Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Aumentando a Pressão da Vida? Ou Está Consertando os Vazamentos Internos?
Transcript
- Oi, eu sou o Ronny. Tudo bem? Sabe que tem uns fatos da vida cotidiana, assim, que chamam de curiosidades ou — é, curiosidades da vida cotidiana na cidade que são tão absurdos, mas que eu até não lembro disso todo dia, senão dá nervoso, né? Mas vou te mostrar um deles que vai fazer muito sentido para o que a gente está buscando. Tem um problema seríssimo em cidades grandes, especialmente São Paulo, e a gente lida com isso há décadas, e, de vez em quando, a gente toma uns sustos enormes ou passa apertos enormes aqui, que é falta de água. Porque, obviamente, as chuvas não são previsíveis exatamente, então, muitas vezes, o período chuvoso de seis meses por ano, sete, acaba não dando conta de repor o estoque anterior de água nos reservatórios. E aí, um ano assim, dois anos assim, três anos assim, quando chove alguns anos abaixo da média, o nível geral de reservatório vai caindo, e começa, então, antes de ter um racionamento formal, começa-se a faltar água em períodos e lugares, regiões diferentes à noite. Por que acontece isso? Tem um fato muito sério, que é um problema, talvez, o pior problema de todos, que a gente acaba não lembrando no dia a dia, e talvez tem gente em São Paulo que nem saiba disso. Da água tratada em São Paulo, que é tratada pela Sabesp. Então, assim, cada mil litros de água que a Sabesp entrega, trata e entrega, e coloca no sistema de distribuição — ou seja, nos canos subterrâneos que distribuem para São Paulo — cada mil litros, em torno de 300 a 400 litros, se perdem em fissuras, vazamentos, rachas. Ou seja, não estou falando daquele cano que você vê na rua, saindo água, que estourou o cano e a água está visível, saindo ali, molhando calçada, parece um chafariz. Não é isso. Estou dizendo o seguinte: 30 a 40% dessa água tratada, ela se perde embaixo da terra, a gente não vê. Assim, é um número tão surreal que quando a gente pensa nisso, a gente fica nervoso. Não é possível? É possível. É a realidade, não é questão de ser possível — é o fato. Bom, o problema é que, na sequência, por conta disso, o que a empresa responsável faz? Ela diminui a pressão do sistema. E, obviamente, para quê? Porque quando a pressão do sistema está alta — ou seja, quando ela bombeia muita água — essa pressão alta faz vazar mais água, perder mais água, e aumentar ainda todas essas rachaduras, todos esses canos quebrados. O buraquinho está saindo e vai aumentando. Então, a tendência é a empresa diminuir o bombeamento, diminuir a pressão de água no sistema. E aí falta água em várias regiões, porque as regiões mais altas, às vezes, a água não tem pressão para chegar, ou as mais distantes do lugar de bombeamento. E aí começa o dia a dia que se vive em São Paulo em relação à água. Bom, ok, se fosse só isso, já era um desastre. Talvez outras cidades vivem algo parecido, e esse é um problema que — como é que resolve isso, Ronny? Bom, não é o objetivo, obviamente, do podcast. Mas se resolveria tendo que refazer a estrutura, e refazendo aos poucos a estrutura de distribuição para evitar que, pelo menos nos lugares de maior volume, se perca menos. Teria que substituir, abrir — não é fácil, claro que não. Eu não sei qual é a saída para isso. O que acontece é que se convive com isso há décadas, décadas e décadas e décadas. Bom, agora o que isso tem a ver com a nossa vida? Tem a ver com a vida de quem mora em São Paulo, mas não é sobre isso, claro. Mas penso que essa é uma realidade que é uma analogia muito boa para um outro aspecto da vida, que a gente também não se dá conta, porque também acontece fora dos olhos, sabe? Fora do alcance dos olhos. Não falei que a água — essa perda é a que acontece fora do alcance da nossa vista. A gente está andando na rua, você não vê, mas pode ser que naquele lugar que a gente está andando está perdendo água ali embaixo, no sistema de distribuição. Então, falta de água, problema da sociedade, pelo menos a paulistana, com certeza, por conta dessa perda gigantesca. E outra — não é só perda de água, é perda de produtos químicos que a Sabesp usa para poder tratar. Aqueles mil litros dos quais 300, 