Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Quer Mesmo? (A Pergunta Que Você Precisa Responder Ao Seu Coração)
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que eu fico me perguntando às vezes se a gente quer mesmo. Eu pergunto para mim mesmo, singular, se eu quero mesmo. Mas com você aqui eu vou perguntar para a gente: a gente quer mesmo? Sério? O quanto que a gente quer? Eu acho que você vai ter que fazer essa pergunta para você também. E essa é uma pergunta que você não vai responder para mim e eu não vou responder para você. Cada um vai ter que responder no seu íntimo, ao próprio coração, à própria consciência. Quanto cada um de nós quer verdadeiramente ser feliz? Ser feliz que eu falo não é ter momentos de felicidade como a gente tem, mas é se desprender desse engano que a gente permitiu que substituísse a verdade ao passar a vida — boa parte ou maior parte dela — entretido com tanta coisa que tem nesse mundo, desde as necessidades e problemas aos prazeres todos da Terra. E a gente se distraiu com tudo isso durante tanto tempo. Aí por um lado, claro, a gente fala: "Puxa, mas eu quero verdade, eu quero uma vida plena, eu quero deixar de sentir a angústia, a ansiedade de que tá faltando alguma coisa na vida". A humanidade sente isso, é inegável. Eu acho que é quase generalizada a ansiedade indefinida por esse vazio que se sente sobre a vida, sobre a razão, sobre por que que eu vivo tudo que eu vivo. Que diabo que a gente tá fazendo aqui? Por que que a gente tá vivendo essa experiência? E por que que essa experiência tem tanta coisa que aperta a gente? A gente passou maior parte da vida, provavelmente... Tem as exceções. Eu não sou essa exceção. Eu passei a maior parte da vida entretido com todo o resto. O resto que eu digo é tudo que está fora de mim. Fora de nós. Eu me entretive com o modelo que a sociedade e a cultura vigente me venderam. Então: "Ó, a vida é isso daqui. Siga aqui esse modelo". Puff. Eu segui o modelo. Trabalhar, trabalhar, trabalhar que nem um condenado para ter dinheiro. Porque aí então você vai ser feliz, reconhecido, vai ser respeitado, você vai ser alguém na vida e aí vai poder... Tem muitas coisas boas que vêm com a condição econômica boa, claro que tem, muitas coisas boas. O ponto é que quando eu depositava nessas coisas a razão de ser feliz, elas deixavam de ser — ou deixaram de ser — uma outra oportunidade de viver algo a mais que é feliz, que pode ser feliz, e passaram a ser uma prisão. Passaram a ser uma corrente, várias correntes. Essas que me acorrentam — e muitas mais me acorrentavam — a esse conceito equivocado de que ser feliz é seguir esse estereótipo que a humanidade segue cegamente, de que a vida é esse triturador, esse grinding constante. Eu gosto da palavra em inglês, porque é um constante girar a manivelinha da máquina assim, e vai triturando e vai triturando, vai triturando, e não acaba mais. Não é à toa que vai crescendo em cada um de nós essa ansiedade. Não é à toa, claro que não. É óbvio que não. Veja, chega a ser tão óbvio que a gente foge de olhar para isso de uma forma mais clara, mais direta, porque a gente fica com vergonha. Vou dizer por mim: eu fico com vergonha quando eu olho para mim mesmo e falo assim: "Pô, quanto você perdeu de tempo, ou quanto você se distraiu, Ronny?" Quanto eu me distraí girando a maquininha da vida diária, cumprindo um monte de coisa e conquistando um monte de coisa. Eu conquistei um monte de coisa. Do ponto de vista terreno, material, conquistei muita coisa. Depois perdi muita coisa por várias razões, mas conquistei muita coisa. E hoje tô em outras conquistas, outras batalhas desse sentido. O ponto é que isso tudo tem o risco sempre de ser uma distração. Pode parecer meio esquisito: "Como assim? Não é o principal que você tá fazendo? Você não usa a maior parte do seu dia físico de horas para isso — para essa batalha, para essa luta, para esse desafio do ponto de vista da vida terrena, de conquistar as coisas, de fazer, acontecer?" É sim, em termos de horas físicas, é onde eu fico a maior parte do tempo do dia, com razão, tá certo? Mas é duro falar isso. Mas isso é uma grande distração se isso tiver sendo vivido desconectado da jornada da Evolução Consciente, da evolução da consciência e da firmeza realmente nessa determinação de superar a minha condição como humano. Para cada vez eu me parecer mais humano — me identificar mais com o arquétipo, a imagem ideal de ser humano. Porque a gente se afastou tanto disso. É que nem quando a gente olha... Eu acho que isso fica muito claro quando você olha para a nossa vida terrena. A gente nasce. O ser humano bebê é muito diferente do ser humano adulto. A gente parece umas bolinhas de gordura rastejando, gatinhando, rastejando nos primeiros meses. E demora meses para a gente ficar em pezinho. É uma gracinha tudo aquilo lá, uma delícia. Eu adoro. Essa fase de bebê eu adoro. Mas quando você olha a gente naquela fase, você fala assim: "E olha o adulto". Você fala assim: "Cara, isso aqui... Tem certeza que isso aqui é ser humano?" Parece