Latest / Logosofia no Dia a Dia / Brain Rot e Ferrugem Mental: Como a Inércia Deteriora Suas Capacidades
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Tirando temperatura, batendo recordes históricos de alta aqui na cidade de São Paulo nesse verão, nesse início de verão, aqui em dezembro de 25, tá tudo ótimo. Então, a gente segue pensando naquilo que importa, porque alguma hora esse calor vai passar. Como tudo que é circunstancial na vida, eu aproveito pra lembrar que alguma hora isso vai passar. E que, então, as coisas mudam e que na vida é assim. A gente precisa se preocupar em construir aquilo que é permanente, né? Porque, seja alegria ou agonia das circunstâncias, dos acontecimentos da vida, do ponto de vista daquilo que a gente não controla, porque isso a gente não vai controlar, tudo isso vai passar. Bom, mas não é sobre isso hoje, o podcast. O podcast é sobre algo que eu considero, assim, das coisas mais legais e incríveis desde que eu era criança. Eu achava isso um máximo. Se tinha uma máquina que eu, sim, ficava babando desde criança, impressionado, e até hoje me impressiona, olha que coisa, né? E eu admiro e tenho muito interesse e gosto, como hobby, de acompanhar, de entender, de conhecer. É avião. Imagina esses jatos executivos lindos, modernos, hoje, ou qualquer um desses aviões também de guerra, que são muito bonitos, porque são todos elegantes e projetados para altíssimas velocidades. São máquinas de dezenas ou centenas de milhões de dólares. E são desenhados para perfeição. Quer dizer, o negócio, praticamente, é o supra-sumo da capacidade mental da humanidade de hoje fazer, né, colocada a serviço de fazer uma máquina para voar. Desde as que levam a gente como passageiro, 300, 500 ou mais pessoas juntas, as que levam pouca gente. Agora, coloca essa máquina maravilhosa, escolhe uma dessa qualquer. Não sei se você gosta mais do jato pequeno, do jato maior, mas pensa num avião que você admira ou que você achou bonito. Coloca essa máquina maravilhosa trancada num hangar escuro, ou não, mas num hangar por 6, 12 meses parada, protegida, olha que bom, no hangar, é delícia o hangar, protegida da chuva, protegida do vento, do sol, aparentemente a situação mais perfeita, né. Ainda mais que as máquinas dessas são caríssimas, vamos guardar ela no hangar, vamos deixar lá para que ela não, né, não vamos gastar, né, porque tem dó de gastar. Muito bem, sabe o que acontece com essa máquina se deixar ela 6, 12 meses no hangar? Do ponto de vista técnico, ela começa a morrer. As borrachas todas que fazem todos os vedamentos de todas as coisas que são fluidos dentro da mecânica do avião começam a ressecar porque o óleo não está circulando. Os fluidos que são o depósito de óleo, combustível, começam a decantar. A ferrugem silenciosa começa a atacar. Por quê? Porque as estruturas não estão se movendo todas, né, dentro das estruturas de controle do avião e, por falta de lubrificação, começam a enferrujar. É irônico, né? O lugar que parece mais seguro e confortável para deixar, na verdade, o avião é o que começa a matar essa máquina lentamente. Por quê? Porque o avião foi feito para o atrito do ar. Ele não foi feito para a tranquilidade do hangar. É quase esquisito pensar isso, né? É estranho pensar que o avião não fica melhor parado no hangar, guardadinho. Ele fica melhor quando está em atrito com ar em altíssima velocidade. Bom, isso é um fato, né? Não é uma ideia. Essa é a realidade em relação a essas máquinas maravilhosas. Por outro lado, quando a gente transpõe e pensa na nossa vida sob a luz dessa analogia, acontece a mesma realidade e a mesma mecânica. Já vou explicar. Muito bem. Vamos voltar um pouquinho, só, alguns detalhes sobre isso do avião. Quando o avião está parado no hangar, vamos tirar o avião do hangar para ele não ficar nesse estado de morte lenta. Então, precisa de potência, né? Ou seja, precisamos decolar com o avião. E a decolagem é o oposto da comodidade do hangar. A decolagem é o ponto mais estressante. É o ponto, assim, de maior sacrifício para o avião. Por quê? Bom, tem o barulho todo, aquela trepidação, o motor está gritando daquele jeito que a gente ouve na decolagem, gasta um combustível enorme porque os motores são todos a potência total, 100%. Em alguns casos, em aviões militares, a potência está