Latest / Logosofia no Dia a Dia / Onde Está o Wally? — Encontrando a Si Mesmo no Caos da Própria Mente
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que as minhas reflexões de hoje estavam me levando a uma recordação, uma memória muito gostosa, assim. Tem umas coisas que a gente vê na vida e assim faz, assim, que fica tão marcada, né? Tem umas atividades, coisas simples. Aliás, quantas coisas simples na vida abrem a possibilidade da gente viver momentos muito interessantes e muitas vezes a gente se perde tentando buscar aquelas coisas, assim, muito importantes, né? Como se aquilo fosse dar alegria e felicidade. E quando, na verdade, tem felicidade em tudo, né? Ou pelo menos a felicidade está contida em tudo que a vida oferece. Às vezes a gente tem dificuldade de encontrá-la, né? A gente passa por cima dela, a gente atropela a felicidade e não vê, porque a gente está, às vezes, focando só naquilo que, assim, ah, quando eu tiver a experiência maravilhosa, ah, quando eu conseguir finalmente viajar para o espaço sideral como turista e dar a volta na Terra e ver as estrelas, aí eu vou viver a experiência da minha vida. Não, certamente seria, mas enquanto a gente não tem essa oportunidade, vamos encontrar a felicidade nas coisas diárias, né? Por que estou dizendo isso? Mas, na verdade, nem é esse o foco de hoje. Eu estava lembrando — você lembra daquele livro? São vários livros, você vai rir, né? "Onde Está o Wally?" Aqueles livros que as páginas representam, assim, cada página dupla é um cenário. Um é praia lotada, o outro é uma feira medieval, a outra é uma estação de trem caótica, que lembro. São centenas de personagens que estão ali se movendo, né, ou em ação, gritando, trombando uns com os outros, e a gente tem que encontrar o tal do Wally, que é aquele personagem específico, no meio da multidão. Era muito legal aquilo, não sei por que, eu não tenho mais, eu não tenho nenhum livro daqueles. Acho que na época que as crianças eram pequenas, eu tinha, a gente tinha, mas eu não — puxa, eu vou até, quando eu puder eu vou comprar um desses. É tão legal aquilo, porque é um exercício mental muito interessante, e eu estava relacionando ele diretamente com o tema que a gente está estudando. Olha só, ele é praticamente a caricatura da minha mente comum, e como minha mente foi, basicamente, durante uma boa parte da minha vida. Que é assim: aquela mente que é aquele cenário saturado de pensamentos alheios, preocupações automáticas, que ficam na mente gritando para a gente — ó, isso aqui, isso daqui, tem que preocupar com isso, aquilo ali, não sei o que, propaganda, medos que a gente herdou e absorveu do mundo mental, da vida que a gente vive, e ruído informativo. Porque imagina, a quantidade de informação que a gente recebe hoje, dia a dia — essas informações são quase como pedaços de pensamentos que ficam ali. É igualzinho aquelas páginas. Se você nunca viu "Onde Está o Wally?", dá uma busca aí no Google, só para você ter essa imagem clara. Porque a pergunta que me vem à mente é assim: e onde que estou eu, o Wally? Eu vou dizer que assim, eu sou o Wally. Onde que eu estou nesse cenário? Se perguntasse para mim assim: onde você está, Ronny, na sua própria mente? E a resposta, quando a minha mente estava naquele estado, seria assim: sei lá, estou perdido nessa multidão aqui. E tem que fazer maior esforço, tem que fazer um trabalhão aqui, demora não sei quanto tempo encontrar nessa multidão. Ou seja, eu estava confundido, estava assim, no meio, me confundindo ali com o barulho da multidão de pensamentos da minha própria mente. Então a minha identidade e a identidade dos pensamentos que habitavam minha mente, estava muito misturada. Eu era incapaz de encontrar a mim mesmo no meu próprio cenário mental. Você fala assim: pô Ronny, mas nada, você está exagerando, está sendo muito rígido com você mesmo. Não, não é. Veja, parece que é um exagero, mas pensa bem: se a gente não tem dias ou momentos do dia que a gente passa perdidaço nessa multidão que tem na nossa mente, para encontrar o Wally, ou para encontrar nós mesmos — bom, no livro, o que era preciso? Era preciso treinar o olho, o