Latest / Logosofia no Dia a Dia / Cosmologia e Logosofia — Por Que Você Não Pode Ser Indiferente ao Resto da Criação
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu já te contei que adoro tudo que se refere ao conhecimento do cosmo, né, o que hoje se chama cosmologia, antigamente se chamava astronomia, eu não sei nem se é a mesma coisa, mas esse conhecimento que vai esclarecendo a parte física, né, a parte material da existência do universo, das estrelas, da nossa existência aqui nesse pontinho, minúsculo, minúsculo, minúsculo, no universo, é só de pensar na grandeza, eu não penso todo dia, mas sim, de tanto em tanto, especialmente quando tem dias de céu bem limpo à noite. Se acredita que dá para ver algumas estrelas aqui em São Paulo, aqui de casa dá para ver algumas estrelas, e aí, antes de fechar a persiana na hora de dormir, eu sempre olho para as estrelas, nesses dias que não está nublado. E eu me lembro, assim, eu me dou conta que, do ponto de vista físico, a gente realmente é insignificante, né, dentro do universo. Isso porque a gente mal conhece o universo, e talvez sejam muitos universos. Hoje os cosmólogos seguem com hipóteses assim, fortes, de que nada está decidido, ou seja, nada se sabe. A única coisa que se sabe sobre isso é que nada se sabe. Mas eu gosto de pensar no cosmo, não porque me traz uma sensação de insignificância, pelo contrário. Porque embora fisicamente seja insignificante, um planeta como o nosso, para nós, e para essa raça humana, essa humanidade aqui da terra, é o tudo, né, é o todo e é o tudo. Mas em relação ao todo, é por isso que eu gosto do cosmo, né, de contemplar, porque a sensação do todo, a sensação da imensidão, eu não sei por que, mas me inspira, assim, sabe. Me dá uma sensação tão, eu acho que a sensação do grande, né, que a gente, como ser humano, sempre intui, busca. A gente quer se conectar ao grande, não é isso? Essa é a busca humana, né, e essa busca é antiga para chuchu, né, antiga para chuchu. Não é à toa que o homem olha para cima, né, com essa admiração. Eu imagino como é que era para civilizações de milhares e milhares de anos atrás, né, quando a terra não tinha iluminação toda artificial e a terra, quando ficava à noite e a gente estava de costas para o sol, estava escuro de verdade, né. Imagina o que era olhar para o céu. Ah, devia ser um negócio que a gente só vê quando vai no planetário, né. Mas tem um fato curiosíssimo sobre isso, curiosíssimo. Eu sempre achei esse fato muito, muito curioso. Quando ocorreu o início desse universo que a gente conhece, o Big Bang, só existiam dois elementos químicos que foram criados nesse instante: o hélio e o hidrogênio, se não me engano, os elementos mais leves da tabela periódica. Todos os outros elementos foram criados nos bilhões de anos seguintes, quando as primeiras estrelas de hélio e de hidrogênio foram fazendo fusão dos núcleos do hélio e do hidrogênio e produzindo elementos mais pesados. Bom, quando essas estrelas explodiram, elas inundaram o universo em expansão desses elementos químicos, e aí então, daí a tal da tabela periódica, que eu não decorei nunca na vida, mas que eu entendo que os elementos muito mais pesados que o hélio e o hidrogênio estão lá, pelo menos aqueles que já se identificaram, os elementos já identificados. Então, quando a gente olha do ponto de vista biológico, químico, físico, matéria, nós, cada ser humano, é necessariamente, como disse o Carl Sagan, um cara que talvez precursor da cosmologia moderna — o Carl Sagan já afirmou há décadas atrás que nós somos feitos de poeira das estrelas, e é a mais pura verdade científica. O carbono, que é base das nossas células todas, nossos olhos, o carbono que é base do nosso coração, o ferro que corre no nosso sangue, que é base do nosso sangue, o cálcio dos ossos, enfim, o oxigênio que a gente respira, que a gente processa, tudo, tudo veio da fusão nuclear que as primeiras estrelas fizeram e que, então, produziram os elementos mais pesados. Então, a afirmação do Carl Sagan é uma afirmação correta cientificamente. E aí você fala assim: ah, Ronny, curiosidade interessantíssima essa, né? Então, a gente é feito de poeira de estrelas, ou seja, os elementos que compõem a vida humana, o corpo humano, advém das estrelas que, ao final da vida delas, de bilhões de anos, explodiram em supernovas. E nessa explosão, então, semearam — acho que a palavra mais legal é essa — semearam todos esses elementos para que um dia esses elementos se reconstituíssem em formas diferentes de organização. E tem mais. Hoje, compreendo de uma forma mais clara, a concepção logosófica do ser humano, quando ela finalmente nos tira o véu, nos descobre que cada ser humano é, além dessa parte matéria, biológica, química, que a gente, de fato, é poeira estelar reorganizada, nós somos um ser psicológico, espiritual, que é uma nuance, é um