Latest / Logosofia no Dia a Dia / Do Cosmo ao Microcosmo — A Nebulosa de Conhecimentos Que Acende a Razão
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Você já sabe, né, qual é um dos temas que eu mais gosto na criação. Você sabe que eu gosto de natureza, de ecossistema, gosto um pouco de biologia, contanto que seja nessa fase mais assim de quem, como eu, não entende, né, só observa. Gosto de um pouco daquilo que é física e química, mas no sentido também daquilo que explica a criação, né. Eu nunca gostei de ir a fundo nesse tipo de linha de conhecimento, mas eu gosto de entender as coisas, né. Eu gosto de entender o universo. Desde pequeno eu busco entender o universo. Então a cosmologia, essa ciência avançada hoje da astronomia, né, que estuda o cosmo, é pra mim sempre um caminho muito útil pra gente compreender — pra mim, né, mas pra gente também — compreender do pequeno ao grande, ou do grande da criação ao que está dentro de nós. Então esse caminho é um caminho de duas vias, né. Às vezes do pequeno a gente vai ao grande, e do grande da criação a gente vem ao que fisicamente é pequeno, mas que é igualmente mensurável, que é esse mundo interno dentro de cada um de nós. Estrelas. Puxa, é coisa mais deliciosa do que ver um céu estrelado. E eu lembro do dia — nossa, eu lembro do dia, eu não lembro que dia que era, mas eu lembro do dia que eu descobri — eu não sei se alguém contou ou se eu vi num documentário, eu não consigo saber agora, não lembro qual foi o fato gerador — mas você imagina o dia que eu ainda como criança, pré-adolescente talvez, eu lembro da sensação de ter descoberto que aqueles pontinhos no céu eram na verdade bolas de fogo e de calor como o nosso sol. Veja, eu sabia que eram estrelas, mas assim, é estrela, é estrela, com o sol, mas um dia caiu a ficha, pum. E eu lembro de olhar para o céu de novo — eu acho que eu estava no Recife, eu não lembro, eu estava em Porto de Galinhas, eu estava em algum lugar lá, daquelas bandas onde eu nasci. E eu lembro de olhar para o céu, daquele céu estrelado, e aí falar, tipo assim, uau, tudo isso são bolas de fogo? É muita bola de fogo, né? E tem realmente muita bola de fogo no universo que a gente conhece, é impressionante. Agora olha que legal, como é que forma uma estrela? Começa com uma nebulosa, e isso é muito importante para a gente, hein? O tema de hoje, olha só. A nebulosa é uma nuvem escura, ainda, geralmente fria, de gases e poeira cósmica. Se é pouca massa — ou seja, se essa nuvem tem pouca massa, pouco conteúdo — nada acontece, e às vezes fica talvez milhões e milhões e milhões de anos assim, não sei se bilhões de anos, sei lá. Mas quando a massa começa a ficar mais densa naquela nuvem — ou seja, quando aquela nuvem começa a acumular mais conteúdo — começa a atuar a gravidade, e a gravidade começa a exercer uma força de atração em direção ao centro daquela massa, da nuvem. Começa um movimento de rotação e de adensamento desses elementos todos. Começa a se adensar no centro da nuvem, o que é o protótipo de uma estrela. Conforme vai aumentando essa massa no centro, vai aumentando a força que a gravidade exerce sob a massa que está na nuvem toda. E a nuvem começa a ser adensada, rotacionando num ponto central, até que um dia — que a gente fala assim um dia, parece que é na medida humana, daqui a uns anos, sei lá, milhões de anos depois, não sei quanto — adensou tanto, enquanto rotaciona e atrai essa massa toda da nuvem, adensou, adensou, adensou, concentrou, e finalmente acontece a fusão de átomos. A força, a gravidade é tão forte que o primeiro átomo se funde, os primeiros átomos se fundem entre si, por causa da pressão muito alta nesse núcleo central. E aí quando a primeira leva de átomos começa a se fundir, a estrela acende e se torna uma estrela. Você pode imaginar, eu fico emocionado só de pensar nisso assim, imaginando esse processo. Imagina ver uma estrela acendendo — é que não é um interruptor, deve ser um processo, também deve durar sei lá quanto tempo para ela realmente acender, como um sol, desde o começo dessa primeira fusão. Mas vamos considerar que ela acende para a gente, um dia na história do cosmo ela acendeu. Agora vamos pensar o seguinte: se essa é uma realidade que acontece no macrocosmo, ela tem que ser uma realidade igual no nosso microcosmo. E aí quando a gente pensa na capacidade que cada um de nós tem de julgar e discernir sobre tudo que ocorre na nossa vida, sobre a própria vida em si, sobre a experiência da vida, sobre o que acontece ao nosso redor, no mundo, essa é uma das maiores capacidades que a gente deveria ter, né? A de discernir e julgar tudo, mas obviamente não é fazer um julgamento raso ou discernir de forma leviana sobre tudo que acontece. O que a gente queria mesmo é que essa faculdade da mente — que a logosofia inclusive determina como sendo uma faculdade central da mente — que a razão ela discerne e julga, por alguma razão ela ainda é falha. E tanto é que a gente faz julgamentos, como a gente sabe, que são