Latest / Logosofia no Dia a Dia / Sua Mente Está Caminhando com um Guia — Ou Ainda Está Andando às Cegas?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe o que ontem à noite me bateu a maior saudade do Scott? O Scott era... Scott foi o cão, o último que eu tive. Na verdade, o único cão que eu tive na minha vida, meu mesmo, sabe? Embora, obviamente, ele era o cão da família, mas... Scott foi o cachorro que eu quis ter durante muitos e muitos anos. Acabei tendo que esperar os filhos crescerem um pouquinho. E lembro que trouxe ele para casa quando os filhos tinham... o mais novo tinha três anos de idade. E foram quase 14 anos incríveis com ele. Eu vivi junto com ele praticamente 13 desses 14 anos. Mas foi assim, esse foi o meu cachorro. Sabe quando se fala assim, esse é o meu cachorro? Era de todos, óbvio, era da família, mas... Desde o primeiro dia, desde a escolha, desde a raça, desde tudo, criador... Eu que fiz todo o processo, né? E eu que tinha muito esse querer. Depois, lógico, as crianças, conforme foram crescendo, foram amando esse cachorro como se fosse de cada um deles. Também, na época, minha esposa também. Mas no final, a sensação que eu tinha, assim, que puxa... Era o ser canino. Assim, quando entra um cachorro na família, ele vira um membro da família, né? Ele não é humano e nem deve ser tratado como tal, mas ele é um membro canino da família. Então, ele se torna tão importante como um outro membro. Obviamente, dentro da realidade de que é um membro de outra raça. E por que eu estava lembrando do Scott? Porque ele tinha um comportamento incrível. Ele era um cão pastor. Ele era um pastor de Shetland. Esse é o nome da ilha escocesa que é original a esse tipo de cão. Eles são pastores pequenos, de tamanho, né? Até porque eles pastoreiam lá na ilha, pastoreiam ovelhas. Não tem animal maior. Então, o cão acabou... a raça acabou sendo uma raça que ficou menor, né? Por causa do frio, da falta de... Não é um lugar de comida abundante, provavelmente. Então, ele está acostumado, está no sangue dele, né? Está no DNA dele, o pastoreio de rebanho. E a coisa mais incrível de ver comportamento no Scott e em outros cães da mesma raça é quando se coloca as crianças para correr em um espaço aberto e o cachorro começa naturalmente a pastorear as crianças. É uma das coisas mais incríveis. Aposto que essa você não sabia, hein? Ou se você sabia, você já viu isso acontecer? É natural, não precisa dar ordem nenhuma. As crianças começam a correr em um lugar aberto. Ele começa a correr ao redor tentando juntar o rebanho. No caso meu, eram três crianças. Cada uma, logicamente, tentando correr para um lado diferente, por qualquer razão. E ele vai lá e dá mordiscadas no calcanhar. Ele não morde, mas ele meio que ia pegando o calcanhar assim, dando as mordiscadinhas. Acho que para dizer assim, ó, para o outro lado, para o outro lado. E eu lembro das crianças acharem aquilo super excitante. Era uma festa, mas era um comportamento incrível. Você fala assim, aí dá para entender que quando esses cães de trabalho são realmente utilizados naquilo que a raça deles está já adestrada há centenas, milhares de anos, eles desempenham aquilo como se fosse a perfeição, né? É impressionante. E aí eu lembrei de outra dessas características impressionantes de cães, que é uma das coisas mais lindas de ver. Eu vi pouquíssimas vezes na minha vida ao vivo. Mas quando eu vi, sempre me causa uma impressão incrível. Não sei se você já viu ao vivo — você já viu o cão pastor de cegos, né? Cão guia para pessoas que têm deficiência visual. Você já viu ele atuando com a pessoa, guiando a pessoa na rua, em algum lugar público? É uma das coisas mais incríveis de observar. E não só porque é uma relação muito bonita, né, de confiança e de dependência e de ajuda, de cuidados mútuos, porque certamente também um cão guia se torna, mais do que um membro canino da família, ele se torna praticamente uma extensão da pessoa que tem deficiência, né? É como se ele fosse parte da pessoa. É como se ele fosse uma parte da pessoa que está fora ali, num cão. E é algo tão incrível, porque a função que o cão guia cumpre para uma pessoa com deficiência é de dar a ela uma liberdade que a pessoa nunca teria. Ou se tiver, vai ser às custas de muita dificuldade, de muito trabalho e desgaste, sozinha. Por exemplo, com aquelas bengalas guia de cego, é muito, muito difícil. Numa cidade grande, no caos que a gente enfrenta hoje, olha, é um trabalho. Tem que ter muito respeito por uma pessoa com deficiência visual, porque, assim, é um inferno. É o caos, né? Atravessando ruas, esse tipo de coisa. Hoje em dia está todo mundo correndo. O risco é de um motorista não perceber que é alguém com deficiência e achar que a pessoa que se vire. Por que eu estou falando