Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Princípio da Convergência — Por Que a Felicidade Humana Depende de Dois Fatores
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Estava pensando aqui: para onde que o meu e o seu, para onde que os nossos espelhos estão apontados hoje? Misteriosa pergunta, não? Sim, eu vou te explicar. Na China tem duas, pelo menos eu lembro de ter duas — se talvez tenha mais, não sei. Mas tem duas usinas, chamadas usinas de... acho que, se não me engano, é usina de espelho de concentração de torre central. Como é que é? Imagina a seguinte imagem — olha que incrível. Imagina um deserto, uma torre, uma estrutura que é uma torre alta, e ao redor dessa torre tem dezenas de milhares de espelhos individuais no chão, todos controlados pelo computador, e formando um círculo gigantesco ao redor dessa torre central. Bom, você já pode imaginar, né? O que cada um desses dezenas de milhares de espelhos faz? Durante o dia, ele segue o ângulo do Sol — cada um deles — e aponta o reflexo da luz que ele recebe do Sol para um ponto no topo dessa torre central, que é um ponto de concentração térmica. Não sei o nome técnico dessas coisas, claro. Aí você fala assim: "Peraí, como é que é?" É, cada um daqueles — acho que são dezenas, devem ser dez, vinte, trinta, não sei quantos, mil, cinquenta mil espelhos individuais — todos apontam, cada um, de acordo com o ângulo que está. Todos conseguem focar o reflexo da energia, da luz do Sol, no mesmo ponto que é um receptor, um ponto de aquecimento que recebe esse calor de cada espelho no topo dessa torre. Bom, quando o Sol aparece, a temperatura desse ponto na torre sai de alguns graus — que no deserto é frio à noite — para 500, 600 graus, basicamente em um instante, e permanece assim enquanto o Sol está lá, brilhando. O que fazem com esse calor? A torre utiliza esse ponto, esse ponto de recepção e de geração de um calor imenso, e transporta esse calor para dentro da torre que aquece água e sal também. Então tem uma tecnologia de conservação desse calor para durante a noite conseguir também seguir produzindo energia. Se não me engano, derrete até o sal, sabe assim? E mantendo uma massa de sal e água que é como se fosse uma bateria natural que mantém o calor durante horas e horas e horas depois que o Sol se põe. E esse calor gera vapor de água, aquece água, gera vapor — porque a gente já sabe — o vapor move, enfim, uma estrutura lá que gira e finalmente gera energia. Então, olha, é incrível, né? E o curioso é que cada espelho individualmente não faz nada. É que nem se pegasse um espelho hoje — o tamanho desses espelhos, sei lá, espelho do nosso tamanho assim, deve ser um pouco maior, não sei qual o tamanho do espelho individual — mas são espelhos assim, tamanho... ok, cada um deles reflete a luz que recebe do Sol lá para o ponto central da torre. Individualmente o espelho não muda nada e não resolve nada, não produz nada. Mas quando há a convergência de milhares e milhares e milhares de espelhos no mesmo ponto — não é à toa que a temperatura sobe imediatamente para 500, 600 graus. Ou seja, há obviamente uma realidade que é uma soma — no caso lá da usina — de todos aqueles esforços individuais, ou melhor, da luz individual de cada um dos espelhos. E quando esse esforço coletivo, esse esforço conjunto converge no mesmo ponto, é um milagre, né? É um negócio que é muito louco isso. Obviamente que é super simples de compreender o princípio, né? Eu não entendo nada de como fazer isso acontecer, nem exatamente como é que controla, como é que depois gera energia, mas o princípio é muito fácil de compreender. E a gente pode usar essa realidade da tecnologia, né? Mais uma vez, a gente como humanidade vai encontrando o conhecimento, a gente vai se conduzindo de acordo com o conhecimento que a gente vai acumulando, que a gente vai descobrindo, que vai se revelando para nós sobre os mistérios da física e de cada uma das ciências da criação — química, biologia, enfim, tudo, né? Matemática. Conforme a gente vai revelando mais e mais conhecimento, a gente vai compreendendo como fazer poderosas forças que a gente antes não usava, né? Pensa numa energia do Sol. Energia do Sol antigamente não se usava para outro fim que não das plantações, né? Ou seja, não era a energia que se usava — estava lá a energia e ela era utilizada no processo natural das plantas, de viverem, reproduzirem. Mas assim, a capacidade que a gente tem hoje já de utilizar uma energia que está disponível e convertê-la em energia de uso para a humanidade, né, é um salto tecnológico enorme. Mesma coisa o vento, né, que a gente usava antes somente para mover a vela dos barcos — ou seja, mover os barcos, né? E depois passou a ser uma fonte de energia também, claro, né? Ela também depende da existência do vento naquele momento onde ela está, mas enquanto tiver alguma massa de ar se movimentando — e não precisa de vento forte nada — aquela geração de energia funciona. Então estou dizendo, estou recordando essas outras formas para a gente entender o seguinte: há um avanço constante que vai liberando, vai