400 vão ser perdidos. É eletricidade para bombear mil litros dos quais 300, 400 vão ser perdidos. É gente trabalhando, é trabalho, é esforço. Enfim, é uma perda, é uma tristeza isso, é lamentável. Bom, dada essa foto bem crítica e bem preocupante de uma situação que existe, mas que a gente não vê, vamos transportar isso para a vida de cada um de nós. O que é que tem acontecido ao longo do tempo, na vida de cada um, que nos levou ao ponto de, por muitos momentos, épocas, períodos da vida, a gente se sentir tão desanimado, tão desestimulado, a gente se sentir tão angustiado com a vida em si? Você já está procurando a resposta na analogia com a água, né? Com essa Sabesp. E veja, o problema não é nem essa Sabesp — é o sistema em si, físico. Bom, voltando ao ponto agora, você pode procurar a resposta nessa analogia, sim. Mas é que ela também está fora do alcance da vista dos olhos, da visão comum. O problema que entendi, que vivia, e vivi muito esse problema, tá? Essa foi uma realidade minha. Passei muitos anos muito angustiado, em especial nos períodos em que, como a gente sempre fala, as circunstâncias e fatos apertam. E quando está tudo, teoricamente, tudo bem, com a vida externa, com a vida física, com a vida ao nosso redor, a gente tem uma sensação enganosa — que digo enganosa porque ela é circunstancial, né? De que a vida está bem, está boa. Ai, que bom, estou vivendo a vida que eu queria viver. Mas o problema é que é tão circunstancial isso que quando mudam as circunstâncias, aquela sensação já não existe mais. Por quê? Porque ela, obviamente, dependia de um fator externo. Bom, então passei muito por isso, muito. E, assim, teve períodos ou épocas, teve momentos que senti, assim, totalmente vencido, sabe? Sabe, assim, a sensação de que não aguento mais, eu não sei o que fazer. Não que isso me levou a nenhum pensamento extremo, nada disso. Mas desencanto com a vida, desestímulo, sabe? Falta de vontade, falta de vontade de fazer qualquer coisa, de seguir em frente, né? Ou estava seguindo em frente por necessidade apenas, pelo mínimo da necessidade. Mas, sabe, sem entusiasmo pela vida, sem entusiasmo por acordar todo dia, sabe? O negócio de acordar todo dia e sentir, assim, que — ai, mais um dia. Ter que enfrentar mais um dia. Enfrentar ou aquelas pessoas, ou aquela pessoa, ou aquela situação, aquela experiência, aquele trabalho, aquela rotina, aquele, sei lá. Bom, se essa sensação, de alguma maneira, você sabe o que é, te parece familiar, é porque penso que esse é um mal que afeta ao ser humano em geral. São poucos seres humanos — ao contrário, são muitos. Vivi isso muito. E por quê? Já sei, né? Só está buscando a resposta na analogia da distribuição da água, né? E o caminho é esse mesmo. Olha só, se a gente não entende, não sabe o que é que a gente veio fazer aqui na Terra, ou pior, a gente acha e acredita que o que a gente veio fazer aqui na Terra é viver a vida fora de nós — essa parte toda circunstancial — como se isso fosse a finalidade da vida. É como se a gente fosse consumindo uma energia, porque a gente precisa, né? Para viver a vida, a gente precisa de energia. Não a física. Estou falando de energia vital. É como se a gente fosse consumindo uma energia que é finita, que vai acabando, vai diminuindo. É como se a gente fosse todo dia, nesses momentos, nessas épocas, ou às vezes numa vida inteira, todo dia a gente se sentir esgotado. Sabe aquela sensação de assim: nossa, eu não fiz nada hoje de esforço e estou esgotado? Ou sabe a sensação de assim: nossa, acordei, já acordei cansado, já acordei desanimado? Ou, assim, imagino que você possa ter pelo menos uma referência disso, porque para mim tem isso muito claro. Já vivi isso muitas vezes. E assim, sentir que está esgotado, cansado, mas sem ter uma razão direta para isso. Até porque muitas vezes não fez esforço físico, não é que o corpo fez esforços enormes, nada disso. A mente esgotada, sabe? A mente cansada. Esses são sinais claríssimos de que existe muitos vazamentos na rede que deveria estar distribuindo para nós essa energia vital em todos os momentos. Aí te pergunto: que rede é essa? De onde flui a energia vital que a gente em momentos da vida, ou em épocas, em períodos, ou desde