Latest / Logosofia no Dia a Dia / Por Que Você Sabota Seus Próprios Objetivos (E Como Parar de Fazer Isso)
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que eu não tenho nenhum problema em ir te contando minhas derrotas diárias ou minhas fragilidades, assim como minhas facilidades também. Porque, assim, eu penso que a gente está aqui para poder entender como é que a vida de fato, dia a dia, pode se tornar uma prática desse conhecimento. E como a gente está nesse trecho maior em que a Logosofia vai explicando a didática do método, a gente precisa se deter nessa forma muito original, que eu nunca tinha experimentado antes, que é essa forma de viver tudo que se vive, mas ter uma observação e ter um olhar que vai dando para nós um significado diferente do que foi antes. Cada uma dessas coisas — enfim, o que se vive todo dia, não importa, não precisa ser nada novo. Estamos falando daquilo que sempre se viveu ou que não se dá muita atenção. Então, por exemplo, quantas vezes eu estou em casa e estou num momento assim de trabalho intenso, mental, e aí vou na geladeira para... Ah, estou com um pouquinho de fome, pegar alguma coisa. Na verdade, geralmente não é porque eu estou com fome, é porque eu estou entediado ou ansioso. É o comer automático, por exemplo, também. Então, quantas vezes eu falo assim: ah, vou pegar um pouquinho aqui, matar a vontade disso daqui, ou vou comer uma coisinha diferente. Mas, assim, eu não consigo medir uma quantidade pequenininha. Se eu for pegar sorvete de chocolate, ah, eu te garanto que não vai ser aqueles potinhos que servem sorvete de chocolate. Vai ser um potão. Tem que ser um canecão grande. Ou, por exemplo, quando eu era adolescente, pré-adolescente, que lembro que assistia Sessão da Tarde, depois da escola, depois do almoço, que passava na Rede Globo, que era sempre um filme que já tinha passado um monte de vezes. Mas certamente eu assistia cada dia com um pacote de bolacha de chocolate junto e comia o pacote inteiro sem nem perceber o que eu estava fazendo. Ou seja, obviamente não era... Era algo realmente sem controle, era um automático. E é muito mais pela necessidade emocional que o corpo reage buscando uma reação química de estímulo, especialmente com açúcar, com chocolate, do que por fome. Óbvio. Não tem dúvida nenhuma. Então, quando eu olho para os meus esforços hoje de ter uma nutrição adequada — e eu tenho uma instrução claríssima de nutrição que a cada dois meses eu reviso com o médico, com o nutrólogo — eu escapo dela de vez em quando, sabe? É uma pena, mas eu ainda me saboto. Não é todo dia, mas eu me saboto toda semana. Às vezes, mais de uma vez, fazendo pequenas transgressões ao meu plano alimentar. E você fala assim: ó Ronny, mas tudo bem, né? Você já está num resultado, talvez, que você está feliz, satisfeito, já mudou sua saúde bastante. Tem hoje uma saúde totalmente diferente que eu tinha há quase quatro anos atrás. Sim, mas assim, isso na verdade tem sido um, vamos dizer assim, um impedimento de eu alcançar os resultados que eu queria mesmo em menos tempo. Eu estou alcançando os resultados, mas é bem mais lento do que eu poderia estar alcançando. Então, assim, há um boicote que acontece comigo nesse sentido da nutrição, por exemplo. E esse boicote são brechas na minha atenção a esse plano. Eu relaxo a vigilância no plano, é quando ocorre o erro. Assim, é como se eu tivesse, como se eu me despreocupasse disso, sabe? Como se eu esquecesse desse objetivo. Então eu estou aí há três anos e nove meses nesse esforço, mas é como se algumas vezes durante o dia, ou alguns dias da semana, eu esquecesse isso e fizesse uma coisa errada. Então, por exemplo, quando eu faço um dia do lixo — que a gente chama, que é a comida, que é um dia que a nutrição, tipo assim: ah, vou esquecer minhas regras e vou hoje comer o que eu quiser. Na verdade, tudo bem ter um dia que a gente chama de refeed, que é uma alimentação diferenciada. Mas não é o dia do lixo, da comida lixo. Não é para ir no McDonald's ou numa hamburgueria e tomar um litro de milkshake de chocolate e comer fritas como se não tivesse amanhã. Então, assim, eu estou dando um exemplo de uma coisa que é uma coisa simples, e que eu olho e entendo e vejo como eu ainda falho nesse objetivo. Não é que eu falho, mas eu atraso a realização do meu objetivo. E venho atrasando toda vez que eu me distraio e me permito ter uma ação que é uma ação que, na verdade, depois eu falo assim: por que eu fiz isso? Bom, então dá para a gente projetar isso para qualquer coisa e qualquer objetivo da vida. Mas quando a gente pensa no objetivo que a gente está descobrindo, que deveria ser o objetivo principal — ou que às vezes até é, é o que a gente sensivelmente quer. Então, por exemplo, cada um de