acima de 100% da potência normal, inclusive. É um sacrifício da comodidade do chão, para sair do chão, para voar. Então, assim, a comodidade daquele estado parado é como a gravidade, ela fica te forçando, a força que te puxa para ficar parado, para baixo. E o avião precisa colocar, precisa tomar uma decisão, o piloto precisa tomar uma decisão, precisa ter a diligência para tomar as decisões e aplicar a força que ativa por intenção. Para sair dessa posição. Então, muito bem. Aliás, outro detalhe importante. Não adianta aplicar só um pouco de esforço para a decolagem. O avião não vai decolar. Vai correr a pista e não vai decolar. Desastre no final. Então, assim, é preciso tomar a decisão, no caso do avião, e é essa decisão que todo piloto toma, e o avião está preparado para isso, é colocar o estresse máximo no avião para sair da inércia do parado e ao salvo. E aí sim, está em um ambiente que ele fica melhor. Embora pareça um ambiente super complicado, mas ele é uma máquina feita para isso. Aí você fala assim, Rony, mas o que isso tem a ver com a gente? Você falou que com a gente é a mesma coisa. Pois é, eu já me imaginei, você pode até se imaginar de alguma forma também, mas quantas vezes eu não estou naquele modo ou não fui muito piloto de sofá. Sabe qual é o problema? Alguém vendeu para a gente ao longo da nossa vida de formação, até na nossa cultura, essa imagem de que o feliz é um dia poder ficar no hangar, sabe? É aposentar as turbinas, a gente acha que a felicidade é não ter que fazer esforço. Então a gente fica sonhando com aquele momento em que não preciso mais fazer esforço, não preciso mais, já posso me aposentar, já posso fazer o que eu quero durante o dia, posso ficar tranquilão. Mesmo no final de semana, a gente que não está aposentado, não precisa viver aposentadoria, a gente vive isso no final de semana, não vejo a hora do final de semana para não fazer nada ou para descansar, tudo bem, descansar é importante. Claro, mas o descanso não pode ser a comodidade excessiva, sabe? A gente não pode achar que a felicidade é não ter que fazer exercício, esforço mental, físico, o que for. Porque quando a gente fica nesse estado parado, quando a gente se larga, quando a gente se deixa, e eu não estou falando do cuidado com o corpo, como eu falo geralmente não, estou falando mentalmente, aquele estado de que não quero fazer nada porque estou cansado e quero que minha mente fique parada, nessa inércia, a inércia é muito ruim. Eu já experimentei isso várias vezes na vida, tédio, pensamentos repetitivos, sensação de ser inútil, e o corpo também reclama, o corpo não quer ficar parado, mas doer aqui, doer ali, é a ferrugem humana, a ferrugem humana acontece também. Então quanto mais a gente descansa, quanto mais eu já descansei, fiquei em estados assim, de forma passiva, querendo que a mente não fizesse nada, mais cansado eu me sentia, você já sentiu isso? Acho que todo mundo já sentiu isso, é o excesso de comodidade que fica causando, quase como um abandono, eu me joguei aqui, me abandonei aqui, seja no celular, seja no sofá, seja aonde for, que fica lá um tempão, e a sensação é de que abandonei, é como se a gente estivesse abandonando as próprias capacidades dessa máquina maravilhosa mental. Aí vai acontecendo mais uma coisa, vai ressecando essas faculdades, vai decantando o combustível, a gente vai perdendo força, perdendo energia, vai perdendo vitalidade, não é à toa que hoje em dia tem até, surgiu com força esse termo de é engraçado, que é o apodrecimento do cérebro, o pessoal chama de brain rot, está super em voga agora falar sobre isso, que é esse estado da mente, você acha que está fazendo um monte de coisa na rede social, no celular, você está vendo notícia, está vendo stories, está vendo vídeo, está vendo sei lá o que, mas na verdade a mente está entrando em um estado de deterioração, é quase assim, literalmente um apodrecimento da capacidade de pensar. Vejam, nós somos uma máquina, como o avião é uma máquina perfeita para o voo, nós somos uma máquina metafísica, fisicamente também somos, mas metafisicamente nós somos uma máquina perfeita para o voo também, que voo? O voo da vida consciente, o voo da vida em que a gente começa a descobrir o que é sair do chão, das limitações dessa vida terrena para viver cada vez mais na