Latest / Logosofia no Dia a Dia / Por Que Resistimos a Fazer da Vida Ciência? Uma Reflexão Sobre Padrões e Transformação
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe o que eu estava fazendo uma reflexão e percebendo o seguinte? Por alguma razão a gente resiste a fazer da vida ciência, sabe? E isso eu tenho… eu começo a observar tantos exemplos disso na minha vida e eu comecei a identificar um padrão nessa dificuldade. Por que eu te chamo de dificuldade? Porque talvez um dia eu tenha convicção plena de que fazer da vida, ou fazer ciência da vida, ou fazer da vida ciência, seja realmente algo que transforma de forma muito decidida a vida em direção àquilo que cada um de nós quer que seja. Eu vou dar uns exemplos para você entender. Sábado — foi sábado isso, último fim de semana agora — sábado, o meu filho mais novo estava comigo faz uns três dias, ele ficou uns três dias aqui, dormiu aqui em casa, foi uma delícia, lógico. A convivência dessa é sempre muito especial, né? E ele treinou comigo, ele foi uns três dias na academia comigo no meu horário, nesse horário aqui, né? Eu acordava, ele logo depois que eu gravava o podcast e ele só se trocava e a gente já ia para a academia. Então ele me acompanhou os três dias e mais, ele me acompanhou os três dias e eu botei ele na mesma, na mesmo plano de nutrição que eu tenho nesses três dias, foi muito interessante, né? Mas primeiro eu vou falar do treino, depois eu vou falar da nutrição. Aí eu levei ele para treinar esses três dias e no sábado a gente treina um pouquinho mais tarde, porque a academia abre às oito e tal, e é um treino — o treino é praticamente o mais exaustivo para o corpo porque é um treino específico para o músculo anterior da perna, o que geralmente se chama de quadríceps, esse músculo da frente aqui da coxa, não o de trás. E, obviamente, que para o meu filho mais novo que passou esse ano fazendo cursinho — um ano passado todo fazendo cursinho — estava longe da academia, ele tinha feito academia dois anos antes, mas estava longe — então ele estava assim, ele estava muscularmente falando fora de forma, ele está ainda agora retomando o hábito da academia. Bom, e aí eu falei para ele assim: só que hoje você vai fazer um treino junto comigo, porque os outros dois dias ele fez o treino dele, eu fiz o meu e sábado eu falei, você vai fazer junto, porque ele não tinha treino para fazer especificamente, então você vai fazer o meu e fazer um treino de anterior de coxa juntos. E, obviamente, ele sabia que ia ser um treino que ia ser puxado, até porque é um músculo grande que a gente pode puxar, mas o treino de perna em geral exige muito do corpo como um todo, porque é um esforço que exige do corpo, especialmente do sistema nervoso central, para poder comandar — porque o músculo é comandado pelo sistema nervoso, que envia o sinal de contração toda hora, o tempo todo. Muito bem, mas foi um treino muito, muito, obviamente pesado, mas, obviamente, cada um com a carga que deveria ter, mas como o treino — todo treino que deve ser de musculação — foi um treino voltado para a eficiência do esforço, ou seja, quando eu vou para a academia, eu não vou apenas para ir e empurrar peso, puxar peso para um lado e para o outro, para cima, para trás, para frente, para baixo, não importa, porque ir para a academia por ir e fazer movimentos por fazer, o resultado é praticamente irrisório, o resultado é imaterial, porque o corpo só vai responder de forma eficiente ao estímulo da academia se for feito o estímulo como a ciência indica que o corpo trabalha. Olha só: o fato de eu ir para a academia, como eu fui algumas vezes na minha vida, no passado, não quer dizer que o que faz o estímulo do corpo não é ir para a academia, não é assim. Quando entra no portal da academia, passou a catraca, o corpo fala: beleza, não, óbvio. O estímulo vem da execução de um esforço conforme a ciência já sabe hoje, depois de muitas décadas de estudo, quais são as características do esforço que fazem o corpo responder depois, durante os dias seguintes de descanso daquele músculo, com os nutrientes suficientes para aquela recuperação. O corpo responde com a recuperação e a adição de alguns feixes a mais de músculo, que é o que faz o músculo ficar um pouquinho maior, obviamente mais forte também, mas esse é um resultado, claro, que você não vê de dois, três dias. Esse é um resultado que é micro, vamos dizer assim, um resultado extremamente pontual e muito pequenininho, não dá para a gente ver. A gente não percebe a mudança do músculo em uma semana de treino, mas em alguns meses de treino, a mudança micro de todo dia, toda semana, começa a se tornar perceptível. Muito bem, dito isso, eu fiz um treino com ele aqui. Eu falei: quando a gente foi embora, bom, durante o treino ele parecia que ia morrer. Por quê? Porque eu levei ele ao nível de, vamos dizer assim, de exaustão muscular, que é o que a ciência já sabe, já indica, que gera resultado. E ele estava mais acostumado a fazer academia de um jeito mais assim: estou indo aqui, estou fazendo, estou me esforçando. Mas a diferença entre "estou