olhar, para ignorar os sósias, os quase sósias. Tinha um monte de personagem muito parecido em alguma coisa, com roupa parecida, o gorro parecido. Tem os personagens fazendo palhaçada. Tinha que treinar realmente a observação para focar no padrão real do personagem que a gente estava buscando. Na vida mental, esse treino visual, vamos dizer assim, é a observação consciente. É preciso olhar para a multidão de pensamentos que entraram, estão na mente, identificar o que é pensamento, quais pensamentos são, qual a intenção de cada pensamento, o que esse pensamento representa para a minha vida. Faz sentido esse pensamento habitar minha mente? Por quê? Porque tem vários desses sósias que parecem com a gente. Tanto é que muitas vezes a gente acha assim: não, mas eu acho que é isso. Eu acho. Às vezes é assim: é um pensamento que parece que é a gente, e a gente está deixando ele nos influenciar como se fosse nossa vontade mesmo. Eles entram meio disfarçados, sabe? Às vezes uma autocrítica destrutiva pode se fantasiar de prudência. Não, eu estou sendo prudente. Não, é uma autocrítica destrutiva. A vaidade se fantasiar de autoestima, sabe assim: olha, não, eu preciso valorizar a mim mesmo, porque se eu não me valorizar, quem vai valorizar? Só que aí, isso, na verdade, a vaidade está se — só com aquela carinha só de autoestima — mas na verdade é uma sobrevalorização de mim mesmo. Por exemplo. Ou, sabe, a fofoca ou a severidade que eu posso tratar o erro do outro, da outra pessoa, se fantasiam de senso de justiça. Mas na verdade tem muito, muito pensamento fantasiado de mim mesmo, ou de que, ou fantasiado de outra coisa, tentando passar por uma outra coisa. Então, assim, é cheio de impostor na mente, cheio de impostor. E se a gente não consegue observar isso, ou não se detém para observar isso, eles causam o caos e congestionam o cenário, exatamente igual aquelas páginas do "Onde Está o Wally?". Ser o dono da mente é olhar para esse cenário e dizer: cara, esse pensamento não sou eu. Ele não deve permanecer nesse ambiente mental. Não é, veja, óbvio, não é um negócio simples. Você resolve num dia. Com o Wally, a vantagem é que a gente demorava, mas alguma hora a gente encontrava o Wally na página. Além do que era muito legal fazer essa observação do que mais tinha, né, porque não era só a questão de encontrar o Wally. Uma outra parte divertida disso era observar as nuances de cada um dos impostores, ou das coisas que estavam ali. Tanto é que no livro tem outras atividades para fazer. Quando depois você encontra o Wally, o livro, aliás, é um excelente entretenimento, assim, para quando quiser meia hora de mudar a atividade da mente. Eu recomendo, vai. Você fala: ah, Ronny, é para criança. É nada, eu adoro. Beleza, eu vou comprar um livro do Wally que eu não tenho nenhum. Então ele recomenda. Aí depois ele fala assim: agora você encontra tais coisas, né, você tem que voltar de novo para cada cenário e buscar tudo de novo. É bem legal. Mas assim, qual é a nossa tarefa, então? A do livro é entretenimento, né. Eu estou usando mais porque fiquei animado de novo voltar para ele. Mas o ponto importante para nós é assim: é preciso identificar, igual o livro, o que é legítimo, o que constrói, o que é representante. Quais pensamentos são bons representantes do conhecimento e do conhecimento superior, especialmente. É preciso escanear a mente, sabe assim. A mente tem que agrupar esses pensamentos. A gente tem que dar força a esses pensamentos. A gente tem que ir limpando esse excesso de ruído que fica na mente pela presença de um monte de outros personagens, impostores, pseudo sósias de nós mesmos. Assim, você fala: Ronny, mas por que essa preocupação toda? Porque assim, se a gente não conseguir organizar o bem dentro de nós, como é que a gente vai conseguir organizar o bem no mundo? Eu estava ontem almoçando com minha filha — até ela veio aqui em casa, né — estava eu, minha filha, minha mãe, e ela estava expressando de forma bem icônica, representativa da geração atual, da juventude, do mundo, assim, a luta por manter a esperança num futuro melhor para a humanidade. Olha que coisa. Quer dizer, nós, ou cada