Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você É Sabido Ou Apenas Ilustrado? A Diferença Entre Saber e Informação
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava rindo sozinho aqui, tive que começar a gravação de novo. Que eu estava lembrando de que minha avó, mãe da minha mãe, e tias minhas também desse lado, lembro-me assim de eu pequeno. Eu ouvi observações assim: "Ah, esse menino é muito sabido." Então, eu era um menino sabido. Acho que todo mundo foi uma criança sabida em algum momento. Alguma avó, tia, tio, alguém falou isso, uma vez ou várias vezes. E eu fiquei pensando nisso. Por que que eu cheguei, por que que eu fui nessa recordação? Porque assim, se a gente é tão sabido — como as avós, tias e alguém falou para gente um dia — o que que é que falta a gente saber? A gente tem que ser sabido daquilo que mais interessa cada um. Agora, esse é um conceito interessante. A gente sabe muita coisa, mas o que que é saber? Então, por exemplo, eu sei muitas receitas. Em especial, a maior parte delas são receitas de comida — estou falando de comida — que eu já fiz ou que eu faço com alguma frequência. Nessas que eu faço com alguma frequência, e eu já fiz várias vezes, eu tenho um bom conhecimento de como repeti-las. Às vezes não precisa nem da receita mais, já incorporei a receita, já sei fazer. Aí eu posso falar: "Puxa, sou sabido, tenho saber dessa receita." Agora, eu tenho outras receitas. Eu já li muita receita na minha vida, claro. Toda vez que eu vejo alguma coisa gostosa, geralmente hoje em dia na internet — receitas e não sei o quê — eu falo: "Opa, como é que é isso aqui?" Aí eu leio, tal, falo: "Hum, deve ficar uma delícia isso." Agora, quanto dessas eu fiz? A maioria dessas que eu vi alguma hora, li alguma vez, eu não fiz ainda. Eu posso dizer que eu sei a receita? Eu sou sabido dessa receita? Não. Porque assim, receber a informação ou decorar, se for o caso — posso decorar uma receita. Então, receber, ter uma informação na mente não significa ter o conhecimento sobre aquilo. Isso eu acho que esse exemplo da receita de culinária fica muito claro. Porque de novo, você pode decorar muitas receitas, como eu já decorei — não decorei, mas já assim, lembro de muitas receitas. Mas como eu nunca fiz, eu não sei fazer. Eu vou ter que me adestrar, eu vou ter que ir para a cozinha, colocar em prática a receita para então observar o resultado, ver como é que sai. E eu tenho grande chance de ir preparando algumas vezes, ficar com resultado bom, pelo menos bom, e repetir com resultado igualmente bom ou melhor a cada vez. Nessa condição, então assim, quando eu chegar a essa condição, podemos dizer que eu sei fazer tal coisa. Então, por exemplo, pão de fermentação natural. Faz meses que eu não faço, mas vou voltar a fazer agora, especialmente porque a temperatura ambiente importa muito para a massa mãe, para o levain. E como desse ainda estava esse final de frio, eu estou esperando acabar o frio para poder os tempos de fermentação favorecerem e preparar. Porque é um preparo super longo. Eu sei fazer pão de fermentação natural porque nos últimos doze meses eu dei — eu ter feito mais de cem pães. Quando eu começo a fazer, quando é temporada de fazer pão, eu faço por semana vários. Então, eu posso dizer que eu sei. Antes eu conhecia a receita, hoje eu sei fazer o pão de fermentação natural, que fica inclusive modesto, à parte, uma delícia. Bom, vamos transportar essa realidade para o nosso estudo, para a razão de ser da gente estar aqui conversando. Quando a Logosofia oferece conhecimentos claros, diretos sobre a realidade do mundo interno, a gente fala assim: "Ah, legal, mas assim, eu não conheço esse mundo interno. Eu pelo menos não conhecia o mundo interno em mim mesmo." Antes do conhecimento logosófico jogar esse holofote, nascer desse holofote sobre ele e descrevendo tudo que existe nesse meu mundo interno, eu posso dizer o seguinte: que o conhecimento sobre o mundo interno não é igual à informação sobre o mundo interno. Então, eu posso me informar no ensinamento logosófico sobre o meu mundo interno extensivamente. Eu posso sim virar um craque na informação, na ilustração sobre o meu mundo interno. Mas isso não significa que eu sou sabido. Isso não significa que eu conheço o meu mundo interno. E qual é a diferença? Ou seja, qual é o que que faz a gente sair da posição de que a gente é ilustrado em alguma coisa — ou seja, sabe a teoria de alguma coisa — como eu falei da receita, para ter o conhecimento de causa, ou das causas? E é exatamente — sei lá, lógico — é ir para a cozinha e fazer receita várias vezes. Muito bem. E o que que significa isso de verdade quando se refere ao mundo interno? Que a Logosofia se refere tantas vezes. Dado que o processo de Evolução Consciente que a Logosofia propõe a cada ser humano realizar — não porque a Logosofia inventou um processo de Evolução Consciente e acha legal fazer — não. Porque a Logosofia apresenta o processo de Evolução Consciente como meio, como a ferramenta intra individual para cada um de nós realizar aquilo que é o