detalhe só que muda tudo. Porque vamos imaginar que tudo que existe hoje, tudo que a gente olha, tudo que a gente convive, não só os outros bilhões de seres humanos, mas todas as plantas, árvores, animais, os objetos que a gente faz, os objetos que o homem faz e usa, dos mais simples, da madeira, aos objetos de madeira, aos tecidos, à comida que a gente come, aos chips que estão nos nossos aparelhos eletrônicos, tudo é feito desses mesmos elementos, tudo que a gente toca, tudo que a gente criou, tudo que a gente produziu e consome na vida, no planeta, são os mesmos elementos, a mesma poeira cósmica. Com a distinção que, no nosso caso, a consciência que o ser humano é dotado e que os animais, plantas, árvores e objetos não têm, nos colocou numa posição única em que a evolução dessas colônias atômicas, desses átomos todos, desses elementos químicos, no nosso caso, é para ser conduzida com consciência. E o nosso caso é o de pegar essas colônias atômicas que compõem o nosso ser, tanto do ponto de vista físico como psicológico, e avançá-las nessa forma humana em direção à perfeição, em direção ao pensamento criador, para nos identificarmos cada vez mais. A gente pode até olhar e entender o seguinte: os átomos do universo estão de fato evoluindo, as colônias de átomos do universo, elas vêm evoluindo em formas cada vez mais refinadas, até chegar à forma humana, que é, das que eu conheço, a mais refinada de todas. Porque a consciência nos permite dirigir essa evolução e refinar essa forma humana em direção, em busca dessa identificação com o pensamento criador, na perfeição, no amor, na beleza, na superação, nessa evolução consciente, que é a grande prerrogativa que o ser humano tem. Agora, o ponto que mais me encanta é que, se esse fato não nos passa despercebidos, esse fato de que nós somos, biologicamente, quimicamente, poeira estelar, faz muito sentido que a gente, ao ler, por exemplo, um ensinamento — na conferência seguinte que a gente está no livro de introdução, o conhecimento logosófico, que eu estou focado agora — há muitos ensinamentos que são, para mim, icônicos, são verdadeiros poemas. E um deles trata exatamente sobre esse sentimento em relação ao todo do criado. São aqueles ensinamentos que, de vez em quando, eu paro neles e fico tão maravilhado. Eu fico tão impressionado com a precisão que o conhecimento logosófico apresenta, quando vai nos pontos mais relevantes para a minha realidade, para a minha necessidade espiritual. O ensinamento está falando assim — eu vou até ler um trechinho. "O ensinamento logosófico tem suas formas particulares de expressão e requer de cada um individualmente uma atenção plena para que não se dilua antes de chegar ao lugar que lhe corresponde no mais íntimo do coração. Vêm para recordar aos homens muitas coisas esquecidas e estabelecer uma ordem mental, uma ordem na mente de cada um e de todos em conjunto." Agora vem a parte mais incrível: "Entretanto, para isso, será necessário deixar que o sentimento panteísta invada o espírito, a fim de experimentar, ao evocar a ideia do todo, a doce realidade de sentir no mais profundo do ser a pureza de uma irmandade que enlace as almas com todo o criado." Eu simplesmente, quando passo por esse ensinamento cada vez, eu fico tão maravilhado, tão, eu fico assim, acho tão tocado, porque eu passei a vida, boa parte da vida, olhando para o resto do mundo e dos seres com muita indiferença. Essa talvez seja a parte mais triste da minha ignorância, ou a parte mais triste da vida que foi fruto de uma ignorância total quanto a essa ideia, a essa realidade do todo. Eu realmente achava que eu não tinha nada a ver com os demais seres humanos, a não ser com aqueles que estavam próximos de mim, ou seja, família e amigos. Eu olhava para os estranhos, para as pessoas que eu não conhecia, mas que eventualmente cruzavam o meu caminho no dia a dia, com indiferença. Veja, com educação. Eu sempre procurei respeitar, sempre procurei ser educado, deixar alguém passar na minha frente, ser bacana no trânsito, não é isso? Pedir-se cruzar a rua, assim. Isso eu fiz, isso eu sempre fiz porque é natural a gente ser de alguma maneira bondoso e respeitar esse convívio social da melhor forma possível. Mas tirando isso, eu senti uma indiferença em relação à vida e ao destino de cada ser humano. Tipo assim: vou cuidar do meu, vou cuidar dos meus e dos outros que cuidam dos seus. Eu mesmo, eu olhava a Terra também dessa forma também. Eu olhava o universo talvez assim: bom, legal estar aí, mas assim, eu tenho que cuidar da minha, né? Da minha vida, das minhas coisas. Tenho que me preocupar comigo mesmo. Então eu fui muito indiferente ao todo do criado durante muito tempo. E não era porque eu queria ser indiferente, você entende? Foi ignorância, foi assim, falta de noção sobre, não só sobre essa realidade da gente ser poeira de