um de nós, na medida que está preocupado com como é que a gente resolve os problemas humanos, como é que a gente resolve esse desvio em que a humanidade está, como é que a gente devolve esperança para todos os corações e mentes da humanidade — aí você fala: Ronny, primeiro precisa acabar com as guerras. Pois é. Então, como é que a gente acaba com as guerras? Aí vai chegando mais próximo, né. Como é que a gente acaba com o desentendimento entre os povos? Como é que a gente acaba com o desentendimento dentro do próprio país? Como é que a gente acaba com o desentendimento dentro do próprio condomínio que mora, né — que na reunião de condomínio pode ser o caos às vezes? Como é que a gente acaba com o próprio desentendimento da relação que a gente tem com as pessoas que a gente vive, a família? Como é que a gente — veja, a gente vai chegando mais próximo de nós, cada vez mais. Porque assim, a gente sai de lá: quero resolver a guerra, ah, tá ótimo, e a fome, quero resolver tudo. Eu quero, eu também quero ver um mundo livre de tudo isso. Mas a gente tem que ir chegando, vamos trazendo para próximo e vendo que o problema se repete, inexoravelmente o problema se repete, até entender que o problema se repete dentro de nós. Ou seja, isso não é um fato que tá isolado fora, acontece com a humanidade. Isso acontece com cada um de nós, todo dia. É preciso inverter essa lógica. Tem que organizar dentro para refletir fora essa realidade, né. Não vai dar para organizar o bem no mundo, mudar a sociedade, o trabalho, a família, o país, enquanto dentro da mente de cada um de nós acaba sendo essa página caótica do livro do Wally. É uma impossibilidade lógica e psicológica. A gente tem que se encontrar primeiro dentro de nós mesmos, sabe. A gente tem que arrumar esse cenário mental. A gente tem que arrumar as pessoas lá na praia do desenho, enquanto a gente tá quase soterrado lá e cego, né, pela quantidade, pela multidão. A gente não consegue se achar. Tem que arrumar primeiro esse espaço. Com o cenário interno organizado, ou enquanto a gente vai organizando o cenário interno, a gente vai ao mesmo tempo encontrando o centro da própria vida. E o centro da própria vida vai, na verdade, se identificando com a própria consciência. A consciência vai despertando para quem de fato somos. Vai ficando cada vez mais claro que surge o verdadeiro ser humano, né, íntegro, na própria consciência de quem cada um de nós é. Quando esse barulho todo, essa multidão, esse caos todo começa a ser organizado, quando a mente deixa de ser aquela feira barulhenta de um dos cenários do livro, e passa a ser um espaço controlado e limpo, a gente vai adquirindo autoridade, sabe. A gente vai adquirindo clareza dentro da própria mente para poder projetar essa ordem, essa congregação de frações de bem, para fora de nós também. Porque o bem tem que ser organizado primeiro dentro da mente, para então a gente conseguir organizar o bem na humanidade. Então, quando a gente olha para a nossa mente hoje, né, o que a gente vê? Um espaço verdadeiramente sagrado, ordenado e limpo? Ou a gente vê aquelas páginas caóticas do livro do "Onde Está o Wally?" Obviamente que pode ser em momentos diferentes, pode ser mais parecido com um ou com outro. Mas se a gente não consegue sequer nos encontrar, encontrar a si mesmo, no meio dos próprios pensamentos, dos pensamentos que estão na mente, como é que eu vou governar a minha vida e fazer o bem? Esse é, mais uma vez, né — tem várias formas, igual neston, mil maneiras de dizer por que que estou em busca sempre dessa tutela do ensinamento logosófico. Porque ele vai nos dando a lente de aumento e o critério de seleção, de avaliação, de observação. O ensinamento logosófico ensina a conseguir parar, observar o cenário e começar a selecionar e ir expulsando esses pensamentos impostores que vão roubando a nossa energia todo dia, durante a vida toda. E só quando a gente começa a ser dono desse espaço interno, a gente começa a sentir esse poder de construir o bem, fora. Primeiro a gente se encontra dentro de nós mesmos, depois a gente ordena o mundo. Bora? Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.