destravando possibilidades. Ou seja, estou falando de um avanço constante no conhecimento, né? Há um avanço constante no conhecimento humano sobre a criação em si, do ponto de vista físico, né, do ponto de vista físico da criação, que vai liberando, vai abrindo, vai destravando para a gente possibilidades cada vez maiores de tudo, em qualquer campo, né, do conhecimento. Se a gente pensar que do ponto de vista do conhecimento transcendente, obviamente a realidade é a mesma em termos de possibilidade — por quê? Porque não existe uma coisa que funciona para o mundo físico e que não esteja ancorada num princípio primeiro no mundo metafísico, né? O que está aqui embaixo está em cima, como diria a figura lendária de Hermes. Não tem nada que esteja solto, né, na criação. A gente vê aqui no mundo físico o reflexo de princípios que estão no mundo metafísico. As próprias leis — a gente não, de novo, só para recordar — a gente não vê a lei de gravidade fisicamente, mas a gente vê o efeito da lei de gravidade. Ela está atuando sobre tudo que existe material na criação, toda matéria na criação, embora a gente não tenha percebido nem entendido isso durante milhares de anos como humanidade, até que finalmente entendemos e deciframos como é que ela atua. Ainda assim, a gente tinha entendido empiricamente uma parte dela quando a gente começou a andar em duas perninhas, né? E todo mundo repete esse mesmo aprendizado quando nasce, né? Depois que começa a crescer. Estou tentando chegar a um ponto da reflexão que é o seguinte: a gente quer mudar o mundo, né? A gente quer, né? Você não estava pensando nisso nesse momento? Eu sei, eu também penso nisso todo dia, toda hora, todo momento, mas eu penso nisso com a maior frequência que eu consigo. Por quê? Porque, no fundo, ninguém vai ser feliz sozinho, né? Ninguém pode dizer assim: "Ah, eu sou feliz independente de todo esse caos que a gente vive ao nosso redor." Não dá para ser verdadeiramente feliz, né? Por quê? Porque a gente faz parte de um conjunto. A gente pode ser feliz, mas a gente está sempre impactado pelo que o outro ou os outros — pelo que o conjunto, seja qual for menor ou maior da humanidade que a gente esteja se referindo — está fazendo. Então tudo acaba impactando nossa vida. A gente pode viver numa bolha, se quiser, protegido, com tudo que precisa, com as pessoas que a gente mais ama, mas assim, todos nós estamos sujeitos ao que acontece fora da bolha. Então, assim, a felicidade que a humanidade sempre buscou e cada um de nós segue buscando, ela precisa ser o produto de dois fatores, né? Um fator é, claro, a condição individual, em todos os sentidos, né? Que seja uma condição intelectual, mental, psicológica e espiritual que cada um de nós possa ir alcançando uma compreensão mais clara dessa engrenagem, uma compreensão mais clara das leis que governam o destino de cada ser humano. E quando eu falo isso, estou me referindo ao pensamento criador, né? A essa engrenagem que a gente... Eu não tinha a menor ideia — vou, para dizer por mim, né, sempre. Eu sempre me lembro de falar por mim mesmo, porque às vezes você já tinha muito mais ideia ou compreende melhor do que eu muitas coisas. Mas no meu caso, eu não tinha ideia. Eu não sabia nada sobre o pensamento criador, sobre os princípios da criação do ponto de vista metafísico, as leis universais. Eu não sabia que o pensamento criador determina que tudo no universo, tudo na criação, tudo na criação tem que evoluir. Embora a gente já percebeu como ser humano isso — a evolução — há muito tempo, né? Especialmente a evolução das espécies, a evolução da Terra, do sistema solar, do universo conhecido. Mas do ponto de vista individual, espiritual, consciente, nos cabe então um papel mais ainda determinante nessa frase de que tudo tem que evoluir. Porque nós não somos apenas matéria. Então a nós cabe uma evolução ainda mais, muito mais ampla que apenas a evolução da forma de viver biologicamente. Não é à toa que o conhecimento logosófico vem para despertar a consciência, com conhecimentos desse porte, com conhecimentos dessa mesma índole, essa mesma essência — conhecimentos transcendentes — para que a consciência desperte, a mente se capacite para essa jornada, que é uma jornada contínua de superação de si mesmo, a evolução de si mesmo. A logosofia chama isso de evolução consciente, é um processo de evolução consciente. Não é à toa, porque esse processo responde a esse princípio da criação de que tudo tem que evoluir. E ao ser que tem essa condição, essa capacidade estática potencial de evoluir com a consciência, a nós cabe realizar muito mais do que realizar as espécies inferiores. Bom, e o outro fator da equação da felicidade humana é a humanidade, o conjunto dos seres humanos — pelo menos a maior parte deles — estarem unidos nesse mesmo querer. Aí você fala assim: "Ah, Ronny, agora você exagerou. Imagina que a maior parte da humanidade vai se unir num querer desse, e que isso fosse — essa peça que está faltando não vai ser completada. Não dá, olha o caos que é isso. Olha o seu redor, você vai falar pra mim." Primeiro, eu olho pra mim