estrela, não é isso? Porque a gente é muito mais do que isso, né? Mas foi essa falta de reflexão mesmo, a falta de olhar para a própria vida e olhar ao redor e começar a perceber, porque seria meio assim óbvio, se eu tivesse parado, né? De fato, parado — que eu digo assim, feito uma reflexão profunda e observado a vida ao meu redor com mais detenção, com mais, vamos assim, com mais detenção da reflexão — eu teria me dado conta antes, muito antes, que não faria sentido nenhum essa posição de achar que não tem nada a ver comigo, sabe? Que a vida dos outros, os acontecimentos do mundo não tem a ver comigo, a menos que me impacte diretamente. Então é óbvio que as coisas que impactam a gente diretamente, a gente acha: pô, isso aqui tem a ver comigo, né? Está me atingindo aqui. Mas não é isso. O fato que eu permaneci achando que eu não tinha relação com o resto da criação, seja ela, especialmente, o resto da humanidade toda e a própria criação física em si, natureza, planeta, tudo, essa indiferença me manteve numa posição que seria, dessa posição seria impossível. Olha só, pensa só: seria impossível que nessa posição eu pudesse me aproximar do pensamento criador. Nessa posição é impossível se aproximar de Deus, é impossível perceber a criação de Deus em tudo. É impossível me identificar com o pensamento da criação de Deus numa posição de indiferença, ou pior ainda, acreditando que não há relação entre a minha vida, minha existência, meu destino e o destino dos demais seres humanos e elementos do universo. A gente está pensando assim: ah, Ronny, mas o que acontece no universo não faz diferença para a gente mesmo. Ok, não diretamente afeta a nossa vida, não é esse o ponto, mas é o caminho inverso, sabe? O problema não é que a solução é entender que todo o universo se relaciona com cada um de nós e a gente com o todo, não é isso. O problema é achar que não é isso. Por quê? Porque esse equívoco de colocação, de posição, de compreensão, é o que me impediu diretamente de dar passos concretos, de me aproximar ao pensamento criador. Então é como se fosse uma barreira direta. A minha posição equivocada, nessa indiferença em relação ao todo, é como se eu tivesse erigido uma barreira intransponível para mim mesmo, na direção que eu queria, que eu sempre quis, mesmo sem saber, que era me aproximar de Deus, sentir e perceber Deus em tudo, em mim mesmo, especialmente. Como é que seria possível perceber Deus em si mesmo se há uma barreira clara em que cada um acreditaria que não tem nada a ver com o resto do criado? Você vê, né? Eu tô rindo porque era uma posição tão equivocada e tão óbvia. Hoje eu olho para essa posição que eu tinha antes e falo assim: era óbvio, é óbvio que estava equivocado, mas eu não via isso. Por isso que eu falo para você que a logosofia, esse conhecimento tem esse poder transformador em mentes como a minha. Por isso que eu falo, é para todo mundo, porque são mentes que têm muitas limitações como a minha. Você entende? Isso não é um conhecimento para gênio ou para pessoas que são super capazes ou especiais, não é isso. A logosofia é um conhecimento que transcende o conhecimento comum exatamente porque trata de tudo isso que existe e que transcende a vida comum, a vida física, material, e ele funciona e transforma qualquer ser humano que se disponha e que queira abrir os olhos do entendimento para a realidade metafísica da vida e da existência. Ainda que esse ser humano tenha muitas limitações psicológicas, tenha deficiências psicológicas e a mente esteja cheia de travas ainda por conta de tudo que acreditou ou se engana com muitos conceitos equivocados, como a minha. Você vê que não é uma questão de será que a gente tem capacidade de, é uma questão de dar os passos sob a ótica à luz desse conhecimento como guia. É simplesmente a melhor notícia do mundo, você percebe? Sim, está na mão de cada um de nós poder dar esses passos decididos e decisivos em direção àquilo que sempre buscamos sem entender, nem saber que buscávamos. Mas para isso a gente precisa de um conhecimento que nos guie com precisão exatamente para transpor esses obstáculos que nós mesmos acabamos impondo dentro de nós, na nossa mente, por ignorância, por desconhecimento ou por acreditar em falsas suposições que a gente considerou que talvez fizessem sentido algum dia. Esse é o convite. O convite é começar a viver, a experimentar essas transformações diárias que o conhecimento transcendente vai permitindo viver se e quando a gente se coloca à toma. E como somos poeira estelar, mas com consciência e potencialmente com consciência, é preciso que cada um se coloque nessa posição, é preciso que cada um decida e queira que a vontade seja nesse sentido. Em compensação, o caminho está aberto a todos, a qualquer ser humano. Vamos? Vamos seguir, né? A gente já está. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.