sempre — quem te lembra — a gente sente que falta? E que, de novo, ela se manifesta, essa realidade se manifesta de várias formas. Falei na angústia, na ansiedade, no coração apertado, no cansaço mental, no esgotamento. Aí a gente dá nome para isso, chama de burnout, porque trabalhou demais. E olha que curioso — vou fazer um parênteses aqui, voltando à analogia. Por conta da perda, como é que funciona o sistema de distribuição de água? Tem que funcionar em uma pressão maior. Então, em geral, a pressão do sistema de água é alta por conta das perdas. Só que a pressão alta, como falei, vai piorando a perda. E vai esvaziando mais os reservatórios, as represas. E a gente faz uma coisa parecida. Olha que surreal que é isso. A gente acaba tentando preencher a vida e aumentar a pressão da vida externa, a intensidade da vida, achando que está faltando intensidade. Aí a gente trabalha por 12, 14 horas por dia, ou então a gente só pensa em trabalho, ou a gente passa o fim de semana pensando em trabalho, ou a gente só pensa em curtir a vida de um jeito X, jeito Y, ou a gente só pensa em viver, experimentar e viver experiência tal, X, Y. A gente tenta encontrar essa fonte de energia por aumento da pressão da vida. A gente tenta colocar mais pressão na vida do ponto de vista de coisas a fazer, ou de compromissos, ou de atividades sociais. Qual o resultado? Quanto mais pressão, como há muita perda no sistema de distribuição, é mais energia que se esvai, maior é o esgotamento, maior é o cansaço, maior é o desânimo, maior é o desestímulo, maior é a angústia que vai se sentindo. Por quê? Porque vai aumentando o vazio, se é que é possível isso conceitualmente. Mas esse buraco interno que a gente sente em épocas da vida, ou sempre sentiu, é como se fosse aumentando. Porque a sensação de que continua vazio, por mais que se dê intensidade, por mais que se aumente a pressão, é real. E por que é real? Porque, de fato, é o que acontece. É o que acontece na realidade. Então, a gente precisa pensar o seguinte: como é que eu vou viver uma vida em que eu esteja recebendo de um sistema de distribuição de energia vital a energia que eu preciso para que não falte, e para que eu me sinta cada vez mais estimulado, mais animado, e mais capacitado a enfrentar as circunstâncias de fatos? Bom, aí você pergunta: o Ronny, qual é a fonte, né? E aí volto ao que estava observando mais cedo. Se a gente não entender a finalidade da experiência humana, da existência física humana, e da vida que se prolonga através das épocas, se a gente não entender, não descobrir, não compreender que nós somos um ser que, além de biológicos, né, somos psicológicos e espirituais também. Que a nossa constituição, ela responde exatamente a uma vida que precisa ser vivida na sua concepção original do pensamento criador. Que é um ser que não é só para viver fisicamente, mas ele precisa viver do ponto de vista espiritual e mental, e se tornar ativo nesse plano, e se tornar dono do seu caminho, da sua jornada, e consciente dessa realidade espiritual, mental — é como se a gente estivesse ignorando a fonte de energia e ignorando todas as fragilidades que o estado atual dessa organização mental nossa está causando em termos de perdas. Então, assim, existe uma fonte de energia vital dentro de cada um de nós, que não é o corpo físico. O corpo físico funciona sozinho, gera sua própria energia com o alimento e tal, e tudo bem. Estou me referindo àquilo que mantém a gente vivo do ponto de vista metafísico, espiritual, mental. Aquilo que nos faz ter a energia que a gente precisa para enfrentar as experiências da vida todo dia, viver a experiência da vida todo dia, e não sentir que a vida está sendo drenada, e não sentir que a gente está esgotando a energia vital. Mas é preciso descobrir, conhecer, organizar essa rede de distribuição interna que está em nós, que é o nosso sistema mental. E que, pelas fragilidades, por desconhecimento, por não conhecer, não ter consciência dessa rede, desse mecanismo interno, ele trabalha com um monte de falhas, com um monte de fraturinhas, de rachaduras, de quebras. Enfim, está vazando energia vital para tudo quanto tem lugar dentro da gente. Não é dentro da gente, mas você entendeu. Esse, para