Latest / Logosofia no Dia a Dia / Parques Temáticos, Séries e Videogames — Por Que Escapamos Para Fora Quando Deveríamos Ir Para Dentro
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava lembrando aqui de um fato tão curioso, engraçado, mas aí o significado dessa ocasião, o significado oculto por trás da experiência, me pareceu mais claro hoje, sabe? Eu estava pensando sobre isso, e aí me veio uma imagem claríssima. Eu fui a primeira vez na minha vida para um desses parques temáticos enormes. Eu tinha 25 anos. E eu tinha passado, assim, muitos anos, desde a adolescência, quando comecei a ver na televisão — eu tinha passado anos encantado com aquelas imagens, com a possibilidade de um dia ir para um parque daqueles. Claro que, puxa, eu estava em outro país, tinha toda uma distância, custo, e, na época, meus pais não tinham condição de me levar. Até porque não estava nem no radar — não era comum as pessoas fazerem viagem para fora, muito menos para um parque de diversões em outro país, na década de 80. Então, isso era uma realidade que não fazia muito sentido. Mas lembro de ver na televisão, e lembro do meu encantamento. Eu já conhecia os desenhos animados, já conhecia aquele mundo de fantasia que era muito sedutor para mim, como criança, como adolescente, especialmente. Por quê? E depois entendi isso claramente quando fiz essa primeira viagem. Eu estava indo estudar durante um período lá fora, e aí passei pela cidade de Orlando, e fiquei uns dias para poder matar a vontade, realizar aquele sonho que vinha sendo cultivado desde muito tempo, sozinho. Foi engraçadíssimo. A primeira viagem para o parque temático foi sozinho. Mas foi maravilhosa. Agora, o que é que percebi? E esse é o curioso. Por que aquele mundo, até hoje, encanta? O que é que a fantasia — quando digo fantasia, não é a pessoa fantasiada, não. O que é que esse mundo de fantasia, que é um mundo fantástico, é um mundo que não é real, mas é um mundo que espelha ou que irradia uma imagem, uma luz, uma luz que tem uma característica muito curiosa: a de nos tirar, talvez, ou de nos desviar desse mundo comum que a gente vive, e que a gente tem muita dificuldade de viver por conta das dificuldades que a vida apresenta. Então, como a vida apresenta, no dia a dia, circunstâncias e fatos que a gente não controla, você fala: pô, Rony, você sempre fala isso. Pois é. Para você ver como isso, para mim, é algo tão real, como é importante, e fico me recordando disso todo dia, porque senão não consigo viver, às vezes, as experiências duras da vida. Então, como a vida, em geral, de todos nós, varia, obviamente, de acordo com a época da vida e as circunstâncias, claro, ela apresenta essas dificuldades, esses desafios que a gente vive, e que aí chega a ser tão duro, e muitas vezes a gente está tão apertado — o coração apertado, ou a mente preocupada — como é que resolve uma situação ou encaminha umas escolhas na vida, que aquele mundo de fantasia é extremamente sedutor, porque é como se nele nada daquilo que todo dia nos preocupa existisse. Bom, de fato, quando a gente está lá, quando a gente está naqueles parques, realmente é como se nada existisse mesmo. Por quê? Porque a gente submerge num mundo à parte, que é um mundo de fantasia, em que tudo é maravilhoso. Do ponto de vista externo, tudo funciona perfeitamente. A experiência é sempre maravilhosa, tirando a experiência das filas, que sempre foram grandes — o resto é tudo maravilhoso. Por quê? Porque ele é feito para isso. De certo modo, a gente pode pensar que, poxa, que legal, que por isso que todo mundo gosta tanto, porque é um mundo de fantasia em que a gente não tem os problemas e as preocupações, e não vive as dificuldades que a gente vive todo dia. É, assim, realmente é. E lembro da sensação, e cada vez que fui — foi várias vezes depois, quando tive os filhos, levei os filhos em algumas idades diferentes — é realmente uma sensação de escapar da realidade da vida e mergulhar numa realidade paralela. E, afora, para mim, eu que adoro todos esses negócios de montanha-russa, qualquer uma daquelas atrações todas, eu acho tudo máximo. Adoro a emoção, adoro a adrenalina das que são mais radicais, e adoro a surpresa das coisas todas. Então, é muito sedutor viver, se puder um tanto, dias num mundo que parece que desgarra totalmente da vida que a gente vive no dia a dia. E por que estou lembrando disso? Porque demorei tanto para entender isso, e por isso queria que você pensasse nisso. Você pode estar pensando já há muito tempo, até antes que eu, mas queria, assim, reforçar que essa reflexão pudesse ser útil para você de alguma forma. A gente tenta escapar, e se não é nos parques de diversões, obviamente, porque se a gente vai só de vez em nunca na vida, quando vai, né? Eu fui com 25 anos só. A gente tenta escapar com a televisão, ou seja, assistindo, sei lá, uma