Latest / Logosofia no Dia a Dia / Perdido em Shanghai, Perdido na Vida — A Linguagem que Ninguém Nos Ensinou
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu já te contei, ou contei há muito tempo, quando fui para a China? Isso faz uns quase 15 anos, acho que faz 15 anos exatos. Foi uma experiência muito curiosa — fui a trabalho e foram uns 4 dias em Shanghai, que é como se fosse a capital financeira, né? É tipo São Paulo para o Brasil. Shanghai para a China, capital política é Beijing. E foi uma experiência muito curiosa, porque obviamente eu não falo chinês, nem leio chinês. Desde a chegada na China, onde encontrei pouquíssima gente falando inglês na época, a sensação de estar num lugar bem diferente em termos de linguagem causa uma impressão muito esquisita. Imagina uma cidade, um lugar, um país, que a gente não fala a língua, nem percebe por semelhança nada. Não é que você não fala uma língua, mas percebe por semelhança algumas coisas, algumas palavras. Muito menos a escrita, que não é a mesma que a gente usa, obviamente. São representações, grafismos diferentes. Lembro do primeiro dia estando na cidade — lembro da sensação esquisita de olhar para todo lugar e não entender nada. Você imagina a situação, se é que você não viveu algo parecido. Se coloca no meu lugar. Eu estava numa cidade enorme, tinha algumas reuniões de trabalho cada dia, vários dias, e aonde você olha, você não entende nada. Placa de esquina, que tem nome de rua — você não entende. Placa de loja — se você olhar para as coisas que vai passando na calçada, você também não entende. Obviamente, você percebe mais ou menos o que é pela vitrine, se tiver uma vitrine. As placas indicando caminhos não dizem nada. A sensação é muito esquisita. Você se colocou na minha situação? Se você não passou por isso, você se colocou na minha situação e entendeu. Porque a sensação de estar perdido é constante. Na época, não tinha sinal no celular — tinha celular, mas os celulares não eram como são hoje, há 15 anos atrás. Não tinha sinal, muito menos tinha aplicativo de mapa. No hotel, pegamos mapa. Eu estava com um amigo do meu trabalho, pegamos mapa e, especialmente, pegamos instruções claras. O concierge do hotel imprimiu nossos destinos a cada dia, para as reuniões. Para a gente mostrar para o motorista de táxi no papel, em chinês, não em inglês. Porque não adianta você mostrar o nome de uma rua em inglês — tem que mostrar em chinês. Você pode já entender a situação. A sensação é assim: você está perdido o tempo todo, se você não tiver um bom mapa na mão. E mesmo assim, em geral, com o mapa, você vai sempre buscar uma referência ou outra. Mas nesse caso lá, eu não tinha nenhuma — a gente não encontrava nenhuma referência em lugar nenhum. A sensação é de ir perdido o tempo todo, e isso traz — que esse é o ponto — uma ansiedade e uma angústia presentes, constante. Te lembrou alguma coisa que a gente vem falando sempre? Sim, né? Olha que curioso — eu senti lá, que foi o único lugar da viagem que a gente fez. A gente foi para outros lugares na Ásia também nessa viagem de trabalho, mas foi só lá que eu me senti tão perdido, tão isolado e tão desconectado com aquele mundo em que eu estava. Passei uns dias meio ansioso, meio angustiado com isso. Por que lembrei da viagem para a China? Que aliás, só não foi a pior viagem que fiz, porque dois dias depois chegou — a gente estava fora do país — chegou um cara que mora na China, que não é chinês, era coreano, mas que falava inglês muito bem. Era amigo de um amigo nosso e ficou ciceroneando a gente, levando a gente para os lugares. Aí mudou um pouco porque a gente estava como se estivesse na mão de um guia. Também muito curiosa essa parte — guarda essa parte também. Mas por que lembrei muito da viagem à China? Porque a sensação que senti lá, há 15 anos atrás, se assemelha muito à sensação que senti muito na minha vida e sinto de vez em quando, quando me desconecto ou quando esqueço o que estou buscando viver na minha vida. Vamos lá — vou pegar essa imagem que ficou do perdido, do não entendendo nada, do sentindo essa angústia, essa ansiedade, e vamos transpor isso imediatamente para a vida nossa, aqui. Aqui no lugar que cada um de nós mora — aí onde você mora, aqui onde eu moro — que a gente entende praticamente tudo, que a gente lê tudo o que tem, a gente não está perdido. Às vezes a gente pode estar até meio perdido se está em uma região que não conhece, mas facilmente a gente se acha usando várias ferramentas. Mas a sensação de vez em