altura, na velocidade e na intensidade do que é muito mais sublime, daquilo que tem a consistência dos céus, não é à toa que o homem sempre fala "os deuses estão nos céus", essa elevação, a gente tem que subir, a gente tem que voar, a gente não foi feito para ficar cumprindo tarefa aqui na terra dia após dia, ano após ano, década após década, não é isso. A gente tem que passar por isso também, e óbvio, tem que, se puder desfrutar do esforço e de uma comunidade equilibradamente nesse sentido está ótimo, mas o ponto não é esse, o ponto é que o excesso acreditar que a gente deve fazer esforço para um dia parar de fazer esforço é condenar a própria vida a essa morte lenta, a gente foi feito para pensar cada vez mais, não para parar de pensar, a gente foi feito para criar mentalmente, não para aceitar as coisas como são, da própria vida, da própria do próprio conhecimento, da própria realidade mental, a gente foi feito para descobrir e para se aproximar de todo o conhecimento universal, não está proibido, o conhecimento não está proibido. Olha que interessante, o conhecimento está dado pela natureza, pela criação, inclusive, da onde a gente conseguiu como humanidade retirar muitos conhecimentos, só de observar, de pesquisar, de investigar sobre a própria criação, mas há muito mais para descobrir, dentro de cada um de nós, tem essa potência, como tem os motores da aeronave, tem essa potência estática, ou, quando a gente coloca em movimento, tem essa potência dinâmica, que é essa capacidade de ir descobrindo a forma de viver uma vida cada vez mais consciente, é para isso que vem um conhecimento transcendente, como esse da logosofia. E outra, não é para o que a gente muitas vezes vê acontecendo, que é assim, não é para decolar, botar todo aquele esforço de decolar, seria, eu acho que esse esforço da mente está cada vez em melhores condições, sair da comodidade, é preciso assumir que o nosso meio é o voo, nosso meio não é o chão, a gente tem que viver no voo mesmo, tanto é que os aviões, o que eles fazem logo depois de decolar, ele não mantém o trem de pouso lá no lugar que está lá, quando estava no chão, ele recolhe o trem de pouso, porque ele foi feito para voar, e o trem de pouso atrapalha, não é para ter a ideia e ter o medo de voar, e ficar com o trem de pouso para baixo, para poder já pousar, não, não, vamos decolar. Eu acho o convite que a logosofia faz é um convite para a gente decolar, talvez como a gente nunca tenha concebido antes, você fala assim, ah Rony, mas decolar com a mente, como assim né, pois é, se esse é o mistério, esse é o melhor mistério que vai ser revelado, e vai se revelando, à medida que a gente vai conhecendo esse mecanismo maravilhoso que é o mundo interno de cada um de nós, nós somos muito mais do que um avião, nós somos uma máquina metafisicamente perfeita e divina, nosso meio é os céus, nosso meio é o conhecimento transcendente, aonde a gente fica melhor é em busca, é em, assim, é quando a gente está explorando esse meio, quando a gente está colocando em movimento as maiores potências que a gente tem dentro de nós, metafisicamente. Bom, a pergunta que a gente pode se fazer assim, aonde que a vida hoje está estacionada? Será que está estacionada no hangar? Embora a gente faça tanta coisa durante o dia, durante os anos, mas será que a vida não está estacionada? Nesse sentido de que a gente não está buscando viver aonde a gente queria mais viver, que era nesse mundo cada vez mais elevado, que é o mundo mental, o mundo das grandes ideias, o mundo dos grandes conceitos, onde a gente vai respondendo todos os grandes mistérios, as grandes inquietudes da vida, até na hora de a gente empurrar cada vez com mais vontade essa manete da potência, a manete é aquela alavanca que o piloto empurra pra frente pra dar potência ao motor. Então bora. E é isso que pra mim surgiu do próximo tópico, que é um tópico minúsculo, mas fala exatamente sobre esse ponto, que é olhar pra isso de uma forma a entender que a comodidade em excesso ela é extremamente prejudicial e que a gente precisa aplicar uma diligência pra que a vida possa sair da inércia de que foi durante talvez milênios da humanidade e alcançar uma nova altura como ser humano. O tópico é algo sobre a comodidade. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.