tudo isso? Porque essa imagem — o cão guia — é a imagem de um guardião, de um guia mesmo, que acaba sendo, como eu falei, como a pessoa não tem a visão, é como se ele substituísse, representasse a visão daquela pessoa que ele guia. Ele é um representante direto da pessoa para a visão e para a visão do mundo. E é incrível, porque funciona como se fosse uma máquina perfeita. Não sei se você sabe que ele não puxa o dono, o guia, mas toda a comunicação sobre para onde ir, quando parar, quando andar, o cão dá na tensão da guia. A guia é como se fosse o cordão que você segura, que vai até o peitoral do cachorro, até aquela coisa que fica ao redor do peito do cachorro. O cão trabalha na tensão. Se a pessoa começa a desviar do caminho ideal, o cão para e deixa tensionar a guia. Aí a pessoa percebe que a guia tensionou e desvia de volta. E se não for para andar, o cão simplesmente para e tensiona a guia. A pessoa percebe para parar. Então a gente pode só imaginar, para quem não tem a visão, ou tem uma deficiência séria de visão a ponto de precisar de um cão guia, o que representa essa realidade? O que representa um cão guia para a vida da pessoa? Não é à toa que deve ser das experiências mais incríveis de viver — essa relação de confiança, de dependência e, obviamente, de amor, que certamente existe numa relação dessa. Bom, por que eu estou lembrando tudo isso do cachorro, do Scott, e fui para o cão guia? Porque essa imagem é sempre uma imagem que me encanta. É porque, para a gente andar nessa vida, a sensação que eu tenho é que a vida, muitas vezes, por razões óbvias, representa esse andar às vezes às cegas, em experiências e circunstâncias, situações que eu nunca estive preparado para viver, ou, pelo menos, não planejei viver, não sabia como me colocar. A sensação, realmente, é de, assim, muitas vezes, viver os dias, ou viver épocas da vida, como se eu andasse no escuro, como se eu não conseguisse enxergar. E não é à toa que, muitas vezes, a gente vê o outro vivendo alguma experiência e pensa assim, poxa, fulano não está vendo isso, não é? A gente não fala assim? Quando a gente observa alguma experiência de alguém, ou alguém conta alguma coisa, você não está vendo o que é para fazer isso? Você não está vendo que, desse jeito, não vai dar certo? Aí a pessoa fala assim, bom, eu estou até vendo, mas não consigo, né? Então, assim, a gente caminha pela vida e vai enfrentando, a cada quarteirão dessa caminhada, tantas coisas que acontecem, tantas... não vou dizer que são perigos, né, que nem o carro que vai atropelar, mas às vezes a experiência atropela a gente mesmo. Eu já fui atropelado, não por um carro — eu já fui atropelado por experiências, por circunstâncias e fatos. Talvez você possa pensar em alguma coisa que você já viveu também, que a sensação é de ser atropelado, sabe? Tipo assim, a experiência passa, ou aquela... depois do final do dia, ou da semana, ou do mês, ou do ano, você fala, meu Deus, deixa eu tentar levantar aqui, porque essa me deixou no chão. Então, assim, a nossa vulnerabilidade — pelo menos a minha vulnerabilidade — frente àquilo que eu não consigo compreender, que eu não sei me colocar melhor, ela é real. E eu penso que, em geral, a maior parte da humanidade vive nessa vulnerabilidade por não conseguir perceber os elementos que estão sempre colocando em risco o andar seguro da nossa vida. E às vezes é porque não surgiu uma experiência ou um fato novo, mas, na minha mente, por exemplo, a minha mente tem uma série de pensamentos que ainda têm uma tendência de querer roubar para si mesmos a minha energia vital. Então, por exemplo, o pensamento de desalento, o pensamento de distração, o pensamento de pessimismo — sabe assim, quando acontece, quando passa alguma fase, alguma época, alguma coisa que não dá certo, né, naquele sentido que a gente costuma dizer, ah, isso aqui deu certo, está dando certo, não está dando certo na vida — qual foi a experiência? Esses pensamentos estão lá ainda, sabe assim, na expectativa de que alguma hora o Ronny vai dar um mole aqui e a gente vai tomar conta da mente dele. Quantas vezes eu não me senti assim, de um pensamento desses tomar conta da minha mente e eu sentir aquele desalento, né, sabe assim, aquele desânimo, aquela sensação de, ah, meu Deus, eu quero, sei lá, né, quero dormir durante uma semana para acordar e ver se isso aqui já passou, né, sabe assim, um misto de desalento com pessimismo. Pois é. Então, idealmente, assim, numa circunstância que é real, em que eu ainda não controlo a minha mente 100%, às vezes nem vejo que pensamentos estão circulando na minha mente, ou às vezes que pensamentos estão esperando o momento certo, assim, de fraqueza minha para pularem na frente da mente e tomarem a mente de assalto, né — a gente precisaria