Latest / Logosofia no Dia a Dia / Micélio: A Rede Invisível que Sustenta a Vida — Uma Lição para a Unidade Humana
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Vou começar com uma pergunta hoje, vamos ver assim, teste. Qual é o maior ser vivo da Terra? Aí a mente começa a buscar respostas e fala assim, ah, a baleia azul ou são aquelas sequoias gigantescas que tem lá na Califórnia? Nenhum dos dois. E é uma das coisas mais incríveis que eu não conhecia, mas acho incrível. O maior ser vivo do nosso planeta é o micélio. Quem sabe o que é o micélio, né? Micélio é realmente uma coisa muito nova, muito desconhecida para qualquer ser humano que não mexa com biologia. Mas é um tema fascinante e eu penso que a gente tem que olhar para isso com uma lente de entender que há uma lição sobre esse ser vivo, esse maior ser vivo do planeta. O micélio, na verdade, é conhecido como cogumelo do mel. Fica no estado do Oregon, lá nos Estados Unidos. É um organismo que é como se fosse um fungo. Ele está por baixo da terra cobrindo uma área de, acho que, mais de mil campos de futebol. E a estimativa é que ele tem entre 2.500 a 8.000 anos de idade. Quem anda pela floresta lá, nesse lugar do Oregon, só vê alguns cogumelos isolados brotando do chão, sem saber que debaixo daquilo tem um único ser vivo, gigantesco e milenar. O micélio é uma estrutura de microfilamentos que se conectam entre si, formando uma rede. Tipo internet, o micélio é a internet da floresta. Por quê? Porque funciona exatamente como uma infraestrutura em que as coisas se movem e a informação, nutrientes e outras coisas convergem de um lado para o outro e se comunicam. Imagina uma rede de comunicação de nove quilômetros quadrados, mais de mil campos de futebol, por baixo de todas as árvores e plantas que existem naquela área. Essa rede interliga todos aqueles seres que estão crescendo a partir da superfície. Olha que incrível. Imagina o seguinte: se uma árvore, por exemplo, na ponta da floresta, recebe uma ameaça ou recebe praga de insetos, ela envia sinais químicos de alerta através da rede desse micélio para as árvores vizinhas, que começam a produzir toxinas nas folhas delas para se defenderem antes mesmo da praga chegar até elas. É um sistema operado em rede. Por isso que o pessoal brinca e fala que é a Wood Wide Web. Igual a internet, é a World Wide Web, WWW, que a gente botava nos endereços, pelo menos antigamente. Essa é a web da floresta, de madeira. Veja só, olha que coisa incrível que é isso. Eu sei que pra quem nunca viu isso, nunca leu alguma coisa sobre esse negócio do micélio, parece um mistério. Mas imagina que é realmente uma rede de microfilamentos extremamente poderosa, porque vai se infiltrando no solo e vai buscando nutrientes. Esses nutrientes vão circulando nessa rede gigantesca, como se fossem microfiozinhos, igual fibra ótica que transporta a internet, feixes. É exatamente a mesma coisa. Esse micélio, como está embaixo e não recebe sol, não consegue fazer fotossíntese. Mas as plantas todas que estão acima do solo fazem e produzem açúcar e outros componentes. Só que as plantas que estão pra cima precisam de nutrientes minerais que muitas vezes não estão ali disponíveis no solo. O micélio faz uma troca, se complementa. O micélio entrega nutrientes, às vezes como nitrogênio e outras coisas que estão distantes da raiz da árvore, pra raiz da árvore, e recebe açúcar, oxigênio, recebe qualquer coisa que precisa. É um negócio incrível. De novo, se alguém é biólogo deve conhecer a história do micélio em muito mais detalhes e tecnicamente muito mais coerente do que eu estou narrando aqui. Mas por que o micélio é algo que me fascina? Porque cada microorganismo — o micélio é um ser composto de, sei lá, um zilhão de microorganismos. Aí você pode falar assim, ah, cada microorganismo não tem força, não tem valor, não faz diferença. Sim, se cada um deles, cada um desses fragmentos, desses filamentos, estivesse sozinho embaixo da terra, ele não teria nenhuma força, não teria valor nenhum e não faria nada. Mas a hora que eles se conectam, quando eles se conectaram e formaram esse ser — veja, eles formaram um ser. Na medida que eles formaram esse ser, a gente pode olhar pra isso e falar assim, puxa, esse ser que está ali, oculto aos olhos de quem estiver andando na floresta, sustenta, de alguma forma, a vida naquela área todinha e garante que