falhos e a gente discerne de maneira falha sobre muitas coisas que a gente vive ou que a gente observa. E aí você fala, mas é estranho, né, Ronny? Por que a gente tem uma razão, que é uma faculdade da mente, para emitir juízos, para discernir sobre tudo que ocorre, sobre o que a gente vê, observa, vive, experimenta, e por que ela é tão falha às vezes e a gente emite juízos equivocados e não consegue discernir direito e entender o que está acontecendo e o porquê das coisas? Bom, a explicação está lá naquela estrela que a gente estava vendo nascer. Linda aquela imagem, né? Vamos projetar aquela imagem agora no seguinte sentido. O que a logosofia determina, explica com muita lógica e muita clareza sobre a razão? A razão depende diretamente para existir como uma faculdade efetiva, eficiente e cumprir sua possibilidade, que existam conhecimentos à altura da razão que a gente quer ter. Ou seja, por que uma criança não consegue julgar e discernir como a gente? E se tem que ficar olhando a criança o tempo todo, não, não bota a mão aí, não faz isso, não pega aquilo, vai cair, não sei o que, menino, cuidado. É assim, né? Criança em qualquer lugar, em casa, tem sempre um adulto olhando e, cuidado, não sei o que, aí não pode, não põe a mão na tomada, não sei o que, aqui está quente, não pode pôr a mão no fogo, ó a panela, né? Por que a gente faz isso? Por que a razão da criança não discerne e não julga como a nossa? E olha que a nossa também, ainda a gente vê, a hora que a gente fala assim, nossa, como é que eu fiz isso, né? Como é que eu escolhi isso? Como é que eu tomei essa decisão? E olhando muitas vezes para trás, a gente para o passado, a gente fala, puxa, tomei uma decisão errada, julguei de forma equivocada, me apressei no julgamento, mas depois percebi que a situação não era bem aquilo. Então a gente percebe que na nossa vida, obviamente, a razão — do ponto de vista comum primeiro — ela se forma com o conhecimento que a gente vai acumulando sobre as coisas e a realidade da existência humana. Por isso que a razão do adulto é muito mais eficiente que a razão de uma criança, e isso é óbvio, mas aí a gente está falando da razão comum. Então chega um ponto que a razão comum é legal, vai ficando cada vez melhor, mais capacitada, então existe essa faculdade, é possível emitir juízos e discernir sobre as coisas comuns de forma cada vez melhor. Ninguém mais, nenhum de nós põe o dedo na tomada, não faz sentido, e a gente toma cuidado quando vai trocar uma lâmpada, toma cuidado se for mexer — no caso, quem gosta de mexer com fio de eletricidade na hora que trocar uma tomada da parede — a gente toma cuidado, por quê? Porque tem capacidade já, tem conhecimento comum suficientemente acumulado para poder não cometer o erro. Você fala, Ronny, mas e a estrela, cadê? Vamos lá, olha só. Mas o problema é que a nossa razão ainda não entrega para nós o discernimento e não consegue julgar com capacidade — pelo menos certamente a minha não — como a gente gostaria, como eu gostaria, acerca da minha vida, da minha existência consciente, das experiências que eu sou chamado a viver. Das circunstâncias e fatos que passam pela minha vida e pelas quais eu passo e que muitas vezes me afetam profundamente em vários aspectos, em vários sentidos. Por que a nossa razão, então, não está totalmente madura e super capacitada a emitir juízos e discernir sobre tudo que ocorre na nossa existência terrena e especialmente a discernir sobre a nossa vida, no sentido amplo, espiritual? Boa pergunta? Ah, a explicação está lá na estrela. Sim, e qual é? Por que eu comecei falando da estrela, da formação da estrela, do nascimento da estrela? Esse é o ponto. Olha só, a estrela nasce num processo em que a massa de poeira cósmica e de gases precisa ser adensada. Primeiro precisa existir uma massa, precisa existir gases e poeira cósmica. Então uma estrela não nasce no meio do nada. Ela nasce, ela necessita de uma nebulosa. Vamos pensar que a nebulosa são os conhecimentos — no caso, sobre a vida — os conhecimentos superiores, transcendentes, que explicam e revelam o mundo metafísico e que é preciso começar a aproximar conhecimento. É preciso começar ou seguir buscando conhecimento dessa ordem que possa ir se adensando ao redor da mente, ao redor e na própria mente de cada um de nós. A mente é algo que não tem uma dimensão física, então não é que é dentro da mente, porque não existe fisicamente dentro e fora, mas é preciso ir aproximando conhecimentos, ilustrando a própria mente primeiro. Mas não é questão de ilustração, porque senão você vai falar legal, Ronny, vamos ler livro pra chuchu, vamos ler todos os livros de logosofia, dez livros de logosofia, e aí a gente vai estar, a razão vai ser perfeita. Por quê? Porque há um monte de conhecimento transcendente que vai ficar orbitando ao nosso redor da mente. Não, o ponto da estrela, olha só, não é existir uma nuvem só, porque a nuvem em si não faz nada. É preciso adensar a matéria, a nuvem precisa começar a sofrer um processo