nós quer viver uma vida, quer realmente poder sentir a vida na plenitude, uma alegria, uma felicidade que não dependa de nada que acontece no dia a dia. Que a gente viva numa paz serena, independente do que está acontecendo, independente se o outro me irritou, não me irritou, se o outro fez, não fez. Porque quando isso acontece e a gente perde esse foco para dentro de si mesmo e foca no que está fora de nós, a gente está à mercê de todas essas flutuações. De toda essa montanha-russa que acontece na vida. Então há uma, para mim há uma imagem muito clara, que assim: enquanto eu busquei a felicidade fora de mim mesmo, eu dependi e segui dependendo, e às vezes sigo dependendo, se as pessoas e os acontecimentos do meu dia a dia vão colaborar para a minha felicidade. Então tem dia que obviamente não há essa colaboração, ou há pessoas que atuam comigo de uma forma que dificulta o meu dia — enfim, de qualquer forma — e as situações que acontecem também com os outros assuntos da vida podem dificultar. Aí o que acontece com a felicidade? Vai embora. É igual ao problema, analogamente é o mesmo problema que eu estou falando da nutrição. Quer dizer, aquela história que eu falo assim: ah, hoje, só hoje não tem problema eu dar uma escapadinha da minha atenção aqui, à nutrição. Amanhã eu compenso na academia. Esse boicote é quando eu relaxo a vigilância que o erro acontece. E na mente, se a gente tem esse objetivo de verdadeiramente ser feliz — que eu posso considerar, em outras palavras, o objetivo de evoluir conscientemente, como essa meta que o conhecimento logosófico oferece como realização principal para a vida — esses boicotes acontecem com essa forma despreocupada de eu acompanhar o que acontece comigo, na minha mente. Não é falta de capacidade, não. É falta de constância consciente. É a mesma dificuldade que eu tive durante muitos anos de emagrecer e ter uma saúde melhor, e que agora eu tenho bem menos dificuldade, mas ainda tenho, porque a fragilidade ainda me atinge. De assim: puxa, perdi o foco hoje, me deixei levar por pensamentos. Tudo bem, atinge a parte do corpo. A minha falha em relação à minha nutrição, ela causa um atraso nos objetivos que eu tenho de saúde. Agora, em relação ao objetivo principal da vida, que é o de ser feliz verdadeiramente, permanentemente, essa sensação de viver plena, de sentir o eterno na vida, independente das circunstâncias do dia a dia, essa desatenção, essa falta de consciência durante a vida diária, cobra um preço muito grande, muito grande. E de novo, não é falta de capacidade, é falta de consciência e de constância nesse esforço. É como se a gente quisesse ser um atleta — e a gente quer ser um atleta em vários sentidos, ou quer ter uma saúde de atleta, corpo de atleta — mas para ser atleta tem que viver como atleta. Nenhum atleta alcança as condições de se destacar no que faz vivendo uma vida de nutrição e treino inconstante e bagunçada. Então, se a gente quer viver uma vida cada vez mais superada em termos de felicidade, paz, amor, a gente precisa viver de forma consciente. E o trecho, na sequência, o próximo trecho do próximo tópico do livro "Curso de Iniciação Logosófica", é exatamente o controle consciente das experiências pessoais, em que a busca deve ser, o esforço nosso deve ser esse: de alcançar o estado consciente em todas as atuações. Porque em vez de, vou fazer uma analogia, em vez de eu depois ficar triste que eu fui na geladeira e comi alguma coisa só porque eu estava entediado no computador, ou peguei alguma coisa doce — qualquer coisa que seja — eu preciso frear esse pensamento antes de ele me levar à ação. Óbvio. Porque o arrependimento depois é sempre atrasado, sempre uma reação que já foi. Em relação ao que acontece na minha mente todo dia, em relação a todos os assuntos, precisa ser a mesma coisa. Esse cuidado que a gente pode ter, às vezes, com uma coisa, um objetivo específico da vida, eu entendo que ele tem que ser uma regra, uma norma de conduta. Eu preciso estar atento ao que ocorre dentro da minha mente durante o meu dia. É por isso que a Logosofia propõe uma atuação consciente durante o dia. Por quê? Porque a chance da gente ir se perdendo em qualquer objetivo, mas especialmente nesse objetivo principal de superar a própria vida, as próprias condições, e poder realmente ir vivendo uma vida cada vez mais plena, esse objetivo exige que a gente deixe de viver no automático, que a gente deixe de viver permitindo que pensamentos variados conduzam a mente durante o dia. Lógico, é um processo. Não é um negócio que vira uma... Ah, então eu virei a chave, agora eu sou 24 horas consciente do que ocorre na minha mente, eu não permito nenhum pensamento que se manifeste lá sem ser um pensamento alinhado com esse objetivo da