que... Qual a diferença? Já viu um bebê brincando com cachorro em casa, ou com outro animal? Você fala assim: "Cara, não, são assim no mesmo nível". Não tem... Ele não tem capacidade maior — às vezes tem até muito menor — do que tem um cachorro. Aí você fala: "Não, mas esse ser aqui, ele tem um potencial enorme". Tanto tem esse potencial que nossos pais investiram para que a gente pudesse ter alimentação, cuidado, receber amor para caramba, para a gente crescer e aí sim ver despertar na idade depois, durante a infância, depois da adolescência. A gente olha e fala assim: "Olha, aquele ser que a gente era — super limitado, que não fazia mais nada do que engatinhar e pronunciar umas palavras de forma muito engraçada, muito fofinha — esse ser se tornou ser capaz de realizar coisas incríveis aqui na Terra". Coisas incríveis como o ser humano tem realizado. Mas de novo, é uma aposta. É o investimento que a gente faz. A gente faz esse investimento para que depois surja o potencial desse ser. Cada um de nós passou por isso. E a gente deixou de ser aquele bebezinho fofo, lindo, e a gente passou a ser esse ser humano que igualmente é fofo e lindo, mas que muitas vezes é cercado de pensamentos e deficiências psicológicas extremamente ligadas à matéria, à Terra, aos instintos. É difícil às vezes a gente ver essa fofura, a gente ver essa doçura, a gente ver essa pureza que nós somos no íntimo, no verdadeiro ser. Mas de novo, tô usando essa analogia porque para mim é fácil olhar e falar assim: "Ah, é que a gente olha o bebê e projeta o ser humano depois, adulto, jovem". E aí você fala: "Então, tem que cuidar. Esse bebê recebe, por isso que o bebê recebe todos os cuidados". Agora, do ponto de vista espiritual, metafísico, igualmente, me parece óbvio hoje — atualmente, claro — que fica claríssimo pelo que eu já experimento, que nós também nascemos com um potencial espiritual, mental, metafísico. É dificílimo de projetar a força, a potência... Pensa: a consciência vai despertando com conhecimento que explica, que apresenta os horizontes sobre a existência, a Terra, a existência do ser humano, o mundo mental. Esse conhecimento que a Logosofia oferece é para isso, é para explicar sobre isso. Você imagina que a gente pode sair de um estado de bebezinho do ponto de vista metafísico, espiritual — que não sabe nada, quase bobinho — e a gente pode se tornar uma potência que nem dá para... Nem parece o ser de antes. É a mesma coisa, um bebezinho... Você olha um adulto, não parece que ele era um bebezinho outro dia. A gente brinca: "Nossa, saiu da barriga da mãe? Não é possível. Isso daqui saiu da barriga da mãe?" — às vezes é enorme e tal. E a mesma coisa. Mas o ponto é essa capacidade, essa potência que fica esperando. É como se a gente fosse uma potência adormecida do ponto de vista espiritual, mental, da vida consciente. Nós somos uma potência à espera do despertar e da expansão dessa engrenagem maravilhosa com a qual cada um de nós já conta. E aí, voltando à pergunta que eu fiz no início, agora faz todo o sentido — ainda mais — perguntar: eu quero? Quero mesmo. Você quer mesmo. A gente realmente quer viver o que a gente vislumbra e com a parte que a gente já se identificou dessa verdade que a gente enxerga, que a gente pressente e que a gente já experimenta dentro de si mesmo? E quando eu faço a pergunta no plural para mim e para você, é porque se a gente quer, a gente vai ter que lutar muito por essa verdade. Isso eu falo ao mesmo tempo com a emoção de dor, de medo e a emoção de felicidade de pensar que isso é uma possibilidade — da gente alcançar isso. Eu tenho medo de não conseguir viver aquilo que eu já sinto, de não conseguir viver aquilo que já é uma realidade com a qual me identifico. Eu tenho medo dos pensamentos continuarem sendo uma distração. Eu tenho medo de me distrair nessas coisas todas do dia a dia, me distrair nesses conceitos que eu aceitei do que que é a vida. Tenho medo de que esses conceitos equivocados todos me mantenham longe daquilo que cada um de nós busca. Por isso que essa firmeza na determinação de superar-se, ela... Eu penso que é a parte fundamental. Ou seja, ou cada um de nós vai reafirmar dentro de si todo dia um tantinho — pode ser um tantinho — mas vai reafirmar que quer viver essa verdade que cada dia a gente se identifica um pouco mais, ou a gente vai perder isso. E a gente vai continuar submerso na aparência da vida — que é a vida terrena — que parece e aparenta ser o próprio objetivo em si, a finalidade em si. Baita desafio, né? Eu penso que se essa reflexão puder manter cada um de nós olhando esse objetivo, esse ideal que a gente quer viver, que a gente quer cada vez se identificar mais, a gente evita cair nessa armadilha de todas as coisas da vida terrena do dia a dia que querem nos distrair do que a gente realmente quer ser e quer viver. Eu quero muito que você seja muito feliz. Porque eu quero ser muito feliz também, cada vez mais. Espero que a gente não lute sozinho. Boa leitura, boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.