Latest / Logosofia no Dia a Dia / As Cerejeiras de Nova York — Quando Você Descobre Que Pode Florescer em Qualquer Estação
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Você sabe que nessa viagem que eu fiz e voltei há uma semana atrás, praticamente, eu estava numa expectativa quando eu fui, pensando assim: puxa, é uma coisa simples, mas era uma coisa que estava na minha mente assim, especialmente no meu coração, sabe? Esperando assim, falei: será que vai ser aquela semana do início de primavera no hemisfério norte, em que aquelas cerejeiras todas, aquelas árvores todas em Nova York vão florescer naquelas cores que vão do branco ao rosa forte, com tonalidades super variadas? Mas cada uma delas — o lilás, roxo — nossa, é uma infinidade de cores e uma quantidade de cerejeiras naquela cidade que uma vez por ano elas florescem assim que vem a primeira onda que sustente uns dias de calor. Elas florescem para então caírem todas as flores e começar a surgir as folhas e elas ficam todas verdes. Mas essa fase, esses dias que elas florescem, é um espetáculo que eu tinha pego exatamente a mesma semana na ida anterior, alguns anos atrás. E eu estava na expectativa se ia acontecer. Mas quando eu cheguei estava muito frio, e achei que não ia acontecer, não ia pegar. Mas de fato veio a primeira onda de calor, de temperatura mais alta, e floresceram. Essas cerejeiras obviamente representam para mim muitas coisas, por motivos muito particulares. Elas representam toda uma esperança, uma beleza. Na verdade, elas representam toda uma capacidade da vida, como toda planta acaba de alguma maneira representando também. Mas essas em especial — a capacidade de provar que sempre, ainda que a aparente falta de vida, a aparente falta de vitalidade, a aparente apatia da vida frente às oscilações (no caso das estações do ano, no caso das plantas) — a despeito de tudo isso, a verdadeira vida está lá. A essência da vida está lá. E é incrível. Porque às vezes a aparência de que está morta, a aparência de que foi-se, de que já não tem mais nada para sair dali, de que a árvore não sobreviveu a um inverno rigoroso — como é lá no caso — e essa é a realidade da minha vida. E foi a realidade da minha vida durante muito tempo, em que eu acreditava que — claro, não era fisicamente — mas eu acreditava que eu estava, que tinha tipo assim, ah, desiste cara, você não vai encontrar numa vida cheia de tantas coisas que acontecem, muitas que a gente não controla. Você não vai encontrar a verdadeira felicidade. Depois de muitos anos em que a vida, com muitas boas lições de humildade, a vida me ensinou que eu não ia ter exatamente o que eu queria, não ia viver exatamente o que eu queria viver do ponto de vista terreno. Muitos anos em que circunstâncias e fatos foram se alternando e se mostrando rebeldes — vamos chamar assim — quanto a minha vontade, ao meu querer. Eu achei que a vida ia ser somente sobreviver, sabe? E eu lembro da sensação ruim de achar que a vida era só sobreviver. E que é quase compreensível que isso gere em todos nós, ou em muitos de nós, essa ansiedade generalizada mesmo. É uma situação, é uma angústia, é uma sensação ruim de que parece que a gente não encontra o sentido mesmo. Quantas vezes eu vivi experiências na vida, especialmente naquela época que eu estava muito perdido na juventude, no começo da vida adulta, e eu não conseguia ver nada de bom. Sabe assim, nada de bom parece meio radical, mas assim, nas experiências difíceis eu não conseguia ver a cor, à luz ali. E a sensação é que a vida ia se tornando uma sequência de experiências assim. Voltando às cerejeiras, o que é curioso é que, na verdade, não vem de fora. Embora seja a primeira onda de calor que as faz na primavera — assim que começa a primavera — as faz florescer. Na verdade, elas esperam só um sinal. Mas o que floresce ali é uma vitalidade, é uma vida que existe nelas. O que vem de fora é o sinal, como se fosse assim: é o chamado, se você queria. Agora é hora. É o que o calor deve fazer com elas — faz um chamado desse, geral, e elas respondem mesmo. E o mais interessante é que elas respondem com uma sincronicidade incrível, quase praticamente todas ao mesmo tempo. Muda de um dia assim. E na vida, o que eu descobri quando eu me aproximei desse conhecimento transcendente, do conhecimento logosófico, eu comecei a descobrir que em cada um de nós existe essa vitalidade, existe essa essência vital. Como tem a seiva das plantas, que guarda essa essência, que protege essa essência, a nossa essência espiritual é de um poder análogo. Mas obviamente ainda muito mais amplo, mais capaz, mais forte. Que é o poder de preservar, por trás de todas as aparências que a vida possa nos fazer acreditar, preservar essa capacidade de a gente renascer a cada nova primavera. Obviamente não precisa esperar passar quase um ano para viver isso na vida. Mas a gente pensar que na verdade cada experiência pode ser igualmente a primavera das cerejeiras. Ainda que a experiência pareça que não foi como a gente gostaria que tivesse sido, ou ainda que a experiência seja dura, que a experiência seja fria do ponto de vista terreno, que os acontecimentos sejam em desacordo com cada um de nós, gostaria. Para mim fica cada vez mais claro que essa inversão que a Logosofia permite de fazer na vida — deixando de viver uma vida de fora para dentro, ou uma vida que basicamente é só viver e vivida fora de si mesmo — e quando a gente passa então a compreender, a observar e a viver, a