Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Tragédia do Levain: O Que Acontece Quando Você Para de Renovar o Conhecimento Transcendente
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Ontem à noite eu estava pensando, me dando conta que faz tempo que eu não dou notícias aqui sobre meus pães caseiros, né? Meus pães de fermentação natural. E eu gosto muito de fazer pão, mas especialmente gosto muito de comer o pão de fermentação natural que eu faço, modéstia à parte. Nossa, é muito gostoso. Mas eu não contei para você, mas teve uma… houve uma tragédia culinária aqui nesse ano de 2025 que acabou de passar, que eu não contei. Mas eu me dei conta que eu não tinha contado, esqueci desse assunto. Mas aí ontem, por conta do ensinamento, do estudo, me veio à mente essa experiência. Quando foi mais ou menos, sei lá, acho que era maio, não lembro. Era assim, antes do primeiro semestre, no meio do primeiro semestre do ano passado, eu estava num ritmo que eu tinha feito pão o verão todo e estava fazendo assim num ritmo muito bom. E o pão estava saindo sensacional, né? Aquele negócio… e o pão de fermentação natural tem aquela característica gostosa daquele amargo, né? Do azedo. Não é amargo, é azedo, né? E um azedinho bem suave, mas que dá aquela… dá o nome de sourdough, o nome desse tipo de pão que é conhecido por esse sabor especial. E além de ser aquela fofura por dentro, todo cheio de alvéolos ali, né? E a casca dura, é uma delícia, mas dura, né? Mas aí aconteceu um negócio, olha só. Para fazer esse pão de fermentação natural, eu tenho o que a gente chama de levain, que é a massa mãe. Ou seja, que é uma cultura de leveduras, fungos e bactérias — especialmente bactérias — que eu cultivo em dois potinhos de vidro e que todo dia eu falo "eu cultivo" porque todo dia eu tenho que cultivar de fato. Então todo dia eu preciso fazer uma renovação do levain. Eu jogo metade do que está em cada um dos dois potinhos fora. Eu adiciono uma quantidade específica de farinha, de água… e água que eu uso, água mineral, que é água da torneira, mesmo filtrada tem cloro, e o cloro existe para matar bactérias. Então a gente não dá certo, não vai adiantar. Então assim, eu tenho um pequeno trabalhinho, demoro minutos lá, demoro cinco, sete minutos talvez para alimentar os dois potinhos e renovar o levain todo dia. Com isso, eu garanto que a população de bactérias que estão nesses potinhos, eles se alimentem todo dia dessa farinha com água que eu coloco nova e mantém a colônia se reproduzindo, mantém a colônia ativa. É realmente um cultivo, é como se fosse um pequeno ser vivo. Meus filhos brincam comigo e falam que é meu pet. Agora que eu não tenho mais cachorro, é meu pet. Então meu pet é o levain. Bom, o que aconteceu? Esse levain foi criado por mim, foi desenvolvido por mim. Existe uma fórmula, fórmula não, uma indicação de como você cria o próprio levain. Demora para criar, demora semanas e às vezes você erra. Então a criação do levain é um negócio que tem que ter paciência bastante. Mas o mais importante do levain é a manutenção dele. Essa alimentação diária que eu faço e qualquer pessoa tem que fazer. Ou existe o risco de rapidamente — sendo de um dia, 24 horas depois ou um pouco mais do que isso, no máximo — você não alimentou, ele começa a degradar. Falta alimento, as bactérias começam a fazer um outro tipo de alimentação, começam a gerar outros subprodutos que não o que você quer, enfim. Começa a alterar a vida daquela colônia e se você não cuidar dessa forma atenta e se não fizesse a renovação diária com farinha de qualidade e com água pura, a colônia pode ir morrendo ou se alterar de um jeito que é como se tivesse, fosse um outro ser ali. Se altera completamente, outras bactérias se desenvolvem e aí perde a função… e foi o que aconteceu. Essa foi a tragédia culinária que aconteceu no meu pet, ou meus dois petzinhos, no ano passado, porque eu descuidei desse processo diário de alimentação atenta, com cuidado, com material bom, com farinha boa, tudo isso. Eu comecei a usar uma farinha vencida, que eu já tinha comprado a mais, aí eu diminuí o ritmo de fazer pão. Aí tinha uma farinha que eu tinha comprado há mais tempo, aí eu falei "vou usar aqui para não desperdiçar, afinal de contas é só para alimentar o meu levain". A farinha