Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Regra da Cabine Estéril: O Que Pilotos de Avião Ensinam Sobre Viver Com Consciência
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Ontem à noite eu fui dormir bem feliz, assim, pensando numa das coisas felizes da vida quando a gente pode encontrar as pessoas que a gente ama — e especialmente aquelas que estão distantes da gente fisicamente. Eu tenho um irmão que mora lá em Nova York, e já está há muitos anos lá, com a família. Há três anos atrás, praticamente três anos atrás, eu fiz uma visita a ele e levei a minha filha mais velha, que na época tinha passado no vestibular. Foi mais ou menos a viagem como prêmio dela, se passasse no vestibular. E foi uma semana maravilhosa. Na verdade foi uma semana marcante, foi um marco na minha vida, porque foi uma oportunidade de conviver com ele, com a família dele, assim, de uma forma como eu nunca tinha convivido. Porque ele é 15 anos mais novo que eu, então a gente teve a maior parte da vida em momentos muito diferentes de vida, rotinas e famílias diferentes, enfim. Então eu estava feliz por quê? Porque a gente estava, já faz quase um ano, combinando mais uma visita. E por quê? Porque eu também tinha... Cada um dos outros filhos depois falou assim: se eu passar também no mesmo vestibular, também ganho uma semana na casa do tio? Eu falei: claro que ganha. Então nesse ponto eu falei com tranquilidade, porque eu tenho milhas suficientes acumuladas durante 20 anos de vida executiva, de banco. Eu tenho milhas suficientes para poder suprir os três filhos. Bom, os três passaram. Então eu vou levar o segundo filho agora, daqui um mês, e daqui um ano eu levo o outro. Mas é uma experiência tão maravilhosa de poder sair... Olha só, meu irmão está tão longe, e ao mesmo tempo está perto. Nada que nove horas e meia de voo não resolvam, na média. E ainda mais com a tecnologia maravilhosa que a gente tem hoje. Se fosse, sei lá, um século atrás, eu ia ter que ir de navio. Imagina. Sei lá quanto demorava de navio naquela época, devia demorar... Ah, não devia demorar menos que umas duas semanas, não, pelo menos. E como eu não consigo ficar mais de uma semana longe fisicamente do trabalho — que ia causar problema — seria uma impossibilidade visitá-lo. Agora, quando a gente pega uma coisa maravilhosa como essa ferramenta, essa máquina do avião, é muito confortável. Por quê? Porque a gente — eu e você geralmente, acho que a maioria dos que estão aqui — a gente senta lá na poltrona de passageiro. A poltrona de passageiro, vou te falar, não é confortável. Classe econômica já não é confortável faz tempo. Eu tenho, eu sempre lembro, tenho uma saudadezinha de como era bom quando voava na executiva pelo banco. Mas a realidade é que não faz sentido nenhum eu usar muita, muita, muita milha pra voar de executiva numa viagem a lazer. Então, no final da história, não é muito confortável. Mas o papel que cada um de nós assume no banco de passageiro é teoricamente muito confortável. Por quê? Porque a gente senta, depois que o avião já libera filme — tem filme, tem distrações, pode ouvir música. Nesses voos internacionais tem uma comidinha, não é lá essas coisas, mas tem. Enfim, a gente está lá literalmente como passageiro. Faz o que quiser, fica no celular, dorme. Eu literalmente apago rapidamente, porque geralmente já estou fora do meu horário de dormir há muito tempo, nesses voos que saem tarde da noite. Agora, pensa o seguinte: a gente só está nessa posição confortável porque a gente tem uma confiança enorme nos dois caras que estão lá na cabine de piloto. São dois caras, ou são duas mulheres, ou é uma mulher e um cara, tanto faz. As duas pessoas que a gente chama de piloto e copiloto. A gente tem uma confiança enorme neles para se colocar nessa posição de passageiro. Agora, vamos pensar: por que a gente tem uma confiança enorme nessa figura dos pilotos de um avião? E a gente tem tanta confiança que a gente nem lembra disso ou pensa nisso. Veja: eles decolam uma máquina super complexa, eles guiam essa máquina com a ajuda de computadores de bordo, claro, eles guiam essa máquina por rotas que a gente nem pensa nessas rotas. Eles administram uma série de variáveis, supervisionam uma série de variáveis de funcionamento da máquina, de tráfego aéreo durante todo o