Latest / Logosofia no Dia a Dia / Eu Queria Ser um Pássaro — A Prisão de Acreditar que Viver é Apenas Existir
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que nas últimas reflexões que estava fazendo, identifiquei uma particularidade sobre mim mesmo, assim, manifestada desde pequeno, que finalmente entendi por quê. E sabe o que acho? Que muita gente deve ter passado pela mesma experiência, e esse bobiar tem muita gente hoje que acaba passando pela mesma experiência ainda. Vou dizer qual é. Lembro de, desde assim, pequeno — pequeno não, bebê, né, pequeno que digo — e a criança já, sei lá, talvez seus sete, oito, nove anos, eu olhava para os pássaros voando, e queria tanto ser um pássaro, tanto, tanto. Bom, claro que acho que toda criança quer voar, né, até porque tem as referências de super-herói, tem, né, isso acaba influenciando. Mas uma coisa é a gente ter superpoderes assim, físicos, né, como super-herói, como Superman, por exemplo, né. Mas não era isso, não era voar. Eu não queria voar como super-homem — também queria, de vez em nunca, quando vi o filme, uma coisa assim, também — mas não era sobre isso. Eu queria voar como os pássaros. Na verdade, o que lembro bem claro é que assim eu lembro de querer ser pássaro, sabe? Olha que coisa curiosa. Eu só não vou dizer para você que afirmei essa frase, mas é como se falasse assim: eu trocaria minha vida pela vida de um pássaro, para ser um pássaro, queria ser um pássaro em vez de ser um ser humano. Nunca falei isso, mas era mais ou menos a sensação que me dava às vezes. Essa sensação se repetiu algumas vezes na adolescência. Acho que se repetiu talvez alguma vez também outra na vida adulta também. Por que que — e se você se identificou com isso, ou pelo menos se você entendeu o que estava passando, sentindo — é porque a concepção de que a nossa vida seja apenas o existir todo dia é uma imagem, é um conceito muito limitante. Você já pensou sobre isso? Não sei se ficou confuso, mas deixa eu tentar refazer a frase, ou a afirmação. Veja, se a vida se restringe, se a vida humana, a vida de cada um de nós, se restringe a esse existir do dia a dia nosso, a vir, a nascer e cumprir só esse existir — porque a gente existe, claro, mas os animais também existem, as plantas existem, os microorganismos existem, enfim. Se a vida se restringisse ao existir, somente a sensação que sempre tive era de estar numa prisão, sabe, de estar preso, de não ter liberdade, de me sentir sufocado. A sensação de existir ou de que a vida fosse só esse existir sempre me sufocou, sempre me deu uma agonia. E fiquei pensando por que. Nesses dias estava pensando sobre isso e pensando por que me dava agonia e por que queria ser um pássaro. Bom, obviamente é porque me sentia de fato preso ou limitado a uma — vamos dizer assim — a uma experiência que se a gente for pensar é muito difícil mesmo. Vamos voltar ao conceito. Veja, se a vida se limitasse a existir aqui na terra como existe, com todas essas circunstâncias e fatos, muitos dos quais desfavoráveis, muitas dificuldades, muitos desafios, muitos problemas, muitas — vamos dizer assim — muitas eventualidades que a gente não queria viver, muita desgraça também, muita tristeza, muita doença. Veja, estou só listando, não é para inflar o pessimismo de ninguém. Estou só dizendo o seguinte: é compreensível, pelo menos considero assim, que um ser humano ao começar a viver e começar a perceber as coisas ao seu redor, sinta que não faz muito sentido. Assim, cadê a lógica de tudo isso? Por que tanto sofrimento? Por que tanta dificuldade? Por que tanto problema? Por que que a vida carrega essa, carrega essas limitações todas? Por que que a gente tem tanta, tanto sofrimento, tanta angústia, tanta ansiedade, tanta coisa dá errado, né, do ponto de vista terreno, assim, muita coisa dá errado, né, a começar pela organização social, pelos povos, pelos — né, se você pegou o que estou dizendo, você pode se colocar na minha posição, né, de que ao viver tudo isso e me sentindo extremamente limitado por tudo isso. Acho que se alguém viesse e oferecesse — se viesse uma pessoa, assim, magicamente me oferecesse, assim, troca sua vida para ser um pássaro agora, uma águia e viver, sei lá, mais 20, 30 anos como águia — acho que tinha época da minha vida que ia falar: eu topo, né? Nessa adolescência, assim, uba, eu quero agora. Por que me sentia — olha só — a sensação de estar preso, de estar limitado por esse existir era muito forte pra mim. Eu sei, talvez você esteja pensando assim: ah Ronny, mas você está, né, exagerado, né, não é assim também. Eu sei, não é assim todo dia. Mas quando acontecem essas