quando ainda de estar perdido é ruim, né, quando vai para algum lugar diferente. Mas nada como o que vivi lá na China — nunca vivi nada parecido. Parece que a vida tem um padrão: se a gente não estiver se sentindo conectado e compreendendo o lugar que está, a gente sente uma angústia, uma ansiedade constante. E experimentei isso 100% nessa situação. E nunca mais esqueci da sensação. Olha que curioso — nunca mais esqueci a sensação que senti lá. E por quê? Porque me faz total sentido pensar que às vezes voltei a sentir essa sensação na minha vida. E não estando mais na China — estou falando estando mesmo aqui na minha casa, não importa aonde — tem que ter uma relação direta de causa que possa explicar ambas situações. Aí você fala: "Ruim, mas não faz sentido, né? Você não está mais em um lugar estranho." Será que não? Olha só — a gente viu uma experiência na nossa casa, que é a Terra, que teoricamente a gente entende, conhece, pelo menos a região que mora, o país, o lugar que mora, a redondeza, frequenta lugar com pessoas que conhece, entende todos os sinais. Mas segue a sensação, ou vive com a sensação de estar perdido. Obviamente não me refiro a estar perdido fisicamente, geograficamente. Você pegou a ironia, se é que é uma ironia, ou a sutileza da comparação? Agora tenho certeza que você consegue sentir. Recordando cada uma das vezes que se sentiu assim, você consegue entender exatamente a sensação que tive naqueles dias que estava em Shanghai. Quantas vezes na vida, eu, você, a gente não se sentiu oprimido, né? Angustiado, ansioso, por a gente não conseguir entender o que está acontecendo com a gente no nosso dia a dia, numa época da vida, por períodos, por — não importa. Quantas vezes, talvez você pouquíssimos, mas eu vivi isso muitas vezes, muito — de não conseguir entender. É quase como se não fosse possível que estou passando por isso. E o olhar para isso, seja qual fosse a experiência da vida, com aquele olhar de "como é que estou passando por isso?" — eu não estou entendendo. Aí, nesse instante, é como se tudo ao meu redor se transformasse numa outra linguagem. Exatamente assim — eu lembro, olha, ficou marcado na minha mente, nesses dias, nessa viagem. Uma hora que parei na rua, era uma avenida, e olhei, dei um 360 assim, fiquei olhando ao redor, e foi aquele momento que falava assim: "Não é possível, eu não consigo entender nada." E foi nesse momento que marcou essa sensação de impotência, sabe, frente à realidade? Sensação de que não conseguia me encontrar. Isso marcou muito, né? Por quê? Porque na época, naqueles dias que estava viajando, não percebi. Depois fui percebendo. Porque é a mesma sensação quando vivo uma experiência aqui na minha vida, nesse lugar que conheço muito bem geograficamente, que entendo tudo, mas quando vivo, vivo, alguma experiência que não consigo compreender o que ela se refere — a sensação é a mesma. É como se aquilo oprimisse a gente, apertasse a gente. Muitas vezes aperta o coração — a gente fala, fulano está com o coração apertado. A sensação é essa mesmo, de opressão, de uma pressão externa que vai apertando a gente. Uma angústia que isso traz, e uma ansiedade que isso traz. Aí você está pensando assim: "Pô Rony, mas aonde você vai com isso?" Pois é, esse é o ponto. A gente pode não estar perdido, e pode ser que conheça muito bem a linguagem por onde passa, a linguagem física dos lugares, como a gente conhece. A menos que vá para a China de novo — aí vai passar a mesma situação. Agora, a gente conhece a linguagem pela qual a criação aponta e instrui a gente? Olha só — se a criação é esse mundo, esse universo, com essa pluralidade de situações, experiências e vivências que a gente passa, se tudo isso expressa, de alguma forma, o pensamento do Criador, o problema é que ao não entender as instruções, ou o pensamento do Criador, as indicações que a vida apresenta para a gente, a sensação é que a gente está perdido enquanto passa por todas essas experiências. Concorda? A gente conseguiu aproximar agora as experiências da China com a experiência da vida? Porque muitas vezes não consegui ver caminho. A mesma sensação — não consegui falar assim: "Meu Deus, eu não tenho como sair dessa experiência, eu não tenho como sair dessa situação. Como é que eu saio disso? Como é que eu saio desse negócio que está me oprimindo?" A pior coisa que já passei na minha vida é viver uma qualquer experiência em que senti uma opressão, um aperto tão grande no coração, em mim todo, e senti pequeno e falei: "Meu Deus, cadê a