me esforçando" e levar o músculo à exaustão, no limiar da exaustão que o músculo precisa para o corpo entender que é para criar mais músculo, é diferente. Aí quando acabou, a gente ficou revisando a mesma máquina, a gente ficou revisando a mesma máquina, a gente usou duas máquinas o treino inteiro, e a gente ficou revisando, e eu fiquei tirando e colocando peso para poder ajustar a carga minha e dele, que foi mais cansativo, quase, do que fazer o exercício para a perna. Quando acabou o treino, eu falei para ele assim: a gente foi embora, ele estava exaurido, eu também estava. Eu falei assim: meu único medo é eu ter falhado na minha missão de você não perceber a diferença nos próximos dias. Ou seja, eu estava na dúvida, eu achava que não, mas eu estava na dúvida se realmente nos próximos dias ele ia sentir a famosa dor muscular tardia, que é a dor muscular da recuperação e da exaustão do músculo. Eu falei assim: se você não sentir a dor intensa que tem que sentir nos próximos dois dias, eu falhei na minha missão. Aí ele mandou para mim ontem uma mensagem e falou assim: você não falhou na sua missão, eu fiquei feliz. Esse ponto do treino e esse ponto do fazer consciência é um ponto que para mim já está claro. Então assim, eu consigo entender porque eu já tenho conhecimento e já tenho experimentado consciência a atividade da musculação faz mais de três anos e meio agora. Muito bem, outra coisa que eu falei: na nutrição, mesma situação. Ele passou esses três dias comigo e nas refeições — almoço e jantar — e basicamente o que a gente comeu foi arroz, carne moída e lentilha, que é o meu básico do dia a dia. É isso, agora eu estou te revelando qual é o básico da minha alimentação: arroz, carne moída e lentilha. Você fala assim: Rony, mas isso não muda? Não muito. Eu posso, obviamente, às vezes eu substituo carne moída por outras coisas de proteína, por frango, carne, enfim, outras — podem ser várias coisas — mas é que como eu cozinho para mim e preparo minhas refeições e deixo elas prontas ou para levar ou para comer quando eu estou em casa na hora do almoço, é mais fácil fazer esse tipo de coisa: arroz, carne moída e lentilha. Que aliás eu faço, fica uma delícia, fica a dica. No dia que você me encontrar, você já fala assim: cadê a minha porção para experimentar? Mas ele comeu comigo essa refeição básica no almoço e jantar durante os três dias. Só que como é que eu faço? Como é que eu faço o prato? Eu também já sei e tento fazer o máximo possível de acordo com a ciência, ou seja, com o conhecimento que já existe sobre isso, né? Então o que eu faço: eu boto a balança — tem uma balancinha para isso — boto o prato na balança, coloco a quantidade de arroz, a quantidade de carne e a quantidade de lentilha que os especialistas de nutrição recomendaram para o que eu preciso de nutrição todo dia, de alimentação. Então não é assim a olho. Não boto arroz, carne e lentilha a olho. Ah, mas não pode passar cinco gramas? Pode, claro que pode. O que não pode é toda a refeição faltar ou passar 20%. Aí descalibrou. Não num dia, não numa refeição, faz nenhuma diferença fazer uma refeição assim. Mas se isso for uma rotina — ou seja, se eu achar que eu estou me alimentando, me nutrindo todo dia de acordo com o que os especialistas me indicaram, mas eu estou fazendo um negócio aproximado e não estou fazendo algo como ciência, não estou fazendo nutrição como ciência — o que vai acontecer é que a soma dessas alterações, a soma geralmente vai ser a mais, né? Eu nunca vou errar, eu que gosto de comer, eu nunca vou errar o prato para menos. Pode ficar tranquilo, eu vou sempre errar para mais. Então a sobra constante em cada refeição, todo dia, toda semana, obviamente que destrói — não destrói, mas atrapalha muito — o objetivo de manter o total de calorias dentro do previsto, senão eu volto a engordar. Você vai assim: porra, Rony, você é chato, hein, consigo mesmo, né, você é rígido? Não, não sou rígido. Veja, olha que interessante: há um conhecimento, ou seja, há ciência por trás disso. Não fui eu que construí a tabela de alimentação, minha dieta, minha nutrição. Dieta não é porque come pouco, né? Quando a gente fala dieta, a pessoa tem a impressão que você está comendo pouco. Não, não. Eu não estou me abstendo e comendo pouco. É dieta, é o regime, é qual é a rotina, qual é a instrução, né? Quem está seguindo instrução claramente está numa dieta. Não é qualquer coisa, né? Esse é o sentido. Então, não fui eu que criei rigidez nenhuma. É que a ciência determina que se eu seguir o que já é conhecimento da ciência, eu vou ter resultados garantidos. Olha que incrível isso. Então, esse é um ponto importante: tanto na questão do treino como na questão da nutrição, o resultado que eu quero é garantido pela ciência se eu seguir, se eu fizer do treino e da nutrição ciência. Bom, até aqui está claríssimo, né? E eu gosto sempre de partir dessas coisas que são simples e que eu entendo, que meu entendimento consegue compreender, para poder projetar e entender o que o conhecimento logosófico está sugerindo, o que o ensinamento logosófico está