circunstâncias, fatos, experiências da vida que apertam a gente de verdade e a gente não entende o porquê — ou até pode entender, mas não queria estar vivendo isso — essa sensação que tinha e essa era a razão de me sentir tão oprimido pela vida. Por quê? Porque vida, pra mim, era esse existir diário, era só existir aqui na terra. E tenho certeza que pra maior parte dos seres humanos, a vida, ou viver, segue sendo sinônimo de apenas existir, todo dia, um dia depois do outro, aqui, nesse nosso planeta. Aí tem o cachorro latindo aqui, aí daqui a pouco passa o metrô lá longe, mas essa hora dá pra ouvir ele ressonando no trilho, as rodas de metal no trilho. Aí daqui a pouco não sei o quê, aí começa, aí o dia acelera, aí, rotina e tal, não sei o quê e tal. Olha qual o problema. O problema — e aí tudo bem, pode ser que você fale assim: mas eu nunca quis ser um pássaro, ok, isso não é o ponto. O ponto é que assim, a limitação e a sensação de estarmos presos a uma vida, muitas vezes sem fazer muito sentido. Tenho certeza que cada um de nós já experimentou alguma vez pelo menos, né, das situações, experiências que estava passando não fazerem sentido. E faz assim: eu não queria estar vivendo isso, por que que tenho que viver isso, por que que tenho que passar por isso, por que que passei por isso, por que que a vida está me apresentando essas opções todas, ou me forçando a viver essas situações, e por que não outras, né? Teve vezes na minha vida que me perguntei: por que que já não nasci em tal situação, ou em tal país, ou em tal lugar? Por que que não tenho aptidão para desenhar como não tenho, por exemplo, sei lá, outras perguntas mais importantes que essa. Mas olha só, essa limitação, a sensação de estar vivendo uma vida limitada, é exatamente porque o nosso conceito de vida está limitado. Porque a gente acredita que viver é somente esse existir diário aqui. E olha que por conta dessa sensação fui longe, hein. Fui até me tornar paraquedista naquela época, e durante alguns anos era paraquedista, porque queria voar. Queria literalmente voar. A minha busca pela sensação de liberdade era tão forte. Me sentia tão oprimido. Hoje sei pelo que. Me sentia tão oprimido pelos pensamentos dominantes na minha mente, pela confusão mental, pela falta de uma claridade na mente acerca da minha vida, do meu futuro, do meu destino, da minha felicidade. Eram tão angustiantes que até fui buscar viver a experiência mais próxima do que podia do pássaro. Que não era somente voar de avião, né, porque aí tá dentro da máquina. Mas era a experiência de abrir a porta e a gente saía do avião, tinha uma sensação por 40, 50 segundos, na queda livre, de que tava voando. Voando nada, tava caindo, igual peso morto, literalmente. Aí depois tudo bem, quando abri o paraquedas, aí tinha alguns minutos de voo. Era bem gostoso aliás. Essa atividade que nunca desisti de voltar. Um dia talvez seja oportuno voltar. Mas voltando ao ponto: você tá falando de vida igual a existência. Que esse é o problema. Que a gente considera que a vida é somente esse existir, como se tivesse alguma outra coisa pra entender sobre a vida. Esse é o ponto. Esse é exatamente aliás o ponto, o problema da limitação do conceito, da compreensão. O fato da gente ter praticamente nenhuma consciência sobre o que é de verdade a vida em suas possibilidades mais amplas nos fez entender, por falta de opção, que a vida era essa existência terrena. Bom, então o que descobri de novo? Qual é a novidade nesse tempo que estou buscando? E tenho certeza que é a mesma novidade que você tá buscando. Todos nós estamos buscando. Todos nós estamos buscando de alguma forma. Isso tenho certeza e posso afirmar com tranquilidade, porque ao conversar com cada ser humano, em cada oportunidade, percebo isso. Ainda que a pessoa não diga estou buscando, mas no final todos nós estamos buscando um significado. É como se a gente sentisse, intuísse que há um significado maior do que consegui perceber pra essa experiência humana. E é por isso que faz sentido pensar que a vida humana é muito mais ampla do que esse existir terreno. Embora se a gente não entende o que é que a torna ampla, ou pode torná-la ampla, ela fica restrita por esse existir. Aí você fala: tá bom, então qual é? Então diz logo o que é que você entendeu aí que é a vida. Então, na verdade, baseado exatamente nessa investigação e nessa aproximação com o ensinamento logosófico — esse conhecimento que a logosofia apresenta — tem sido pra mim o grande guia. Porque sozinho não ia fazer nada disso. Tava lá tentando, queria ser pássaro. Veja, sozinho tava soltando de paraquedas, tentando sentir: será