Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Saciando a Fome Espiritual com Fast Food — e Nem Percebeu
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu vou te contar uma parte da minha experiência — uma coisa que você vai achar fácil de entender. E você vai, talvez, falar assim: "Ah, Ronny, como você era fraquinho, né?" Pois é. Mas olha só — eu vou te mostrar o que isso tem de perfeito, de analogia perfeita para o que a gente precisa pensar hoje. Olha só: eu passei muitas vezes na minha vida por anos em que eu queria deixar de ser obeso e queria fazer dieta. Eu fazia a dieta que aparecia na moda, né? Na internet, sei lá. E, obviamente, sem ir a nenhum profissional que tem conhecimento sobre dietas — especialmente sem ir ao médico, que é quem pode conhecer e entender o meu metabolismo. Então eu fiz várias dessas dietas ao longo da vida, tentando emagrecer ao longo de muitos anos. Qual era o problema básico? O problema é o seguinte: imagina quando eu cortava tudo, resolvia que eu tinha que fechar a boca — sem conhecimento, porque eu tinha lido alguma coisa sobre isso, que alguém estava conseguindo resultados assim. Aí eu cortava o que eu podia, o que eu achava que eu devia cortar. Ou seja, eu passava fome, achando que estava arrasando. O que acontecia? Geralmente, nesse mesmo dia, chegava meio da tarde, o corpo entrava em pane e eu tinha um ataque incontrolável — comendo um pacote inteiro de bolacha recheada, qualquer porcaria que tivesse na frente. Óbvio, porque o corpo estava querendo nutriente e eu não sabia o que estava fazendo. Muitas vezes eu fiz isso de formas diferentes. Por exemplo, a gente não pode achar que tem como fazer algo seriamente bem feito sem ter conhecimento para isso. Não dá para conduzir uma dieta, uma nutrição, só baseado naquilo que a gente acredita, que ouviu por aí, que alguém falou e que alguém está dizendo que é verdade. Precisa de conhecimento — óbvio, né? Por exemplo, outro problema: "Ah não, mas agora tinha uma dieta que não ia passar fome." Era uma dieta que cortava praticamente todo o carboidrato — a dieta de proteína. Eu fiz também. Durante algum tempo foi ótimo. Mas aí aparece um outro problema que existe na nutrição quando não se tem acompanhamento profissional: a fome oculta. A fome oculta é um conceito que existe na nutrição e que funciona assim: você pode estar com comida suficiente para não passar fome, mas está faltando alguns elementos básicos. Pode estar faltando zinco, vitamina do complexo B, ferro — alguma dessas coisas específicas que precisam estar bem equilibradas. Aí o estômago, o organismo, não está com fome — mas o organismo começa com o tempo a sentir falta desses elementos extremamente necessários. E o corpo não sabe falar assim: "Olha, está faltando zinco." Não existe isso. O que ele faz? Come. Vai comer, vai comer, vai comer. E a pessoa vai comer porque o corpo está precisando de nutrientes que a alimentação não está dando. Ou, por exemplo, quando eu comia muito fast food — era um lixo, óbvio, mas é uma delícia, né? Então, o corpo pode estar com o estômago cheio, mas está faltando nutriente. Chegava duas, três horas depois de comer no fast food, já estava com fome — não porque não havia comida no estômago, mas porque não havia nutriente suficiente para o organismo trabalhar. Então, há um monte de problemas quando não há conhecimento. O mecanismo, o metabolismo do corpo, vai fazer uma dieta falhar. Por isso, quase quatro anos atrás, eu falei: "Tenho que ir a um especialista, tenho que buscar alguém que tem conhecimento." E assim eu fui — e aí sim eu comecei a sair do estado em que eu estava. Obviamente, guiado por conhecimento, por experiência, experimentando na minha vida, no dia a dia, os resultados — como aquilo ia se desenvolvendo e observando meu corpo, meu organismo, minha mente, enquanto eu ia adotando o conhecimento como guia para aquela transformação. Ok? Fácil, né? E você deve ter falado assim: "Ah, Ronny, você também... Era uma coisa fácil pra você, né? Você nunca passou por isso." Mas se não foi nisso como eu