nada falte. As árvores, as plantas — porque é uma proteção ali invisível para que sempre esteja equilibrado o solo, as raízes de todos os seres vivos ali daquela área. Quando a gente olha para nossas vidas, e aí eu olho para a humanidade e falo assim, puxa, como é que a gente sai desse estado meio caótico em que a humanidade segue vivendo? A gente acha que vai sempre resolver sozinho, ou que o avanço tecnológico, o avanço econômico vai resolver os problemas da humanidade. E a gente vê que não. A gente segue vivendo de tanto em tanto, a humanidade volta e fica flertando com a barbárie, com guerras, discussões, brigas, briga política, briga ideológica, disputa de opinião daqui e dali. A gente não percebe como ainda segue vivendo num estado de barbárie, muitas vezes, ou em muitos momentos a gente se porta como tal. E a gente esquece que existe um propósito — deveria existir pelo menos — um propósito individual e um propósito coletivo que estivesse nos empurrando, nos puxando para uma experiência cada vez mais feliz do ponto de vista humano. A tal da família humana que a gente às vezes se refere, ela precisava ser uma realidade, e não uma imagem que parece distópica, de tão absurdo que é o estado atual. Agora, quando a gente pensa no micélio, há uma lição aí a se aprender. Quando os organismos individuais se alinham, se irmanam no mesmo objetivo, surge, se constrói ou se configura — o conjunto daqueles microorganismos se configura num único movimento. Esse movimento, embora seja a junção, a soma de uma infinidade de microorganismos, acaba atuando como um só. Então, quando a gente olha para qual é a solução da experiência humana, seja em qualquer proporção — seja na proporção da família, dos amigos, vai aumentando o círculo da convivência humana desde o nosso ser individual, o pessoal do trabalho, os amigos, familiares, enfim, não importa qual o tamanho do círculo, até a cidade, o bairro, o país, o continente e a terra. Em qualquer um desses limites geográficos, a gente observa que se não se unir, se não houver algo unindo os seres, a gente não consegue encontrar esse equilíbrio e essa irmanação. Porque tudo que a gente vive aqui no dia a dia terreno dá a impressão que é para separar os seres. Tudo gera opinião. Cada um tem um gosto — eu gosto de carne mal passada, tem gente que gosta de bem passada. Desde coisas simples assim, como é que cada um de nós vê os acontecimentos do mundo, vê as coisas todas. Cada um de nós tem uma opinião, uma maneira de pensar. Como é que a gente une tudo isso? E certamente não é formando grupos de afinidade por pensamentos específicos. Eu penso que isso não une os seres humanos. Mas a gente precisa encontrar de fato qual é a forma e como é que a gente individualmente pode transformar esse mundo e olhar para esse futuro da humanidade com alguma esperança de que a gente vai chegar lá. Como é que se chega lá? Por isso que o exemplo do micélio para mim é algo que me impressiona muito. Não é um organismo só, não é um único ser. É um ser que é formado por, sei lá, bilhões, trilhões de microorganismos que estão unidos com o mesmo propósito. Então quando a gente pensa que ao mirar, ao focar na busca pelo conhecimento transcendente, na busca pelo despertar da consciência para a realidade da vida do ponto de vista terreno e metafísico, eu penso que a gente tem nisso — e não é à toa que a logosofia vem exatamente apresentar essa, essa é a mensagem, esse é o foco do conhecimento logosófico. Despertar as consciências para que cada um de nós individualmente se identifique primeiro, ou descubra e se identifique, para que comece a forjar em si mesmo uma vida em busca do conhecimento transcendente que não só explica ou preenche o vazio interno que o ser humano sente, mas especialmente que é uma referência, um norte que tem a força, o poder de unir a todos nós, independente e acima das diferenças que no mundo terreno a gente tem. Porque quando a gente se encontra e olha um para os outros, a gente é muito diferente. Desde fisicamente diferente a tudo — como falei, gosto, inclinações, hobbies, sei lá, opiniões sobre qualquer coisa. Mas se a gente tentar se irmanar nessas coisas externas, vai ser muito difícil. Porque nessas coisas externas há muitas diferenças. Então você fala, Ronny, vamos ignorar as coisas externas e vamos só focar nesse objetivo transcendente, de buscar a superação e de