mim, é o ponto principal, inclusive de preocupação minha, dessa jornada que realizo. Que é uma jornada em que busco, cada dia, ter mais consciência acerca de quem eu sou, e dessa configuração, desse mundo interno, dessa realidade que ignorei essa realidade por muitas décadas. E só foi na segunda metade dessa minha existência aqui que fui mergulhar, de fato, com seriedade nisso. E hoje entendo, assim, não é possível encontrar felicidade e a paz que a gente busca se a gente não compreender quem somos, o que viemos fazer aqui, e como é que é essa configuração mental, metafísica, que é parte — não só integrante, como é a parte principal da nossa existência, da nossa vida. O conhecimento logosófico faz exatamente isso também. Ou ele também pode ser compreendido com esse propósito: que é nos apresentar e permitir que cada um de nós tome posse. Primeiro conheça, e depois seja, de fato, o — vamos dizer assim — o gerente, o operador desse sistema. Porque essa fonte vital é a própria energia, é a própria realidade, é a vida espiritual na sua essência. A vida espiritual não é uma metáfora, a vida espiritual não é uma imagem distante, não é uma fantasia, nem uma quimera. A vida espiritual é a essência do existir humano. Mas que a gente ou delegou para terceiros tratarem disso — do ponto de vista do que seria espiritual, terceiros vão tratar disso, vão ter intermediários tratando disso para mim — que obviamente não funciona. Ou a gente simplesmente passou a ser cético em relação a isso, a ignorar essa realidade. Que também não funciona. Ao contrário, a gente tendeu a aumentar a pressão da vida externa, achando que com isso a gente ia conseguir a energia vital para passar por essa vida aqui, por essa existência. E a gente já sabe que isso não é a realidade. Ao contrário, o aumento da pressão só está causando mais angústia. E a humanidade vem vivendo a cada geração mais cedo e com mais intensidade essa condição, essa fragilidade, essa falta de energia vital para enfrentar os problemas humanos. Começa enfrentando os problemas em si mesmo primeiro. Então o convite que esse conhecimento logosófico faz a cada um de nós não é um convite superficial. De assim: vamos melhorar aqui a vida um pouquinho ali, vamos conhecer o mundo mental, os pensamentos, as faculdades da mente, o sistema sensível, o sistema mental, o sistema instintivo, vamos conhecer a consciência — só como se fosse assim, vamos fazer só um apanhado aqui. Não é isso. O convite que esse conhecimento faz é assim: vamos nos tornar os gerentes, os operadores. Vamos nos tornar os donos, os proprietários reais. Vamos assumir o controle dessa potência, dessa usina nuclear que é a própria realidade espiritual, a configuração espiritual humana, que cada um de nós tem. Essa fonte dentro de si mesmo. Vamos entendê-la, vamos conhecê-la e vamos então deixar fluir de uma forma cada vez com menos fragilidades e menos perdas essa energia vital em todos os momentos da vida. Para que a gente vá se tornando cada vez mais capaz, capazes de viver, de enfrentar, de passar por quaisquer experiências dessa existência, qualquer circunstância e fato, como se a gente fosse mesmo um super-herói. Ah, Ronny, isso não é possível. Claro que é possível. Não só é possível, como essa é a finalidade. Isso chega a ser surreal pensar que a gente está tão distante disso. Não é só a questão de será que é possível. Não, não. Não só é possível, como na verdade a finalidade da existência é essa. A gente veio para viver uma vida e experimentar essa vida na sua essência espiritual como primeira condição e não como uma opcionalidade. Mas a gente se afastou tanto dessa realidade que a gente passou a acreditar que a vida que a gente vive fora de nós era a verdade, era a realidade, era a vida. A gente podia continuar essa conversa aqui hoje por horas e eu ia continuar sentindo a força — a força da lógica que tem essa concepção que a logosofia oferece. Então, assim, está em nossas mãos, na mão de cada um de nós, a escolha: vamos seguir vivendo e ignorando essa realidade ou vamos nos aprofundar nela e mudar palatinamente, claro, passo a passo, completamente a nossa experiência para melhor? Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.