passei, imagina alguma coisa na vida em que a gente quer mudar e não consegue porque não tem conhecimento para fazer. Vamos pensar que em relação à vida e à existência, há o mesmo problema. Há uma fome oculta pelo conhecimento. Isso é uma coisa que eu só aprendi entendendo e compreendendo um pouco melhor o que é a vida e a existência. Esse conhecimento que a Logosofia oferece foi vital para mim em compreender que o organismo espiritual nosso precisa de conhecimento. Conhecimento é a nutrição de excelência para o espírito. Mas qual foi o meu problema durante o começo da minha vida, muitos anos? Eu cresci aceitando conceitos como se simplesmente crer fosse o suficiente. Quando eu pedia explicação sobre as coisas mais importantes — sobre as quais eu tinha fome espiritual de saber —, e todo ser humano tem essa fome de saber. A gente vê nas crianças a fome de saber que elas têm — e qual é o risco de ir saciando essa fome com fast food? Não fast food de comida, mas com crenças, às vezes com dogmas, que dão uma sensação de estômago cheio, mas que, com o tempo, a falta do verdadeiro nutriente que o corpo espiritual precisa acaba deixando a vida extremamente difícil. Por que a gente consome tanta informação ao longo da vida e ainda assim sente angústia e vazio? Por que a gente preenche a vida com tanta atividade — agenda cheia, não tem tempo pra nada —, e ainda assim sente que está faltando alguma coisa? E ainda assim tem trabalho, tem dinheiro suficiente para pagar as contas, tem família, não está faltando nada do ponto de vista material. Por que a sensação continua de que está faltando alguma coisa? A nossa estrutura, o nosso organismo espiritual, sempre busca o que está faltando. E daí comecei a entender o porquê de sentir essa angústia, essa ansiedade generalizada na vida, sem entender o porquê. Eu olhava pra fora e falava assim: "Não está faltando nada na minha vida." E olha como eu senti isso nos momentos em que, bem-sucedido como executivo de banco, com dinheiro suficiente, com família completa, com os filhos já crescendo — eu tinha tudo. O que faltava? Pois é. Há uma distinção muito clara que o conhecimento logosófico apresenta e que para mim foi um divisor de águas: a fome espiritual do ser humano — que a gente observa facilmente na criança — a gente tem a tendência de ir matando com fast food. Que seria, nesse contexto, fazer a mente se entupir de conceitos prontos e, pior, conceitos que a gente não deveria questionar e acabou aceitando. Quantos conceitos a gente aceitou que, na verdade, são motores que deveriam fazer a gente buscar por conhecimento — e não por crenças? Só que a gente vai preenchendo a vida com tudo isso, achando que com isso ia satisfazer a fome espiritual. Mas estômago mental cheio, faltando um monte de nutrientes. O que aconteceu? Essa realidade espiritual em nós seguiu a vida inteira nos dando indicação: está faltando alguma coisa, está faltando alguma coisa. E aí, porque eu sentia essa ansiedade, essa angústia na vida — ainda que teoricamente tivesse tudo —, faltava o verdadeiro nutriente. E o verdadeiro nutriente para a vida e para a existência, do ponto de vista espiritual consciente, é a busca e a realização do conhecimento em si mesmo. A nossa estrutura, o nosso organismo espiritual — isso que eu acabei entendendo —, eu faço esse paralelo com a experiência do organismo do corpo: a gente é biologicamente corpo, a gente é psicologicamente pensamentos e características psicológicas, e a gente é espiritualmente um organismo metafísico que existe para buscar conhecimento, para entender a criação e a própria experiência humana pelo conhecimento. Compreendendo, vivendo, experimentando, fazendo a relação que existe dentro de cada um de nós com a criação. E não recebendo respostas prontas ou acreditando em qualquer conceito que a gente viu. Ou seja, a gente passou a vida, na maior parte do tempo — e eu passei boa parte da minha vida —, consumindo fast food mental. E às vezes tem gente que passa a vida inteira buscando, porque o corpo está com fome — não o corpo físico, mas