Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Vivendo Fora de Si Mesmo? A Crise Silenciosa da Humanidade
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Se alguém me perguntasse, há um tempo, bastante tempo atrás — há vinte anos atrás, mais um pouquinho — se alguém me perguntasse assim: "Qual é a causa das minhas tristezas? Qual é a causa das minhas agonias e, enfim, angústias?" Eu, provavelmente, ele está uma série de fatos e circunstâncias da minha vida. E isso eu penso que é regra quase geral. As pessoas tendem a atribuir a fatos e circunstâncias a causa do sofrimento. Até porque, como eu sempre recordo, uma boa parte desses fatos e circunstâncias que a vida vai apresentando não são exatamente de acordo com aquilo que cada um, entre aspas, quer, ou com aquilo que a gente, especialmente, com aquilo que a gente foi levado a acreditar que deveria querer. Engraçado isso, né? Por quê? Porque a gente tem uma imagem sobre o que é ser feliz, que é uma imagem que se a gente realmente coloca ela no microscópio, a gente vai perceber que é uma imagem cheia de problema. Ou seja, a gente acabou comprando — nos foi vendida essa imagem — a gente acabou comprando da cultura corrente, absorvendo essa imagem razoavelmente distorcida de que ser feliz era viver uma vida em que nada acontecesse que nos perturbasse ou que ninguém nos criasse dificuldades, que a gente não tivesse que enfrentar problemas sérios na vida. Mais ou menos essa imagem que a gente comprou, não é? Tanto é que a gente passou a vida, uma boa parte da vida — pelo menos eu passei — correndo de problema, maldizendo problemas e reclamando de problemas. Talvez reclamando — não, não — mas assim falando: "Puxa, que, puxa, tem que falar, fazer isso, está acontecendo isso, ai, tem que resolver isso." Meio que lamentando, reclamando. Eu não fui, nunca fui de reclamar, mas eu já me lamentei muito. É como se fosse um — sei lá — como se eu acreditasse realmente que tudo aquilo que acontecia comigo era contra a minha felicidade. E talvez isso seja uma causa, uma das causas principais da infelicidade que eu vivia. Todos, todos assim, as angústias, as ansiedades — porque da humanidade também talvez seja a causa. Porque a partir do momento que a gente acredita que os problemas e a causa dos problemas da vida estão todos fora de nós — são exatamente esses que as pessoas outras ou que as coisas acontecem de um jeito ou de outro — a gente vai e foi se afastando daquilo que é ou deveria ser motivo de mais atenção nossa: a própria vida interna de cada um de nós, que se constitui no mundo que existe e que ninguém que está fora de nós controla. Então, é um mundo que desrespeita cada um de nós. O fato desse mundo permanecer alheio, praticamente ignorado pelo ser humano durante toda a trajetória da vida dele e toda a nossa trajetória ao longo de milênios — pelo menos da grande maioria de nós — o fato de esse mundo ter permanecido um mistério ou uma escuridão, certamente, hoje eu olho e falo que essa é a causa que me fez sofrer tanto na vida. E que ainda me faz sofrer quando eu caio de novo nessa pretensa avaliação equivocada — que não é uma avaliação, porque se fosse uma avaliação bem feita pela inteligência, eu ia ver que estava equivocado — então, mas uma pretensa avaliação de que agora está difícil ser feliz porque aconteceu tal coisa. É, o que fulano e Beltrão fizeram assim assado. Então, um fato que a gente precisa talvez considerar como ponto de partida é que a cultura que a gente absorveu e a gente também viveu assim — pelo menos durante boa parte da vida ou maior parte da vida — é uma cultura que nos fez ir para fora de nós mesmos. Eu demorei para entender isso, sabe? Assim, o que que isso significa de fato, ou pelo menos, qual o significado um pouco mais do significado essencial disso? A gente passou a viver uma vida em que tudo estava atrelado ao que está fora de nós. Tanto é que quando eu era jovenzinho, eu botava a culpa nas outras pessoas. Qualquer coisa que acontecesse de ruim e errado, eu falava que era culpa de alguém. E buscava a culpa nos outros — exatamente o que eu estava falando agora há pouco. E, infelizmente, essa vida foi puxada, foi atraída para fora de cada um de nós. Foi uma vida que também propiciou que a gente deixasse de cultivar o que internamente tem muito valor. E muitas vezes a gente passou a cultivar o que em aparência tem valor. Olha que doideira que é isso. Você já pensou nisso? A gente passou a cultivar uma vida em que a aparência tinha valor. Tanto é que eu e você conhecemos gente que dá extrema importância ao aparentar ser alguma coisa. Então muita gente dá importância a aparentar ter dinheiro e posses. Muita gente dá, faz muito esforço para parecer que é simpático, bacana, legal, divertido. Enfim, as pessoas vão tentando — foram tentando construir essa persona. Isso foi um contínuo, eu penso, na história da humanidade. Sempre, lógico, salvo as ações que assim não fizeram. Mas assim, estou falando da grande parte da humanidade. Eu me incluo sempre nessa grande parte. Em que a gente foi deixando esse movimento e nos levando para fora. A cultura corrente, a cultura vigente, ela tem essa péssima mania de levar cada um de nós para fora de nós mesmos. É só a gente olhar o que aconteceu nessas últimas décadas com a cultura da informação disponível na palma da mão. A gente está vivendo muito para fora de nós mesmos, passando tela, olhando tela e meio que respondendo a mensagens o tempo todo, ou vendo coisas que estão acontecendo no mundo e com alguém. Olha que loucura que é isso — o quanto a gente se afastou de dentro de nós mesmos. E que