começar a sentir, viver e observar a vida interna, é quando a gente começa a sentir o poder de tomar contato com essa seiva. Que não precisa esperar que passe todo o inverno da vida, o outono, o inverno da vida. Que quando a gente passa a viver, descobrir, perceber a vida interna, especialmente toda a riqueza, esse tesouro que cada um de nós tem dentro de si mesmo. Que a gente tem herança de uma própria existência em que muitas dessas virtudes, dessas capacidades que a gente às vezes desconhece, existem já em cada um de nós. Quando a gente começa a perceber esse maravilhoso mundo interno, é exatamente quando a gente começa a viver, a superviver, independente da situação do ano. É como se a gente pudesse sentir o aroma e ver a beleza dessas flores cada vez com mais frequência, não importa que dia do ano que é, não importa que experiência que está acontecendo, e não importa como as experiências estão acontecendo. Eu sei que pode parecer tão contra intuitivo isso, que a sensação deve ser ruim, que bobagem, como é que a gente vai ser tão feliz assim? Como é que a gente vai descobrir tanta coisa maravilhosa na vida, se a vida não está saindo como a gente gostaria nesse momento? Pois é, eu sei que parece muito estranho. Para mim ainda é estranho. Pense que eu sou um ser que estou sempre lutando para me recordar disso e mais do que isso. Eu estou sempre me esforçando para buscar a parte da verdade nisso. E tenho feito isso nos últimos anos todos, em que as experiências da vida, como já aconteceu algumas vezes, mas nunca nessa intensidade, elas têm me ditado — vamos dizer assim — elas têm me colocado nessas provas que aparentemente são muito duras. E que não se enganem: quando a experiência é dura para mim, eu chego a sofrer muitas vezes de forma profunda. Em momentos agudos de algumas experiências, eu sofro muito. Eu ainda sou uma alma com muitas fragilidades, claro. Mas, por outro lado, eu tenho conseguido — vamos dizer assim — fazer dessas estações, estações cada vez, cada ano que passa, mais rápidas, sabe? As estações em que eu olho para mim mesmo e só vejo galhos, eu tenho conseguido fazer que essas estações sejam cada vez mais curtas. Ainda que elas sigam acontecendo. Isso é uma coisa importante de registrar. Quer dizer, essa vida que eu tenho descoberto com a Logosofia é uma vida em que a gente começa a controlar essas estações. Você percebe a sutileza? Não é que elas deixam de existir, mas a gente começa a controlar não só o período, o tempo que elas duram, mas especialmente a gente começa a controlar como é que a gente vai vivê-las, como é que a gente vai passar por cada uma dessas experiências da vida. Porque se a gente não controla necessariamente as estações no tempo que a gente gostaria — dá para dizer assim, quero só primavera. Eu, inclusive, que sou super calorento, se fosse assim, Ronny, escolhe uma estação, parceiro, se o ano fosse parar em uma estação, qual seria? Eu falaria assim: primavera, por favor. Ou primavera ou outono, que para mim é a temperatura mais agradável. E não é tão frio e tão cinza como o inverno. Mas assim, a gente vai passar pelas estações, a vida vai alternar circunstâncias e fatos, e tudo bem. Mas, nesses momentos, a grande chave que eu tenho recolhido do conhecimento logosófico é exatamente a que me permite, nesses momentos, viver mais dentro de mim mesmo e menos fora. Onde pode estar gelado, cinza, chovendo forte, qualquer uma das circunstâncias que a gente, a princípio, preferia não estar vivendo. A sensação de pessimismo que eu cheguei a ter na vida, especialmente nessa fase em que a gente descobre todas as estações do ano de forma muito dura na juventude, que seguiram por um tempo, essas sensações começam a ser suplantadas por uma esperança, por um otimismo que tem nada de imaginativo. É uma esperança e um otimismo ao começar a perceber a vida de uma outra forma. Quando a gente começa a perceber que ainda que a gente não quisesse passar por aquelas estações, cada uma delas, ainda que adversas que sejam, elas oferecem uma oportunidade única de descobrir algo sobre si mesmo. E que pode, nessa descoberta, abrir o caminho da superação. Que a gente pode ir deixando de ser aquilo que nos torna frágeis, vulneráveis a essas estações diferentes, para ir cultivando dentro de si mesmo as estações, as características que a gente mais gosta, mais quer. E isso começa a ser aquele trabalho maravilhoso de tornar a vida um grande ateliê, um grande campo experimental. Começar a fazer da vida ciência, começar a realmente utilizar o conhecimento transcendente para transformar a vida. E para que a vida seja cada vez mais essa essência, essa seiva que tem a capacidade de florescer nos momentos em que a gente menos acreditava. A capacidade de cada um de nós sentir a vida pulsando dentro de si mesmo, independente das circunstâncias que a vida terrena ofereça. Eu espero de coração que você vá encontrando cada dia mais nesse conhecimento a força, a capacidade de olhar para si e encontrar essa beleza, essa pureza, essa sublime seiva que vive e existe e que define, na verdade, cada um de nós como seres biológicos, psicológicos, elementais e espirituais. E que as estações do ano possam ser para cada um de nós cada vez mais floridas e que a gente olhe para a vida de uma forma cada vez mais leve, mais serena, mais otimista. E seja uma verdade a paz interna que a gente sempre buscou e a felicidade que a gente sempre ansiou viver. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.