o organismo espiritual, que está morrendo de fome de saber. Fome de saber. Fome de conhecimento. E não adianta a gente ficar consumindo a bolacha, consumindo fast food — que seria, do ponto de vista metafísico, consumir conceitos prontos. "Ah, Ronny, mas aqui eu estou ouvindo o seu podcast sobre conhecimentos transcendentes." Eu vou ser muito honesto com você, como eu sempre fui. O valor que esse podcast pode eventualmente ter para você é: você observando a minha experiência, se dando conta de que em você existe algo similar — ou que em você alguma coisa se move no mesmo sentido que me move — e sendo estimulado na busca desse alimento espiritual. Mas eu não vou conseguir preencher a sua fome. Tem muita coisa na internet e no mundo hoje que promete: "Consome isso daqui que vai preencher a sua fome." O consumo como fast food de qualquer — teoricamente — conhecimento, se for apenas para admirar e dizer "que coisa linda, que bonito esse ensinamento", se a gente for ler o conhecimento logosófico apenas como fast food, também não vai saciar o organismo espiritual. Por quê? Porque não adianta crer, não adianta a gente aceitar algo e dizer assim: "Preenchi o vazio." Se alguém der uma resposta de um parágrafo ao "quero saber o porquê da minha existência", a sensação de preenchimento vai durar pouquíssimo. A gente precisa em busca do alimento real, do nutriente real. No próximo tópico — especialmente num capítulo do "Curso de Iniciação Logosófica" — há um capítulo curto com o título "Reflexões que Convidam à Revisão de Certos Conceitos". São dois conceitos nesse capítulo. O primeiro é sobre crer e saber. E há uma citação no ensinamento, uma instrução que eu achei fundamental: há uma missão para o ser humano que é ser racional e livre. Como é que a gente vai ser racional e verdadeiramente livre sem saber, sem conhecer, sem o conhecimento real adquirido do que é essa vida e do que é o nosso destino — e deveria ser o nosso destino como ser humano? Como é que a gente pode satisfazer esse anseio, essa angústia espiritual, se se priva da única possibilidade de atender essa fome — ou seja, ir em busca da nutrição do conhecimento? Ficou claríssimo para mim que, igual ao que eu passei muitos anos tentando fazer com o meu corpo físico — que era uma busca infrutífera pela mudança, porque para mudar eu precisaria verdadeiramente buscar conhecimentos que pudessem favorecer uma mudança da saúde física —, espiritualmente é a mesma coisa. A gente precisa sair da posição de acreditar e aceitar conceitos prontos, quaisquer que sejam, e partir para a posição de que é preciso buscar conhecimento que habilite cada um de nós a compreender o mecanismo metafísico da vida e da existência. E aí, o conhecimento logosófico para mim é essa linha de conhecimentos, essa nutrição que tem alimentado, tem nutrido essa minha ânsia, essa minha fome espiritual ao longo de muitos anos. Porque é o conhecimento que não entrega resposta pronta para nada — é o conhecimento que me habilita a buscar na própria experimentação e no conhecimento de mim mesmo esses nutrientes que vão verdadeiramente alimentando essa constituição, esse organismo mental e espiritual que cada um de nós tem. Está na hora da gente parar de consumir fast food — não estou falando do fast food de comida, não. Está na hora de não se satisfazer mais com tapar a fome espiritual com qualquer coisa que a gente lê, ouve ou com que toma contato. É preciso ir em busca do nutriente real. É preciso nutrir o espírito humano que cada um de nós é, que faz parte da nossa natureza e que tem nos indicado que está buscando esses nutrientes essenciais para a gente verdadeiramente entender o porquê dessa experiência humana e qual é o nosso verdadeiro destino como seres inteligentes, capazes de transcender uma vida extremamente material, física e limitada como é a vida que a gente aprendeu desde pequeno. Bora? Bora buscar esses nutrientes — com essa fome, vamos atender essa fome espiritual, que é o melhor alimento que a gente pode buscar. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.