provavelmente estava já sem muita qualidade, porque estava vencida. E enfim, aconteceu que em umas duas, três semanas descuidado com essa rotina da alimentação, da renovação, eu me deparei com um levain que perdeu a característica completamente e essa consequência que eu não podia nem fazer mais pão, não dava para fazer pão com o levain que eu tinha, porque não era mais um levain, tinha, enfim, era outra coisa. E não adianta querer fazer pão, porque não vai sair pão, vai sair um negócio, um tijolo duro, sei lá, vai sair qualquer coisa, né. Aí acontece que eu tentei recuperar esse levain, eu tentei mexer, enfim, tentei recuperar ele de várias formas, passei, sei lá, semanas e semanas tentando recuperar, acho mais de quase dois meses, não recuperei. Esse levain estava perdido, eu literalmente perdi e tive que voltar para o zero. Aí eu passei mais uns dois meses para chegar, preparar um outro levain, criar outra cultura, com características semelhantes à que eu tinha, do jeito que eu gosto, com a força, com a atividade e tal. Então, só fui recuperar esse levain, mais ou menos, era acho que outubro, novembro, tipo assim, nesse nível. E aí eu comecei a fazer, em dezembro, eu comecei a fazer pão de novo, voltei a fazer pão, olha só, eu perdi, fiquei sem poder fazer o pão que eu gosto e que os amigos e a turma adoram, quando eu faço e mando, mas voltei a fazer só em dezembro. Falei, "legal, Ronny, e o que isso tem a ver com a gente?" O tópico seguinte do Exegese é um tópico que me remeteu, assim, diretamente a essa imagem — não é imagem, é essa experiência que eu vivi — porque é um tópico que fala sobre essa necessidade de preservar, na mente, a renovação constante dos elementos que estão na mente para aperfeiçoá-la, para colocá-la em atividade e para fazê-la avançar, crescer na capacidade. Ou seja, é sobre "A semente logosófica", esse é o nome, esse é o título do tópico do Exegese Logosófica. A semente logosófica. Então, olha só que interessante, quantas vezes eu não vivi esse drama do levain na minha própria mente, e eu vou te dizer por quê, e talvez nisso você possa encontrar uma dica do que não fazer, a minha experiência vai te dar boas dicas do que não fazer. Por quê? Porque o que aconteceu com o levain foi um descuido, por preguiça, por já achar que eu já tinha domínio sobre a situação, por, sim, descuido mesmo. Quando eu devia estar todo dia renovando aquela semente que estava perfeita para o meu objetivo, que era fazer o pão de fermentação natural, eu fui relaxando e deixando ela deteriorar. O que o Ensinamento Logosófico diz sobre a própria mente e o nosso contato e o nosso uso do Ensinamento Logosófico? Esse tópico diz o seguinte, eu entendi que é assim: quando a gente começa a absorver um conhecimento transcendente como esse, e a gente começa a observar, começa a experimentar, começa a olhar para a vida de uma forma diferente — e isso acontece — o que geralmente sucede é que a gente começa a incorporar esse conhecimento ao próprio acervo individual. E com o tempo a sensação, e eu vivi isso muitas vezes, a sensação era de que assim, "poxa, isso eu já sei", tipo assim, "isso aqui está resolvido, isso aqui já aprendi, agora eu já tenho um conceito diferente, muito superado do que eu tinha antes em relação a esse aspecto da minha vida, da minha existência", seja qual for que a Logosofia apresenta e ensina. O problema é que nessa hora, todas as vezes que eu perdi a humildade em relação a esse processo, quando eu achei que eu já estava bom — vai entre aspas — e eu descuidei de buscar no ensinamento, todo dia, uma renovação desses elementos, dessa semente que eu cultivo na minha mente, quando eu fiz isso, foi quando geralmente eu perdi, nos dias seguintes, nas épocas seguintes, eu perdi a qualidade da minha atividade mental consciente. Percebe que praticamente eu narrei o processo da tragédia do meu levain, não? Mas talvez seja uma boa imagem para explicar quantas vezes, quantas vezes eu, ao longo dos anos, especialmente os primeiros anos que eu comecei a estudar Logosofia, eu achava com frequência que eu já tinha entendido o que o Conhecimento Logosófico oferece sobre qualquer tema que seja. E eu acreditei que isso era uma coisa estática, que eu podia simplesmente, assim, "agora vamos para o próximo, já entendi