que se tem potencial de realização na vida. Bom, então voltando: o que que difere ou o que que transforma um conhecimento — um conhecimento ainda em nível teórico, ainda em nível de ilustração — em de fato um saber? Assim, eu sei isso sobre mim mesmo ou sobre o mundo interno. E esse é o ponto do próximo capítulo que a gente entra no Mecanismo da Vida Consciente. E eu gosto de lembrar o nome do livro cada vez que eu mudo de capítulo porque tem uma razão para a gente estar estudando cada um desses temas, desses capítulos. Nós estamos conhecendo ou tentando entender qual é o mecanismo da vida consciente de acordo com a concepção da ciência logosófica. E o capítulo onze trata do campo experimental — tanto das experiências dentro desse campo em si mesmo, internas, como as fora de si mesmo. E essa é uma — é um tema, é um tópico que é uma verdadeira gama de possibilidades de experimentação, de compreensão. Por quê? Porque ao ilustrar cada um de nós acerca da realidade e de como é esse mundo interno, é um passo muito importante. Mas é necessário para que de fato a vida se torne um verdadeiro campo experimental na realização desse processo de Evolução Consciente que haja a verificação sobre isso que se vai se informando com o conhecimento logosófico acerca desse mundo interno. E esse é o ponto. Quer dizer, o ponto do saber, do conhecimento de fato incorporado à vida, à consciência, é uma fase que ela é posterior ao ler, compreender, fazer reflexões. Ou seja, o convite que o conhecimento logosófico nos faz não é para ficarmos na superfície daquilo que ela informa, que ela explica. Que ela assim joga a luz. Porque ficar na superfície do conhecimento é apenas ser ilustrado contra ele. E a transformação que o conhecimento logosófico oferece para a vida é uma transformação que só — isso só ocorre, só em sucesso — quando cada um de nós se transporta para esse campo experimental que, de acordo com esse capítulo, com a explicação que a Logosofia dá, é um campo experimental. O campo experimental da vida se divide em três partes. E essa primeira parte que é o mundo interno, eu penso que é assim — é a base. Óbvio, pareceria óbvio talvez, que é a base da experimentação desse conhecimento. Porque obviamente que a base tinha que ser em si mesmo. Depois a gente já vê que as outras partes desse mundo, desse campo espiritual existem. E não são diretamente nesse mundo interno. Mas a base de onde parte a experimentação desse conhecimento superior transcendente é essa capacidade de se observar — de voltar a atenção e observação, os olhos para dentro de si mesmo — o que vai permitindo essa comprovação daquilo que o conhecimento já nos indicou a ser uma realidade. Então, quando a gente vai para a cozinha e faz a receita, e eu tenho certeza que você tem muitas receitas que você é sabida ou sabido nelas, você sabe porque você passou pela experiência de lidar com cada uma das etapas da receita. Você sabe o que é manusear aqueles ingredientes, como é que é transformá-los no fogo, seja onde for. Ou se for um doce, por exemplo, vai fazer algum processo que vai transformar aquilo, vai juntar aquilo, vai misturar aquilo e vai transformar num resultado que é considerado ideal ou delicioso. Mesma coisa quando o campo experimental da vida começa nesse mundo interno. É preciso observar, lidar com cada um desses elementos. E quando eu falo assim: "Como é que é lidar com isso" — a gente não vai mexer, como é que é. Pois é, mas a observação é talvez a ferramenta de manipulação mais importante nesse mundo interno. Porque a observação permite a comprovação do que ocorre. A comprovação começa sendo assim só a percepção do que ocorre. E depois a comprovação daquilo que se vai observando vai unindo o conhecimento que era teórico com o conhecimento prático. E aí começa a fazer lógica ou ser lógico. A gente dizer que a gente começa a conhecer a si mesmo. Por quê? Porque não adianta só ser informado que existe o mundo interno. É preciso comprovar que esse mundo interno existe em si mesmo. Essa é a base, é a pedra angular — se pudesse falar assim — do processo de Evolução Consciente. Por isso que tanto ensinamento logosófico é voltado para essa instrução sobre o mundo interno. Porque é preciso ir para essa dimensão, para esse plano da observação dentro de si mesmo, para que se comprove em cada uma dessas instâncias, fatores de causa, de efeito, agentes que operam nesse mundo interno — os pensamentos, as faculdades da mente, a parte sensível do ser humano. Assim, eu penso que essa leitura desse capítulo vai dar essa imagem mais clara de que assim, a Logosofia é eminentemente um conhecimento que deve ser experimentado na vida. Não basta ilustrar-se com ele. Ou a gente não vai poder dizer que a gente é sabido do conhecimento de si mesmo. Mas a sugestão é a leitura, para que reflexões obviamente mais voltadas à própria vida de cada um de nós sejam muito úteis para a gente compreender um pouco mais sobre o que que é esse campo experimental que a Logosofia oferece para a vida. Boa leitura, boas reflexões, fique bem, até o próximo podcast.