Latest / Logosofia no Dia a Dia / Refazer a Vida em Qualquer Idade: Um Ato de Suprema Inteligência
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Bom, gosto é gosto, não é? É comum dizer que gosto não se discute, se lamenta. Partindo dessa premissa, eu, por exemplo, não vejo graça em prédios ou construções antigas, aquelas de cidade, sabe? Prédios históricos com uma arquitetura específica. Sei que estou cometendo um pecado para os arquitetos e engenheiros, mas eu não vejo graça. Sou aquele cara que tem um gosto mais moderno. Gosto dos prédios cheios de vidro, com aquela cara de modernidade, de arquitetura mais ousada. Mas sei que tem muita gente que acha muito legal os prédios antigos, de muitas décadas ou do século passado, que têm características muito específicas da época. Independentemente do gosto, quando a gente entra em uma construção dessas, vemos uma fachada imponente, cheia de detalhes, que conta uma história em cada janela. Dá para admirar que foi um projeto muito legal na época. Mas, quando você olha mais de perto, geralmente vai ver uma rachadura sutil na parede, vai perceber que a fiação é antiga, que os canos fazem um barulho esquisito. A estrutura é boa, mas o tempo deixou suas marcas. Podemos pensar que a nossa vida é a mesma coisa. Na medida em que caminhamos, acumulamos uma série de marcas, características e defeitos, assim como uma série de conquistas. Quando olhamos para nós mesmos, como se olhássemos para um prédio antigo, temos algumas opções. O que fazemos, já que o "prédio" precisa de melhorias? Quem não olha para a própria vida e não observa que é preciso mudar algumas coisas? E não falo do ponto de vista circunstancial, mas de quando olhamos para a forma como vivemos a vida. Porque essa é a única coisa que importa. Tenho me livrado das dúvidas céticas que tinha quanto a isso, porque, de verdade, o que importa mesmo? Qual é o legado que vamos deixar? Se fôssemos uma construção, como as pessoas no futuro se lembrariam de nós? Qual seria a imagem que representaria a essência da nossa vida? Não digo isso pensando no que vão achar, pois isso tem pouco interesse prático para nós, mas é uma forma de pensar sobre o que é importante construir na própria vida. A vida interna não pode ser algo que vai se deteriorando com o tempo, com características negativas se acentuando. Eu não aceito há muito tempo aquela frase "ah, eu sou assim mesmo". Acho que essa é uma das minhas grandes características de rebeldia. Desde jovem, eu não aceitava que seria um ser com tantos defeitos como eu tinha. Eu sofria muito porque não conseguia controlar minhas características psicológicas e perdi muitas oportunidades de me colocar melhor na vida, primeiro perante mim mesmo e depois perante os demais. Por outro lado, claro, tenho uma série de características boas, herdadas, que faziam bem a mim e aos outros. Não estou dizendo que eu era uma má pessoa. Estou dizendo que, como um ser em construção, uma parte de nós já está construída há muito tempo. A Logosofia revela a concepção de que somos o resultado de muitas "voltas" nesse circuito terreno, como numa corrida de Fórmula 1. Nossa existência é feita de várias voltas. Não sei quantas já fiz nem quantas faltam, mas uma coisa é certa: já construímos uma parte do que somos. O problema é que há a parte boa e a parte que precisa ser aperfeiçoada, superada. Quando eu era jovem e entendi isso, tive a sensação de que não seria capaz, de que estava fadado a viver com meus defeitos. Mas aí entra o poder do conhecimento logosófico. O que o método logosófico ensina não é demolir o prédio antigo. Uma vida superada, mais feliz e plena, parte daquilo que nós já somos. Não é zerar e começar de novo; não existe um botão de reset. Precisamos partir do que somos, o que é maravilhoso. É possível refazer a vida em qualquer um dos seus aspectos, em qualquer um dos seus defeitos ou limitações. E não é só para quem começa jovem. Eu mesmo desperdicei muitos anos na superfície dessa história. Comecei verdadeiramente esse trabalho há talvez uns 15, 18 anos. Não há limitações, as possibilidades de superar a própria condição são infinitas, tanto para eliminar o que não se quer mais quanto para adquirir características positivas e, assim, refazer nossa arquitetura psicológica. A posição não é a de chamar uma empresa para demolir o prédio. É fazer uma reforma completa, partindo do que já temos. A parte boa é o que nos trouxe até aqui. Pense nisso: o que existe de melhor em cada um de nós nos trouxe até este instante. Você está ouvindo este podcast por uma única razão: porque o que há de melhor em você o trouxe até aqui, nessa busca por entender como é possível refazer a vida num sentido muito mais elevado. Não se trata apenas de melhorar as condições terrenas, mas de incorporar na essência do ser, de forma consciente e espiritual, características que são divinas. Estamos falando do tópico seguinte, que tem um nome muito sugestivo: "Como refazer a vida". É outro desses tópicos curtinhos, mas deliciosos de ler, porque me enche de esperança. É importante renovar essa esperança sempre. O exercício prático proposto pelo tópico não é refazer a vida inteira hoje. É perguntar: "Qual é a rachadura que me incomoda e na qual vou começar a atuar?". Não é nem consertar a rachadura hoje, mas observar de onde ela vem, qual estrutura está enfraquecida dentro de mim. É iniciar ou intensificar o exame do que é, hoje, a base de uma vida que vamos refazendo. Refazer a vida não é um ato de desespero, é um ato de suprema inteligência. É honrar a construção do que já somos e ter a coragem de torná-la algo ainda mais legal, mais forte, mais seguro e, finalmente, tornar esta existência um ato consciente. Muito bem, boa leitura, boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.