isso daqui, legal, agora próximo", e próximo, e próximo. Só que eu não tinha consciência que esse processo que o Ensinamento Logosófico, como realmente uma semente, realiza na própria mente, na minha mente, é o de um cultivo constante que vai dando novos frutos, vai dando novas culturas, novos, enfim, colheitas, vai. E que, para isso, eu não posso começar a plantar qualquer coisa depois, porque eu tive sucesso no começo com a Semente Logosófica e eu começo a plantar qualquer coisa depois. Aí, sobre aquele aspecto da minha vida, eu vou lá e paro de buscar Semente Logosófica e começo simplesmente a cultivar outras coisas. O que acontece com aquela cultura? O que acontece com aquela plantação? Acontece que depois de algumas vezes que colhi e planta, colho e planta, colho e planta, e eu não busquei a semente original, o que eu estou cultivando já não é mais daquela mesma qualidade de que era antes. Então, o que eu observei ao longo do tempo é a realidade desse ensinamento, desse tópico. Eu descuidei muitas vezes dessa, vamos dizer assim, uma indicação claríssima do Ensinamento Logosófico de que eu preciso estar em constante contato com a semente original para aquele conceito, para o cultivo dessa nova realidade na mente. É preciso estar em constante contato com a semente original. Aí dá para entender também mais um aspecto pelo qual dá para compreender por que a indicação do Ensinamento Logosófico é que a gente constantemente busque, estude, na verdade, para encontrar porções a mais, porções de conhecimento, de compreensão cada vez melhores. Ou seja, é preciso renovar a semente constantemente. Por quê? Porque o ensinamento nos permite, o mesmo ensinamento nos permite ir retirando, absorvendo uma parcela, uma fração cada vez maior do conhecimento intrínseco que ele oferece. Ou seja, o processo é um processo muito similar a esse processo do cultivo do levain. Eu preciso renovar na minha mente a pureza e a atividade constante desse conjunto de sementes, desse conjunto de pensamentos, de conceitos, de conhecimentos que eu estou buscando, absorvendo no contato com o Ensinamento Logosófico. E isso é vital, porque isso garante que eu não me desvio do elemento origem. Olha que interessante. Essa busca constante, permanente, como eu faço todo dia, eu estudo, eu, na verdade, estou de alguma forma garantindo ou me aproximando de garantir, tendendo a garantir que o que eu estou cultivando na minha mente todo dia não vai se desviando do original, do Conhecimento Transcendente. Porque muitas vezes eu realmente acreditei que eu já sabia. E quando eu perdi essa condição humilde e achei que eu já sabia, era sempre o começo de um desvio, porque aí eu ia deixando de buscar a semente original e ia só replantando o resultado na minha mente daquela semente. Só que como o resultado ainda é imperfeito, não é perfeito, eu ia degradando o resultado a cada ciclo de plantar e colher, o resultado ia piorando. Até que eu me encontrei muitas vezes na posição de dizer assim, "puxa, mas eu tinha entendido isso e eu tinha mudado isso na minha vida". Quantas vezes eu achei que eu tinha conseguido trocar uma conduta deficiente, uma conduta do ponto de vista psicológico deficiente por uma conduta superada, para me ver depois, meses depois, observando a mesma conduta de antes. Eu falei assim, "poxa, não é possível, eu não tinha mudado isso em mim, eu não tinha transformado essa forma de ser minha?" Tinha, mas eu descuidei, e aí eu fui mesclando de novo, naquele aspecto da minha vida interna, eu fui mesclando com a Semente Logosófica, com outras coisas que foram surgindo na mente, porque vai sempre entrando alguma coisa estranha na mente, no dia a dia, e aí com o tempo eu perdi aquela qualidade. Naquele aspecto, naquele reflexo da conduta. Então assim, eu gostei porque esse tópico de Exegese Logosófica me fez recordar da experiência culinária do levain, porque ela é muito análoga, é muito forte, e eu vou manter essa imagem como referência de que é preciso garantir que eu estou sempre próximo da fonte das sementes de melhor qualidade. E eu espero que para você essa experiência minha sirva de, vamos dizer assim, de estímulo a buscar, como eu, todo dia, a renovação constante nesses ensinamentos. Boas reflexões, boa leitura, fique bem e até o próximo podcast.