de um cão guia. A gente precisaria desse nosso representante que mantivesse o nosso querer, o nosso passo, o nosso caminhar em direção àquilo que a gente busca de mais importante na vida, e que pudesse estar cobrindo nossa deficiência visual, que fosse nosso guardião, ou funcionasse, trabalhasse para a gente como um guardião daquilo que a gente quer — que é andar com segurança, sem se machucar, sem cair, né, sem cair num buraco que a gente não viu na experiência da vida, sem ser atropelado por esses fatos e circunstâncias que às vezes a gente não viu chegar ou não percebeu o tamanho da encrenca e não se preparou para eles. E quem seria esse pensamento, né? Quem seria esse cão guia? E eu estou lembrando disso, e acho que essa imagem é muito legal — é uma analogia, uma metáfora muito boa — que a Logosofia instrui a criação, né? Vamos dizer assim, é o cultivo de um pensamento que vai ter autoridade suficiente para manter o rumo da nossa mente, a organização da mente, em direção, ou seja, no rumo daquilo que a gente quer ser, daquilo que a gente quer viver, independente das circunstâncias da vida. Olha que incrível. A possibilidade de criar e dar autoridade a um pensamento que responda, preferencialmente, àquilo que há de mais elevado dentro de cada um de nós — óbvio, porque quanto mais altura, mais hierarquia tiver o querer... Se for só um querer assim, quero assistir uma série de TV, isso não tem hierarquia nenhuma na vida. Então, criar um pensamento para nos proteger, para proteger esse objetivo, não tem validade nenhuma. Estou dando um exemplo bobo, mas vamos pegar isso e transportar para o que há de mais importante na vida. Cada um de nós quer ser mais feliz, quer viver uma vida cada vez mais plena, mais consciente dessa realidade do existir, do que somos, do que devemos ser, do que podemos ser, do que é alcançar esferas cada vez mais elevadas de conhecimento, o que é conhecer a si mesmo e descobrir nesse conhecimento, nesse processo de conhecer a si mesmo, o próprio enigma da nossa existência. Aí, quando a gente está falando desse tipo de querer, faz todo sentido que esse querer se traduza, que a gente traduza tudo isso, que a gente foque esse querer, que analise esse querer para a criação e para dar autoridade a um pensamento na mente que represente a própria consciência individual frente às tantas circunstâncias e fatos que a vida vai apresentar, especialmente frente à confusão mental que ainda existe na mente de cada um de nós. Esses pensamentos, esses atores que estão lá esperando só a gente dar um mole para pularem na mente e tomarem conta dela — como a gente já viu isso acontecer quantas vezes com a gente. Eu, então, posso falar por mim muitas vezes. Então, a Logosofia propõe e indica que a gente dê... Isso é um processo, não é um botão que liga e desliga. Que a gente vá dando, que a gente vá empoderando o pensamento da evolução, da superação, da busca pelo conhecimento, da busca pela realização de um processo de evolução consciente, que a gente vá dando a esse pensamento força, capacidade, autoridade, para que seja o nosso cão guia na mente — nessa mente que muitas vezes parece esse andar no meio do caos da cidade — para que ele possa nos representar em momentos em que a gente não consiga ver na mente algum perigo, algum risco, alguma coisa que aconteceu, alguma situação, algum desses pensamentos que quer saltar à frente ou que está à frente esperando a gente cair no buraco, qualquer coisa. Ou seja, é construir para si mesmo uma força, um aliado nesse objetivo, para a gente não caminhar sozinho, para a gente não ter que lutar sozinho num ambiente que muitas vezes ainda é um ambiente de indescoberta, que é a própria mente, os ambientes que a gente frequenta no dia a dia, as experiências que a gente vai viver, e que vão se apresentar muitas vezes de sopetão. A instituição do pensamento, a autoridade na mente, é, vamos dizer assim, a organização e a elevação desse objetivo da superação à hierarquia, ao nível hierárquico que ele merece. Então, ter um pensamento que nos represente na mente cada vez com mais presença, mais força, mais poder, e que nos mantenha no rumo da superação, independente das coisas que aconteçam a cada dia e dos pensamentos que outros que estão na mente — é uma das ferramentas mais poderosas que o conhecimento logosófico já me ensinou a realizar. Eu espero que essas reflexões te fortaleçam, se você já tem, ou te deem essa vontade de instituir esse pensamento na mente. Obviamente que o método logosófico explica como. Nesse tópico, a Logosofia transforma e enriquece a vida — tem um detalhamento lá, primeiro detalhamento, tem em outros lugares também, da criação da instituição desse pensamento de autoridade. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.