saída?" Literalmente — acho que é essa hora que a gente lembra de Deus e fala: "Meu Deus, cadê a saída disso daqui? Como é que eu saio dessa situação? Como é que eu resolvo?" A sensação de impotência é a mesma que senti lá em Shanghai. Mesma, de impotência, de assim: eu não tenho o que fazer aqui. Me parece que a gente talvez perceba agora que o problema da infelicidade, da angústia, da ansiedade humana generalizada, é porque a gente não aprendeu a linguagem da própria criação. A gente não aprendeu a entender a instrução do Criador, que primeiro está plasmada na criação em si. A nossa vida deveria estar sendo, eu entendo, uma contínua lição diária sobre essa linguagem. Mas não. Passei boa parte da minha vida passando por essas lições diárias ignorando completamente isso. Tipo assim, perdidaço, achando que era só mais um dia na vida. Passei muitos anos, algumas décadas, sem entender que a minha missão, ou a razão de estar vivendo a experiência terrena, era exatamente decifrar a linguagem do Criador, que está posta, que está presente, está latente nas experiências que vivo todo dia da minha vida. A gente aprendeu a compreender a linguagem do Criador em fenômenos da natureza, por exemplo, observando a natureza. Essa parte física a gente começou a aprender e começou a desenvolver, e está desenvolvendo. A gente está descobrindo, a gente está tirando a coberta, tirando o véu, a gente está revelando mistérios da criação há muito tempo já — desde a parte astronômica, física, química, biologia. Enfim, a gente vem observando a criação e compreendendo a linguagem do Criador expressa nos movimentos, nos acontecimentos, naquilo que a gente consegue investigar, que vai deixando aos poucos de ser o mistério. Tanto é que a vida hoje da humanidade difere muito da vida da humanidade de anos atrás, porque a gente descobriu umas tantas realidades que estavam ocultas a nós. Mas a gente avançou bem nessa parte material, física, tecnológica já. Mas quanto a gente avançou no conhecimento causal da vida e da existência espiritual consciente do ser humano? Eis, para mim, realmente a causa do problema, da minha infelicidade. Todos os momentos da minha vida em que me senti muito apertado pela vida, passando experiências dificílimas que não conseguia entender, que para mim eram dificílimas, que não conseguia sair da situação, que achava que o mundo estava acabando para mim. Estou rindo agora, mas nunca fui engraçado no meio das situações. Entendo que é exatamente por não conseguir decifrar os sinais, as placas, as instruções que estão na criação, para que as decifre. E estão nas experiências que a gente passa. Por isso que o pessoal fala assim: "Fulano viveu tal coisa e não aprendeu nada." É como se cada experiência da vida, cada fato, cada circunstância do dia a dia — não precisa esperar acontecer a experiência do ano, não é isso. Aquilo que cada um de nós está passando todo dia, por mais repetitivo que às vezes o dia pareça na rotina, e assim fisicamente muitas vezes são, todo dia ocorrem uma série de fatos e circunstâncias. E a sensação é essa: se a gente não mergulhar, para entender, para buscar o significado oculto, a linguagem da criação, que está presente em cada um desses fatos e circunstâncias da vida, a gente vai seguir com a sensação, muitas vezes, que é a sensação que tive lá na China. A sensação de angústia, de ansiedade, porque a sensação de estar perdido e sem nenhuma, nenhuma dica ou noção, às vezes, de como sair daquele lugar. A ponto de falar assim: "Eu não vejo nem uma luz no final desse túnel." Tamanho ou profundidade, às vezes, do buraco que a gente está. Mas não queria falar isso para você sentir que a gente está em dificuldade — não é isso, ao contrário. Queria te passar a minha sensação e o porquê que fui compreendendo que a única saída dessas situações era começar a aprender a linguagem da criação. Bom, isso é especialidade da logosofia, cravado. E especialmente da conferência seguinte, no livro. Que é, assim, uma conferência muito curiosa, muito interessante no seu conteúdo, porque a gente, muitas vezes, olha o título e não sabe o que vem pela frente direito. E esse título é curioso: "Como se manifesta o espírito da criação ao entendimento humano." Mas, como sempre, é preciso uma leitura reflexiva, meditada, sobre o que a logosofia oferece nessa conferência. No próximo podcast, a gente vai mergulhar exatamente nesse ponto da linguagem e da nossa colocação frente às experiências da vida. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.