trajeto, na rota, de desvio de rota por conta de vento, de necessidade de desviar da rota para não enfrentar uma nuvem muito ruim de tempestade que vai dar muita turbulência. E, obviamente, a segurança do funcionamento de tudo para que, de manhã cedo, no começo da manhã, a gente acorde no destino. No nosso lado, como passageiro, é confortável. Por quê? Porque a gente não precisa pensar em nada disso. Mas a posição do piloto — ou seja, a conduta do piloto — é uma conduta cheia de regras, extremamente definida, extremamente clara, bem definida. Por quê? Porque a segurança, obviamente, exige isso. Então, por exemplo, você sabia que tem uma regra da cabine estéril? A cabine estéril não é a limpeza física da cabine, não. É que, assim, nas fases mais críticas de voo — que são os procedimentos de táxi na pista para decolagem, a decolagem, os procedimentos de pouso, de aproximação para pouso, esses procedimentos que ocorrem quando o avião está abaixo de mais ou menos 3 mil metros — olha que interessante, os pilotos são proibidos de falar de qualquer assunto que não seja o checklist. Ou seja, a lista de procedimentos que eles vão passando, um por um, para a decolagem, para o pouso, enfim, o que seja que o avião esteja passando naquele procedimento abaixo de altitude. É sério isso, isso não é uma regra assim: ah, faço se eu quiser. É seríssimo. Eles não podem conversar sobre nada. Não pode ter outro assunto que não o checklist. Você sabia disso? Imagino que não, a menos que você tenha tido treinamento, ou seja, seja piloto de avião. Muito bem. Olha que interessante: essa regra existe para que não haja distrações, que nenhuma distração propicie uma falha nos procedimentos e diminua a segurança do voo. A nossa segurança, de todo mundo. E tem outras regras muito claras para quem está no comando, os que estão no comando do voo. São detalhes. Por exemplo, tem uma regra do seguinte: se a gente desviar a rota um grau — um grau, digo na bússola — depois de 100 quilômetros de voo, a gente está a aproximadamente um quilômetro e meio fora de onde a gente acha que deveria estar, ou gostaria de estar. E 100 quilômetros é nada. Daqui para Nova York deve ser o quê? 6 mil quilômetros? Talvez 7 mil, não sei. Então, se a cada 100 quilômetros desvia quase 2 quilômetros, imagina — a gente chegaria em um lugar muito distante se desviasse apenas um grau na rota. E por que eu estou dizendo sobre essa regra, e as outras, vai? Porque na vida, muitas vezes — eu tento que seja cada vez menos, mas ainda acontece — muitas vezes eu assumo que eu sou passageiro da vida. Aí você fala assim: mas se você é passageiro, está tudo bem. Por quê? Porque a gente confia no piloto. No caso do voo que eu vou pegar para visitar meu irmão, é verdade. Mas e no voo da vida? Quem é o piloto? Você já pensou nisso? É uma pergunta engraçada, porque eu mesmo fiquei me perguntando mais cedo hoje e ontem à noite. Nossa, para quem que eu deleguei? Todos os momentos em que eu estava me distraindo com alguma das coisas que eu faço aqui na vida diária. Para quem que eu deleguei? Quem estava na cabine? Eu lembrei que tinha aquele filme antigo: "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!" É mais ou menos isso. Eu acho que, infelizmente, o que eu fiz durante a maior parte da minha vida foi meio que delegar para qualquer pessoa. Não é pessoa, claro, mas eu deleguei para os pensamentos. Eu deleguei o comando da minha mente, eu deleguei o comando da minha vida a pensamentos vários que estavam, cada um deles, nos seus momentos mais atuantes na minha mente. E às vezes passa-se um tempão distraído com pensamentos que são até úteis, de algum ponto de vista. Mas, na verdade, são uma distração do que seria, de fato, o comando consciente da vida. O que me impressiona sempre nesse conhecimento transcendente que a Logosofia oferece é que eu vou percebendo a realidade dessa diferença de como é que se vive a vida quando se começa a ser mais consciente de quem está no comando, quem está na cabine, quem está comandando a mente. A mente é a nossa cabine de comando. E delegar a vida, delegar o papel de comandante para os pensamentos que estiverem na mente, a ponto de a gente passar um dia todo sem lembrar quem está no comando — ou pior, sem lembrar qual o destino, ou seja, para onde a gente vai — esse é o