hoje isso está super, super exacerbado por conta dessas ferramentas de acesso imediato ao mundo, como a gente tem. E é assim, eu penso que essa crise está num momento agudo. Não está assim num momento de "ah, está ficando tranquilo". Não, não. Está num momento agudo, está assim, está piorando. Esse constante fazer isso está piorando o estado atual da felicidade humana. Não é à toa que a gente está vendo o degringolar, especialmente das gerações dos jovenzinhos, adolescentes e agora até crianças pré-adolescentes. Quanto mais acesso têm a essas ferramentas, mais estão sendo levadas para fora de si mesmas. É uma situação muito crítica. Veja, não é um detalhe isso. É muito sério esse problema. Porque de novo, voltando ao ponto inicial, vai-se buscando cada vez mais fora de si mesmo os motivos de felicidade. E justifica-se fora de si mesmo, com alguma coisa que está fora de si mesmo, motivos da tristeza, da angústia, da depressão, de tudo. Quer dizer, vai criando — a gente está vivendo fora de nós mesmos. Isso vai criando uma apatia frente à própria vida de cada um. Não é à toa. Veja, eu estou falando de um assunto que é premente — é algo assim, a gente está no meio de uma crise. Eu avalio assim: nós estamos no meio de uma crise em que a gente poderia talvez atribuir ou resumir essa crise a esse hábito que a gente vem cultivando há muito tempo de viver fora de nós mesmos. E tudo quase que essa cultura oferece é puxar a gente para fora de si mesmo. Tudo, é impressionante. Lógico, toda ferramenta bem utilizada, ela pode favorecer a vida. O problema é esse detalhe: bem utilizada. Esse é o problema. E eu vejo como mesmo para mim, às vezes, eu me perco um pouquinho e fico tempo vendo, às vezes estou vendo notícia e aquilo vai me puxar e vai me mantendo fora de mim mesmo — como se eu tivesse tendo que absorver as coisas que estão acontecendo no mundo, como se isso fosse tão importante assim para minha vida interna. Então, eu penso de um modo ou de outro, todos nós vamos experimentando o que que é ser atraído para fora de si mesmo. E esse é o ponto — eu penso assim — crucial. E foi o ponto de virada para mim. É o ponto de virada para mim e é isso eu queria afirmar para você. O ponto de virada para mim na minha vida se deu, se dá e continua acontecendo, porque o conhecimento logosófico, ele é uma força centrípeta. E é legal porque o próprio ensinamento nesse capítulo 7, ele oferece essa palavra — assim como que eu falei: "Puxa, isso é verdade. Eu sinto isso." Ele é uma força centrípeta — ou seja, é uma força que puxa ou, vamos dizer assim, atrai para o centro. Que centro? Você está perguntando, olha. Para o centro de mim mesmo. Essa é a qualidade mais talvez incrível que eu notei assim ao longo do tempo do ensinamento logosófico, do próprio método logosófico. É que esses ensinamentos são forças que vão — nossa — vão simplesmente ligando um imã superpotente que existe dentro de cada um de nós e que vai atraindo nossa atenção e nossa capacidade mental sensível para aquilo que vai ocorrendo, aquilo que existe para a gente viver dentro de si mesmo. E isso de maneira nenhuma significa isolamento do mundo circundante que nos cerca. Claro que não, o contrário. Eu sou uma pessoa que eu vivo — todo dia praticamente rodeado de situações, gente, falando com um monte de gente. Por outro lado, a gente pode, né? O que fica óbvio é que a gente pode viver essa vida em que a gente se inseriu e se vai seguir inseridos dentro da sociedade, vivendo mil situações, circunstâncias e fatos. Mas — a gente começa — isso é sensacional. Isso para mim é uma qualidade do método logosófico assim não tem igual. Eu não achei igual no mundo, está? Que a gente começa a ser cada vez mais atraído para dentro de si mesmo. Isso é próprio, isso é uma consequência natural dessa decisão que cada um de nós toma de buscar o conhecimento que faltou para construir a verdadeira felicidade. Quantas coisas a gente ainda está realizando, vivendo que respondem ao que está fora de nós. Quanto tempo da vida a gente já deu, investiu e segue ainda investindo porque a gente está respondendo a padrões, respondendo a aparência, respondendo a essa vida fora de nós mesmos. Quando a gente começa a sentir a força — essa força de atração para viver mais dentro de nós mesmos — e sabendo que a gente vai para dentro de si mesmo, não no escuro, mas a gente vai nesse caso especificamente com essa lanterna, com esse holofote maravilhoso do conhecimento transcendente nos guiando, explicando, nos dando segurança para ir vivendo mais nesse mundo interno. Puxa, a sensação é tão gostosa. Porque a gente vai deixando de colocar ou de ter a vida fora, sujeita a tanta coisa que acontece fora da gente. E a gente começa a construção dessa vida dentro de si mesmo. O processo de Evolução Consciente. Para mim também poderia ser definido como essa revolução ou essa evolução — que é uma vida que vai deixando de ser vivida fora. Isso não significa de novo, não tem nada a ver com deixar de fazer as coisas do dia a dia, ver igual todo mundo faz. Mas a atenção e a consciência, a capacidade da inteligência, ela começa a ampliar-se para atender a esse mundo sem igual que existe em cada um de nós, onde acontecem os movimentos mais incríveis, onde se pode observar as transformações mais lindas, aonde se cultiva aquilo que tem de mais elevado. E aonde eu tenho vivido — puxa, vida — eu tenho vivido as coisas mais incríveis da minha vida. Espero que ao ler esse capítulo 7, você sinta que tudo isso está aberto em possibilidades ilimitadas a cada um de nós. Boa leitura, boas reflexões, fique bem. Até o próximo podcast.