sugerindo, no caso. Por quê? Porque é muito mais fácil a gente compreender o que está próximo para então compreender o que está mais elevado, mais distante, mais acima. E no tópico seguinte do livro Exegese Logosófica, o tópico se chama "Indicação Complementar". Aí você fala assim: qual é a indicação complementar? É um parágrafo ou dois, e o foco é na experiência que se deve fazer com o conhecimento que a Logosofia oferece, de forma a se fazer ciência. E a indicação é, primeiro, uma indicação para se registrar os avanços na compreensão e na capacidade, como eu faço no treino, como eu faço na nutrição. Em que eu vou registrando, e a parte da saúde também há esse registro, por conta de cada dois meses eu voltar no meu nutrólogo, toda a minha rotina está registrada. Eu tenho exatamente o registro de como é que eu faço, como é que eu treino, como é que eu me alimento, como é que está meu corpo a cada dois meses, a cada seis meses ou uma vez por ano tem os exames todos de sangue, cada tantos anos tem outros exames complementares. Então há um registro. A técnica — ou seja, como é que se observa a si mesmo, o mundo interno, e como é que se faz a aplicação do conhecimento nesse mundo interno — é o que o conhecimento logosófico oferece. A consistência é como se eu estou pensando nos pilares. A consistência da experiência, ou seja, a consistência em que todo dia lá no treino, daqui a pouco, na nutrição, no sono — que é outra coisa importantíssima, o terceiro pilar dessa criação de mais músculo no corpo — exige uma disciplina no sono que pra mim é tão ciência, e não é só pra mim, é tão ciência quanto o resto. É que pra mim é tão claro que isso é um pilar que eu também executo como ciência. Então a consistência — ou seja, a constância, a qualidade da repetição desses conhecimentos na vida — é o que assegura o resultado. Então, quando a gente pensa na Logosofia, não é uma coisa… o que eu estava entendendo? Não é uma coisa que realmente eu aplico uma vez ou outra na vida. O conhecimento logosófico, esse conhecimento transcendente, ele está à disposição para que todo dia, cada um de nós, olhe para si mesmo e para a própria vida, e comece a observar primeiro, e então a fazer ensaios diários sobre uma nova forma de compreender, ver e viver as coisas todas do dia a dia. Tem um elemento também que é importantíssimo nessa — pra mim — nessa indicação que está clara: a colocação frente ao desafio. Ou seja, é preciso ser humilde, sabe? E eu lembro como… eu sempre achei que eu sabia tudo na vida. Quando eu era adolescente, jovem, eu achava que eu sabia tudo. Eu era muito arrogante. Dá até agonia de pensar como eu era sem noção nesse sentido. Eu achava que eu sabia, acontecia, fazia, acontecia, sei lá. Mas foi bom porque a vida foi ensinando que eu não tinha nem esse domínio todo, e muito pelo contrário, eu estava bem vulnerável, como cada um de nós acaba estando mesmo. E quanto mais eu não sabia, mais eu ignorava sobre o mundo causal — esse mundo mental que parte do meu mundo e se conecta a todo o resto da sociedade, da criação — eu segui tendo muitas lições sobre como eu não sei e como eu ainda estava distante de ter o domínio sobre minha própria vida. Mas eu estava falando da colocação. Por quê? Porque essa colocação tem que ser uma colocação de um cientista, que é uma colocação basicamente humilde. Veja, nenhum cientista se julga dono da verdade, nenhum cientista acredita que sabe tudo já, que não precisa experimentar. Então seria uma posição inadequada minha, eu hoje, ah, Rony, você já não estuda Logosofia há muitos anos? Sim. Ah, então você não pode já dizer assim: ah, você já aprendeu o suficiente, agora vou parar com essa prática? Porque afinal de contas, você já não transformou sua vida muito? Sim. Eu sou um ser humano muito diferente do que eu era há dez, quinze anos atrás já. Mas como todo cientista, ou quando a gente faz da vida ciência e faz ciência na vida, o que a gente conseguiu já comprovar e avançar é maravilhoso, mas tem um mundo de avanços para fazer. E essa é a sensação maravilhosa que eu tenho quando eu olho o conhecimento logosófico cada dia: é de que assim, ainda tem uma imensidão para mim, para você, para toda a humanidade, está disponível uma imensidão de conhecimentos e de descobertas. E a gente não pode se contentar com o pouco que a gente já tem disso. Não é que é pouco, mas que perto do todo, é pouco ainda. Então assim, essa colocação de que a gente ainda tem muito para realizar, tem muito para descobrir, tem muito para compreender sobre a vida mental, sobre a própria realidade interna, o mundo interno, esse universo que existe dentro de nós. Então, fazer da vida ciência e fazer ciência na vida, ou da vida, é uma oportunidade que vai indicar essa prática dos registros — que é o que o ensinamento desse tópico indica — usar a técnica, aperfeiçoar a técnica, ser consistente, perseverar nesse esforço, ser constante nesse esforço, e essa posição humilde, sabe, de: puxa, eu tenho tudo ainda para descobrir, para aprender e para transformar na minha vida. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.