que vou sentir a sensação de liberdade que quero tanto, de poder? Nada. Tinha sensações lá naquele tempinho curto, mas é só isso. E depois passava. Precisava fazer outro salto pra poder sentir de novo. É igual droga, acho. Igual remédio. Quando passa o efeito você quer outro. Droga é isso, é um efeito temporário artificial. Ah, mas então você não vai saltar mais de paraquedas? Não, quero, adoro. Mas uma coisa nada a ver com a outra. E pra buscar a sensação de permanência — e pra buscar a permanência, ou pra buscar essa, a consciência que não cesse com o tempo, que não passe o efeito — é a consciência. Então pra que a consciência desperte e possa se afirmar num estado em que a concepção da vida seja muito mais ampla do que apenas o existir terreno, é preciso buscar conhecimentos que ampliem a consciência. A nossa consciência é como se fosse o índice. Vou chamar assim. Estou limitando a consciência como órgão mental, espiritual, humano. Mas vamos dizer que a consciência é como se fosse o índice do nosso livro de conhecimentos sobre a vida, sobre a existência, sobre tudo, sobre a criação. Se esse índice é pequenininho, contém poucos títulos, poucas referências, não liga só a poucas páginas, a possibilidade da vida fica limitada, claro. Mas o conhecimento que a logosofia oferece é exatamente o que precisei, e continuo, sigo usando, pra ir compreendendo, mergulhando e compreendendo cada vez mais nessa imensidão de conhecimentos da criação. E aí a vida foi deixando de ser igual a existir na terra, como se fosse uma equação que determinasse que as duas são a mesma coisa. Tanto faz falar eu vivo ou eu existo. Era assim pra mim na adolescência. A vida foi deixando de ser essa equação de igual e entrou um operador aí. Acho que é um operador matemático que chama — não sei, não entendo — entrou um sinal de maior, sabe? A vida é muito maior do que existir aqui na terra. Porque muitos animais e outros seres existem na terra. A vida humana não podia ser só isso. Não podia ser existir apenas. A gente estaria se igualando, apenas diferenciando em nível de conforto, em nível de utilização dos recursos terrenos. E mesmo assim, às vezes fazendo muita bobagem com os recursos terrenos, né, que você sabe bem também. Então o que o conhecimento logosófico, ele é e ele realiza ao mesmo tempo, é o acesso à fonte dos conhecimentos que aumentam — vamos dizer assim — colocam mais capítulos nesse índice do conhecimento humano que é a consciência. Quanto mais conhecimento a consciência assimila, maior é o campo de ação da própria consciência e do próprio ser nessa experiência humana. E foi do conhecimento logosófico que pude extrair essas frações — vamos dizer assim — essas porções de conhecimento sobre aquilo tudo que vem ampliando minha vida desde então. Pra entender, compreender, me identificar com o próprio pensamento da criação, entender a engrenagem do mundo metafísico, entender que ele existe, descobrir que existe o mundo metafísico primeiro, e depois entender como é que vivo nesse mundo metafísico, como é que me conecto a ele, pra que a minha vida vá sendo algo muito maior do que o existir terreno. E se posso te fazer uma afirmação só, vou fazê-la: é que quando a gente experimenta, começa a experimentar as sensações de uma vida que já não mais está limitada pelo existir terreno, a sensação de liberdade é exatamente o que buscava desde criança. Você acredita nisso? A sensação de liberdade. E aí descobri que o que buscava era essa sensação de liberdade. Me sentia preso. Me sentia prisioneiro daquela equação que estava errada, de que vida era igual a existir aqui na terra apenas. Vida é muito maior que existir aqui na terra. E tem vários aspectos disso que a gente não vai tratar aqui hoje, mas que o conhecimento logosófico trata praticamente a todo momento. Por isso que o convite que faço a você é sempre esse: é mergulhar junto no conhecimento, na fonte do conhecimento logosófico. Especialmente porque está a toda disposição. Só entrar no site da logosofia.org.br e baixar todos os livros PDF gratuitamente. Qual que a gente está mesmo? A gente está no livro que é "Introdução ao Conhecimento Logosófico," são 72 conferências dadas pelo González Pecotche, o criador, filósofo humanista que criou a logosofia. Cada conferência é esse manancial de conhecimentos para ampliar a consciência e para que a gente possa ir percebendo que a vida é muito maior do que se existir apenas aqui na terra. Espero que você busque e encontre tudo que possa libertar você daquilo que se sentir sempre que precisa. Torço muito por você, sempre. Boas reflexões, bom estudo, fique bem e até o próximo podcast.