demais a ponto de mudar muito a vida, mas perduram no tempo. Eu lembro, por exemplo, de condutas minhas que marcaram o meu interno, e esse encontro tristeza, sabe? De eu ter feito, falado alguma coisa assim, que eu falei: puxa, por que eu fiz isso com tal pessoa? Nossa, eu lembro de umas coisas assim de adolescente, e, puxa, totalmente, assim, eu dou risada hoje de nervoso, sabe? Assim, por que eu era tão descontrolado e falava as coisas sem pensar? E enfim? Bom, eu sei por quê, né? Porque a minha psicologia era uma psicologia que era própria para isso, toda solta e toda desenfreada, movida por pensamentos e deficiências, de um ímpeto muito grande. Tudo no impulso, era muito ruim. Aí você fala assim: ah, Ronny, que bom que era, né? Falei: pois é. Então, há uma superação desse período? Claro que há. E eu certamente não sou o ser humano que eu sou hoje, não é o ser humano que eu era quando eu era um jovem adulto. E não foi só porque eu estou mais velho, mas é porque nesse período em que eu me tornei o ser humano mais velho, eu, de fato, decidi que eu ia deixar de ser, na medida que eu fosse capaz, eu ia deixar de ser tudo aquilo que me incomodava, que me entristecia, que me causava algum dano, sabe? Na vida, na convivência, na forma de me colocar no mundo e na experiência humana. Mas voltando à situação do músculo, tem um detalhe — olha que interessante. Eu, na verdade, a lesão não foi um dia de repente. Eu fui observando e sentindo, nas semanas antes do dia em que eu senti que estava uma coisa muito errada, que eu estava machucado, eu fui sentindo um certo incômodo nos exercícios, no músculo. Mas eu vou te dizer qual foi o pior erro que eu tive: o pior erro não foi ter entrado na situação de overtraining, de treinar demais. O erro foi não ter dado importância aos sinais claríssimos que o meu corpo estava dando, nas semanas antes, durante várias, algumas semanas, antes da lesão. Aí você fala: ah, Ronny, não é possível. Pois é, até vergonha de falar isso, né? Porque você é um cara que já caminhou tanto, e como é que você deixou isso acontecer? Então, já não vamos falar do leite derramado, já está derramado. E eu estou dizendo isso para vocês exatamente para reconhecer que, assim, nenhum desses erros, ou nenhum dos prejuízos, dos problemas da vida, em geral, aparecem de repente sem aviso nenhum. Lógico, esse, no caso do músculo, é super fácil de identificar depois, porque antes eu achei que era só um incômodozinho que já ia passar. Então, lógico que quando a gente olha para trás, às vezes é muito mais fácil você olhar e analisar uma experiência e um fato histórico, igual a história. Ah, que erro que a gente cometeu historicamente. Pois é, depois que passou, é sempre mais fácil. E por isso até que a gente tem que ter mais condições mentais e ter a consciência cada vez mais capaz também para que a gente evite os erros, porque senão é sempre só depois que a gente tem capacidade de avaliar alguma coisa. Mas isso não ajuda muito a felicidade, a manutenção da felicidade de cada um de nós. Mas, enquanto eu estava falando dos sinais, eu quero chegar no ponto que é o seguinte: a nossa vida, a minha, a sua, independente das diferenças que nós temos, eu e você, e de como cada um de nós encaminhou a vida nos diversos campos da experiência humana até hoje, quantas vezes nós não tivemos sinais claros de que alguma coisa não estava bem, e a gente eventualmente desconsiderou? Tudo bem, por mim eu garanto que sim. Eu não estou dizendo que você já viveu isso, mas a chance de você pensar depois e falar: puxa, é, também, Ronny, você me dizer que tenho sim algumas situações assim, passei por isso já. E o que é exatamente isso? Olha só que interessante. A gente vive uma vida num mundo que às vezes a sensação é de que tudo isso aqui é um grande acaso. E certamente não é. Há muitas, muitas e muitas e muitas indicações claras para a mente atenta de que nada disso é um acaso. E mais: que a nossa vida, ela é a intersecção entre um ser, uma estrutura biológica, psicológica, mental e espiritual que nós somos, vivendo num mundo em que nós somos apenas um dos tantos fatores que se alternam aqui. E que isso representa a vontade do próprio pensamento criador. Que há uma linguagem clara pela qual o pensamento criador se comunica com todo o criado. Você fala assim: como assim, Ronny? Ué, fácil da gente começar a pensar nisso. Quantas leis da física e das outras faces da verdade, da realidade, a gente já não destrinchou? E essas leis, mesmo antes de destrinchá-las ou não, a gente já as entendia e respeitava. Na medida que a gente vai compreendendo a linguagem do pensamento criador, a gente vai respeitando. Eu gosto sempre de lembrar da lei da gravidade. A lei da gravidade, ninguém precisava — a gente não precisava esperar que alguém definisse a lei da gravidade para respeitá-la, né? Ao contrário, o ser humano entendeu desde a época da caverna que era bom não se jogar do penhasco porque definitivamente não tinha capacidade de voar e ia cair. Se pular de um lugar alto, a criança já entende a lei da gravidade logo cedo. Aliás, está aí talvez a lei que a gente entenda primeiro, a parte da criação, do pensamento criador que a gente