problema quando a gente permite que qualquer um dos pensamentos que são parte da vida comum esteja comandando a vida. Porque o problema é que o destino vai ser aquele que aquele pensamento entender que é. Aí dá para entender por que que a gente vê gente que passa uma vida toda e no final percebe assim: puxa, mas eu vivi tanta coisa, mas não era isso. Não era lá. Eu não cheguei onde eu queria chegar. Aí você fala assim: ué, como é que a gente não chega onde quer chegar no final da vida, ou durante qualquer momento da vida? Por que que a gente não chega? Por que que a gente às vezes fala que a vida não é o que a gente queria que fosse? Aí você fala assim: ué, mas de quem que é a vida? É minha ou é dos outros? Se é minha, por que que não é o que eu quero? Essa é uma boa pergunta. Por que que a nossa vida não é exatamente o que a gente quer que seja? Geralmente a gente busca a culpa fora. Ah, porque fulano, o chefe, o governo, não sei quem, não importa. O marido, namorada, filho, mãe, pai. Eu sempre lembro disso porque eu sempre tive a tendência de buscar fora de mim a razão dos desvios de rumo, sabe? Mas é uma falácia. Não faz nenhum sentido isso. A vida não é o que os outros estão fazendo ou deixando de fazer, e por isso estão conduzindo a minha vida para algum canto. O problema é que muitas vezes eu ainda deixo que pensamentos vários comandem o destino dessa jornada. E o que a Logosofia está propondo quando trata das experiências, dessa conduta cada vez mais consciente frente às experiências da vida, é exatamente que a gente assuma esse papel de fato de comandante. Obviamente que exige uma conduta diferente, não é conduta de passageiro. E na verdade, embora pareça assim: puxa Ronny, mas é muita responsabilidade. É, é verdade. Por outro lado, é quem comanda o próprio destino. E não dá mais para a gente ficar delegando aos pensamentos vários que têm na nossa mente o destino, a rota. Cada um de nós precisa ir assumindo esse papel perante a própria jornada. Mas é lindo isso, porque a gente vai deixando de ser passageiro de uma vida que é cheia de variações, cheia de experiências diferentes, cheia de situações, circunstâncias, fatos que vão acontecendo e que — ainda que a gente não os controle, como o piloto não controla muitos dos fatos atmosféricos, por exemplo — estar na posição de comandante da mente pode garantir que, ainda que haja forças ou necessidade de desvio de rota momentânea, a gente não perde o rumo para o destino que a gente quer chegar. Seria um absurdo pensar que eu vou pegar um voo de São Paulo para Nova York e o voo chegasse em Las Vegas, que é no outro lado do continente norte-americano. Seria um absurdo, seria uma coisa grotesca. Ninguém admitiria isso. Mas às vezes, na minha vida, e por muito tempo na minha vida, eu vivi assim. Então, assim, parece que a gente precisa, de fato, ir tomando esse controle consciente das experiências que vão passando pela vida — ou pelas experiências que a vida vai fazendo a gente passar — para que a gente possa ir se sentindo cada vez mais seguro de que a gente está conduzindo a própria vida, a própria jornada, rumo a um destino cada vez mais elevado. Ou seja, um destino cada vez mais feliz, um destino cada vez mais sereno, um destino cada vez mais pleno da nossa existência como ser humano na Terra. Essa posição, essa qualificação de comandante — no caso da vida — eu entendo que quem nos qualifica é o conhecimento transcendente. Esse conhecimento que explica sobre o funcionamento dessa máquina maravilhosa que é o ser humano, na sua configuração biológica, psicológica e espiritual. Ou seja, essa mudança de posição de passageiro da vida para comandante de verdade não é só questão de eu querer. É uma questão de querer e de realizar esse processo como se fosse a instrução mais importante da vida. E eu entendo que é mesmo. E a gente vai percebendo que a vida vai se transformando completamente na medida que a gente vai se capacitando a comandar essa jornada cada vez com mais consciência. Esse, para mim, é um dos grandes presentes, poderes que o conhecimento transcendente oferece. Bora mudar essa posição! Vamos sair da cadeira de passageiro e vamos estar cada vez mais na cabine de comando. Espero. E vamos trabalhar para isso. Boa leitura, boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.