minha vida principal, que é a superação. É claro que não é uma chave que liga e desliga. Mas é um processo, é uma jornada em que a gente vai percebendo a importância de cuidar desse ambiente. Que nem eu preciso cuidar do objetivo da nutrição e tentar escapar o menos possível, para que o resultado não demore muito, que não seja tão lento o avanço. A vida consciente é exatamente a prática, é a conquista desse maior objetivo que cada um de nós sempre intuiu e sempre desejou para si mesmo, que é a maior felicidade, a felicidade plena, a paz plena, a vinculação com o que há de mais elevado na criação, a identificação com o pensamento criador, com Deus. Quando a gente fala assim, me dá um estímulo enorme. Eu sinto uma esperança cada vez maior de poder viver cada vez mais essa vida, essa vida plena. Mas a minha fragilidade — e esse é um esforço diário que eu faço, é de diminuir essa fragilidade — é ainda permitir que o dia passe, ocorra de forma inconsciente. Ou seja, desatento aos pensamentos que estão comandando minhas opções, minhas ações, minhas reações e o estado interno meu durante o dia. Eu tenho que parar de entregar minha vida aos pensamentos que perambulam na minha mente. Assim como eu preciso parar de entregar minha saúde a qualquer pensamento que fica me tentando sair do plano da minha nutrição, da minha dieta. Você fala assim: ah Ronny, mas você não é muito rígido? Bom, eu que te pergunto: a gente quer ou a gente não quer? Se a gente tem um objetivo, não faz sentido a gente falar assim: ah, mas você está sendo rígido, você está há três anos e nove meses, fez um esforço aí, já teve um monte de resultado bom, já mudou a sua saúde, e você não está sendo muito rígido consigo mesmo? Eu vou te responder que não. Ao contrário. Eu sou pouquíssimo rígido comigo mesmo. Eu estou fazendo aqui uma confissão para você, sabendo que você não vai contar para ninguém isso. Mas é isso, quer dizer, eu sou pouco rígido. Porque não é questão de rigidez. Esse é o ponto, sabe? A gente não deve confundir disciplina com rigidez. Veja, eu não sou rígido. Aliás, eu sou zero rígido. Eu tendo a ser muito flexível. Mas é preciso ter flexibilidade sem perder, vamos dizer assim, a condução da experiência. Eu me adapto, é possível. Eu não sou um cara que, ah, então vai numa festa, ou seja, um aniversário, vai numa ocasião qualquer que alguém convidou e você não vai comer a comida que está lá porque tem um não. Não, não, eu como tudo. É o contrário. Eu sou excessivamente generoso comigo mesmo e flexível. Eu tenho que ser só muito mais atento a como eu vivo dessa forma flexível. O que acontece? Eu me deixo, eu me adapto, e eu flexibilizo meu plano — seja para a nutrição, ou seja esse plano da superação que eu adotei como pensamento central — eu acabo permitindo que, quando eu flexibilizo alguma coisa, eu me deixo levar. Sabe, esse é o problema, esse é o problema. Então, para entender isso de forma mais fácil: se tem lá um bolo de chocolate delicioso, que é aquilo que eu adoro, só de chocolate, não sei por que o pessoal enfia tanta coisa quando faz bolo de chocolate. Só de chocolate já é uma delícia. Gente, pelo amor de Deus, não precisa faltar mais nada. Faz o simples que é um tesouro. Eu sei, esse é meu gosto. Eu respeito se você gosta de coisas junto. Mas aí eu não vou comer um pedaço. Se eu gosto do bolo, eu vou comer seis pedaços, sei lá. Por quê? Porque é uma delícia, eu quero mais. Eu quero aquele prazer enorme que eu sinto, eu quero mais prazer. Então o problema não é ser flexível. O problema é que eu tenho que deixar de me entregar aos pensamentos e a essas fragilidades que eu tenho na minha psicologia, porque eu me saboto assim. E no mais amplo da vida, esses dias que eu me deixo levar pelos pensamentos que estão na minha mente — sejam pensamentos de pessimismo, às vezes, pensamentos de desatenção completa, pensamentos de reação negativa, de reação aos que os outros fazem ou dizem, pensamentos de impaciência, pensamentos de intolerância, pensamentos de... Tem um monte de pensamento negativo que ainda vive na minha mente. Então eu tenho que parar de me deixar ir nesses excessos. E esse parar, eu entendo que significa exatamente uma mudança na postura com a minha própria mente, ou seja, com o meu mundo interno, de deixar de ser, então, somente um passageiro e passar a ser o condutor. Passar a ter as rédeas, passar a observar mais diretamente, ser mais atento, ser mais consciente do que ocorre nesse ambiente mental meu, que é o meu mundo mental, onde eu devo, eu deveria, e devo cada vez mais ser o gerente, o tutor, o mentor, o responsável por que pensamentos estão determinando minhas escolhas, meus atos, minha conduta e minha vida diária. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.