série, um filme, mergulhando em algum entretenimento. Eu, por exemplo, não tenho tempo, mas adoro jogar videogame, porque fui a primeira geração que cresceu com videogame, desde os videogames mais arcaicos, eu estava jogando já. Nos últimos anos não tenho tempo para jogar — há muito tempo — mas quando tenho, de vez em quando, outro dia, o final de semana é retrasado, eu, putz, joguei umas três horas no sábado à tarde. Eu acho que estava uma delícia. Mas, assim, o que é que a gente faz nesses momentos? A gente escapa, né? Você vai falar assim: Rony, mas é tão bom poder escapar de vez em quando, é tão duro, às vezes, o dia a dia, e as lutas da vida, e as situações que a gente vive. Sim, eu concordo com você. Por outro lado, a gente está escapando para fora. Você percebe? Todos esses escapos, vai, ou todas essas possibilidades da gente se entreter e viver em mundos diferentes — porque hoje em dia, você pode pensar que os jogos, hoje em dia, substituíram já, por exemplo, a experiência do parque temático lá. Você pode viver dentro de um jogo. Até porque você vai falar com seus amigos, vai falar com, se tiver amigos online, você pode viver dentro de um universo que é um universo alternativo mesmo, onde a vida apresenta outras dificuldades e desafios que não as que a gente vive no dia a dia. O problema, e esse é o perigo, é que a gente vai escapando para fora de nós mesmos. Eu sei que parece assim: pô, Rony, você está exagerando, não é tão ruim assim, né? Então, a sensação, vou te falar, é boa. Mas por que ela é boa? Porque dá a sensação, realmente, de ter escapado de tudo. Eu estou dizendo por mim, veja — estou falando assim, essa é a minha experiência — e sei que aquele escape é temporário, mas, ainda assim, a sensação é boa. E isso é um problema sério. Porque, primeiro, a gente depende de uma circunstância externa para poder escapar dos problemas. E, segundo, o escape não é real. Porque os problemas e a vida do dia a dia vão seguir. Tão logo desliga o videogame, tão logo volte da viagem — que era mais frustrante ainda, voltar das viagens era frustrante, sabe assim — eu já ficava assim: ai, não acredito, acabou, é tão gostoso. Mesma coisa de ver uma série, ver um filme, ou jogar um videogame para quem gosta, ou ir para o cinema — não importa. Assim, o entretenimento que nos faz escapar tem hora que acaba, tem que acabar, né? Mesmo que a gente exagere. Puxa, fiquei aqui no sofá e assisti não sei quantos episódios da série, maratonei, legal. Só que vai ter uma hora que vai acabar. Por quê? Porque a vida segue. E a gente não pode viver num universo paralelo. Esse é o primeiro problema. A vida e seus desafios e problemas seguem e vão se acumulando enquanto a gente está lá lidando, vivendo num mundo paralelo. Mas o segundo ponto, e esse é muito mais — eu acho que é muito mais sério — é que a gente vai se afastando do verdadeiro mundo onde a gente podia estar muito mais submerso e sentir muito mais a alegria, a felicidade e a paz que a gente não encontra em lugar nenhum, muito menos no entretenimento. Porque o entretenimento pode entreter a mente, mas não nos dá a paz que a gente não sente e não encontra na vida, muitas vezes. E que mundo é esse? Ah, que boa pergunta. Que mundo é esse que cada um de nós pode, poderia, pode estar submerso, estar vivendo mais, muito mais e que diferente de qualquer entretenimento, passatempo, estaria sendo vivido aonde verdadeiramente se encontrariam, se encontram as sensações que a gente busca? Essa sensação de existir, sensação de fazer parte do todo, sensação de paz, serenidade, sensação de calma, sabe? Sensação de calma mesmo, de paz interna. É como se realmente a gente se afastasse da vida, da vida externa, porque esse mundo é um mundo íntimo, é um mundo próprio que pertence apenas a cada um dos bilhões e bilhões de seres humanos que povoam a Terra. Aí você fala assim: mas como é que é esse mundo? Cadê esse mundo? Essa pra mim é a grande descoberta que o conhecimento logosófico me proporcionou: foi descobrir que dentro de mim, ou em mim — o dentro parece que é físico, mas em mim vive ou existe — eu existo primeiro no meu mundo próprio. Eu estou falando, claro, no mundo mental. Não é um mundo físico, mas o mundo mental. E esse é assim, o interessante, é bem curioso pensar que não teria chegado nunca à conclusão dessa. Mas assim, o mundo mental que permeia tudo que existe na nossa vida, a humanidade, tudo — a logosofia apresenta que tem três existências, três formas, três camadas de existir neste mundo aqui, do ponto de vista mental. O mundo interno, esse mundo próprio, onde a gente deveria viver muito mais, porque a intimidade, por ser inviolável, ou deveria ser inviolável, a gente não deveria abri-la. A gente pode viver, conviver consigo mesmo, sabendo que é onde a gente encontraria ou encontra a maior paz possível quando, obviamente, esse