preencher a vida com conteúdo eterno, permanente, do mundo metafísico, do conhecimento metafísico. Eu diria assim, não é questão de ignorar as diferenças externas ou de opinião. Mas o ponto é assim: a gente precisa encontrar o ponto comum que vai ser um norte para cada um e todos, possamos sentir que a despeito das diferenças — e essas são por várias razões — nenhuma dessas diferenças chega aos pés da força que um objetivo, um conteúdo superior na vida possa ter. Quando cada um de nós começa a perceber que esse conteúdo existencial, esse conteúdo de essência eterna, permanente, que é o conhecimento transcendente — que é essa descoberta de que há uma missão, há uma razão de ser a experiência humana na Terra, e essa razão é a superação, é a evolução do ponto de vista consciente, espiritual — muda. Porque começa a mudar a perspectiva pela qual a gente olha a vida e a experiência humana individual. E isso acaba, imediatamente, tirando a gente desse plano terreno, externo, em que a gente olhava a vida antes só dessa perspectiva, e começa a elevar a gente para uma perspectiva em que, como falei, as diferenças externas, terrenas, já fazem pouca diferença. Porque a força e a unidade pelo objetivo superior, pela busca por essa identificação com o pensamento criador, tem uma força muito maior do que as diferenças terrenas. Então é quase como se a gente pudesse construir, no mundo metafísico, reproduzir essa realidade do micélio lá dos fungos. Na verdade, é criar uma grande rede que, obviamente, é feita da contribuição individual de cada um de nós. Ou seja, sem a superação individual, não tem como realizar essa imagem. Mas à medida que cada um de nós começa essa jornada, vai adentrando e vai avançando na jornada do conhecimento de si mesmo, se identificando com essa missão, com essa razão de ser da nossa vida, a gente vai formando uma grande rede no mundo mental, claro, metafísico. Cada um de nós fazendo suas coisas aqui na Terra, mas a gente vai formando essa grande rede que começa a ter uma força e a capacidade de mudar o solo acima. Ou, no caso, mudar o solo abaixo, voltando aqui para o mundo terreno, de influenciar poderosamente a vida de muitos seres. Então eu tenho assim uma imagem que, olhando para tudo isso, eu falo assim, puxa, é possível olhar para o futuro da humanidade com esperança. Ainda que a gente esteja vivendo momentos muito difíceis, porque a gente tem a capacidade de criar essa rede que não vai estar por baixo, e sim por cima. Que é muito poderosa. Que é a rede do bem. É a possibilidade de a gente unir o bem que está em cada um dos seres humanos, ou em muitos, numa grande rede que não vai, necessariamente, atuar aqui no mundo físico diretamente, mas que vai criar essa força, essa camada de proteção e de fluxo de bem que hoje está dispersa. É preciso unir o bem que está disperso. Essa sensação que eu tenho mesmo. Porque todos nós queremos o bem e o melhor para si e para a humanidade. Mas se a gente ficar disperso, se a gente não estiver unido, se a gente não se unir nesse pensar, nesse sentir, e a gente não conseguir fazer disso uma força maior, a gente não contrapõe o mal que impera nas nossas mentes e na mente da grande maioria dos seres humanos ainda. Então nós estamos em uma luta, é uma batalha do bem e do mal, como tantos filmes e histórias já narraram. Mas eu vejo um caminho claro. Esse caminho começa pela superação individual, ou pela jornada da superação individual. Na medida que cada um de nós caminha nessa jornada, essa identificação entre cada ser humano, cada um desses que estão nessa jornada em torno desse ideal, começa a ser uma rede formidável de propagação do bem e de projeção do bem sobre a Terra. Há muito o que pensar sobre isso. E, obviamente, há muito a realizar do ponto de vista individual, que é a base dessa realidade projetada. Mas bora, eu estou muito otimista. E estou otimista porque os resultados individualmente são claros e a projeção que esses resultados a gente pode fazer para a humanidade são tão claros quanto e estão ao nosso alcance. Então bora, bora que a gente vai formar essa rede cada vez mais ampla, mais extensa. Porque o conhecimento superior tem essa propriedade de unir cada um dos seres humanos nessa consciência, nesse sentir e pensar que nos aproxima cada vez mais, finalmente, do pensamento criador. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.