mesmo e vejo como eu estou desunido. Ainda, mente e coração desunidos. Outro dia eu tratei disso em alguns podcasts atrás. Sim, é fato, e por isso que o primeiro fator é esse que a gente não pode escapar. A gente precisa individualmente trabalhar nesse processo de evolução consciente para que a gente vá deixando de ser fragmentos distintos, para que a gente deixe de ser um mosaico de querer, de pensamentos e de atuações e condutas, para a gente ir encontrando em si mesmo primeiro um eixo central. Então primeiro há uma concentração de esforços individual. Sim, e esse é o propósito. E é pra isso que tem a ciência logosófica, as disciplinas do método logosófico todas convergem pra isso. Mas esse outro fator, eu sei que parece um sonho. Mas de novo, vamos voltar à imagem da usina. Cada um de nós, a princípio, só pode fazer por si mesmo. Aliás, esse é um princípio mesmo, não é nem força de expressão. Não dá pra fazer pelo outro, né? Isso é uma coisa que eu tenho aprendido ao longo da vida. Não dá pra mudar o outro. E sério, eu já tentei isso, né? Quantas vezes na minha vida, desde jovem, eu queria mudar o outro. Eu queria que o outro entendesse o que eu entendo, eu queria que o outro fosse como eu, eu queria que o outro agisse como eu. E quantas vezes eu me frustrei porque o outro, seja quem fosse, não atuava e não fazia como eu faria. Quantas vezes a gente não fala isso? Já falou também? "Poxa, como é que fulano fez isso? Assim, é quase um absurdo." Pois é. E nós somos muito diferentes todos. Mais de sete bilhões, todos diferentes. Então, assim, é muito difícil, se não impossível, ser feliz se a gente espera que o outro faça as coisas como a gente faria, né? Ou entenda as coisas, ou veja as coisas como a gente vê. Porque nós somos indivíduos diferentes. Cada um vê, entende e toma as suas — vamos dizer assim — suas decisões, faz suas opções sob perspectivas diferentes. Não tem jeito. E não dá pra mudar o outro. O que dá pra fazer é favorecer que o outro perceba e aproveite o que pra ele é aproveitável daquilo que a gente sabe, daquilo que a gente pode ver. O maior exemplo disso é no trato com filhos, né? Não dá pra mudar o filho. Como eu sempre lembro, senão a gente teria crescido perfeito, né? Nossos pais teriam, ou o adulto que nos criou, teria feito da gente um ser perfeito. Porque certamente não faltou conselhos bons, úteis e indicações de conduta melhor. Mas eu, por exemplo, como filho e como criança, jovem, adolescente, recebendo conselhos de familiares a vida inteira e de qualquer pessoa mais experiente, eu só consegui aproveitar o que eu julguei que era aproveitável. O resto eu desperdicei. E mesmo que eu julguei aproveitável, muito pouca coisa eu consegui de fato mudar. Eu só comecei a mudar quando eu senti a necessidade de deixar de ser como eu era, naquilo ou naquele outro aspecto. Mas voltando ao ponto do segundo fator — o primeiro fator tá muito claro. Há uma força nessa convergência. De novo, lá nos espelhos da usina, são dezenas de milhares de espelhos para um ponto central, onde todos convergem naquele ponto. Há uma força nisso, que a gente fala assim: "Ah, Ronny, mas aí você está falando de 7 bilhões, como é que 7 bilhões vão convergir no mesmo ponto?" Aí tem muitos outros mistérios aí que eu não sei te explicar. Mas eu já experimentei várias vezes ver o efeito que tem quando vários de nós estamos unidos no mesmo pensar, no mesmo querer. É um efeito que é muito maior do que a soma das partes. É um efeito que parece um pouco de mágica, e eu acho que é. Tudo que a gente não consegue entender, explicar, parece mágica ou milagre. Então há sim um milagre, uma mágica, que é quando começam a convergir a vontade de muitos nesse mesmo ideal. E eu entendo que essa é a nossa missão aqui, juntos. É a gente ir se — vamos dizer assim — se familiarizando uns com os outros, e convergindo todos nós no mesmo ideal, cada um do seu ponto. Cada um da sua própria vida, de um ponto único, independente, diferente, próprio para cada ser humano. Mas se nossas vontades forem convergindo, e a nossa, e a das pessoas que a gente conhece — na medida que a gente vai conversando com as pessoas, na medida que a gente vai convivendo com a parte da humanidade que a gente pode conviver — se a gente puder ir favorecendo que mais e mais pessoas comecem a perceber o que está faltando e qual o caminho para aquilo que cada um de nós busca individualmente, sempre buscou, e especialmente para o que está faltando para a humanidade, qual o caminho para a humanidade sair desse estado caótico que a gente está. Se a gente conseguir ir ampliando o número de pessoas que cultivam esse propósito, esse anelo, esse querer, e isso for tomando um alcance maior, vai começar esse efeito de convergência que tem um poder enorme no mundo mental. E aí começam a atuar esses mecanismos que eu não conheço, especialmente no mundo metafísico — não sei explicar — mas que é um fato. Quando a vontade de muitos converge no mesmo querer profundo e sincero, é possível mudar o mundo. E eu volto à pergunta inicial: e aí? Para onde está apontado o nosso espelho hoje, a cada dia?