mundo interno começa a ser organizado. E não só quando, ou não apenas, é adentrar esse mundo — quando tem um monte de pensamentos lá fazendo uma bagunça, realmente uma barulheira danada — e que às vezes pode parecer que esse mundo é mais complicado do que o mundo externo. Mas na verdade, não é assim. É possível não só viver neste mundo mais do que a gente já vive, ou pouco que a gente vive hoje, especialmente porque é possível organizar esse espaço interno, esse espaço dimensional que é nosso, que é onde a gente realmente encontra com aquilo que, teoricamente — digo teoricamente porque é preciso experimentar isso pra poder a gente afirmar com convicção que é assim — mas que, pra mim, é onde encontro a paz. Onde encontro essa sensação de que ainda que qualquer coisa aconteça na vida terrena, eu não estou em apuros, eu não estou apertado, eu não estou sofrendo, eu não estou ansioso, eu não estou angustiado, como muitas vezes me sinto quando estou vivendo pra fora de mim mesmo. Porque esse é o mundo onde existe o que existe de mais elevado na criação. Nesse mundo interno, íntimo, próprio de cada um de nós, é possível sentir a existência não física, mas a vida do ponto de vista consciente, espiritual. A vida na sua configuração mais próxima do Criador. A vida na mesma substância do pensamento Criador. Essa é uma possibilidade que está aberta a todos. Mas, de novo, pra isso a gente vai precisar de ferramentas que não só nos guiem nessa jornada, nessa exploração do mundo interno, mas, especialmente, que a gente comece a organizar um espaço dimensional que, quando não está organizado, ele está meio na balbúrdia mesmo, é confuso. E aí você fala: poxa, então a gente vai adentrar o mundo interno e a gente vai encontrar não a paz, e sim a confusão? Não, eu diria que nesse mundo próprio, ele é ainda mais protegido do que apenas o ambiente mental que, geralmente, a gente está circulando. Por isso que a logosofia apresenta que tem a primeira existência, que é essa, do mundo íntimo. Aí tem uma segunda existência, que é esses ambientes que a gente frequenta, onde a gente tem mais vínculo com as pessoas, a família, os amigos mais próximos, e que a gente se sente bem, em geral, e que a gente está mais à vontade. E tem a terceira existência, que é a vida terrena na sua experiência mais ampla. No mundo próprio, nesse mundo íntimo, os pensamentos da balbúrdia, essa bagunça toda, não conseguem penetrar. A dificuldade é chegar nesse ponto. A dificuldade é fazer essa jornada, porque a gente vive tão para fora de nós mesmos, que a dificuldade é fazer a jornada muitas vezes para se encontrar nesse mundo, nesse ponto central, no centro de gravidade da própria vida interna. Então, o problema é que, no caminho, tem um monte de pensamento. Como se a gente fosse fazer uma viagem para um lugar e, no caminho, fosse uma confusão, tivesse maior trânsito, maior caos, um monte de gente, barulho, pessoal gritando, buzinando. Mas, quando você chega lá no local, o local é maravilhoso, paradisíaco. É igual pegar uma jornada para uma praia paradisíaca, praticamente deserta, e a jornada pode ser super complicada. Quando você chega naquele lugar, muitas vezes a gente já fez viagem assim — quando você chega nesse lugar: ai, que paz, que maravilha, que perfeição, que divino que é aqui. Eu vejo que é mais ou menos a mesma coisa. A gente precisa aprender a fazer essa jornada que nos leve exatamente a esse lugar paradisíaco, esse lugar divino, esse lugar que, assim, sensações são maravilhosas. Mas, para chegar, é preciso passar, transacionar, ou transitar, na verdade, entre essa zona, essa camada externa que a gente vive a vida, passar por esse espaço mental que ainda tem uma confusão de pensamentos ainda, para, então, finalmente chegar no centro. Aí você está pensando assim: ah, Rony, como é que faz isso? Esse é exatamente o ponto do método logosófico. A logosofia como ciência e método que é, ela conduz esse conhecimento e essa metodologia — ou seja, a forma como o ensinamento logosófico vai movimentando essas engrenagens do nosso mundo interno — conduz exatamente para que a gente possa realizar essa jornada. E essa não é a jornada que a gente faz uma vez ou outra nas férias como a gente faz nas jornadas para os lugares paradisíacos do mundo. Essa é uma jornada que é possível fazer todo dia, muitos momentos por dia, e cada vez viver mais neste mundo e menos na bagunça do mundo externo. Bom, você percebeu que a gente já entrou numa nova conferência, numa nova temática que González Pecotche apresenta, numa conferência que ele chamou de "As Três Existências." É a próxima conferência do livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico." Tenho certeza que a leitura vai te gerar muitas reflexões, como está gerando para mim, e sempre muito úteis. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.