de adensamento da matéria pra que haja pressão e condições apropriadas do ponto de vista físico pra que os átomos se fundam, olha só. É preciso então não só se ilustrar ou agregar conhecimentos na prateleira mental — é preciso dar conteúdo vital. Ou seja, é preciso adensar esse conhecimento em conteúdo próprio da vida. É preciso experimentar essa realidade que o conhecimento indica, é preciso transformar em conhecimento próprio, é preciso confirmar em si mesmo, na própria vida, todo esse conhecimento que a gente vai ilustrando, se ilustrando com ele, ou ilustrando a mente, ou fazendo orbitar propriamente. Ou seja, não adianta só essa massa de conhecimento estar orbitando a mente aqui, que nem uma nuvem — isso não adianta, não faz nada. Mas quando a gente começa a observar a vida diária à luz desses conhecimentos, a gente começa a fazer um trabalho de aproximação desses conhecimentos e de comprovação dessa realidade na proporção e na porção que a gente é capaz a cada dia. E começa então, eu entendo, esse processo de adensamento de elementos que estavam dispersos na mente. Começam a se adensar em conhecimentos reais, profundos, sobre a vida, a existência, fatos, circunstâncias, experiências, sentimentos, pensamentos, sensações, inquietudes, sobre a vida, no seu sentido mais amplo. E esse processo é um processo então de adensar conhecimento dentro de si mesmo — é o que a logosofia chama de assimilar o conhecimento, talvez. Como essa é uma imagem que eu estou fazendo, estou, obviamente, no trabalho analítico aqui, de transpor as imagens do que eu compreendi, obviamente, sempre limitado o que eu consigo compreender do conhecimento logosófico. Isso, aliás, abre parênteses. Lembre-se sempre disso: eu estou só na capacidade que eu alcancei até agora. A fonte para se entender, se conhecer e se realizar o que a logosofia propõe está no ensinamento logosófico. Eu só consigo compreender a parte que eu consigo compreender. E eu preciso que você vá além, que você compreenda a parte que eu não consegui. E que a gente vá no mundo mental somando essas pecinhas, juntando, na verdade, as pecinhas do quebra-cabeça, para a gente poder ter essa imagem cada vez maior. Fecha parênteses, voltando aqui. Então esse adensamento de conhecimentos, na medida que a gente experimenta essa realidade que o conhecimento transcendente oferece, começa a dar esse volume para a mente de conhecimentos. Que aí, então, me parece que pode fazer esse despertar ou o surgimento de uma razão finalmente alimentada pelo adensamento de conhecimentos, pelo acúmulo de conhecimentos experimentados e comprovados, assimilados. Que aí surge essa razão superior. É como se nascesse a estrela. E aí me parece, pelo que o ensinamento logosófico apresenta, me parece que é o que também possibilita o despertar da própria consciência. E aí tem uma conexão da razão com a consciência que eu ainda estou no esforço aqui de compreender exatamente. Então não vou falar sobre isso exatamente. Mas me parece que a razão superior — essa que a gente quer que faça discernimento, exerça o julgamento e discernimento sobre o aspecto superior da vida, sobre a própria vida em si, em todos os seus múltiplos aspectos — surge quando, então, se conseguiu assimilar pelo menos uma quantidade de elementos, de conhecimentos superiores que fazem, então, nascer essa luz interna que é uma razão. Por isso que o pessoal fala que a razão é a iluminação da vida ou a vida iluminada pela razão, porque a razão parece que é essa estrela que surge, então, finalmente, que acende, possibilitando, inclusive, o despertar da consciência para essa realidade. Essa imagem da estrela é linda, né? Eu não sei porque eu estou assim entusiasmadíssimo. Eu adoro — você sabe já e já viu, e está comprovando agora de novo — eu adoro essas imagens analógicas com o cosmo. Eu penso que elas estão gritando para o ser humano como uma possibilidade, como uma alavanca para que a gente entenda aquilo que está além da capacidade atual, nessas analogias que é como se fosse a grande vitrine. Para mim é como se o universo fosse a grande... A criação que a gente está descobrindo cada vez, conhecendo melhor, é a grande vitrine de conhecimentos transcendentes na sua face física, né? Mas que sempre, na análise mais detida, mostram a face metafísica. E que pode nos ajudar muito a compreender os processos que ocorrem no nosso interno, no microcosmo que cada um de nós tem dentro de si mesmo. Então parece que a razão depende diretamente dessa capacidade de assimilar conhecimentos que, então, a capacitem, né? Capacitem a razão para ser um órgão que possa, finalmente, começar a explicar para cada um de nós esses mistérios que rodeiam a própria vida, que, na verdade, acabam significando o próprio mistério da vida de cada um de nós. É lindo esse tema, não é? Eu vou seguir nele. Estou muito entusiasmado. Eu sei, você já percebeu, né? Tomara que você se sinta entusiasmado também. Estou torcendo por isso. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.