entende mais rápido. Acho que na vida é a lei de gravidade, que a gente entende quando bebê ainda, quando começa a dar os primeiros passos. Rapidamente a gente entende sobre isso, ainda que a gente não consiga definir. Então, há uma forma clara pela qual o pensamento criador se comunica com todo o criado, com a criação toda. E nós, como súditos da criação e presentes aqui nesse planeta, vivendo essa experiência humana da nossa humanidade aqui, a gente foi destrinchando muitos desses sutis detalhes do pensamento e da criação. Porém, eu penso que o mais difícil é entender a vontade do criador através de tudo isso, porque é que nem olhar para a própria vida. Nós somos o que há de mais... Ah, eu não consigo ver... Assim, eu consigo ver longe o todo da criação física, mas eu não consigo ver nada mais maravilhoso que esteja ao meu alcance do que a minha própria vida e a própria vida humana como sendo o grande livro que o pensamento criador escreveu para cada um de nós. Assim, é conhecer a si mesmo, é conhecer a obra desse sensacional artista que criou tudo, que plasmou tudo, que pintou tudo no universo. Então, de um certo modo, a gente pode entender o seguinte: quando a gente observa e vive a vida e começa a ter consciência dos fatos, das causas, das consequências, das alterações que os atos, que a conduta da gente causa em nós mesmos e nos demais, a gente começa a compreender a linguagem do pensamento criador. Assim também como, por exemplo, se comer em demasia, num exagero enorme, vai passar mal. Outra coisa que a gente aprende cedo na vida, né? Ah, quando eu bebia, quando eu era jovem, exagerou numa noite, passou mal de beber cerveja ou algo parecido. Essas coisas, sim, são fáceis de entender, porque para nós já são meio óbvias. Mas essas são as fáceis, as mais simples dessa linguagem com a qual o pensamento criador fala com a gente, né? Deus fala com a gente. Ah, mas esse é o corpo da gente falando com a gente. Pois é. Quem criou esse corpo, né? Quem criou essa engrenagem? Quem determinou e regulou esse equilíbrio que existe e a capacidade de cada órgão do corpo? Veja, isso tudo não tem nada de acaso aqui. Há uma inteligência suprema, obviamente, por trás de um mecanismo tão perfeito e maravilhoso. Só que eu, obviamente, não necessariamente mantive esse mecanismo de forma equilibrada durante uma parte da minha vida. Só comecei a fazer isso quase quatro anos atrás. Então, voltando ao ponto: a linguagem da criação, ou seja, a linguagem de Deus, do pensamento criador, como você queira considerar isso, é uma linguagem que está presente na criação desde que a gente acorda, abre o olho para a vida aqui no mundo. E depois as possibilidades, obviamente, são muito maiores de compreender essa linguagem e de ler essas instruções sobre a própria vida e existência, embora a gente tenha a facilidade de fazer isso do ponto de vista físico. Então, já entende que não é para abusar daqui, abusar daquilo. Eu já entendi que agora tem que observar os sinais. Porque até isso, essa linguagem é clara. Ela dá sinais, ela avisa a gente, ela dá um warning, ela dá uma advertência antes, geralmente, da gente chegar num ponto que vai causar um mal maior. Mas, em geral, acho que a tendência da inconsciência minha, pelo menos, era ignorar esses avisos em qualquer coisa da vida. Não só... Estou falando do músculo porque foi um exemplo fácil de entender. Mas quantos avisos eu não ignorei? Quantos? De que aquela linha de conduta, aquela forma de me colocar frente a alguma coisa não era ideal. E que eu estava me colocando numa situação que podia ser de, depois, algum tipo de tristeza, prejuízo na vida, do ponto de vista de sofrer mesmo. O próprio sofrimento não é já a própria criação, o pensamento criador falando com a gente de que tem alguma coisa errada na vida? A angústia, a ansiedade generalizada que a gente, lógico, em medidas diferentes, mas que todo ser humano acaba sentindo e passando, já não é uma forma, não é uma expressão do pensamento criador nos apontando que tem algo errado na forma como a gente está encarando, vivendo, equilibrando a vida, se colocando frente à experiência humana? Isso, para mim, está claríssimo já. Essas são reflexões que surgiram já muito fortes na primeira abordagem, a primeira conferência que a gente começa agora. A primeira conferência do livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", e essa primeira conferência chama-se "A Linguagem do Criador". Lindo, não é? Pensar que é uma coisa tão óbvia, uma coisa tão simples, ou parece já presente na vida, e eu não tinha me detido sobre isso, ou raramente me detenho sobre isso. Uma conferência que foi pronunciada, foi dada pelo autor da Logosofia, o González Pecotche, em março de 1939, em Montevidéu, no Uruguai. Então é muito legal. Esse livro tem 72 conferências, e elas vão nos dar, vão nos levar para uma viagem, não no tempo e nos lugares, porque não é o caso, mas na concepção logosófica em seus alcances mais incríveis. E eu espero que você se estimule a ler e a buscar aquilo que possa em você ecoar, ressoar, fazer eco mesmo, e te dar motivos muito importantes de reflexão. Boa leitura, boas reflexões, fique bem, e até o próximo podcast.